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Cada dia, várias vezes
por dia, quando você estiver barbeando-se ou passando batom, escovando os
dentes ou lavando o rosto, mire-se no espelho. Qualquer espelho serve,
desde que não esteja quebrado ou embaçado; a idéia fundamental é que você
tenha uma boa visão de si mesmo.
Examine atentamente sua imagem física. Não corra para sua próxima
atividade afobadamente: permaneça ali um pouco e olhe. Depois que terminar
de escovar os dentes, se lavar ou seja lá o que for, permaneça mais alguns
minutos e refamiliarize-se com seu rosto.
Por que "refamiliarize-se"? Porque haverá a possibilidade, se a sua mente
for uma fonte de preocupações, de que você tenha esquecido a natureza de
sua verdadeira imagem física. Você a perdeu. Você a perdeu para os medos
obsessivos, as inquietações, a depressão. Você pode facilmente imaginar
caras que o ameaçam: talvez a do seu chefe ou de um competidor que o
derrota em certas coisas ou de um policial que o faz sentir-se culpado
enquanto ele preenche um talão de multa por alguma pequena infração de
trânsito. Mas... e a sua própria imagem, você a perdeu? Se a sua
auto-imagem está fraca, você sem dúvida a perdeu.
Contudo, devo primeiro esclarecer uma coisa: isto não pretende ser um
exercício de amor-próprio; o estímulo do narcisismo só lhe fará mal. Não
olhe para si mesmo e diga que você é perfeito, que você é melhor do que
outras pessoas! Isso seria uma distorção e só lhe arranjaria inimigos ou
pessoas que rissem de sua bobagem.
Essa mirada no espelho é uma operação de salvamento: é um salvamento de
sua imagem física da avalancha de forças vitais que podem afundá-la. Você
está revivendo sua própria imagem física; como lhe mostrarei, você também
reviverá a imagem emocional emanada de si mesmo, e as uniremos num quadro
realista, integrado, daquilo que você é, um ser humano procurando fazer o
possível para si e para os outros num mundo cheio de caminhos para uma
vida cheia, criativa.
À medida que você se olhar no espelho, procure não ser vítima do oposto ao
narcisismo: a autocrítica destrutiva. As suas feições podem não ser
perfeitas; não espere perfeição. Aceite sua imagem como ela é.
Sua finalidade é a autodescoberta — ou a auto-redescoberta. Desvencilhe-se
da rede de inquietações e tensões que giram dentro de sua cabeça,
liberte-se dos sentimentos temerosos infantis que o tolhem, e apenas mire
o seu rosto durante algum tempo. Pois é o rosto de uma pessoa que tem
vivido através de suas experiências e tem obtido sucessos — poucos talvez,
pequenos talvez, mas sucessos.
Veja a pessoa por trás do rosto, o ser humano por trás do rosto. Mire-se
realisticamente e mantenha viva essa imagem de si — mas seja bom para si
mesmo e procure em seu recôndito de experiências seus sucessos, seus bons
momentos, seus sentimentos vitoriosos.
Você gira em torno de sua auto-imagem; sua linha de vida está ligada a
ela. Quando você se aventura no mundo das pessoas e coisas, se sua
auto-imagem for forte, você se sentirá à vontade nesse mundo — mesmo com
seus perigos e incertezas. Você só se retirará se sua auto-imagem for
fraca e, portanto, as opiniões das pessoas o perturbarem.
Há muita discussão a respeito do espaço extraterreno hoje em dia, mas
certamente é óbvio que o "espaço interno" de sua mente é que é importante
para você. Não duvide da imperiosidade dessa exploração do "espaço
interno".
Veja a si mesmo realisticamente, fisicamente, emocionalmente; veja em sua
mente, então, as experiências vitoriosas na vida; imagine-as vezes e mais
vezes e mais vezes até se tornarem parte de você.
Todo dia olhe para você, fisicamente, analise sua mente e trabalhe para
fortalecer sua auto-imagem, sempre procurando fortalecer esse "espaço
interno" de sua mente.
Faça todo dia uma viagem de descoberta nesse "espaço interno". Você pode
contar regressivamente de dez a zero e perguntar a si mesmo: "Como está
minha auto-imagem hoje?"
Simbolicamente, você está numa bicicleta andando para a frente. Não a faça
andar para trás. Só existe uma espécie de retirada criativa; uma retirada
permanente dos erros, fracassos e desgostos do passado. Corte agora o
cordão umbilical dos sofrimentos do passado; deixe o passado perder-se na
órbita do tempo. A vida significa ir para a frente, quer você saiba disso,
quer não. Entre em órbita com a vida; não se retire para o espaço vazio.
Quando olhar em seu espelho, diga a si mesmo que irá para a frente, que
não se submeterá passivamente à opinião dos outros, mas que estará
consigo, cara a cara consigo mesmo, fortalecendo a si próprio, apoiando a
si mesmo.
É esse sentido de si mesmo que ajudará você a viver criativamente.
Todo dia aproveite os seus poucos minutos em frente de um espelho para se
aproximar de si, da maneira sensata que descrevi, e estará formando a
auto-imagem de que precisava para ter uma vida fértil.
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