|
Durante muitos anos,
vivi de forma cautelosa e defendida. Eu não sabia como ter amor e
compaixão por mim mesma. Quando fiz quarenta anos, isso começou a mudar.
Quando comecei a amar tudo o que sou, a vida se transformou, abrindo-se em
lindos e misteriosos caminhos. Meu coração ficou mais leve e eu passei a
ver as coisas de forma diferente. Fui me comprometendo cada vez mais a
seguir esse chamado interior, e percebi a presença constante de uma
inteligência divina que guiava minha vida. Dou a essa inteligência o nome
de graça, sempre disponível para todos nós.
Nos últimos doze anos, fui aprendendo a reconhecer e a aceitar esse
verdadeiro presente. Cultivar o amor e a compaixão por mim mesma tornou
isso possível.
As etapas que vou descrever são minhas. As suas podem ser diferentes, mas
espero, de todo o coração, que as minhas despertem em você essa ânsia que
existe em todos nós.
Quando me amei de verdade, deixei de me contentar com pouca coisa.
Quando me amei de verdade, tomei contato com a minha própria bondade.
Quando me amei de verdade, comecei a valorizar o dom da vida com a maior
gratidão.
Quando me amei de verdade, pude compreender que, em qualquer
circunstância, eu estava no lugar certo na hora certa. Então, pude
relaxar.
Quando me amei de verdade, consegui moderar meu ritmo e minha pressa. E
isso fez uma enorme diferença na minha vida.
Quando me amei de verdade, comprei o colchão de penas que desejava havia
anos.
Quando me amei de verdade, aprendi a gostar de estar sozinha, rodeada pelo
silêncio, usufruindo sua magia, prestando atenção ao meu espaço interior.
Quando me amei de verdade, percebi que posso não ser uma pessoa especial,
mas que sou única.
Quando me amei de verdade, reformulei meu conceito de sucesso e a vida
ficou mais simples. Ah, quanto prazer isso me trouxe!
Quando me amei de verdade, entendi que sou digna de conhecer Deus
diretamente.
Quando me amei de verdade, comecei a ver que eu não tinha de sair em busca
da vida. Se eu ficar quieta e parada,
a vida vem até mim.
Quando me amei de verdade, deixei de achar que a vida é dura.
Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é um
sinal de que estou indo contra a minha verdade.
Quando me amei de verdade, deixei a menina levada dentro de mim pular do
último trampolim da piscina.
Quando me amei de verdade, aprendi a satisfazer meus desejos, sem achar
que era egoísmo.
Quando me amei de verdade, partes minhas que eu ignorava desistiram de
disputar minha atenção. Foi o início da paz interior.
Comecei então a ver tudo mais claro.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber que os desejos do coração
acabam se realizando e passei a ter mais calma e paciência, exceto quando
esqueço disso.
Quando me amei de verdade, desisti de ignorar ou de suportar meu
sofrimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber todos os meus sentimentos,
sem analisá-los. Sentindo-os de verdade. Quando faço isso, acontece uma
coisa incrível. Experimente. Você vai ver.
Quando me amei de verdade, meu coração se encheu de tanta ternura que pôde
acolher tanto a alegria quanto a tristeza.
|