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Os
usuários de drogas procuram, mais do que qualquer outro ser humano,
grandes aventuras, mas, para nosso espanto, transformam suas vidas num
canteiro de tédio e rotina. Eles “matam a galinha dos ovos de ouro” do
prazer existencial.
Grande parte dos estímulos que causam prazer no homem não vem das
grandes conquistas, tal como a aquisição de um carro novo ou um elogio
público, mas dos pequenos elementos da rotina diária, tal como um beijo
de uma criança ou um olhar carinhoso.
Quem não aprende a contemplar o belo num diálogo descontraído e no
colorido das flores, enfim, nos pequenos detalhes da vida, será
invariavelmente um miserável no território da emoção, ainda que seja
culto, tenha status social e seja abastado financeiramente. O homem
moderno, em sua maioria, apesar de ir ao cinema, ter uma TV, acessar a
internet e possuir diversas outras formas de entretenimento, não é
alegre, seguro e livre dentro de si mesmo. Se o homem moderno tem tal
tendência, imagine o caos emocional que não enfrenta os que vivem no
cárcere das drogas. Estes fazem de suas vidas uma sinfonia de dor
emocional.
Não encontrei até hoje um usuário de drogas que me dissesse que sua
vida era um oásis de prazer, mas encontrei diversos que me disseram que
ela se tornou um deserto sem sabor.
Por que muitos usuários pensam em suicídio? Por três grandes motivos:
perdem a capacidade de sentir prazer pela vida, não adquirem habilidade
para trabalhar suas perdas e frustrações e não sabem suportar qualquer
tipo de ansiedade e humor deprimido.
Os usuários de drogas comportam-se como se fossem os mais fortes dos
homens, pois, se necessário, colocam suas vidas em risco para obter a
droga, mas no fundo são frágeis, pois não suportam qualquer tipo de
sofrimento. A dor emocional é um fenômeno insuportável para eles. A dor
que qualquer velho ou criança suporta, eles não suportam. Por isso,
buscam desesperadamente uma nova dose da droga para aliviá-la. Nesse
sentido, muitos usuários, após ficarem dependentes, usam as drogas como
tranqüilizantes e antidepressivos, ainda que elas sejam ineficazes.
Quanto mais se envolvem neste círculo vicioso, mais se deprimem. Quanto
mais fogem da solidão, mais solitários ficam. Quanto mais fogem da
ansiedade, mais se tornam parceiros da irritabilidade e da
intolerância. Nos capítulos iniciais de sua relação com as drogas,
vivem a vida como se ela fosse uma primavera incansavelmente bela, mas
nos capítulos finais perdem todas as flores que financiam o encanto da
existência, e transformam-na num inverno inesgotável. Nas primeiras
doses sentem-se imortais, zombam do mundo e o acham careta, mas com o
passar do tempo matam-se um pouco a cada dia. Definitivamente, usar
drogas é um desrespeito à própria inteligência.
A questão das drogas é muito mais séria do que a questão moral ou
jurídica. Elas não devem ser usadas porque são proibidas e nem somente
porque trazem prejuízos físicos, mas porque encerram a emoção num
cárcere, esfacelam o sentido da vida e destroem o mais nobre dos
direitos humanos – a liberdade.
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