Como usar a visão interior
Para as pessoas comuns não é fácil dirigir o movimento
das coisas. Nelas, os pensamentos contrários de dúvida e temor surgem do
subconsciente. São os “exército dos inimigos”, que devem ser postos em fuga.
Isso explica porque é que, geralmente, a “escuridão é maior antes do alvorecer.”
Uma grande demonstração geralmente é precedida de pensamentos atormentadores.
Ao fazerdes a afirmação de uma alta verdade espiritual, desafiais as antigas
crenças do subconsciente e o “erro aparece” para ser expulso. É nessas ocasiões
que deveis fazer repetidamente vossas afirmações, regozijando-vos e dando graças
como se já tivésseis recebido, pois como disse o Altíssimo: “Antes que me
chamem, lhes responderei.”
Isso quer dizer que “todo bem e toda dádiva perfeita” já vos pertencem e estão à
espera de vosso reconhecimento. Só podeis receber aquilo que vos vedes
recebendo. Possuis somente a terra que está ao alcance de vossa visão mental.
Todas as grandes obras, todas as grandes realizações, foram levadas a efeito
pela conservação da visão na mente e, muitas vezes, pouco antes do grande
triunfo, vem o insucesso aparente e o desânimo.
Quando chegaram à “Terra Prometida”, os filhos de Israel tiveram medo de entrar,
pois diziam que estava cheia de gigantes, diante dos quais se sentiam como uma
planta, rastejante. “E vimos gigantes e, pela nossa vista, nos julgamos perante
eles como plantas rasteiras.” Essa é a experiência de quase todos.
Entretanto, se conhecerdes a lei espiritual, não vos perturbareis pela aparência
e vos regozijareis “ainda mesmo quando vos encontrardes no cativeiro.” Quero
dizer que conservareis a vossa visão e agradecereis pela realização de vosso
objeto, pois tereis recebido.
Jesus Cristo nos apresentou um admirável exemplo disso. Declarou aos Seus
discípulos: - “Não dizeis- vós, que ainda faltam quatro meses para o tempo
da colheita? Pois, eu vos digo, levantai os olhos e olhai para os campos; pois
já estão maduros para a colheita.”
A visão clara que tinha penetrara além do “mundo material” e Ele viu com clareza
no mundo da quarta dimensão - as coisas como realmente são perfeitas e completas
na Mente Divina.
Assim também vós deveis conservar a visão do objetivo de vossa peregrinação e
pedir a manifestação daquilo que já recebestes. Poderá ser a vossa saúde
perfeita, o amor, o suprimento, a vossa expressão completa, o lar ou as
amizades.
Todas essas coisas são idéias acabadas e perfeitas, que estão registradas na
Mente Divina ou vossa própria, mentalidade superconsciente e devem expressar-se
por vosso intermédio.
Como exemplo, citarei um fato relatado por uma esoterista norte- americana. Diz
ela:
“Um indivíduo se dirigiu a mim, pedindo que fizesse “tratamentos” ou afirmações
para o seu êxito. Era de absoluta necessidade que arranjasse, dentro de um tempo
determinado, cinqüenta mil dólares para atender aos compromissos de seu negócio.
Quando se dirigiu a mim, o prazo estava próximo a expirar.
Ninguém queria colocar dinheiro em sua empresa e o banco recusava francamente
fazer-lhe um empréstimo.
“Quando me contou isso, respondi-lhe: “Julgo que perdestes a calma, no banco, e
ficastes sem forças. Podeis dominar qualquer situação desde que domineis
primeiramente a vós mesmo. Voltai novamente ao banco.” E acrescentei: “Fareis
meu tratamento.” Esse tratamento consiste na seguinte afirmação: “Estais
identificado em amor com o espírito de todos os que se relacionam com o banco.
Surja dessa situação a idéia divina!”
“Respondeu-me ele: “Senhora, estais falando numa coisa impossível.
Amanhã é sábado; o banco fecha ao meio-dia; o trem só me permitirá estar aqui às
dez horas; o meu prazo finda amanhã e eles não querem emprestar. É tarde
demais.”
“Repliquei-lhe: “Deus não precisa de tempo e nunca atrasa. Com Ele, todas
as coisas vos são possíveis. Nada sei de negócios, mas tenho um conhecimento
perfeito sobre Deus.”
“Objetou ainda: “Tudo me parece muito bonito quando me encontro aqui a
escutar-vos, porém, quando me vou embora, é terrível.”
“Residia numa cidade distante, e não tive mais notícias dele durante uma semana.
Chegou, então, uma carta. Dizia: “Tínheis razão. Emprestei dinheiro do banco e
nunca mais porei em dúvida a veracidade do que dissestes.”
“Encontrei-o semanas depois e perguntei-lhe: “Que foi que sucedeu?
Evidentemente, tivestes tempo bastante, não é verdade?”
“Respondeu-me: “Meu trem chegou atrasado, e me achei aqui somente quando
faltavam quinze minutos para meio-dia. Entrei calmamente no banco e disse:..”Vim
fazer o empréstimo. E me atenderam sem fazer objeção alguma.”
“Eram os últimos quinze minutos que lhe restavam e o Espírito Infinito não se
atrasou. Neste caro, aquele homem não poderia alcançar o resultado por si só.
Precisava que alguém o ajudasse a manter a mente firme na visão É coisa que cada
qual pode fazer para os outros”.
Do livro Alegria e Triunfo, de Lourenço Prado
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