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"Incerteza" é uma
palavra-chave em nossa vida. Devemos viver com incerteza e governar nosso
navio através dos caminhos perigosos da vida — ou retirar-nos da vida,
isolando-nos numa caverna, numa ilusão ou no tédio.
Já que há poucas garantias para tranqüilizar-nos, devemos aprender a
dominar esses perigos com o melhor de nossa habilidade, e ainda viver
contentemente.
Depois do processo "traumático" de nosso nascimento, vivemos os momentos
incertos, de minuto em minuto, de um bebê em quem um sorriso tolerante é
seguido de um grito indignado de raiva e um urro de gargalhada — tudo isso
no espaço de trinta segundos.
Então vêm as incertezas da infância, em que dependemos de nossos pais,
cujos destinos flutuam de acordo com completos fatores econômicos,
emocionais e sociológicos, que ainda não conseguimos compreender.
O período de adolescência que se segue é ainda mais incerto. Somos
crianças ou adultos — ou que somos nós? Como devemos comportar-nos para
com os adultos? Que é essa coisa chamada sexo — é boa ou má, a quem
devemos pedir opinião e o que fazer a respeito? Por que meus parentes
ainda me tratam como uma criança? Eu já sou crescido — sou mesmo?
A condição de adulto traz consigo novos problemas, novas incertezas. A
escolha das vocações, as decisões a serem tomadas sobre casamento e
companheira (ou companheiro) de casamento, filhos e atividades sexuais,
sobre compromissos comerciais e pontos de vista políticos, proteção de
seguros e participação comunal ou não-envolvimento, estratégias de jogo ou
não-jogo — eu poderia escrever páginas e mais páginas sobre os conflitos
que um adulto responsável deve enfrentar e as incertezas que cercam suas
decisões e as consequências de suas escolhas meditadas.
Os anos de aposentadoria também trazem problemas: ociosidade forçada e, em
sua forma mais brutal, o medo da morte.
Durante toda a sua vida muita gente se preocupa com golpes trágicos — o
arrimo da família perder seu emprego, um incêndio que destrua um lar, um
acidente de automóvel em que um ente amado se torne aleijado — e tais
coisas são possibilidades reais com as quais a gente deve aprender a viver
sem enfiar a cabeça na areia.
Qual é a resposta a esses dilemas da vida?
Ela é simples, realmente. Mais vida, reafirmação da vida, enquanto houver
vida — vida, com a ajuda de uma auto-imagem sadia que lhe dará o sentido
de certeza de que você precisa.
Algum dia todos nós morreremos, esta é a lei da vida, imposta por Deus, e
nada podemos fazer a respeito. Mas, enquanto vivemos, será que vivemos
realmente?
Será que vivemos realmente — ou apenas ocupamos espaço enquanto vamos
atravessando os movimentos da vida? Será que apreciamos cada ano, cada
mês, cada dia — ou procuramos passivamente suportar os momentos
enfadonhos? Será que vemos as árvores, cheiramos as lindas flores,
convivemos com nossos amigos, saboreamos nossas costeletas de carneiro,
amamos nosso trabalho — ou estamos tão obcecados de preocupações que a
vida não pode entrar em nossa mente perturbada?
Como bebês, nascemos com um sorriso que vence o primeiro grito de dor.
Enquanto vivemos, devemos viver construtivamente, de modo que, de vez em
quando, um sorriso irrompa da dor.
Agora, que dizer das amizades — um dos principais ingredientes de uma vida
rica?
Há um ditado que afirma que "o cão é o melhor amigo do homem", mas
automaticamente não concordo com ditados bobos como esse. Gosto muito de
cachorros, mas, se minhas observações são corretas, um cachorro estará
muito longe de ser o seu melhor amigo se você não cuidar dele da maneira
pela qual ele está acostumado.
O melhor amigo do homem — o melhor amigo de qualquer homem — é a sua
auto-imagem. Se ele se vê como um bom sujeito, está no caminho do
contentamento; se ele não se vê assim, causará a sua própria ruína.
John ou Tom ou Alice ou Eleanor podem ser seus amigos — e talvez um deles
seja um amigo valioso —, mas o seu melhor amigo é a sua auto-imagem. Outra
pessoa pode gostar de você, pode até sair do caminho para ajudá-lo numa
crise, mas não pode viver por você. Não pode tomar suas decisões, não pode
participar de suas alegrias e desgostos; mais ainda, não pode dar-lhe a
capacidade de sucesso ou fracasso, de auto-aceitação ou auto-rejeição.
Sua auto-imagem pode dar-lhe essa capacidade. Pode dar-lhe o sentido da
certeza do que você vive. Se você se vê como uma pessoa agradável, se a
figura que você faz de si mesmo é satisfatória, você vive com uma forma
maravilhosa de certeza: a convicção de que, quando os fatores
incontroláveis se virarem contra você e os acontecimentos temporariamente
se opuserem a seus desejos, você conseguirá sustentar-se.
Haverá sempre momentos de adversidade atingindo-o do mundo externo, bem
como dúvidas íntimas afligindo-o lá dentro. A verdadeira prova de sua
amizade por si mesmo é quando você se reorganiza em seu próprio auxílio,
quando precisa do amparo consolador de seu melhor amigo — você. Quando
você está seguro desse amortecimento interno na crise, então sabe que está
certo neste mundo incerto.
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