Pensamento em ação

 

A ação dá continuidade aos pensamentos. Mas são os pensamentos que geram as ações. Temos, pois, duas oportunidades de corrigi-los. Primeiro, no campo criativo da mente, antes da formação das ideias. Depois dos pensamentos já formados, ou irradiados, sustê-los pelo autodomínio, não os deixando tornarem-se ações, interrompendo sua concretização.
Já falamos muitas vezes, talvez repetindo muitos autores, que a mente é um mundo cuja extensão ignoramos ainda. No entanto, somos espíritos conscientizados da oficina onde deveremos iniciar o nosso mais digno trabalho de reajuste para com os nossos impulsos. O pensamento é a base de todo o nosso viver. Ele é a força dinâmica, capaz de descobrir maravilhas, levando-nos â felicidade.
As forças mentais são fruto da razão, e foi a inauguração do raciocínio que liberou a conjuntura estética dos pensamentos. O homem ganhou o premio da consciência do seu estado pelo que já alcançou na escala evolutiva. As suas emoções são liberadas através dessa força incomparável que se chama pensamento, motor divino estruturado na alma. E nada no mundo, nem nos outros mundos existentes, fá-lo parar. Ele é vibrante, permanentemente.
Quando dormimos, os pensamentos atuam em outra dimensão. Quando acordamos, o sol mental se irradia no mundo que lhe é próprio. Quando perdemos os sentidos da palavra e da audição, o pensamento fala mais alto, em ressonâncias indescritíveis. Ele é música, é som, é vida; não depende de nós, é segredo de Deus, é jóia preciosa em nossas mãos.
O homem inteligente, que já sofreu muito, em quem o sacrifício já amaciou todas as engrenagens dos sentimentos, a quem os problemas ensinaram o modo de superá-los, começa a reforma dos conceitos antes vividos e superados. Pêlos pensamentos, desenvolve mais ainda a emissão das ideias. Todavia, mudando de faixa, estrutura seus pensamentos em outra ordem, dando curso normal a todas as criações elevadas e, pouco a pouco, esquece as investidas inferiores, que antes demoravam como nuvem negra em seus sentimentos, flutuando em sua mente, descarregando raios mortíferos em todo o sistema orgânico, obstruindo caminhos que poderiam deixar passar os mensageiros da luz, com advertência de alto valor moral e espiritual. Mas esse homem começa firme e não abandona seu posto.
É como o agricultor ao chegar em matas indevassáveis. Ele sabe que, com o tempo e a persistência, dominará toda a região. É passo a passo, é plantando, é limpando, é escolhendo, é domesticando, que algum dia os terrenos cultiváveis e férteis ficarão livres, na fecundidade que lhes convém, para o beijo ardente do sol, inoculando-lhes mais vida, e a lavoura estender-se-á à área toda.
Pois assim é o trabalho da alma frente aos seus impulsos mentais, diante da disciplina dos pensamentos. O trabalho parece-nos de difícil realização. Não obstante, é feito por nós. Se na primeira investida não pudermos dominar os pensamentos, demos mãos às ações. Se pensar coisas inconvenientes é falta mais ou menos grave, muito mais é fazer, é realizar o que pensamos. Se a evolução não nos deu forças para deixarmos de idealizar vinganças contra os outros, apelemos para que fiquem somente nas ideias. Não nos vingarmos na faixa física já é alguma coisa realizada. Na verdade, é combater os efeitos; porém se intentarmos buscar a causa é trabalho valioso.
Em muitos casos, tudo que chamamos de falso corresponde ao caminho intermediário para atingirmos o verdadeiro. O sábio, antes, foi pseudo-sábio. O médico, antes, foi charlatão. O advogado, antes, foi rábula. O professor foi estudante. Esse é o caminho do progresso que todos, mas todos, haveremos de trilhar.
Portanto, deveis começar, meu filho, por onde aparecerem as brechas, que vos possam assegurar a vitória amanha. Se não podeis fazer nada hoje, por estardes demais envolvido no mal, fazei algo assim mesmo, alimentai pelo menos pensamentos de que ireis melhorar, que ireis vencer. A fé, igualmente, é caminho para as mudanças de pensamentos e ações.

Por João Nunes Maia no livro Horizontes da mente

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