Marketing para o seu negócio

Pelo amor do seu sucesso, não espere encontrar uma fórmula fácil para ser seguida às cegas e mecanicamente em todo e qualquer
projeto. Pretendo apenas transmitir os fundamentos em que acredito, do jeito que os entendo. Com certeza, utilizando os
mesmos elementos, você vai acabar criando seu próprio método, sua própria ferramenta de pensamento. E nunca se esqueça: crie seu planejamento estratégico em grupos e envolva a sensibilidade, o talento e a opinião de mais gente, de preferência gente diferente de você.
Pense muito e escreva pouco. Use toda a sua criatividade ao pensar e decidir o que fazer. Preocupe-se em dar um conteúdo com substância, um conteúdo gerencial, que leve à ação, à prática. E tenha clareza, simplicidade na forma de escrever.
Isto é tão fundamental na hora de você elaborar um planejamento estratégico de comunicação que achei importante destacar, dando um título específico e isolado. Pronto, já está destacado.
Faça um mapeamento do campo de guerra. Qual é o mercado, como ele funciona?
Faça de conta que você é um soldado que está voltando de uma missão de reconhecimento do cenário da guerra. Você tem de dar um relatório claro sobre o campo de batalha. Do seu relatório dependem decisões de vida ou morte. Ele não pode ser fantasioso, dramático, emocionado. Nem otimista, nem pessimista. Você tem de equacionar, o mais racionalmente possível, todas as características, as variáveis. Uma descrição fria e objetiva do mercado.
Que forças estão preponderando? Quais são as regras do jogo?
Quem são os inimigos? Quais são as suas características e como agem? Qual é o histórico do comportamento deles, há tendências ou padrões que se possam imaginar? Quais são seus pontos fortes e seus pontos vulneráveis? Como desestabilizá-los, minar suas forças? Como atingi-los mortalmente, destruí-los de uma vez?
Temos tropa, munição, fôlego, tempo e coragem para isso?
Elemento fundamental: toda a sua análise, toda a sua reflexão tem de ser, sempre, a partir do ponto de vista do consumidor. Não se deixe fascinar pelos raciocínios ortodoxos, pelas teorias da moda, pelos academicismos teóricos de pós-graduação, pelos malabarismos técnicos. Eu sei que é menos arriscado e causa melhor efeito falar de números do que de pessoas e suas motivações. Mas nunca perca de vista a visão do consumidor, ele tem de ser a sua referência permanente. A melhor descrição do mercado é aquela encarada a partir da ótica do consumidor, não dos fabricantes.
Mais uma vez, não basta apenas relatar o óbvio, que qualquer soldado de qualquer exército pode constatar. Além de descrever o que você e todo mundo estão vendo, procure analisar e descobrir as brechas, as oportunidades de ataque escondidas atrás dos mapas e levantamentos clássicos.
Mas atenção: criar um cenário competitivo inédito, inventar um nicho de posicionamento vencedor não pode ser tarefa só da imaginação, da fantasia. Vou ser repetitivo: antes, você tem de fazer sua lição de casa direitinho. Levantar as informações objetivas de mercado, seus mecanismos, entender o histórico recente, imaginar as tendências mais prováveis, conhecer seus concorrentes diretos e indiretos, suas forças e fraquezas. Só depois de dominar todas as informações objetivas é que você consegue ser subjetivo, se dar ao luxo de ser criativo, inovador e revolucionário. Havia uma máxima, acho que leninista, não lembro mais, que dizia algo como: “Você só consegue mudar aquilo que conhece e domina profundamente, por dentro.”

Do livro: Laboratório de Marketing, de Carlos Eduardo Lemos, Mário Kempenich, Max Gehringer, Paulo Salvador e Percival Caropreso

 

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