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Algumas nações têm, por
tradição, leis que obrigam seus povos a meditar e a orar; pronunciam seus
mantras e sutras e, assim, conservam suas tradições inabaláveis perante os
que se lhes opõem. Ainda assim, seus corpos adoecem, suas terras são
ameaçadas por invasores e, em outras regiões, a fome e as guerras os
consomem. Começam, então, a dar asas às suas fantasias, acreditando em
maldição divina e, com a mente cega à Verdade, interpretam as Escrituras
Sagradas conforme a alucinação de seu estado emocional alterado. Após a
morte de Sakiamuni (o Buda), formaram-se grupos que subdividiram a verdade
pregada em várias linhas budistas, transformadas pela influência de outros
pensadores. Muitas delas brigam entre si, velada ou abertamente,
afirmando, convictas, que somente com seus métodos é que o ser humano
poderá romper o carma negativo de sua vida e encontrar a iluminação.
Jesus, no seu retorno a Jerusalém após longas viagens, trouxe
conhecimentos importantíssimos que revelou aos seus seguidores,
induzindo-os a aplicar a verdade prática em seu cotidiano. Curavam-se,
então, a si próprios e conquistavam seus ideais com o perdão que libertava
a mente do sofrimento. E até isso, com o tempo, foi sendo transformado nas
Escrituras, adaptadas suas frases à época e à conveniência de cada um,
eliminando dos Livros Sagrados toda idéia mística porque dava liberdade
demais aos homens.
Aprendemos, então, aquilo que as escolas nos ensinam e aquilo que as
religiões colocam como verdade.
Não tenho, aqui, nenhuma pretensão de criticar, apenas quero mostrar que
podemos resgatar conhecimentos esquecidos que nos possibilitam olhar a
vida com mais esperança e mudar o rumo dos acontecimentos.
Se não encontramos as respostas que buscamos em livros ou templos, nem
pelas orações e meditações, é porque o ensinamento mais importante não
está sendo aplicado: o poder do pensamento.
Muitos livros foram lançados no século XX abordando esse tema para que as
pessoas começassem a aplicar o pensar correto em seu cotidiano e
observassem, atentamente, as mudanças que ocorreriam em suas vidas, tanto
no campo financeiro, quanto no da saúde e até nos relacionamentos familiar
e social. Mas a impaciência, o imediatismo e mesmo o sentimento de culpa,
este muitas vezes gerado pela religião, fazem com que as pessoas ignorem a
porta da sabedoria que é a mente esclarecida. Tudo acontece quando
pensamos. O pensamento gera emoções, que geram palavras, que geram
comportamentos, que causam conseqüências, boas ou más, para a pessoa e
para os outros. Em seguida somos atingidos pelo retorno físico e moral do
pensamento que gerou emoções, palavras, ações e conseqüências. A
simplicidade dessa
lei de causa e efeito afasta da mente dos homens a possibilidade de ser
essa a razão de seus sofrimentos, e, com isso, o aprendizado dessa
profunda verdade fica estagnado.
Perceba que, mesmo dentro de sua religião, quer você busque Deus, Darma,
Jeová, Jesus, Buda ou Maomé, é através do pensamento que seu coração entra
em sintonia com seu Deus. Mesmo para o zen- budismo, que elimina o
pensamento através da meditação, é necessário pensar-se para organizar uma
postura interna antes de encontrar o vazio e a luz. Quando os pensamentos
estão confusos, nada se constrói e as emoções e ações são sempre
desastrosas. É como um carro desgovernado.
"Pilotar" a mente não é fácil, pois sofremos influências externas e
internas que nos desviam, constantemente, do caminho. Externas porque
somos bombardeados pela mídia escrita, falada e televisada com todo tipo
de informações, desde as telenovelas nos mostrando traições, corrupção e
infidelidades amorosas, até programas que invadem o nosso lar com cenas
explícitas de tragédias de todo tipo, como se não bastassem os exemplos
negativos de nossos próprios familiares.
E influências internas porque carregamos no nosso inconsciente todas as
sensações da infância, as alegrias e os fracassos de nossos pais e
antepassados e os medos gerados por nós mesmos devido ao apego às falsas
profecias. É a isso que chamo muro sólido e gigantesco, que procuramos
transpor com apenas a nossa pequena consciência.
Quando nos conscientizarmos de que possuímos um subconsciente ou uma mente
inconsciente, poderemos, então, começar a fazer mudanças em nosso corpo e
em nosso ambiente sem ter de mexer com as crenças religiosas de outras
pessoas ou mesmo com as nossas.
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