O poder destrutivo da ansiedade
Preocupar-se, que mecanismo é esse?
Que sintomas são despertados a partir da pré-ocupação de nossa mente e coração
com coisas e pessoas que nunca foram e não sabemos ao certo se serão? É bom
lembrar que, para o bem e para o mal, o cérebro não distingue a realidade do que
não é real. Assim, o ansioso provoca em seu corpo as reações que teria de fato
diante da situação verdadeira, mesmo que a “tragédia” ocorra apenas na sua
imaginação. A partir de um fato hipotético, muitos sintomas desagradáveis podem
ser disparados pela ansiedade.
O processo fisiológico que provoca o estado de ansiedade é semelhante ao que é
acionado quando sentimos medo: hormônios estimulantes são liberados na corrente
sangüínea, fazendo o coração bater mais rápido e dirigindo o fluxo para onde ele
é mais necessário. Geralmente o suprimento de sangue diminui para a pele e o
abdômen, aumentando para os músculos. Dentre os distúrbios mais comuns apontados
por terapeutas que consideram a psicossomática, a ansiedade pode provocar
aborto, amnésia, anorexia, apendicite, asfixia, azia, cãimbras, cólicas,
diarréia, disfunções do apetite, da bexiga, enfisema, enjôo, esterilidade,
frigidez, gastrite, hemorróidas, impotência sexual masculina, indigestão,
insônia, mal de Parkinson, miopia, náuseas, obesidade, paralisia, problemas de
pele, problemas na parte inferior das pernas, problemas nos quadris, problemas
respiratórios, úlceras, urticária. Precisa mais?
A frustração gerada pela ansiedade leva a processos autodestrutivos: comer,
beber ou fumar demais tornam-se “hábitos naturais”. Sacrificando o controle do
corpo, o ansioso tenta atingir o controle da mente; aliás, ele é um (péssimo)
controlador em potencial, pouco dado a mudanças e desastrado no trato com
imprevistos. Afinal, tudo deveria ter sido calculado por sua mente ansiosa
perfeccionista...
A prova mais cabal de que a ansiedade não presta
pra nada é que ela não contribui minimamente para que consigamos atingir o
resultado almejado. Convido-o agora a relembrar um momento da sua vida em que
você experimentou um estado de ansiedade; reflita sobre como as coisas se
desenrolaram: em algum momento a ansiedade trouxe qualquer tipo de contribuição
para que você chegasse ao resultado final desejado? Na verdade, o seu cliente
vai assinar — ou não — aquele contrato importante quer você
passe o fim de semana jogando tênis, quer fique roendo as unhas e perambulando
insone pela casa feito um espírito obsessor... Pense nisso toda vez que sua
âncora de ansiedade disparar...
Não há limites para os males causados pela ansiedade; tanto ela pode conduzi-lo
a decisões precipitadas e errôneas quanto pode paralisá-lo num estado
imobilizador de pânico. Estar interessado num determinado assunto ou meta não
exige que você se mantenha preocupado. Por isso, querido leitor, faça como eu,
que neste exato momento, depois de toda esta reflexão, decido agora jogar minha
ansiedade no lixo! Eu recomendo...
“Alô! Hummm, que surpresa boa! Jantar no japonês? Ótimo! Depois pegar a última
sessão do Desafio no Bronx? Perfeito!! Não, um pouquinho mais tarde... Afinal,
pra que a pressa?...”
Trecho do livro Prazer em Conhecer-se: Treinamento em inteligência emocional, de Regina Maria Azevedo
Nosso site: