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Nossas vidas são tão
complicadas — embrulhadas como estão com contas bancárias, apólices de
seguro, impostos de renda, móveis, parentes, números de telefone e toda
espécie de dados diversos sobre quilometragem de automóveis e boletins
meteorológicos —, que freqüentemente perdemos de vista as verdades
fundamentais. Uma verdade fundamental é que todos temos dentro de nós
instintos para a sobrevivência vitoriosa no mundo.
Podem sobrevir obstáculos, podem sobrevir dificuldades — quem sabe, como o
Professor Higgins se queixou em My fair lady, seus parentes possam
atacá-lo em grande número —, mas você tem dentro de si, como toda pessoa,
os instintos de sucesso que chamo de mecanismo de sucesso.
A luta para libertar esses instintos, para utilizá-los na luta pela vida,
é principalmente interna. Você deve discutir o assunto consigo mesmo. Deve
decidir se está determinado a viver a boa vida; deve convencer-se de que
as coisas boas são um direito seu.
Isso nem sempre é fácil porque muitos indivíduos foram doutrinados com a
crença de que nasceram para sofrer. É uma crença que se deve extirpar com
tanta premência como se a pessoa sentisse que tivesse ingerido
inadvertidamente uma garrafa de veneno.
Você deve lembrar-se de que pode sentir-se vitorioso e feliz — e você deve
fixar os padrões que constituem o seu sucesso. Deve ser um sucesso em sua
imagem, ou será um fracasso.
Uma história interessante acode-me à memória. Contei essa história há
alguns anos quando realizei uma conferência na municipalidade de Nova
York.
Quando Franklin D. Roosevelt era presidente, fiz uma operação numa amiga
de sua esposa. A Sra. Roosevelt convidou-me a ir à Casa Branca, em
Washington; eu devia passar a noite na Sala Amarela, perto do quarto em
que alguém me disse que Abraham Lincoln dormira.
Fiquei lisonjeado. Não, fiquei superemocionado. Não dormi a noite inteira.
Em vez disso, passei a escrever para minha mãe, meus amigos — até para
meus inimigos — em papel timbrado da Casa Branca.
Como um garoto, eu brincava nas ruas da zona "brava" de Nova York, o Lower
East Side.
"Max", eu disse comigo, "você chegou aonde queria."
De manhã, desci para fazer minha refeição matinal onde a Sra. Eleanor
Roosevelt era a anfitrioa. Era uma senhora adorável; havia um encanto
extraordinário em seus olhos. Aceitei ovos mexidos e fui então encaminhado
para uma bandeja abarrotada de peixe defumado. Comi quase tudo, embora
sempre houvesse detestado peixe defumado. Olhei para o peixe defumado com
horror.
A Sra. Roosevelt sorriu para mim.
— Frank adora peixe defumado — disse ela, referindo-se ao presidente.
Considerei o assunto.
"Quem sou eu", pensei, "para recusar esse peixe defumado? Certamente o que
é bom para o presidente tem de ser bom para mim!"
Assim, servi-me de peixe defumado, comi-o com> os ovos — e naquela tarde
estava doente. De noite, eu ainda estava enjoado.
Qual é o significado desta história?
Muito simples.
Perdi de vista a imagem de mim mesmo.
Eu não queria o peixe defumado e não devia tê-lo. comido. Ao tentar imitar
o presidente, por respeito, traí minha auto-imagem. Foi uma traição
insignificante; seus maus efeitos foram superficiais e não demoraram muito
tempo.
Contudo, indica um dos perigos mais comuns na estrada do sucesso.
Um sucesso aos olhos de outras pessoas que não constitui a consumação de
seus desejos em sua imagem não é sucesso.
É um fracasso.
Profundamente arraigado na cultura americana de hoje, com a passividade
indefesa de um bebê de seis semanas de idade agarrado à mãe, está o
complexo que se chama "acompanhar os Jones". A idéia básica desse complexo
é que, se seu vizinho ou seu amigo tem um carro novo, você deve ter um
também, se ele tem uma casa nova, você deve comprar uma também — e onde
termina essa competição boba eu não sei.
O que sei é que essa forma de "sucesso" é fracasso; diminui o conceito da
pessoa com respeito à integridade de sua individualidade. Ela renuncia à
condição de sua própria imagem, como eu fiz quando imitei o Presidente
Roosevelt, e mete-se numa competição sem sentido que não satisfaz sua
alma.
Lembre-se disso: sua melhor orientação para o sucesso é a sua aceitação de
si mesmo, viver da melhor maneira possível.
Um homem pobre pode obter mais sucesso do que um rei se sua auto-imagem
for mais forte.
Se você ler estas palavras com descrença, pensando consigo mesmo: "Ele
realmente não acredita nisso", lembre-se intimamente dos grandes
estadistas, milionários, artistas de cinema, homens públicos, que
cometeram suicídio ou mergulharam em outras formas de desgraça porque não
puderam chegar a um acordo consigo mesmos.
Porque um homem pobre pode obter mais sucesso do que um rei.
Você, rico ou pobre, jovem ou velho, pode sentir-se vitorioso se
compreender o poder de seus pensamentos e imagens, e terá, em sua mente,
um sentido de sucesso.
Então estará pronto para marchar para suas metas e viver cada dia
plenamente.
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