Viver é uma viagem fantástica


O homem é tão incrível! Os mecanismos de defesa que construímos para nos proteger, a teoria psicanalítica de um sintoma que diz ao homem de negócios ocupado que sente suas úlceras começando a se manifestar: "Vá com calma, companheiro". O sintoma que diz, quando você está tão nervoso que nem consegue falar com as pessoas:
"Cuidado. rapaz, está exagerando. Pense nas borboletas". Já ouvi falar de incríveis mecanismos de defesa que as pessoas usam, e ai de você, se quiser ajudar alguém e disser: "Ora, deixe disso, você sabe que não é isso". Lembro-me de uma mãe que se sentou diante de mim e, com toda a sinceridade, disse: "Afinal eu compreendo. Por fim entendo por que tenho um filho excepcional e por que estou presa em casa e por que eu e meu marido não podemos sair juntos e por que todas essas outras coisas, e isso é porque Deus me escolheu entre todas as pessoas do mundo, porque sabia que eu podia tomar conta dessa criança".
Isso é que é mecanismo de defesa! E você seria um ser humano bem triste se dissesse~ "Ora, Sra. Fulana, deixe de tolices".
às vezes somos sustentados - Albee chama a isso o equilíbrio delicado, e gosto disso - às vezes estamos nos equilibrando delicadamente e Deus nos livre que alguém se ache tão importante que possa abalar esse equilíbrio, tirar um mecanismo de defesa. Lembro-me de que um dia um orientador disse a uma mãe: "A senhora tem que aceitar o seu filho excepcional. Precisa".
E ela perguntou: "Por que hei de aceitar?"
Essa foi a melhor resposta que já ouvi. Como assim, "eu preciso?" O homem não é uma coisa, é uma maravilha, e tem que ser tratado delicadamente.
Em segundo lugar, o homem é capaz de mudar, e se você não acredita nisso escolheu a profissão errada. Todos os dias devia estar vendo o mundo de um modo novo, pessoal.
A árvore junto de sua casa nunca é a mesma, portanto, olhe para ela! Nunca houve dois crepúsculos exatamente iguais, desde o começo dos tempos, portanto, olhe para ele! Tudo está num processo de modificação, inclusive você. Outro dia eu estava numa praia com alguns de meus alunos e um deles achou uma estrela-do-mar, velha e seca, e, com muito cuidado, a pôs de volta na água. Ele disse: "Ah, só está seca, mas, quando tornar a se molhar, vai voltar a viver". Depois ele pensou um pouco e virou-se para mim e falou: "Sabe, Leo, talvez seja esse o processo de se fazer, talvez cheguemos a um ponto em que fiquemos um pouco secos, e só precisemos de um pouco de umidade para recomeçarmos': Quando eu me levantei da areia, exclamei: "Puxa vida!" Talvez seja isso mesmo.
Um investimento na vida é um investimento na modificação, e não posso me preocupar com a morte porque estou muito ocupado vivendo. A morte que cuide de si. Nunca acredite que você vai ter paz - a vida não é assim. Quando você passa o tempo todo mudando, tem que continuar a se adaptar à modificação, o que significa que você vai constantemente enfrentar novos obstáculos. É essa a alegria de viver. E, depois que está envolvido no processo de se tornar você, não há como parar. Está condenado!
Está frito! Mas que "viagem" fantástica! Cada dia é novo. Cada flor é nova. Cada rosto é novo. Tudo no mundo é novo, cada manhã de sua vida. Pare de ver isso como um estorvo! No Japão, a água correndo é uma cerimônia. Nós nos sentávamos numa casinha, quando se realizava a cerimônia do chá, e o dono da casa pegava uma concha de água e a despejava no bule e todos ficavam escutando. O ruído da água caindo era quase empolgante demais! Penso nas muitas pessoas que abrem os chuveiros e a água nas pias, todos os dias, sem nunca o ouvirem. Quando foi a última vez que você escutou a água? É lindo! Quando voltar para casa, hoje, abra a torneira e escute.
Herbert Otto diz: "A modificação e o crescimento se dão quando a pessoa se arriscou e ousa fazer experiências com sua própria vida". Isso não é fantástico? A pessoa se arriscou e ousou fazer experiências com sua própria vida, confiando em si. Fazer isso, experimentar com sua vida, é muito empolgante, encerra muita alegria, muita felicidade, muito assombro, e no entanto também é assustador, pois você está lidando com o desconhecido e partilha da complacência. Você pode ficar sentado e dizer:
"Está tudo bem comigo, tenho um bom emprego, um carro", mas aí você resolve que poderia mudar, isso poderia não ser mais o que você preza e, assim, você se livra da complacência.
Tenho uma forte impressão de que o oposto do amor não é o ódio e sim a apatia. É não ligar a mínima. Se alguém odeia, tem de sentir alguma coisa a respeito de mim, do contrário não poderia odiar. Portanto, deve haver algum modo pelo qual eu me possa comunicar. Mas se eles nem sequer me vêem, estou liquidado, não há meio de eu chegar a eles. Se você não gostar do meio em que está, se estiver infeliz, se se sentir só, se achar que as coisas não estão acontecendo, mude de ambiente. Pinte um novo pano de fundo. Rodeie-se de novos atores. Escreva uma nova peça e, se ela não for boa, saia do palco e escreva outra.
Há milhões de peças - tantas quantas são as pessoas.
 

Do marabilhoso livro: Vivendo, amando e aprendendo, de Leo E. Buscaglia
 

 

 

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