O Julgamento
Quando estamos julgando alguém,
nunca pensamos de fato sobre nós. Porém, uma vez que compreendemos por que
apontamos o dedo, podemos começar a nos desvencilhar de nossas percepções e
julgamentos vorazes a respeito dos outros. Precisamos lembrar o velho ditado:
"Se você viu é porque também tem".
Se negarmos a raiva ou nos sentirmos desconfortáveis com ela, nossos olhos
automaticamente buscarão pessoas zangadas. Se estamos secretamente mentindo ou
nos julgando por termos mentido no passado, ficaremos aborrecidos com a
desonestidade dos outros. Em meus anos na liderança de workshops, já tive
momentos bastante engraçados, quando as pessoas ficavam com raiva de mim por
sugerir exatamente esse conceito de projeção e por lhes dizer que elas também
possuem as características que desgostam nos outros. Um desses momentos
favoritos foi quando uma linda espanhola disse que não tinha nada a ver com o
pai, que não aprovava os homens com quem ela saía. Quando perguntei se ela sabia
o motivo, ela respondeu que era por ele ser racista. Ela disse que só saía com
homens asiáticos e ele não aprovava. Quando brinquei, perguntando que tipo de
espanhola só saía com homens asiáticos, a raiva desapareceu de seu rosto e ela
disse timidamente: "Alguém que seja racista?" No mesmo instante, ela percebeu
que estava sendo ligeiramente racista, assim como seu pai, porque jamais sairia
com um homem de sua origem.
Outra mulher protestou, dizendo que não se parecia em nada com o pai, que vivia
apontando seus erros. Ela me disse que ele estava sempre zangado, era hipócrita,
cruel, crítico etc. Quando perguntei o que ela acabara de fazer, ali, durante a
conversa, ela percebeu que havia demonstrado o mesmo tom de julgamento que via
nele. Em uma outra vez, um homem se levantou para contar o quanto detestava
pessoas de mente fechada e como parecia estar cercado por gente assim no
trabalho e no próprio bairro. Então, um dia, seu filho adorado veio visitá-lo
durante as férias da faculdade, e anunciou que era gay. O homem foi tomado pelo
desgosto. Quando a esposa tentou acalmá-lo, ele percebeu que era a pessoa de
mente fechada que sempre desprezara, o que o levou ao workshop "Efeito Sombra".
Assumir as próprias projeções é uma experiência corajosa que o torna humilde, e
pela qual todos temos de passar para encontrar a paz. Ela nos força a reconhecer
que somos capazes de fazer coisas que frequentemente desgostamos nos outros.
Há muitos exemplos famosos de projeção. Eliot Spitzer, ex-governador de Nova
York, passou a carreira tentando varrer a prostituição, por achá-la
absolutamente inaceitável, mas se envolveu em um escândalo com uma garota de
programa. O ex-porta-voz do governo, Newt Gingrich, que continuamente apontava o
dedo em crítica ao presidente Bill Clinton e era a favor de seu impeachment, por
suas indiscrições sexuais, mais tarde foi flagrado com um caso fora do
casamento. O famoso pastor Ted Haggard, que falava fervorosamente contra a
imoralidade e o homossexualismo, mais adiante foi descoberto num relacionamento
gay, regado a drogas. E o fenômeno do rádio, Rush Limbaugh, que em seu programa
condenava abertamente os viciados em drogas, mais tarde admitiu a própria
dependência a drogas prescritas. Eu poderia literalmente dar milhares de
exemplos de pessoas que em público condenam os outros, menosprezando o
comportamento que elas próprias têm. Você acha que essas pessoas realmente têm a
intenção de destruir a própria carreira, humilhando-se publicamente e
envergonhando a família? Era realmente a intenção que tinham? Ou teriam sido, de
fato, pegas de surpresa, ficando profundamente decepcionadas com o próprio
comportamento? Será que ''o diabo me fez fazer" não seria na verdade a sombra
disfarçada?
Como Shakespeare disse, brilhantemente: "A moça, de fato, protesta demais".
Qualquer que seja a qualidade, o comportamento ou o sentimento, se nos pegamos
veementemente em negação, esteja certo de que isso é algo que abrigamos no fundo
da psique. Não precisamos procurar muito para descobrir que, em geral, estamos
fazendo exatamente o que criticamos nos outros. A aparência pode ser
completamente diferente; no entanto, a força propulsora por trás de nosso
comportamento é, de fato, a mesma. Às vezes, pode ser desafiador identificar
essa força dentro de nós, porque talvez não estejamos demonstrando exatamente o
mesmo comportamento que a pessoa em que estamos projetando está, mas o
comportamento está ali, dentro de nós.
Trecho do maravilhoso livro O efeito sombra de DEEPAK CHOPRA, DEBBIE FORD e MARIANNE WILLIAMSON
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