O Bem e o Mal

Se você analisar as maiores religiões do mundo verá que todas fazem alusão a existência de dois poderes em ação em nossa vida: o bem e o mal por excelência.

Mas será que realmente existe um poder maligno no mundo criado por Deus?

Essa é uma pergunta difícil de responder com precisão. Cada religião, cada ideologia, cada povo e cada cultura expressa a realidade da existência do bem e do mal de uma maneira. Há os que criam deuses e demônios personificados com características peculiares ao seu campo de ação e existem os que defendem a filosofia de que tudo é criação da mente.

Aqui não nos compete questionar a fé de cada um. Apenas apresentar a nossa análise pessoal a respeito.

Acreditamos que criamos e damos vida aos nossos anjos, deuses e demônios através da nossa animosidade. Muito embora, sabemos que todo sincero buscador jamais pode negar a realidade de uma essência superior governando tudo. Uns chamam a isto de Essência Cósmica Criadora, outros de Mente Universal. Outros o chamam simplesmente "Deus". Não há como negar a existência desse Infinito Poder que governa átomos, moléculas, animais, planetas, estrelas e tudo o mais que conhecemos. Impossível compreendê-lo porque não nos é permitido comportar a Essência do Todo em nossa pequenez. Insensato, no entanto, seria negar a sua Onipresença e Onipotência e seu governo justo e perfeito. O que queremos dizer aqui é que não somos dignos da sabedoria capaz de entender e dimensionar os conceitos de bem e mal. Mas queremos deixar claro a negação do mal como poder paralelo à onipotência divina.

A sabedoria secular da humanidade nos mostra claramente que o mal tem origem no homem e parte do homem para o homem. Deus é harmonia e perfeição e não pode ser confundido com nossos demônios internos, nem com quaisquer demônios externos que possam existir ou serem criados. Obviamente que tudo provêm de Deus e o mal não pode estar fora daquilo que representa o Todo. Então, em nossa vã filosofia, poderíamos dizer como os antigos hebreus: "O mal é Deus às avessas". Noutras palavras, o mal é a "sombra de Deus", mas nunca o próprio criador, nem a representação de seus ideais e desígnios.

Analise as grandes religiões, os tratados alquímicos e os postulados de magia. Você verá que o Bem representa sempre a presença divina enquanto que o mal representa a ausência do mesmo. Ao fazermos o que é bom estamos de acordo com os estatutos e leis universais escritos desde a fundação do mundo na consciência do homem. quem faz o que é bom para si e para os demais seres humanos e animais, está em sintonia com o Poder Criador Universal que tende sempre para a evolução, para o crescimento e para o que é justo, belo e perfeito. Por outro lado, ao praticarmos um mal, estamos indo contra o fluir das energias positivas, portanto contra Deus e e sua criação.

Infelizmente; no estágio em que nos encontramos como criaturas humanas, tornamo-nos impossibilitados de agir sempre em sintonia com os desígnios da criação. Por isso, sofremos todos. Não vamos aqui fazer demagogia, afirmando que seja possível atingir a perfeição aqui e agora. Mas somos ousados para dizer que podemos e devemos crescer em comunhão com o Princípio da Vida, cada vez mais e melhor, se quisermos e agirmos com propósito firme e definido. Não é necessário nos santificarmos, sacrificando o nosso corpo e a nossa vida em nome de um ideal utópico de perfeição. É preciso apenas buscar um pouco de luz a cada dia. Deus não nos apressa para que voltemos a ele. Ousemos buscá-lo com serenidade e sensatez, sabendo que somos santos e pecadores ao mesmo tempo, porque não nascemos prontos, nem preparados para receber toda a imensidão e o poder da Luz Divina aqui e agora. Somos aprendizes; arquitetos e co-criadores de nosso próprio destino. Com humildade, poderemos serenamente avançar um degrau de cada vez na grande escada que nos leva de volta a casa paterna.

Caminhemos pacientemente, sem pressa, aprendendo que criamos o bem e o mal e, através destas criações, avançamos sempre com sofrimento ou com sabedoria, no caminho escuro em busca de luz. Sofremos quando agimos em discordância com os Princípios Eternos, mas mesmo assim cresceremos através da dor. Não nascemos sabendo tudo e por isso cometemos deslizes. Mas isso também naõ justifica completamente os nossos erros. O aprendiz sabe que as Leis Divinas estão latentes e visíveis a todos porque estão impressas em nossa consciência. Muitas vezes as ignoramos, inocente ou deliberadamente. Conhecemos o caminho prescrito na alma, mas nos desviamos por acharmos que podemos fazer de forma diferente. Por isso e somente por isso, sofremos, criamos e/ou atraímos demônios ao nosso convívio.

É isso!

Para finalizar esta análise simplista a respeito dos conceitos de bem e de mal, ousamos dizer que é possível anular os demônios criados porsi próprio ou pela raça humana. E, se há algum "diabo" que não seja criação nossa, por mais superior à nós, não pode ser superior Àquele que tudo criou e que tudo mantém.

Não tema o mal porque a verdadeira realidade que existe e que nos mostra a sua força é o Bem. O mal, assim como as trevas são apenas estados estagnados porque não geram nenhuma realidade que se expande, não tem energia em si mesmo. Trevas são similares ao caos escuro cujo fim termina em si mesmo. É o nada absoluto. A face oculta de Deus: o deus às avéssas. A Luz, por outro lado, é uma energia que se origina sempre de alguma coisa, com dinamismo e criatividade. É algo, gerado por alguma coisa maior, expandindo-se sempre de um centro criador.

Apesar de não estarmos negando a existência de homens, anjos e demônios malignos, queremos demonstrar aqui que a maioria deles são criações da mente doente do homem. Negar o Mal, não queremos nem podemos. Mas dar-lhe poder, seria tolice. Todo poder verdadeiro, origina-se de Deus ou do bem. Se existissem dois poderes absolutos coexistindo, um anularia o outro. O mal consiste simplesmente em negação, o avesso da realidade criadora. Não temas o mal, apega-te ao bem com toda a sua energia, seus pensamentos e crenças e verá que a luz dissipa as trevas. Sempre!

Francisco Ferreira (Mr. Smith)

 

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