II Reis
- Depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel.
- Ora, Acazias caiu pela grade do seu quarto alto em Samária, e adoeceu; e
enviou mensageiros, dizendo-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de
Ecrom, se sararei desta doença.
- O anjo do Senhor, porém, disse a Elias, o tisbita: Levanta- te, sobe para
te encontrares com os mensageiros do rei de Samária, e dize-lhes: Porventura
não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de
Ecrom?
- Agora, pois, assim diz o Senhor: Da cama a que subiste não descerás, mas
certamnente morrerás. E Elias se foi.
- Os mensageiros voltaram para Acazias, que lhes perguntou: Que há, que
voltastes?
- Responderam-lhe eles: Um homem subiu ao nosso encontro, e nos disse: Ide,
voltai para o rei que vos mandou, e dizei-lhe: Assim diz o Senhor: Porventura
não há Deus em Israel, para que mandes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?
Portanto, da cama a que subiste não descerás, mas certamente morrerás.
- Pelo que ele lhes indagou: Qual era a aparência do homem que subiu ao
vosso encontro e vos falou estas palavras?
- Responderam-lhe eles: Era um homem vestido de pelos, e com os lombos
cingidos dum cinto de couro. Então disse ele: É Elias, o tisbita.
- Então o rei lhe enviou um chefe de cinqüenta, com os seus cinqüenta. Este
subiu a ter com Elias que estava sentado no cume do monte, e disse-lhe: ç
homem de Deus, o rei diz: Desce.
- Mas Elias respondeu ao chefe de cinqüenta, dizendo-lhe: Se eu, pois, sou
homem de Deus, desça fogo do céu, e te consuma a ti e aos teus cinqüenta.
Então desceu fogo do céu, e consumiu a ele e aos seus cinqüenta.
- Tornou o rei a enviar-lhe outro chefe de cinqüenta com os seus cinqüenta.
Este lhe falou, dizendo: ç homem de Deus, assim diz o rei: Desce
depressa.
- Também a este respondeu Elias: Se eu sou homem de Deus, desça fogo do céu,
e te consuma a ti e aos teus cinqüenta. Então o fogo de Deus desceu do céu, e
consumiu a ele e aos seus cinqüenta.
- Ainda tornou o rei a enviar terceira vez um chefe de cinqüenta com os seus
cinqüenta. E o terceiro chefe de cinqüenta, subindo, veio e pôs-se de joelhos
diante de Elias e suplicou-lhe, dizendo: ç homem de Deus, peço-te que seja
preciosa aos teus olhos a minha vida, e a vida destes cinqüenta teus
servos.
- Eis que desceu fogo do céu, e consumiu aqueles dois primeiros chefes de
cinqüenta, com os seus cinqüenta; agora, porém, seja preciosa aos teus olhos a
minha vida.
- Então o anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este; não tenhas medo
dele. Levantou-se, pois, e desceu com ele ao rei.
- E disse-lhe: Assim diz o Senhor: Por que enviaste mensageiros a consultar
a Baal-Zebube, deus de Ecrom? Porventura é porque não há Deus em Israel, para
consultares a sua palavra? Portanto, desta cama a que subiste não descerás,
mas certamente morrerás.
- Assim, pois, morreu conforme a palavra do Senhor que Elias falara. E Jorão
começou a reinar em seu lugar no ano segundo de Jeorão, filho de Jeosafá, rei
de Judá; porquanto Acazias não tinha filho.
- Ora, o restante dos feitos de Acazias, porventura não está escrito no
livro das crônicas dos reis de Israel?
- Quando o Senhor estava para tomar Elias ao céu num redemoinho, Elias
partiu de Gilgal com Eliseu.
- Disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o Senhor me envia a Betel.
Eliseu, porém disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E
assim desceram a Betel.
- Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de
Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre
a tua cabeça? E ele disse: Sim, eu o sei; calai-vos.
- E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o Senhor me envia a
Jericó. Ele, porém, disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te
deixarei. E assim vieram a Jericó.
- Então os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu, e
lhe disseram: Sabes que o Senhor hoje tomará o teu senhor por sobre a tua
cabeça? E ele disse: Sim, eu o sei; calai-vos.
- E Elias lhe disse: Fica-te aqui, porque o senhor me envia ao Jordão. Mas
ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim
ambos foram juntos.
- E foram cinqüenta homens dentre os filhos dos profetas, e pararam defronte
deles, de longe; e eles dois pararam junto ao Jordão.
- Então Elias tomou a sua capa e, dobrando-a, feriu as águas, as quais se
dividiram de uma à outra banda; e passaram ambos a pé enxuto.
- Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te
faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja sobre mim
dobrada porção de teu espírito.
- Respondeu Elias: Coisa difícil pediste. Todavia, se me vires quando for
tomado de ti, assim se te fará; porém, se não, não se fará.
- E, indo eles caminhando e conversando, eis que um carro de fogo, com
cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num
redemoinho.
- O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai! o carro de Israel, e seus
cavaleiros! E não o viu mais. Pegou então nas suas vestes e as rasgou em duas
partes;
- tomou a capa de Elias, que dele caíra, voltou e parou à beira do
Jordão.
- Então, pegando da capa de Elias, que dele caíra, feriu as águas e disse:
Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Quando feriu as águas, estas se dividiram
de uma à outra banda, e Eliseu passou.
- Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte dele em Jericó,
disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vindo ao seu encontro,
inclinaram-se em terra diante dele.
- E disseram-lhe: Eis que entre os teus servos há cinqüenta homens valentes.
Deixa-os ir, pedimos-te, em busca do teu senhor; pode ser que o Espírito do
Senhor o tenha arrebatado e lançado nalgum monte, ou nalgum vale. Ele, porém,
disse: Não os envieis.
- Mas insistiram com ele, até que se envergonhou; e disse-lhes: Enviai. E
enviaram cinqüenta homens, que o buscaram três dias, porém não o
acharam.
- Então voltaram para Eliseu, que ficara em Jericó; e ele lhes disse: Não
vos disse eu que não fôsseis?
- Os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que a situação desta cidade é
agradável, como vê o meu senhor; porém as águas são péssimas, e a terra é
estéril.
- E ele disse: Trazei-me um jarro novo, e ponde nele sal. E lho
trouxeram.
- Então saiu ele ao manancial das águas e, deitando sal nele, disse: Assim
diz o Senhor: Sarei estas águas; não mais sairá delas morte nem
esterilidade.
- E aquelas águas ficaram sãs, até o dia de hoje, conforme a palavra que
Eliseu disse.
- Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram
da cidade, e zombavam dele, dizendo: Sobe, calvo; sobe, calvo!
- E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou em nome do Senhor.
Então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles
meninos.
- E dali foi para o monte Carmelo, de onde voltou para Samária.
- Ora, Jorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samária, no
décimo oitavo ano de Jeosafá, rei de Judá, e reinou doze anos.
- Fez o que era mau aos olhos do Senhor, porém não como seu pai, nem como
sua mãe; pois tirou a coluna de Baal que seu pai fizera.
- Contudo aderiu aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que este
fizera Israel pecar, e deles não se apartou.
- Ora, Messa, rei dos moabitas, era criador de ovelhas, e pagava de tributo
ao rei de Israel cem mil cordeiros, e cem mil carneiros com a sua lã.
- Sucedeu, porém, que, morrendo Acabe, o rei dos moabitas se rebelou contra
o rei de Israel.
- Por isso, nesse mesmo tempo Jorão saiu de Samária e fez revista de todo o
Israel.
- E, pondo-se em marcha, mandou dizer a Jeosafá, rei de Judá: O rei dos
moabitas rebelou-se contra mim; irás tu comigo a guerra contra os moabitas?
Respondeu ele: Irei; como tu és sou eu, o meu povo como o teu povo, e os meus
cavalos como os teus cavalos.
- E perguntou: Por que caminho subiremos? Respondeu-lhe Jorão: Pelo caminho
do deserto de Edom.
- Partiram, pois, o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom; e andaram
rodeando durante sete dias; e não havia água para o exército nem para o gado
que os seguia.
- Disse então o rei de Israel: Ah! o Senhor chamou estes três reis para
entregá-los nas mãos dos moabitas.
- Perguntou, porém, Jeosafá: Não há aqui algum profeta do Senhor por quem
consultemos ao Senhor? Então respondeu um dos servos do rei de Israel, e
disse: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de
Elias.
- Disse Jeosafá: A palavra do Senhor está com ele. Então o rei de Israel, e
Jeosafá, e o rei de Edom desceram a ter com ele.
- Eliseu disse ao rei de Israel: Que tenho eu contigo? Vai ter com os
profetas de teu pai, e com os profetas de tua mãe. O rei de Israel, porém, lhe
disse: Não; porque o Senhor chamou estes três reis para entregá-los nas mãos
dos moabitas.
- Respondeu Eliseu: Vive o Senhor dos exércitos, em cuja presença estou, que
se eu não respeitasse a presença de Jeosafá, rei de Judá, não te contemplaria,
nem te veria.
- Agora, contudo, trazei-me um harpista. E sucedeu que, enquanto o harpista
tocava, veio a mão do Senhor sobre Eliseu.
- E ele disse: Assim diz o Senhor: Fazei neste vale muitos poços.
- Porque assim diz o Senhor: Não vereis vento, nem vereis chuva; contudo
este vale se encherá de água, e bebereis vós, os vossos servos e os vossos
animais.
- E ainda isso é pouco aos olhos do Senhor; também entregará ele os moabitas
nas vossas mãos,
- e ferireis todas as cidades fortes e todas as cidades escolhidas,
cortareis todas as boas árvores, tapareis todas as fontes d`água, e cobrireis
de pedras todos os bons campos.
- E sucedeu que, pela manhã, à hora de se oferecer o sacrifício, eis que
vinham as águas pelo caminho de Edom, e a terra se encheu d`água:
- Ouvindo, pois, todos os moabitas que os reis tinham subido para pelejarem
contra eles, convocaram-se todos os que estavam em idade de pegar armas, e daí
para cima, e puseram-se às fronteiras.
- Levantaram-se os moabitas de madrugada e, resplandecendo o sol sobre as
águas, viram diante de si as águas vermelhas como sangue;
- e disseram: Isto é sangue; certamente os reis pelejaram entre si e se
mataram um ao outro! Agora, pois, à presa, moabitas!
- Quando, porém, chegaram ao arraial de Israel, os israelitas se levantaram,
e bateram os moabitas, os quais fugiram diante deles; e ainda entraram na
terra, ferindo ali também os moabitas.
- E arrasaram as cidades; e cada um deles lançou pedras em todos os bons
campos, entulhando-os; taparam todas as fontes d`água, e cortaram todas as
boas árvores; somente a Quir-Haresete deixaram ficar as pedras; contudo os
fundeiros a cercaram e a feriram.
- Vendo o rei dos moabitas que a peleja prevalecia contra ele, tomou consigo
setecentos homens que arrancavam da espada, para romperem contra o rei de
Edom; porém não puderam.
- Então tomou a seu filho primogênito, que havia de reinar em seu lugar, e o
ofereceu em holocausto sobre o muro, pelo que houve grande indignação em
Israel; por isso retiraram-se dele, e voltaram para a sua terra.
- Ora uma dentre as mulheres dos filhos dos profetas clamou a Eliseu,
dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao
Senhor. Agora acaba de chegar o credor para levar-me os meus dois filhos para
serem escravos.
- Perguntou-lhe Eliseu: Que te hei de fazer? Dize-me o que tens em casa. E
ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.
- Disse-lhe ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos,
vasilhas vazias, não poucas.
- Depois entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos; deita azeite
em todas essas vasilhas, e põe à parte a que estiver cheia.
- Então ela se apartou dele. Depois, fechada a porta sobre si e sobre seus
filhos, estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia.
- Cheias que foram as vasilhas, disse a seu filho: Chega-me ainda uma
vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. Então o azeite
parou.
- Veio ela, pois, e o fez saber ao homem de Deus. Disse-lhe ele: Vai, vende
o azeite, e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do resto.
- Sucedeu também certo dia que Eliseu foi a Suném, onde havia uma mulher
rica que o reteve para comer; e todas as vezes que ele passava por ali, lá se
dirigia para comer.
- E ela disse a seu marido: Tenho observado que este que passa sempre por
nós é um santo homem de Deus.
- Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto sobre o muro; e ponhamos-lhe ali uma
cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; e há de ser que, quando ele vier a
nós se recolherá ali.
- Sucedeu que um dia ele chegou ali, recolheu-se àquele quarto e se
deitou.
- Então disse ao seu moço Geazi: Chama esta sunamita. Ele a chamou, e ela se
apresentou perante ele.
- Pois Eliseu havia dito a Geazi: Dize-lhe: Eis que tu nos tens tratado com
todo o desvelo; que se há de fazer por ti? Haverá alguma coisa de que se fale
por ti ao rei, ou ao chefe do exército? Ao que ela respondera: Eu habito no
meio do meu povo.
- Então dissera ele: Que se há de fazer, pois por ela? E Geazi dissera: Ora,
ela não tem filho, e seu marido é velho.
- Pelo que disse ele: Chama-a. E ele a chamou, e ela se pôs à porta.
- E Eliseu disse: Por este tempo, no ano próximo, abraçarás um filho.
Respondeu ela: Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva.
- Mas a mulher concebeu, e deu à luz um filho, no tempo determinado, no ano
seguinte como Eliseu lhe dissera.
- Tendo o menino crescido, saiu um dia a ter com seu pai, que estava com os
segadores.
- Disse a seu pai: Minha cabeça! minha cabeça! Então ele disse a um moço:
Leva-o a sua mae.
- Este o tomou, e o levou a sua mãe; e o menino esteve sobre os joelhos dela
até o meio-dia, e então morreu.
- Ela subiu, deitou-o sobre a cama do homem de Deus e, fechando sobre ele a
porta, saiu.
- Então chamou a seu marido, e disse: Manda-me, peço-te, um dos moços e uma
das jumentas, para que eu corra ao homem de Deus e volte.
- Disse ele: Por que queres ir ter com ele hoje? Não é lua nova nem sábado.
E ela disse: Tudo vai bem.
- Então ela fez albardar a jumenta, e disse ao seu moço: Guia e anda, e não
me detenhas no caminhar, senão quando eu to disser.
- Partiu pois, e foi ter com o homem de Deus, ao monte Carmelo; e sucedeu
que, vendo-a de longe o homem de Deus, disse a Geazi, seu moço: Eis aí a
sunamita;
- corre-lhe ao encontro e pergunta-lhe: Vais bem? Vai bem teu marido? Vai
bem teu filho? Ela respondeu: Vai bem.
- Chegando ela ao monte, à presença do homem de Deus, apegou- se-lhe aos
pés. Chegou-se Geazi para a retirar, porém, o homem de Deus lhe disse:
Deixa-a, porque a sua alma está em amargura, e o Senhor mo encobriu, e não mo
manifestou.
- Então disse ela: Pedi eu a meu senhor algum filho? Não disse eu: Não me
enganes?
- Ao que ele disse a Geazi: Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na mão,
e vai. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe
respondas; e põe o meu bordão sobre o rosto do menino.
- A mãe do menino, porém, disse: Vive o senhor, e vive a tua alma, que não
te hei de deixar. Então ele se levantou, e a seguiu.
- Geazi foi adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não
havia nele voz nem sentidos. Pelo que voltou a encontrar-se com Eliseu, e o
informou, dizendo: O menino não despertou.
- Quando Eliseu chegou à casa, eis que o menino jazia morto sobre a sua
cama.
- Então ele entrou, fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao Senhor.
- Em seguida subiu na cama e deitou-se sobre o menino, pondo a boca sobre a
boca do menino, os olhos sobre os seus olhos, e as mãos sobre as suas mãos, e
ficou encurvado sobre ele até que a carne do menino aqueceu.
- Depois desceu, andou pela casa duma parte para outra, tornou a subir, e se
encurvou sobre ele; então o menino espirrou sete vezes, e abriu os
olhos.
- Eliseu chamou a Geazi, e disse: Chama essa sunamita. E ele a chamou.
Quando ela se lhe apresentou, disse ele :Toma o teu filho.
- Então ela entrou, e prostrou-se a seus pés, inclinando-se à terra; e
tomando seu filho, saiu.
- Eliseu voltou a Gilgal. E havia fome na terra; e os filhos dos profetas
estavam sentados na sua presença. E disse ao seu moço: Põe a panela grande ao
lume, e faze um caldo de ervas para os filhos dos profetas.
- Então um deles saiu ao campo a fim de apanhar ervas, e achando uma parra
brava, colheu dela a sua capa cheia de colocíntidas e, voltando, cortou-as na
panela do caldo, não sabendo o que era.
- Assim tiraram de comer para os homens. E havendo eles provado o caldo,
clamaram, dizendo: ç homem de Deus, há morte na panela! E não puderam
comer.
- Ele, porém, disse: Trazei farinha. E deitou-a na panela, e disse: Tirai
para os homens, a fim de que comam. E já não havia mal nenhum na panela.
- Um homem veio de Baal-Salisa, trazendo ao homem de Deus pães das
primícias, vinte pães de cevada, e espigas verdes no seu alforje. Eliseu
disse: Dá ao povo, para que coma.
- Disse, porém, seu servo: Como hei de pôr isto diante de cem homens? Ao que
tornou Eliseu: Dá-o ao povo, para que coma; porque assim diz o Senhor: Comerão
e sobejará.
- Então lhos pôs diante; e comeram, e ainda sobrou, conforme a palavra do
Senhor.
- Ora, Naamã, chefe do exército do rei da Síria, era um grande homem diante
do seu senhor, e de muito respeito, porque por ele o Senhor dera livramento
aos sírios; era homem valente, porém leproso.
- Os sírios, numa das suas investidas, haviam levado presa, da terra de
Israel, uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã.
- Disse ela a sua senhora: Oxalá que o meu senhor estivesse diante do
profeta que está em Samária! Pois este o curaria da sua lepra.
- Então Naamã foi notificar a seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a
menina que é da terra de Israel.
- Respondeu o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de
Israel. Foi, pois, e levou consigo dez talentos de prata, e seis mil siclos de
ouro e dez mudas de roupa.
- Também levou ao rei de Israel a carta, que dizia: Logo, em chegando a ti
esta carta, saberás que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua
lepra.
- Tendo o rei de Israel lido a carta, rasgou as suas vestes, e disse: Sou eu
Deus, que possa matar e vivificar, para que este envie a mim um homem a fim de
que eu o cure da sua lepra? Notai, peço-vos, e vede como ele anda buscando
ocasião contra mim.
- Quando Eliseu, o homem de Deus, ouviu que o rei de Israel rasgara as suas
vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir ter
comigo, e saberá que há profeta em Israel.
- Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta
da casa de Eliseu.
- Então este lhe mandou um mensageiro, a dizer-lhe: Vai, lava-te sete vezes
no Jordão, e a tua carne tornará a ti, e ficarás purificado.
- Naamã, porém, indignado, retirou-se, dizendo: Eis que pensava eu:
Certamente ele sairá a ter comigo, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor
seu Deus, passará a sua mão sobre o lugar, e curará o leproso.
- Não são, porventura, Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que
todas as águas de Israel? não poderia eu lavar-me neles, e ficar purificado?
Assim se voltou e se retirou com indignação.
- Os seus servos, porém, chegaram-se a ele e lhe falaram, dizendo: Meu pai,
se o profeta te houvesse indicado alguma coisa difícil, porventura não a
terias cumprido? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás
purificado.
- Desceu ele, pois, e mergulhou-se no Jordão sete vezes, conforme a palavra
do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne dum menino, e ficou
purificado.
- Então voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva; chegando, pôs-se
diante dele, e disse: Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão
em Israel; agora, pois, peço-te que do teu servo recebas um presente.
- Ele, porém, respondeu: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que não o
receberei. Naamã instou com ele para que o tomasse; mas ele recusou.
- Ao que disse Naamã: Seja assim; contudo dê-se a este teu servo terra que
baste para carregar duas mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo
holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor.
- Nisto perdoe o Senhor ao teu servo: Quando meu amo entrar na casa de Rimom
para ali adorar, e ele se apoiar na minha mão, e eu também me tenha de
encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto
perdoe o Senhor ao teu servo.
- Eliseu lhe disse: Vai em paz.
- Quando Naamã já ia a uma pequena distância, Geazi, moço de Eliseu, o homem
de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da
mão dele coisa alguma do que trazia; vive o Senhor, que hei de correr atrás
dele, e receber dele alguma coisa.
- Foi pois, Geazi em alcance de Naamã. Este, vendo que alguém corria atrás
dele, saltou do carro a encontrá-lo, e perguntou: Vai tudo bem?
- Respondeu ele: Tudo vai bem. Meu senhor me enviou a dizer-te: Eis que
agora mesmo vieram a mim dois mancebos dos filhos dos profetas da região
montanhosa de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de
roupa.
- Disse Naamã: Sê servido de tomar dois talentos. E instou com ele, e
amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupa, e
pô-los sobre dois dos seus moços, os quais os levaram adiante de Geazi.
- Tendo ele chegado ao outeiro, tomou-os das mãos deles e os depositou na
casa; e despediu aqueles homens, e eles se foram.
- Mas ele entrou e pôs-se diante de seu amo. Então lhe perguntou Eliseu:
Donde vens, Geazi? Respondeu ele: Teu servo não foi a parte alguma.
- Eliseu porém, lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando
aquele homem voltou do seu carro ao teu encontro? Era isto ocasião para
receberes prata e roupa, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e
servas?
- Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre.
Então Geazi saiu da presença dele leproso, branco como a neve.
- Os filhos dos profetas disseram a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos
diante da tua face é estreito demais para nós.
- Vamos, pois até o Jordão, tomemos de lá cada um de nós, uma viga, e ali
edifiquemos para nós um lugar em que habitemos. Respondeu ele: Ide.
- Disse-lhe um deles: Digna-te de ir com os teus servos. E ele respondeu: Eu
irei.
- Assim foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortavam madeira.
- Mas sucedeu que, ao derrubar um deles uma viga, o ferro do machado caiu na
água; e ele clamou, dizendo: Ai, meu senhor! ele era emprestado.
- Perguntou o homem de Deus: Onde caiu? E ele lhe mostrou o lugar. Então
Eliseu cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro.
- E disse: Tira-o. E ele estendeu a mão e o tomou.
- Ora, o rei da Síria fazia guerra a Israel; e teve conselho com os seus
servos, dizendo: Em tal e tal lugar estará o meu acampamento.
- E o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: Guarda-te de passares por
tal lugar porque os sírios estão descendo ali.
- Pelo que o rei de Israel enviou àquele lugar, de que o homem de Deus lhe
falara, e de que o tinha avisado, e assim se salvou. Isso aconteceu não uma só
vez, nem duas.
- Turbou-se por causa disto o coração do rei da Síria que chamou os seus
servos, e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de
Israel?
- Respondeu um dos seus servos: Não é assim, ó rei meu senhor, mas o profeta
Eliseu que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que falas na
tua câmara de dormir.
- E ele disse: Ide e vede onde ele está, para que eu envie e mande trazê-lo.
E foi-lhe dito; Eis que está em Dotã.
- Então enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais
vieram de noite e cercaram a cidade.
- Tendo o moço do homem de Deus se levantado muito cedo, saiu, e eis que um
exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros. Então o moço disse ao
homem de Deus: Ai, meu senhor! que faremos?
- Respondeu ele: Não temas; porque os que estão conosco são mais do que os
que estão com eles.
- E Eliseu orou, e disse: ç senhor, peço-te que lhe abras os olhos, para que
veja. E o Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu; e eis que o monte estava
cheio de cavalos e carros de fogo em redor de Eliseu.
- Quando os sírios desceram a ele, Eliseu orou ao Senhor, e disse: Fere de
cegueira esta gente, peço-te. E o Senhor os feriu de cegueira, conforme o
pedido de Eliseu.
- Então Eliseu lhes disse: Não é este o caminho, nem é esta a cidade;
segui-me, e guiar-vos-ei ao homem que buscais. E os guiou a Samária.
- E sucedeu que, chegando eles a Samária, disse Eliseu: Ó Senhor, abre a
estes os olhos para que vejam. O Senhor lhes abriu os olhos, e viram; e eis
que estavam no meio de Samária.
- Quando o rei de Israel os viu, disse a Eliseu: Feri-los-ei, feri-los-ei,
meu pai?
- Respondeu ele: Não os ferirás; feririas tu os que tomasses prisioneiros
com a tua espada e com o teu arco? Põe-lhes diante pão e água, para que comam
e bebam, e se vão para seu senhor.
- Preparou-lhes, pois, um grande banquete; e eles comeram e beberam; então
ele os despediu, e foram para seu senhor. E as tropas dos sírios desistiram de
invadir a terra de Israel.
- Sucedeu, depois disto, que Bene-Hadade, rei da Síria, ajuntando todo o seu
exército, subiu e cercou Samária.
- E houve grande fome em Samária, porque mantiveram o cerco até que se
vendeu uma cabeça de jumento por oitenta siclos de prata, e a quarta parte dum
cabo de esterco de pombas por cinco siclos de prata.
- E sucedeu que, passando o rei de Israel pelo muro, uma mulher lhe gritou,
dizendo: Acode-me, ó rei meu Senhor.
- Mas ele lhe disse: Se o Senhor não te acode, donde te acudirei eu? da eira
ou do lagar?
- Contudo o rei lhe perguntou: Que tens? E disse ela: Esta mulher me disse:
Dá cá o teu filho, para que hoje o comamos, e amanhã comeremos o meu
filho.
- cozemos, pois, o meu filho e o comemos; e ao outro dia lhe disse eu: Dá cá
o teu filho para que o comamos; e ela escondeu o seu filho.
- Ouvindo o rei as palavras desta mulher, rasgou as suas vestes (ora, ele ia
passando pelo muro); e o povo olhou e viu que o rei trazia saco por dentro,
sobre a sua carne.
- Então disse ele: Assim me faça Deus, e outro tanto, se a cabeça de Eliseu,
filho de Safate, lhe ficar hoje sobre os ombros.
- Estava então Eliseu sentado em sua casa, e também os anciãos estavam
sentados com ele, quando o rei enviou um homem adiante de si; mas, antes que o
mensageiro chegasse a Eliseu, disse este aos anciãos: Vedes como esse filho de
homicida mandou tirar-me a cabeça? Olhai quando vier o mensageiro, fechai a
porta, e empurrai-o para fora com a porta. Porventura não vem após ele o ruído
dos pés do seu senhor?
- Quando Eliseu ainda estava falando com eles, eis que o mensageiro desceu a
ele; e disse: Eis que este mal vem do Senhor; por que, pois, esperaria eu mais
pelo Senhor ?
- Então disse Eliseu: Ouvi a palavra do Senhor; assim diz o Senhor: Amanhã,
por estas horas, haverá uma medida de farinha por um siclo, e duas medidas de
cevada por um siclo, à porta de Samária.
- porém o capitão em cujo braço o rei se apoiava respondeu ao homem de Deus
e disse: Ainda que o Senhor fizesse janelas no céu, poderia isso suceder?
Disse Eliseu: Eis que o verás com os teus olhos, porém não comeras.
- Ora, quatro homens leprosos estavam à entrada da porta; e disseram uns aos
outros: Para que ficamos nós sentados aqui até morrermos?
- Se dissermos: Entremos na cidade; há fome na cidade, e morreremos aí; e se
ficarmos sentados aqui, também morreremos. Vamo-nos, pois, agora e passemos
para o arraial dos sírios; se eles nos deixarem viver, viveremos; e se nos
matarem, tão somente morreremos.
- Levantaram-se, pois, ao crepúsculo, para irem ao arraial dos sírios; e,
chegando eles à entrada do arraial, eis que não havia ali ninguém.
- Porque o Senhor fizera ouvir no arraial dos sírios um ruído de carros e de
cavalos, como de um grande exército; de maneira que disseram uns aos outros:
Eis que o rei de Israel alugou contra nós os reis dos heteus e os reis dos
egípcios, para virem sobre nós.
- Pelo que se levantaram e fugiram, ao crepúsculo; deixaram as suas tendas,
os seus cavalos e os seus jumentos, isto é, o arraial tal como estava, e
fugiram para salvarem as suas vidas.
- Chegando, pois, estes leprosos à entrada do arraial, entraram numa tenda,
comeram e beberam; e tomando dali prata, ouro e vestidos, foram e os
esconderam; depois voltaram, entraram em outra tenda, e dali também tomaram
alguma coisa e a esconderam.
- Então disseram uns aos outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas
novas, e nós nos calamos. Se esperarmos até a luz da manhã, algum castigo nos
sobrevirá; vamos, pois, agora e o anunciemos à casa do rei.
- Vieram, pois, bradaram aos porteiros da cidade, e lhes anunciaram,
dizendo: Fomos ao arraial dos sírios e eis que lá não havia ninguém, nem voz
de homem, porém só os cavalos e os jumentos atados, e as tendas como
estavam.
- Assim chamaram os porteiros, e estes o anunciaram dentro da casa do
rei.
- E o rei se levantou de noite, e disse a seus servos: Eu vos direi o que é
que os sírios nos fizeram. Bem sabem eles que estamos esfaimados; pelo que
saíram do arraial para se esconderem no campo, dizendo: Quando saírem da
cidade, então os tomaremos vivos, e entraremos na cidade.
- Então um dos seus servos respondeu, dizendo: Tomem-se, pois, cinco dos
cavalos do resto que ficou aqui dentro (eis que eles estão como toda a
multidão dos israelitas que ficaram aqui de resto, e que se vêm extenuando), e
enviemo-los, e vejamos.
- Tomaram pois dois carros com cavalos; e o rei os enviou com mensageiros
após o exército dos sírios, dizendo-lhe: Ide, e vede.
- E foram após ele até o Jordão; e eis que todo o caminho estava cheio de
roupas e de objetos que os sírios, na sua precipitação, tinham lançado fora; e
voltaram os mensageiros, e o anunciaram ao rei.
- Então saiu o povo, e saqueou o arraial dos sírios. Assim houve uma medida
de farinha por um siclo e duas medidas de cevada por um siclo, conforme a
palavra do Senhor.
- O rei pusera à porta o capitão em cujo braço ele se apoiava; e o povo o
atropelou na porta, de sorte que morreu, como falara o homem de Deus quando o
rei descera a ter com ele.
- Porque, quando o homem de Deus falara ao rei, dizendo: Amanhã, por estas
horas, haverá duas medidas de cevada por um siclo, e uma medida de farinha por
um siclo, à porta de Samária,
- aquele capitão respondera ao homem de Deus: Ainda que o Senhor fizesse
janelas no céu poderia isso suceder? e ele dissera: Eis que o verás com os
teus olhos, porém não comerás.
- E assim foi; pois o povo o atropelou à porta, e ele morreu.
- Ora Eliseu havia falado àquela mulher cujo filho ele ressuscitara,
dizendo: Levanta-te e vai, tu e a tua família, e peregrina onde puderes
peregrinar; porque o Senhor chamou a fome, e ela virá sobre a terra por sete
anos.
- A mulher, pois, levantou-se e fez conforme a palavra do homem de Deus; foi
com a sua família, e peregrinou na terra dos filisteus sete anos.
- Mas ao cabo dos sete anos, a mulher voltou da terra dos filisteus, e saiu
a clamar ao rei pela sua casa e pelas suas terras.
- Ora, o rei falava a Geazi, o moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me,
peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito.
- E sucedeu que, contando ele ao rei como Eliseu ressuscitara aquele que
estava morto, eis que a mulher cujo filho ressuscitara veio clamar ao rei pela
sua casa e pelas suas terras. Então disse Geazi: ç rei meu senhor, esta é a
mulher, e este o seu filho a quem Eliseu ressuscitou.
- O rei interrogou a mulher, e ela lhe contou o caso. Então o rei lhe
designou um oficial, ao qual disse: Faze restituir-lhe tudo quanto era seu, e
todas as rendas das terras desde o dia em que deixou o país até agora.
- Depois veio Eliseu a Damasco. E estando Bene-Hadade, rei da Síria, doente,
lho anunciaram, dizendo: O homem de Deus chegou aqui.
- Então o rei disse a Hazael: Toma um presente na tua mão, vai encontrar-te
com o homem de Deus e por meio dele consulta ao Senhor, dizendo: Sararei eu
desta doença?
- Foi, pois, Hazael encontrar-se com ele, e levou consigo um presente, a
saber, quarenta camelos carregados de tudo o que havia de bom em Damasco. Ao
chegar, apresentou-se a ele e disse: Teu filho Bene-Hadade, rei da Síria,
enviou-me a ti para perguntar: sararei eu desta doença?
- Respondeu-lhe Eliseu: Vai e dize-lhe: Hás de sarar. Contudo o Senhor me
mostrou que ele morrerá.
- E olhou para Hazael, fitando nele os olhos até que este ficou confundido;
e o homem de Deus chorou.
- Então disse Hazael: Por que meu senhor está chorando? E ele disse: Porque
sei o mal que hás de fazer aos filhos de Israel: Porás fogo às suas
fortalezas, matarás à espada os seus mancebos, despedaçarás os seus pequeninos
e fenderás as suas mulheres grávidas.
- Ao que disse Hazael: Que é o teu servo, que não é mais do que um cão, para
fazer tão grande coisa? Respondeu Eliseu: O Senhor mostrou-me que tu hás de
ser rei da Síria.
- Então apartou-se de Eliseu, e voltou ao seu senhor, o qual lhe perguntou:
Que te disse Eliseu? Respondeu ele: Disse-me que certamente sararás.
- Ao outro dia Hazael tomou um cobertor, molhou-o na água e o estendeu sobre
o rosto do rei, de modo que este morreu. E Hazael reinou em seu lugar.
- Ora, no ano quinto de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, Jeorão, filho
de Jeosafá, rei de Judá, começou a reinar.
- Tinha trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos em
Jerusalém.
- E andou no caminho dos reis de Israel, como também fizeram os da casa de
Acabe, porque tinha por mulher a filha de Acabe; e fez o que era mau aos olhos
do Senhor.
- Todavia o Senhor não quis destruir a Judá, por causa de Davi, seu servo,
porquanto lhe havia prometido que lhe daria uma lâmpada, a ele e a seus
filhos, para sempre.
- Nos seus dias os edomitas se rebelaram contra o domínio de Judá, e
constituiram um rei para si.
- Pelo que Jeorão passou a Zair, com todos os seus carros; e ele se levantou
de noite, com os chefes dos carros, e feriu os edomitas que o haviam cercado;
mas o povo fugiu para as suas tendas.
- Assim os edomitas ficaram rebelados contra o domínio de Judá até o dia de
hoje. Também Libna se rebelou nesse mesmo tempo.
- O restante dos atos de Jeorão, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas de Judá?
- Jeorão dormiu com seus pais, e foi sepultado junto a eles na cidade de
Davi. E Acazias, seu filho, reinou em seu lugar.
- No ano doze de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, começou a reinar
Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá.
- Acazias tinha vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou um ano
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Atalia; era neta de Onri, rei de
Israel.
- Ele andou no caminho da casa de Acabe, e fez o que era mau aos olhos do
Senhor, como a casa de Acabe, porque era genro de Acabe.
- Ora, ele foi com Jorão, filho de Acabe, a Ramote-Gileade, a pelejar contra
Hazael, rei da Síria; e os sírios feriram a Jorão.
- Então voltou o rei Jorão para se curar em Jizreel das feridas que os
sírios lhe fizeram em Ramá, quando pelejou contra Hazael, rei da Síria; e
desceu Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá, para ver Jorão, filho de Acabe,
em Jizreel, porquanto estava doente.
- Depois o profeta Eliseu chamou um dos filhos dos profetas, e lhe disse:
Cinge os teus lombos, toma na mão este vaso de azeite e vai a
Ramote-Gileade;
- quando lá chegares, procura a Jeú, filho de Jeosafá, filho de Ninsi;
entra, faze que ele se levante do meio de seus irmãos, e leva-o para uma
câmara interior.
- Toma, então, o vaso de azeite, derrama-o sobre a sua cabeça, e dize: Assim
diz o Senhor: Ungi-te rei sobre Israel. Então abre a porta, foge e não te
detenhas.
- Foi, pois, o jovem profeta, a Ramote-Gileade.
- E quando chegou, eis que os chefes do exército estavam sentados ali; e ele
disse: Chefe, tenho uma palavra para te dizer. E Jeú perguntou: A qual de
todos nós? Respondeu ele: A ti, chefe!
- Então Jeú se levantou, e entrou na casa; e o mancebo derramou-lhe o azeite
sobre a cabeça, e lhe disse: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Ungi-te rei
sobre o povo do Senhor, sobre Israel.
- Ferirás a casa de Acabe, teu senhor, para que eu vingue da mão de Jezabel
o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do
Senhor.
- Pois toda a casa de Acabe perecerá; e destruirei de Acabe todo filho
varão, tanto o escravo como o livre em Israel.
- Porque hei de fazer a casa de Acabe como a casa de Jeroboão, filho de
Nebate, e como a casa de Baasa, filho de Aías.
- Os cães comerão a Jezabel no campo de Jizreel; não haverá quem a enterre.
Então o mancebo abriu a porta e fugiu.
- Saiu então Jeú aos servos de seu senhor; e um lhe perguntou: Vai tudo bem?
Por que veio a ti esse louco? E ele lhes respondeu: Bem conheceis o homem e o
seu falar.
- Mas eles replicaram. É mentira; dize-no-lo, pedimos-te. Ao que disse Jeú:
Assim e assim ele me falou, dizendo: Assim diz o Senhor: Ungi-te rei sobre
Israel.
- Então se apressaram, e cada um tomou a sua capa e a pôs debaixo dele, no
mais alto degrau; e tocaram a buzina, e disseram: Jeú reina!
- Assim Jeú, filho de Jeosafá, filho de Ninsi, conspirou contra Jorão. (Ora,
tinha Jorão cercado a Ramote-Gileade, ele e todo o Israel, por causa de
Hazael, rei da Síria;
- porém o rei Jorão tinha voltado para se curar em Jizreel das feridas que
os sírios lhe fizeram, quando pelejou contra Hazael, rei da Síria.) E disse
Jeú: Se isto é o vosso parecer, ninguém escape nem saia da cidade para ir dar
a nova em Jizreel.
- Então Jeú subiu a um carro, e foi a Jizreel; porque Jorão estava acamado
ali; e também Acazias, rei de Judá, descera para ver Jorão.
- O atalaia que estava na torre de Jizreel viu a tropa de Jeú, que vinha e
disse: Vejo uma tropa. Disse Jorão: Toma um cavaleiro, e envia-o ao seu
encontro a perguntar: Há paz?
- E o cavaleiro lhe foi ao encontro, e disse: Assim diz o rei: Há paz?
Respondeu Jeú: Que tens tu que fazer com a paz? Passa para trás de mim. E o
atalaia deu aviso, dizendo: Chegou a eles o mensageiro, porém não volta.
- Então Jorão enviou outro cavaleiro; e, chegando este a eles, disse Assim
diz o rei: Há paz? Respondeu Jeú: Que tens tu que fazer com a paz? Passa para
trás de mim.
- E o atalaia deu aviso, dizendo: Também este chegou a eles, porém não
volta; e o andar se parece com o andar de Jeú, filho de Ninsi porque anda
furiosamente.
- Disse Jorão: Aparelha-me o carro! E lho aparelharam. Saiu Jorão, rei de
Israel, com Acazias, rei de Judá, cada um em seu carro para irem ao encontro
de Jeú, e o encontraram no campo de Nabote, o jizreelita.
- E sucedeu que, vendo Jorão a Jeú, perguntou: Há paz, Jeú? Respondeu ele:
Que paz, enquanto as prostituições da tua mãe Jezabel e as suas feitiçarias
são tantas?
- Então Jorão deu volta, e fugiu, dizendo a Acazias: Há traição,
Acazias!
- Mas Jeú, entesando o seu arco com toda a força, feriu Jorão entre as
espáduas, e a flecha lhe saiu pelo coração; e ele caiu no seu carro.
- Disse então Jeú a Bidcar, seu ajudante: Levanta-o, e lança-o no campo da
herança de Nabote, o jizreelita; pois lembra-te de indo eu e tu juntos a
cavalo após seu pai Acabe, o Senhor pôs sobre ele esta sentença,
dizendo:
- Certamente vi ontem o sangue de Nabote e o sangue de seus filhos, diz o
Senhor; e neste mesmo campo te retribuirei, diz o Senhor. Agora, pois,
levanta-o, e lança-o neste campo, conforme a palavra do Senhor.
- Quando Acazias, rei de Judá, viu isto, fugiu pelo caminho da casa do
jardim. E Jeú o perseguiu, dizendo: A este também! Matai-o! Então o feriram no
carro, à subida de Gur, que está junto a Ibleão; mas ele fugiu para Megido, e
ali morreu.
- E seus servos o levaram num carro a Jerusalém, e o sepultaram na sua
sepultura junto a seus pais, na cidade de Davi.
- Ora, Acazias começara a reinar sobre Judá no ano undécimo de Jorão, filho
de Acabe.
- Depois Jeú veio a Jizreel; o que ouvindo Jezabel, pintou-se em volta dos
olhos, e enfeitou a sua cabeça, e olhou pela janela.
- Quando Jeú entrava pela porta, disse ela: Teve paz Zinri, que matou a seu
senhor ?
- Ao que ele levantou o rosto para a janela e disse: Quem é comigo? quem? E
dois ou três eunucos olharam para ele.
- Então disse ele: Lançai-a daí abaixo. E lançaram-na abaixo; e foram
salpicados com o sangue dela a parede e os cavalos; e ele a atropelou.
- E tendo ele entrado, comeu e bebeu; depois disse: Olhai por aquela
maldita, e sepultai-a, porque é filha de rei.
- Foram, pois, para a sepultar; porém não acharam dela senão a caveira, os
pés e as palmas das mãos.
- Então voltaram, e lho disseram. Pelo que ele disse: Esta é a palavra do
Senhor, que ele falou por intermédio de Elias, o tisbita, seu servo, dizendo:
No campo de Jizreel os cães comerão a carne de Jezabel,
- e o seu cadáver será como esterco sobre o campo, na herdade de Jizreel; de
modo que não se poderá dizer: Esta é Jezabel.
- Ora, Acabe tinha setenta filhos em Samária. E Jeú escreveu cartas, e as
enviou a Samária, aos chefes de Jizreel, aos anciãos, e aos aios dos filhos de
Acabe, dizendo:
- Logo que vos chegar esta carta, visto que estão convosco os filhos de
vosso senhor, como também carros, e cavalos, e uma cidade fortificada, e
armas,
- escolhei o melhor e mais reto dos filhos de vosso senhor, ponde-o sobre o
trono de seu pai, e pelejai pela casa de vosso senhor.
- Eles, porém, temeram muitíssimo, e disseram: Eis que dois reis não lhe
puderam resistir; como, pois, poderemos nós resistir-lhe?
- Então o que tinha cargo da casa, o que tinha cargo da cidade, os anciãos e
os aios mandaram dizer a Jeú: Nós somos teus servos, e tudo quanto nos
ordenares faremos; a homem algum constituiremos rei. Faze o que parecer bem
aos teus olhos.
- Depois lhes escreveu outra carta, dizendo: Se sois comigo, e se quereis
ouvir a minha voz, tomai as cabeças dos homens, filhos de vosso senhor, e
amanhã a estas horas vinde ter comigo a Jizreel: Ora, os filhos do rei, que
eram setenta, estavam com os grandes da cidade, que os criavam.:
- Sucedeu pois, que, chegada a eles a carta, tomaram os setenta filhos do
rei e os mataram; puseram as cabeças deles nuns cestos, e lhas mandaram a
Jizreel.
- Veio um mensageiro e lhe anunciou, dizendo: Trouxeram as cabeças dos
filhos do rei. E ele disse: Ponde-as em dois montões à entrada da porta, até
pela manhã.
- Ao sair ele pela manhã, parou, e disse a todo o povo: Vós sois justos; eis
que eu conspirei contra o meu senhor, e o matei; mas quem feriu a todos
estes?
- Sabei, pois, agora que, da palavra do senhor, que o Senhor falou contra a
casa de Acabe, nada cairá em terra; porque o Senhor tem feito o que falou por
intermédio de seu servo Elias.
- E Jeú feriu todos os restantes da casa de Acabe em Jizreel, como também a
todos os seus grandes, os seus amigos íntimos, e os seus sacerdotes, até não
lhe deixar ficar nenhum de resto.
- Então Jeú se levantou e partiu para ir a Samária. E, estando no caminho,
em Bete-Equede dos pastores,
- encontrou-se com os irmãos de Acazias, rei de Judá, e perguntou: Quem sois
vós? Responderam eles: Somos os irmãos de Acazias; e descemos a saudar os
filhos do rei e os filhos da rainha.
- Então disse ele: Apanhai-os vivos. E eles os apanharam vivos, quarenta e
dois homens, e os mataram junto ao poço de Bete-Equede, e a nenhum deles
deixou de resto.
- E, partindo dali, encontrou-se com Jonadabe, filho de Recabe, que lhe
vinha ao encontro, ao qual saudou e lhe perguntou: O teu coração é sincero
para comigo como o meu o é para contigo? Respondeu Jonadabe: É. Então, se é,
disse Jeú, dá-me a tua mão. E ele lhe deu a mão; e Jeú fê-lo subir consigo ao
carro,
- e disse: Vem comigo, e vê o meu zelo para com o Senhor. E fê-lo sentar
consigo no carro.
- Quando Jeú chegou a Samária, feriu a todos os que restavam de Acabe em
Samária, até os destruir, conforme a palavra que o Senhor dissera a
Elias.
- Depois ajuntou Jeú todo o povo, e disse-lhe: Acabe serviu pouco a Baal;
Jeú, porém, muito o servirá.
- Pelo que chamai agora à minha presença todos os profetas de Baal, todos os
seus servos e todos os seus sacerdotes; não falte nenhum, porque tenho um
grande sacrifício a fazer a Baal; aquele que faltar não viverá. Jeú, porém,
fazia isto com astúcia, para destruir os adoradores de Baal.
- Disse mais Jeú: Consagrai a Baal uma assembléia solene. E eles a
apregoaram.
- Também Jeú enviou mensageiros por todo o Israel; e vieram todos os
adoradores de Baal, de modo que não ficou deles homem algum que não viesse. E
entraram na casa de Baal, e encheu-se a casa de Baal, de um lado a
outro.
- Então disse ao que tinha a seu cargo as vestimentas: Tira vestimentas para
todos os adoradores de Baal. E eles lhes tirou para fora as vestimentas.
- E entrou Jeú com Jonadabe, filho de Recabe, na casa de Baal, e disse aos
adoradores de Baal: Examinai, e vede bem, que porventura não haja entre vós
algum servo do Senhor, mas somente os adoradores de Baal. dom; porém não
puderam.
- Assim entraram para oferecer sacrifícios e holocaustos. Ora, Jeú tinha
posto de prontidão do lado de fora oitenta homens, e lhes tinha dito: Aquele
que deixar escapar algum dos homens que eu vos entregar nas mãos, pagará com a
própria vida a vida dele.
- Sucedeu, pois, que, acabando de fazer o holocausto, disse Jeú aos da sua
guarda, e aos oficiais: Entrai e matai-os! não escape nenhum! Então os feriram
ao fio da espada; e os da guarda e os oficiais os lançaram fora e, entrando no
santuário da casa de Baal,
- tiraram as colunas que nela estavam, e as queimaram.
- Também quebraram a coluna de Baal, e derrubaram a casa de Baal, fazendo
dela uma latrina, como é até o dia de hoje.
- Assim Jeú exterminou de Israel a Baal.
- Todavia Jeú não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com
que fez Israel pecar, a saber, dos bezerros de ouro, que estavam em Betel e em
Dã.
- Ora, disse o Senhor a Jeú: Porquanto executaste bem o que é reto aos meus
olhos, e fizeste à casa de Acabe conforme tudo quanto eu tinha no meu coração,
teus filhos até a quarta geração se assentarão no trono de Israel.
- Mas Jeú não teve o cuidado de andar de todo o seu coração na lei do Senhor
Deus de Israel, nem se apartou dos pecados de Jeroboão, com os quais este fez
Israel pecar.
- Naqueles dias começou o Senhor a diminuir os termos de Israel. Hazael
feriu a Israel em todas as suas fronteiras,
- desde o Jordão para o nascente do sol, a toda a terra de Gileade, aos
gaditas, aos rubenitas e aos manassitas, desde Aroer, que está junto ao
ribeiro de Arnom, por toda a Gileade e Basã.
- Ora, o restante dos atos de Jeú, e tudo quanto fez, e todo o seu poder,
porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
- Jeú dormiu com seus pais, e o sepultaram em Samária. Em seu lugar reinou
seu filho Jeoacaz.
- Os dias que Jeú reinou sobre Israel em Samária foram vinte e oito
anos.
- Vendo pois Atalia, mãe de Acazias, que seu filho era morto, levantou-se, e
destruiu toda a descendência real.
- Mas Jeoseba, filha do rei Jorão, irmã de Acazias, tomou a Joás, filho de
Acazias, furtando-o dentre os filhos do rei, aos quais matavam na recâmara, e
o escondeu de Ataliá, a ele e à sua ama, de sorte que não o mataram.
- E esteve com ela escondido na casa do Senhor seis anos; e Atalia reinava
sobre o país.
- No sétimo ano, porém, Jeoiada mandou chamar os centuriões dos caritas e os
oficiais da guarda, e fê-los entrar consigo na casa do Senhor; e fez com eles
um pacto e, ajuramentando-os na casa do Senhor, mostrou-lhes o filho do
rei.
- Então lhes ordenou, dizendo: Eis aqui o que haveis de fazer: uma terça
parte de vós, os que entrais no sábado, fará a guarda da casa do rei;
- outra terça parte estará à porta Sur; e a outra terça parte à porta detrás
dos da guarda. Assim fareis a guarda desta casa, afastando a todos.
- As duas companhias, a saber, todos os que saem no sábado, farão a guarda
da casa do Senhor junto ao rei;
- e rodeareis o rei, cada um com as suas armas na mão, e aquele que entrar
dentro das fileiras, seja morto; e estai vós com o rei quando sair e quando
entrar.
- Fizeram, pois, os centuriões conforme tudo quanto ordenara o sacerdote
Jeoiada; e tomando cada um os seus homens, tanto os que entravam no sábado
como os que saíam no sábado, vieram ter com o sacerdote Jeoiada.
- O sacerdote entregou aos centuriões as lanças e os escudos que haviam sido
do rei Davi, e que estavam na casa do Senhor.
- E os da guarda, cada um com as armas na mão, se puseram em volta do rei,
desde o lado direito da casa até o lado esquerdo, ao longo do altar e da
casa.
- Então Jeoiada lhes apresentou o filho do rei, pôs-lhe a coroa, e lhe deu o
testemunho; e o fizeram rei e o ungiram e, batendo palmas, clamaram: Viva o
rei!
- Quando Atalia ouviu o vozerio da guarda e do povo, foi ter com o povo na
casa do Senhor;
- e olhou, e eis que o rei estava junto à coluna, conforme o costume, e os
capitães e os trombeteiros junto ao rei; e todo o povo da terra se alegrava e
tocava trombetas. Então Atalia rasgou os seus vestidos, e clamou: Traição!
Traição!
- Então Jeoiada, o sacerdote, deu ordem aos centuriões que comandavam as
tropas, dizendo-lhes: Tirai-a para fora por entre as fileiras, e a quem a
seguir matai-o à espada. Pois o sacerdote dissera: Não seja ela morta na casa
do Senhor.
- E lançaram-lhe as mãos e ela foi pelo caminho da entrada dos cavalos à
casa do rei, e ali a mataram.
- Ora, Jeoiada firmou um pacto entre o Senhor e o rei e o povo, pelo qual
este seria o povo do Senhor; como também firmou pacto entre o rei e o
povo.
- Então todo o povo da terra entrou na casa de Baal, e a derrubaram; como
também os seus altares, e as suas imagens, totalmente quebraram; e a Matã,
sacerdote de Baal, mataram diante dos altares. Também o sacerdote pôs vigias
sobre a casa do Senhor.
- E tomou os centuriões, os caritas, a guarda, e todo o povo da terra; e
conduziram da casa do Senhor o rei, e foram pelo caminho da porta da guarda, à
casa do rei; e ele se assentou no trono dos reis.
- E todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz, depois que
mataram Atalia à espada junto à casa do rei.
- Joás tinha sete anos quando começou a reinar.
- Foi no ano sétimo de Jeú que Joás começou a reinar, e reinou quarenta anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Zíbia, de Berseba.
- E Joás fez o que era reto aos olhos do Senhor todos os dias em que o
sacerdote Jeoiada o instruiu.
- Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles.
- Disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas consagradas que se
trouxer à casa do Senhor, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o
dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro
que cada um trouxer voluntariamente para a casa do Senhor,
- recebam-no os sacerdotes, cada um dos seus conhecidos, e reparem os
estragos da casa, todo estrago que se achar nela.
- Sucedeu porém que, no vigésimo terceiro ano do rei Joás, os sacerdotes
ainda não tinham reparado os estragos da casa.
- Então o rei Joás chamou o sacerdote Jeoiada e os demais sacerdotes, e lhes
disse: Por que não reparais os estragos da casa? Agora, pois, não tomeis mais
dinheiro de vossos conhecidos, mas entregai-o para o reparo dos estragos da
casa.
- E consentiram os sacerdotes em não tomarem mais dinheiro do povo, e em não
mais serem os encarregados de reparar os estragos da casa.
- Mas o sacerdote Jeoiada tomou uma arca , fez um buraco na tampa, e a pôs
ao pé do altar, à mão direita de quem entrava na casa do Senhor. E os
sacerdotes que guardavam a entrada metiam ali todo o dinheiro que se trazia à
casa do Senhor.
- Sucedeu pois que, vendo eles que já havia muito dinheiro na arca, o
escrivão do rei e o sumo sacerdote vinham, e ensacavam e contavam o dinheiro
que se achava na casa do Senhor.
- E entregavam o dinheiro, depois de pesado, nas mãos dos que faziam a obra
e que tinham a seu cargo a casa do Senhor; e eles o distribuíam aos
carpinteiros, e aos edificadores que reparavam a casa do Senhor;
- como também aos pedreiros e aos cabouqueiros; e para se comprar madeira e
pedras de cantaria a fim de repararem os estragos da casa do Senhor, e para
tudo quanto exigia despesa para se reparar a casa.
- Todavia, do dinheiro que se trazia à casa do Senhor, não se faziam nem
taças de prata, nem espevitadeiras, nem bacias, nem trombetas, nem vaso algum
de ouro ou de prata para a casa do Senhor;
- porque o davam aos que faziam a obra, os quais reparavam com ele a casa do
Senhor.
- E não se tomavam contas aos homens em cujas mãos entregavam aquele
dinheiro para o dar aos que faziam a obra, porque eles se haviam com
fidelidade.
- Mas o dinheiro das ofertas pela culpa, e o dinheiro das ofertas pelo
pecado, não se trazia à casa do Senhor; era para os sacerdotes.
- Então subiu Hazael, rei da Síria, e pelejou contra Gate, e a tomou. Depois
Hazael virou o rosto para marchar contra Jerusalém.
- Pelo que Joás, rei de Judá, tomou todas as coisas consagradas que Jeosafá,
Jeorão e Acazias, seus pais, reis de Judá, tinham consagrado, e tudo o que ele
mesmo tinha oferecido, como também todo o ouro que se achou nos tesouros da
casa do Senhor e na casa do rei, e o mandou a Hazael, rei da Síria, o qual se
desviou de Jerusalém.
- Ora, o restante dos atos de Joás, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- Levantaram-se os servos de Joás e, conspirando contra ele, o feriram na
casa de Milo, junto ao caminho que desce para Sila.
- Foram Jozacar, filho de Simeate, e Jeozabade, filho de Somer, seus servos
que o feriram, e ele morreu. Sepultaram-no com seus pais na cidade de Davi. E
Amazias, seu filho, reinou em seu lugar.
- No vigésimo terceiro ano de Joás, filho de Acazias, rei de Judá, começou a
reinar Jeoacaz, filho de Jeú, sobre Israel, em Samária, e reinou dezessete
anos.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor, porque seguiu os pecados de
Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar; não se
apartou deles.
- Pelo que a ira do Senhor se acendeu contra Israel; e o entregou
continuadamente na mão de Hazael, rei da Síria, e na mão de Bene-Hadade, filho
de Hazael.
- Jeoacaz, porém, suplicou diante da face do Senhor; e o senhor o ouviu,
porque viu a opressão com que o rei da Síria oprimia a Israel,
- (pelo que o Senhor deu um libertador a Israel, de modo que saiu de sob a
mão dos sírios; e os filhos de Israel habitaram nas suas tendas, como
dantes.
- Contudo não se apartaram dos pecados da casa de Jeroboão, com os quais ele
fizera Israel pecar, porém andaram neles; e também a Asera ficou em pé em
Samária.)
- porque, de todo o povo, não deixara a Jeoacaz mais que cinqüenta
cavaleiros, dez carros e dez mil homens de infantaria; porquanto o rei da
Síria os tinha destruído e os tinha feito como o pó da eira.
- Ora, o restante dos atos de Jeoacaz, e tudo quanto fez, e o seu poder,
porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
- E Jeoacaz dormiu com seus pais; e o sepultaram em Samária. E Jeoás, seu
filho, reinou em seu lugar.
- No ano trinta e sete de Joás, rei de Judá, começou a reinar Jeoás, filho
de Jeoacaz, sobre Israel, em Samária, e reinou dezesseis anos.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor; não se apartou de nenhum dos
pecados de Jeroboão filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar,
porém andou neles.
- Ora, o restante dos atos de Jeoás, e tudo quanto fez, e o seu poder, com
que pelejou contra Amazias, rei de Judá, porventura não estão escritos no
livro das crônicas dos reis de Israel?
- Jeoás dormiu com seus pais, e Jeroboão se assentou no seu trono. Jeoás foi
sepultado em Samária, junto aos reis de Israel.
- Estando Eliseu doente da enfermidade de que morreu, Jeoás, rei de Israel,
desceu a ele e, chorando sobre ele exclamou: Meu pai, meu pai! carro de
Israel, e seus cavaleiros!
- E Eliseu lhe disse: Toma um arco e flechas. E ele tomou um arco e
flechas.
- Então Eliseu disse ao rei de Israel: Põe a mão sobre o arco. E ele o fez.
Eliseu pôs as suas mãos sobre as do rei,
- e disse: Abre a janela para o oriente. E ele a abriu. Então disse Eliseu:
Atira. E ele atirou. Prosseguiu Eliseu: A flecha do livramento do Senhor é a
flecha do livramento contra os sírios; porque ferirás os sírios em Afeque até
os consumir.
- Disse mais: Toma as flechas. E ele as tomou. Então disse ao rei de Israel:
Fere a terra. E ele a feriu três vezes, e cessou.
- Ao que o homem de Deus se indignou muito contra ele, e disse: Cinco ou
seis vezes a deverias ter ferido; então feririas os sírios até os consumir;
porém agora só três vezes ferirás os sirios.
- Depois morreu Eliseu, e o sepultaram. Ora, as tropas dos moabitas invadiam
a terra à entrada do ano.
- E sucedeu que, estando alguns a enterrarem um homem, viram uma dessas
tropas, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu. Logo que ele tocou os ossos
de Eliseu, reviveu e se levantou sobre os seus pés.
- Hazael, rei da Síria, oprimiu a Israel todos os dias de Jeoacaz.
- O Senhor, porém, teve misericórdia deles, e se compadeceu deles, e se
tornou para eles, por amor do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó; e não os
quis destruir nem lançá-los da sua presença
- Ao morrer Hazael, rei da Síria, Bene-Hadade, seu filho, reinou em seu
lugar.
- E Jeoás, filho de Jeoacaz, retomou das mãos de Bene-Hadade, filho de
Hazael, as cidades que este havia tomado das mãos de Jeoacaz, seu pai, na
guerra; três vezes Jeoás o feriu, e recuperou as cidades de Israel.
- No segundo ano de Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel, começou a reinar
Amazias, filho de Joás, rei de Judá.
- Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e nove
anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jeoadim, de Jerusalém.
- E fez o que era reto aos olhos do Senhor, ainda que não como seu pai Davi;
fez, porém, conforme tudo o que fizera Joás, seu pai.
- Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles.
- Sucedeu que, logo que o reino foi confirmado na sua mão matou aqueles seus
servos que haviam matado o rei, seu pai;
- porém os filhos dos assassinos não matou, segundo o que está escrito no
livro da lei de Moisés, conforme o Senhor deu ordem, dizendo: Não serão mortos
os pais por causa dos filhos, nem os filhos por causa dos pais; mas cada um
será morto pelo seu próprio pecado.
- Também matou dez mil edomitas no Vale do Sal, e tomou em batalha a sela; e
chamou o seu nome Jocteel, nome que conserva até hoje.
- Então Amazias enviou mensageiros a Jeoás, filho de Jeoacaz, filho de Jeú,
rei de Israel, dizendo: Vem, vejamo-nos face a face.
- Mandou, porém, Jeoás, rei de Israel, dizer a Amazias, rei de Judá: O cardo
que estava no Líbano mandou dizer ao cedro que estava no Líbano: Dá tua filha
por mulher a meu filho. Mas uma fera que estava no Líbano passou e pisou o
cardo.
- Na verdade feriste Edom, e o teu coração se ensoberbeceu; gloria-te disso,
e fica em tua casa; pois, por que te entremeterias no mal, para caíres tu, e
Judá contigo?
- Amazias, porém, não o quis ouvir. De modo que Jeoás, rei de Israel, subiu;
e ele e Amazias, rei de Judá, viram-se face a face, em Bete-Semes, que está em
Judá.
- Então Judá foi derrotado diante de Israel, e fugiu cada um para a sua
tenda.
- E Jeoás, rei de Israel, aprisionou Amazias, rei de Judá, filho de Joás,
filho de Acazias, em Bete-Semes e, vindo a Jerusalém, rompeu o seu muro desde
a porta de Efraim até a porta da esquina, quatrocentos covados.
- E tomou todo o ouro e a prata e todos os vasos que se achavam na casa do
Senhor e nos tesouros da casa do rei, como também reféns, e voltou para
Samária.
- Ora, o restante dos atos de Jeoás, o que fez, e o seu poder, e como
pelejou contra Amazias, rei de Judá, porventura não estão escritos no livro
das crônicas dos reis de Israel?
- E dormiu Jeoás com seus pais, e foi sepultado em Samária, junto aos reis
de Israel. Jeroboão, seu filho, reinou em seu lugar.
- Amazias, filho de Joás, rei de Judá, viveu quinze anos depois da morte de
Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel.
- Ora, o restante dos atos de Amazias, porventura não está escrito no livro
das crônicas dos reis de Judá?
- Conspiraram contra ele em Jerusalém, e ele fugiu para Laquis; porém
enviaram após ele até Laquis, e ali o mataram.
- Então o trouxeram sobre cavalos; e ele foi sepultado em Jerusalém, junto a
seus pais, na cidade de Davi.
- E todo o povo de Judá tomou a Azarias, que tinha dezesseis anos, e fê-lo
rei em lugar de Amazias, seu pai.
- Ele edificou a Elate, e a restituiu a Judá, depois que o rei dormiu com
seus pais.
- No décimo quinto ano de Amazias, filho de Joás, rei de Judá, começou a
reinar em Samária, Jeroboão, filho de Jeoás, rei de Israel, e reinou quarenta
e um anos.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor; não se apartou de nenhum dos
pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel
pecar.
- Foi ele que restabeleceu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate
até o mar da Arabá, conforme a palavra que o Senhor, Deus de Israel, falara
por intermédio de seu servo Jonas filho do profeta Amitai, de
Gate-Hefer.
- Porque viu o Senhor que a aflição de Israel era muito amarga, e que não
restava nem escravo, nem livre, nem quem socorresse a Israel.
- E ainda não falara o Senhor em apagar o nome de Israel de debaixo do céu;
porém o livrou por meio de Jeroboão, filho de Jeoás.
- Ora, o restante dos atos de Jeroboão, e tudo quanto fez o seu poder, como
pelejou e como reconquistou para Israel Damasco e Hamate, que tinham sido de
Judá, porventura não estão escritos no livro das crônicas de Israel?
- E Jeroboão dormiu com seus pais, os reis de Israel. E Zacarias, seu filho,
reinou em seu lugar.
- No ano vinte e sete de Jeroboão, rei de Israel, começou a reinar Azarias,
filho de Amazias, rei de Judá.
- Tinha dezesseis anos quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e dois
anos, em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jecolia, de Jerusalém.
- E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera
Amazias, seu pai.
- Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles.
- E o Senhor feriu o rei, de modo que ficou leproso até o dia da sua morte;
e habitou numa casa separada; e Jotão, filho do rei, tinha o cargo da casa,
julgando o povo da terra.
- Ora, o restante dos atos de Azarias, e tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- E Azarias dormiu com seus pais, e com eles o sepultaram na cidade de Davi:
E Jotão, seu filho, reinou em seu lugar.
- No ano trinta e oito de Azarias, rei de Judá, reinou Zacarias, filho de
Jeroboão, sobre Israel, em Samária, seis meses.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor, como tinham feito seus pais;
nunca se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele
fizera Israel pecar.
- Salum, filho de Jabes, conspirou contra ele; feriu-o diante do povo,
matou-o e reinou em seu lugar.
- Ora o restante dos atos de Zacarias está escrito no livro das crônicas dos
reis de Israel.
- Esta foi a palavra do Senhor, que ele falara a Jeú, dizendo: Teus filhos,
até a quarta geração, se assentarão sobre o trono de Israel. E assim
foi.
- Salum, filho de Jabes, começou a reinar no ano trinta e nove de Uzias, rei
de Judá, e reinou um mês em Samária.
- E Menaém, filho de Gadi, subindo de Tirza, veio a Samária; feriu a Salum,
filho de Jabes, em Samária, matou-o e reinou em seu lugar.
- Ora, o restante dos atos de Salum, e a conspiração que fez, estão escritos
no livro das crônicas dos reis de Israel.
- Então Menaém feriu a Tifsa, e a todos os que nela havia, como tambem a
seus termos desde Tirza; porque não lha tinham aberto, por isso a feriu; e
fendeu a todas as mulheres grávidas que nela estavam.
- No ano trinta e nove de Azarias, rei de Judá, Menaém, filho de Gadi,
começou a reinar sobre Israel, e reinou dez anos em Samária.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor; em todos os seus dias nunca se
apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera
Israel pecar.
- Então veio Pul, rei da Assíria, contra a terra; e Menaém deu a Pul mil
talentos de prata, para que este o ajudasse a firmar o reino na sua mão.
- Menaém exigiu este dinheiro de todos os poderosos e ricos em Israel, para
o dar ao rei da Assíria, de cada homem cinqüenta siclos de prata; assim voltou
o rei da Assíria, e não se demorou ali na terra.
- Ora, o restante dos atos de Menaém, e tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
- Menaém dormiu com seus pais. E Pecaías, seu filho, reinou em seu
lugar.
- No ano cinqüenta de Azarias, rei de Judá, Pecaías, filho de Menaém,
começou a reinar sobre Israel em Samária, e reinou dois anos.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor; nunca se apartou dos pecados de
Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar.
- E Peca, chefe das suas tropas, filho de Remalias, conspirou contra ele, e
o feriu em Samária, no castelo da casa do rei, juntamente com Argobe e com
Arié; e com Peca estavam cinqüenta homens dos filhos dos gileaditas; e o
matou, e reinou em seu lugar.
- Ora, o restante dos atos de Pecaías, e tudo quanto fez, estão escritos no
livro das crônicas dos reis de Israel.
- No ano cinqüenta e dois de Azarias, rei de Judá, Peca, filho de Remalias,
começou a reinar sobre Israel, em Samária, e reinou vinte anos.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor; nunca se apartou dos pecados de
Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele fizera Israel pecar.
- Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser rei da Assíria e
tomou Ijom, Abel-Bete-Maacá, Janoa, Quedes, Hazor, Gileade e Galiléia, toda a
terra de Naftali; e levou cativos os habitantes para a Assiria.
- E Oséias, filho de Elá, conspirou contra Peca, filho de Remalias, o feriu
e matou, e reinou em seu lugar, no vigésimo ano de Jotão, filho de
Uzias.
- Ora, o restante dos atos de Peca, e tudo quanto fez, estão escritos no
livro das crônicas dos reis de Israel.
- No segundo ano de Peca, filho de Remalias, rei de Israel, começou a reinar
Jotão, filho de Uzias, rei de Judá.
- Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jenisa, filha de Zadoque.
- E fez o que era reto aos olhos do Senhor; fez conforme tudo quanto fizera
seu pai Uzias.
- Contudo os altos não foram tirados; o povo ainda sacrificava e queimava
incenso neles. Pois ele que edificou a porta alta da casa do Senhor.
- Ora, o restante dos atos de Jotão, e tudo quanto fez, porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- Naqueles dias começou o Senhor a enviar contra Judá Rezim, rei da Síria, e
Peca, filho de Remalias.
- E Jotão dormiu com seus pais, e com eles foi, sepultado na cidade de Davi,
seu pai. E Acaz, seu filho, reinou em seu lugar.
- No ano dezessete de Peca, filho de Remalia começou a reinar Acaz, filho de
Jotão, rei de Judá.
- Tinha Acaz vinte anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em
Jerusalém; e não fez o que era reto aos olhos do Senhor seu Deus, como tinha
feito Davi, seu pai,
- mas andou no caminho dos reis de Israel, e até fez passar pelo fogo o seu
filho, segundo as abominações dos gentios que o Senhor lançara fora de diante
dos filhos de Israel.
- Também oferecia sacrifícios e queimava incenso nos altos e nos outeiros,
como também debaixo de toda árvore frondosa.
- Então subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de
Israel, contra Jerusalém, para lhe fazer guerra; e cercaram a Acaz, porém não
puderam vencê-lo.
- Nesse mesmo tempo Rezim, rei da Síria, restituiu Elate a Síria, lançando
fora dela os judeus; e os sírios vieram a Elate, e ficaram habitando ali até o
dia de hoje.
- Então Acaz enviou mensageiros a Tiglate-Pileser, rei da Assíria, dizendo:
Eu sou teu servo e teu filho; sobe, e livra-me das mãos do rei da Síria, e das
mãos do rei de Israel, os quais se levantaram contra mim.
- E tomou Acaz a prata e o ouro que se achou na casa do Senhor e nos
tesouros da casa do rei, e mandou um presente ao rei da Assíria.
- E o rei da Assíria lhe deu ouvidos e, subindo contra Damasco, tomou-a,
levou cativo o povo para Quir, e matou Rezim.
- Então o rei Acaz foi a Damasco para se encontrar com Tiglate-Pileser, rei
da Assíria; e, vendo o altar que estava em Damasco, enviou ao sacerdote Urias
a figura do altar, e o modelo exato de toda a sua obra.
- E Urias, o sacerdote, edificou o altar; conforme tudo o que o rei Acaz lhe
tinha enviado de Damasco, assim o fez o sacerdote Urias, antes que o rei Acaz
viesse de Damasco.
- Tendo o rei vindo de Damasco, viu o altar; e, acercando-se do altar,
ofereceu sacrifício sobre ele;
- queimou o seu holocausto e a sua oferta de cereais, derramou a sua
libação, e espargiu o sangue dos seus sacrifícios pacíficos sobre o
altar.
- E o altar de bronze, que estava perante o Senhor, ele o tirou da parte
fronteira da casa, de entre o seu altar e a casa do Senhor, e o colocou ao
lado setentrional do seu altar.
- E o rei Acaz ordenou a Urias, o sacerdote, dizendo: No grande altar queima
o holocausto da manhã, como também a oferta de cereais da noite, o holocausto
do rei e a sua oferta de cereais, o holocausto de todo o povo da terra, a sua
oferta de cereais e as suas libações; e todo o sangue dos holocaustos, e todo
o sangue dos sacrifícios espargirás nele; porém o altar de bronze ficará ao
meu dispor para nele inquirir.
- Assim fez Urias, o sacerdote, conforme tudo quanto o rei Acaz lhe
ordenara.
- Também o rei Acaz cortou as almofadas das bases, e de cima delas removeu a
pia; tirou o mar de sobre os bois de bronze, que estavam debaixo dele, e o
colocou sobre um pavimento de pedra.
- Também o passadiço coberto para uso no sábado, que tinham construído na
casa, e a entrada real externa, retirou da casa do Senhor, por causa do rei da
Assíria.
- Ora, o restante dos atos de Acaz, e o que fez porventura não estão
escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- E dormiu Acaz com seus pais, e com eles foi sepultado na cidade de Davi. E
Ezequias, seu filho, reinou em seu lugar.
- No ano duodécimo de Acaz, rei de Judá, começou a reinar Oséias, filho de
Elá, e reinou sobre Israel, em Samária nove anos.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor, contudo não como os reis de
Israel que foram antes dele.
- Contra ele subiu Salmanasar, rei da Assiria; e Oséias ficou sendo servo
dele e lhe pagava tributos.
- O rei da Assíria , porém, achou em Oséias conspiração; porque ele enviara
mensageiros a Sô, rei do Egito, e não pagava, como dantes, os tributos anuais
ao rei da Assíria; então este o encerrou e o pôs em grilhões numa
prisão.
- E o rei da Assíria subiu por toda a terra, e chegando a Samária sitiou-a
por três anos.
- No ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou Samária, e levou Israel
cativo para a Assíria; e fê-los habitar em Hala, e junto a Habor, o rio de
Gozã, e nas cidades dos medos.
- Assim sucedeu, porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor
seu Deus que os fizera subir da terra do Egito, de debaixo da mãe de Faraó,
rei do Egito, e porque haviam temido a outros deuses,
- e andado segundo os costumes das nações que o Senhor lançara fora de
diante dos filhos de Israel, e segundo os que os reis de Israel
introduziram.
- Também os filhos de Israel fizeram secretamente contra o Senhor seu Deus
coisas que não eram retas. Edificaram para si altos em todas as suas cidades,
desde a torre das atalaias até a cidade fortificada;
- Levantaram para si colunas e aserins em todos os altos outeiros, e debaixo
de todas as árvores frondosas;
- queimaram incenso em todos os altos, como as nações que o Senhor expulsara
de diante deles; cometeram ações iníquas, provocando à ira o Senhor,
- e serviram os ídolos, dos quais o Senhor lhes dissera: Não fareis
isso.
- Todavia o Senhor advertiu a Israel e a Judá pelo ministério de todos os
profetas e de todos os videntes, dizendo: Voltai de vossos maus caminhos, e
guardai os meus mandamentos e os meus estatutos, conforme toda a lei que
ordenei a vossos pais e que vos enviei pelo ministério de meus servos, os
profetas.
- Eles porém, não deram ouvidos; antes endureceram a sua cerviz, como
fizeram seus pais, que não creram no Senhor seu Deus;
- rejeitaram os seus estatutos, e o seu pacto, que fizera com os pais deles,
como também as advertências que lhes fizera; seguiram a vaidade e tornaram-se
vãos, como também seguiram as nações que estavam ao redor deles, a respeito
das quais o Senhor lhes tinha ordenado que não as imitassem.
- E, deixando todos os mandamentos do Senhor seu Deus, fizeram para si dois
bezerros de fundição, e ainda uma Asera; adoraram todo o exército do céu, e
serviram a Baal.
- Fizeram passar pelo fogo seus filhos, suas filhas, e deram- se a
adivinhações e encantamentos; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos
do Senhor, provocando-o à ira.
- Pelo que o Senhor muito se indignou contra Israel, e os tirou de diante da
sua face; não ficou senão somente a tribo de Judá.
- Nem mesmo Judá havia guardado os mandamentos do Senhor seu Deus; antes
andou nos costumes que Israel introduzira.
- Pelo que o Senhor rejeitou toda a linhagem de Israel, e os oprimiu,
entregando-os nas mãos dos despojadores, até que os expulsou da sua
presença.
- Pois rasgara Israel da casa de Davi; e eles fizeram rei a Jeroboão, filho
de Nebate, o qual apartou Israel de seguir o Senhor, e os fez cometer um
grande pecado.
- Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha
cometido; nunca se apartaram deles;
- até que o Senhor tirou Israel da sua presença, como falara por intermédio
de todos os seus servos os profetas. Assim foi Israel transportado da sua
terra para a Assíria, onde está até o dia de hoje.
- Depois o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de
Hamate e de Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samária em lugar dos
filhos de Israel; e eles tomaram Samária em herança, e habitaram nas suas
cidades.
- E sucedeu que, no princípio da sua habitação ali, não temeram ao Senhor; e
o Senhor mandou entre eles leões, que mataram alguns deles.
- Pelo que foi dito ao rei da Assíria: A gente que transportaste, e fizeste
habitar nas cidades de Samária, não conhece a lei do deus da terra; por isso
ele tem enviado entre ela leões que a matam, porquanto não conhece a lei do
deus da terra.
- Então o rei da Assíria mandou dizer: Levai ali um dos sacerdotes que
transportastes de lá para que vá e habite ali, e lhes ensine a lei do deus da
terra.
- Veio, pois, um dos sacerdotes que eles tinham transportado de Samária, e
habitou em Betel, e lhes ensinou como deviam temer ao Senhor.
- Todavia as nações faziam cada uma o seu próprio deus, e os punham nas
casas dos altos que os samaritanos tinham feito, cada nação nas cidades que
habitava.
- Os de Babilônia fizeram e Sucote-Benote; os de Cuta fizeram Nergal; os de
Hamate fizeram Asima;
- os aveus fizeram Nibaz e Tartaque: e os sefarvitas queimavam seus filhos
no fogo e a adrameleque e a Anameleque, deuses de Sefarvaim.
- Temiam também ao Senhor, e dentre o povo fizeram para si sacerdotes dos
lugares altos, os quais exerciam o ministério nas casas dos lugares
altos.
- Assim temiam ao Senhor, mas também serviam a seus próprios deuses, segundo
o costume das nações do meio das quais tinham sido transportados.
- Até o dia de hoje fazem segundo os antigos costumes: não temem ao Senhor;
nem fazem segundo os seus estatutos, nem segundo as suas ordenanças; nem
tampouco segundo a lei, nem segundo o mandamento que o Senhor ordenou aos
filhos de Jacó, a quem deu o nome de Israel,
- com os quais o Senhor tinha feito um pacto, e lhes ordenara, dizendo: Não
temereis outros deuses, nem vos inclinareis diante deles, nem os servireis,
nem lhes oferecereis sacrificios;
- mas sim ao Senhor, que vos fez subir da terra do Egito com grande poder e
com braço estendido, a ele temereis, a ele vos inclinareis, e a ele
oferecereis sacrifícios.
- Quanto aos estatutos, às ordenanças, à lei, e ao mandamento, que para vós
escreveu, a esses tereis cuidado de observar todos os dias; e não temereis
outros deuses;
- e do pacto que fiz convosco não vos esquecereis. Não temereis outros
deuses,
- mas ao Senhor vosso Deus temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os
vossos inimigos.
- Contudo eles não ouviram; antes fizeram segundo o seu antigo
costume.
- Assim estas nações temiam ao Senhor, mas serviam também as suas imagens
esculpidas; também seus filhos, e os filhos de seus filhos fazem até o dia de
hoje como fizeram seus pais.
- Ora, sucedeu que, no terceiro ano de Oséias, filho de Elá, rei de Israel,
começou a reinar Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá.
- Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e nove
anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abi, filha de Zacarias.
- Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera
Davi, seu pai.
- Tirou os altos, quebrou as colunas, e deitou abaixo a Asera; e despedaçou
a serpente de bronze que Moisés fizera (porquanto até aquele dia os filhos de
Israel lhe queimavam incenso), e chamou-lhe Neüstã.
- Confiou no Senhor Deus de Israel, de modo que depois dele não houve seu
semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes
dele.
- Porque se apegou ao Senhor; não se apartou de o seguir, e guardou os
mandamentos que o Senhor ordenara a Moisés.
- Assim o Senhor era com ele; para onde quer que saísse prosperava.
Rebelou-se contra o rei da Assíria, e recusou servi-lo.
- Feriu os filisteus até Gaza e os seus termos, desde a torre dos atalaias
até a cidade fortificada.
- No quarto ano do rei Ezequias que era o sétimo ano de Oséias, filho de
Elá, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, subiu contra Samária, e a
cercou
- e, ao fim de três anos, tomou-a. No ano sexto de Ezequias, que era o ano
nono de Oséias, rei de Israel, Samária foi tomada.
- Depois o rei da Assíria levou Israel cativo para a Assíria, e os colocou
em Hala, e junto ao Habor, rio de Gozã, e nas cidades dos medos;
- porquanto não obedeceram à voz do senhor seu Deus, mas violaram o seu
pacto, nada ouvindo nem fazendo de tudo quanto Moisés, servo do Senhor, tinha
ordenado.
- No ano décimo quarto do rei Ezequias, subiu Senaqueribe, rei da Assíria,
contra todas as cidades fortificadas de Judá, e as tomou.
- Pelo que Ezequias, rei de Judá, enviou ao rei da Assíria, a Laquis,
dizendo: Pequei; retira-te de mim; tudo o que me impuseres suportarei. Então o
rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e
trinta talentos de ouro.
- Assim deu Ezequias toda a prata que se achou na casa do Senhor e nos
tesouros da casa do rei.
- Foi nesse tempo que Ezequias, rei de Judá, cortou das portas do templo do
Senhor, e dos umbrais, o ouro de que ele mesmo os cobrira, e o deu ao rei da
Assíria.
- Contudo este enviou de Laquis Tartã, Rabe-Sáris e Rabsaqué, com um grande
exército, ao rei Ezequias, a Jerusalém; e subiram, e vieram a Jerusalém. E,
tendo chegado, pararam ao pé do aqueduto da piscina superior, que está junto
ao caminho do campo do lavandeiro.
- Havendo eles chamado o rei, saíram-lhes ao encontro Eliaquim, filho de
Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá, filho de Asafe, o
cronista.
- E Rabsaqué lhes disse: Dizei a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da
Assíria: Que confiança é essa em que te estribas?
- Dizes (são, porém, palavras vãs): Há conselho e poder para a guerra. Em
quem, pois, agora confias, que contra mim te revoltas?
- Estás confiando nesse bordão de cana quebrada, que é o Egito; o qual, se
alguém nele se apoiar, entrar-lhe-á pela mão e a traspassará; assim é Faraó,
rei do Egito para com todos os que nele confiam.
- Se, porém, me disserdes: No Senhor nosso Deus confiamos; porventura não é
esse aquele cujos altos e altares Ezequias tirou dizendo a Judá e a Jerusalém:
Perante, este altar adorareis em Jerusalém?
- Ora pois faze uma aposta com o meu senhor, o rei da Assíria: dar-te-ei
dois mil cavalos, se tu puderes dar cavaleiros para eles.
- Como, então, poderias repelir um só príncipe dos menores servos de meu
senhor, quando estás confiando no Egito para obteres carros e
cavaleiros?
- Porventura teria eu subido sem o Senhor contra este lugar para o destruir?
Foi o Senhor que me disse: sobe contra esta terra e a destrói.
- Então disseram Eliaquim, filho de Hilquias, e Sebna, e Joá, a Rabsaqué:
Rogamos-te que fales aos teus servos em aramaico, porque bem o entendemos; e
não nos fales na língua judaica, aos ouvidos do povo que está em cima do
muro.
- Rabsaqué, porém, lhes disse: Porventura mandou-me meu senhor para falar
estas palavras a teu senhor e a ti, e não aos homens que estão sentados em
cima do muro que juntamente convosco hão de comer o seu excremento e beber a
sua urina ?
- Então pondo-se em pé, Rabsaqué clamou em alta voz, na língua judaica,
dizendo: Ouvi a palavra do grande rei, do rei da Assíria.
- Assim diz o rei: Não vos engane Ezequias; porque não vos poderá livrar da
minha mão;
- nem tampouco vos faça Ezequias confiar no Senhor, dizendo: Certamente nos
livrará o Senhor, e esta cidade não será entregue na mão do rei da
Assíria.
- Não deis ouvidos a Ezequias; pois assim diz o rei da Assíria: Fazei paz
comigo, e saí a mim; e coma cada um da sua vide e da sua figueira, e beba cada
um a água da sua cisterna;
- até que eu venha, e vos leve para uma terra semelhante à vossa, terra de
trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas, terra de azeite de oliveiras e de
mel; para que vivais e não morrais. Não deis ouvidos a Ezequias, quando vos
envenena, dizendo: O Senhor nos livrará.
- Porventura os deuses das nações puderam livrar, cada um a sua terra, das
mãos do rei da Assíria?
- Dentre todos os deuses das terras, quais são os que livraram a sua terra
da minha mão, para que o Senhor livre Jerusalém da minha mão?
- Que é feito dos deuses de Hamate e de Arpade? Que é feito dos deuses de
Sefarvaim, de Hena e de Iva? porventura livraram Samária da minha mão?
- O povo, porém, ficou calado, e não lhe respondeu uma só palavra, porque o
rei ordenara, dizendo: Não lhe respondais.
- Então Eliaquim, filho de Hilquias, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e Joá,
filho de Asafe, o cronista, vieram a Ezequias com as vestes rasgadas, e lhe
fizeram saber as palavras de Rabsaqué.
- Quando o rei Ezequias ouviu isto rasgou as suas vestes, cobriu-se de saco,
e entrou na casa do Senhor.
- Então enviou Eliaquim, o mordomo, e Sebna, o escrivão, e os anciãos dos
sacerdotes, cobertos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amoz.
- Eles lhe disseram: Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, de
vituperação e de blasfêmia; porque os filhos chegaram ao parto, e não há força
para os dar à luz.
- Bem pode ser que o Senhor teu Deus tenha ouvido todas as palavras de
Rabsaque, a quem o seu senhor, o rei da Assiria, enviou para afrontar o Deus
vivo, e repreenda as palavras que o senhor teu Deus ouviu. Faze, pois, oração
pelo resto que ainda fica.
- Foram, pois, os servos do rei Ezequias ter com Isaias.
- E Isaías lhes disse: Assim direis a vosso senhor: Assim diz o Senhor: Não
temas as palavras que ouviste, com as quais os servos do rei da Assíria me
blasfemaram.
- Eis que meterei nele um espírito, e ele ouvirá uma nova, e voltará para a
sua terra; e à espada o farei cair na sua terra.
- Voltou, pois, Rabsaqué e achou o rei da Assíria pelejando contra Libna,
porque soubera que o rei havia partido de Laquis.
- E o rei, ouvindo dizer acerca de Tiraca, rei da Etiópia: Eis que saiu para
te fazer guerra, tornou a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo:
- Assim falareis a Ezequias, rei de Judá: Não te engane o teu Deus, em quem
confias, dizendo: Jerusalém não será entregue na mão do rei da Assíria.
- Eis que já tens ouvido o que os reis da Assíria fizeram a todas as terras,
destruindo-as totalmente; e tu serias poupado?
- Porventura os deuses das nações a quem meus pais destruíram, puderam
livrá-las, a saber, Gozã, Harã, Rezefe, e os filhos de Eden que estavam em
Telassar?
- Que é feito do rei de Hamate, do rei de Arpade, do rei da cidade de
Sefarvaim, de Hena e de Iva?
- Ezequias, pois, tendo recebido a carta das mãos dos mensageiros, e tendo-a
lido, subiu à casa do Senhor, e a estendeu perante o Senhor.
- E Ezequias orou perante o Senhor, dizendo: ó Senhor Deus de Israel, que
estás assentado sobre os querubins, tu mesmo, só tu és Deus de todos os reinos
da terra; tu fizeste o céu e a terra.
- Inclina, ó Senhor, o teu ouvido, e ouve; abre, ç Senhor, os teus olhos, e
vê; e ouve as palavras de Senaqueribe, com as quais enviou seu mensageiro para
afrontar o Deus vivo.
- Verdade é, ó Senhor, que os reis da Assíria têm assolado as nações e as
suas terras,
- e lançado os seus deuses no fogo porquanto não eram deuses mas obra de
mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram.
- Agora, pois, Senhor nosso Deus, livra-nos da sua mão, para que todos os
reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus.
- Então Isaías, filho de Amoz, mandou dizer a Ezequias: Assim diz o Senhor
Deus de Israel: Ouvi o que me pediste no tocante a Senaqueribe, rei da
Assíria.
- Esta é a palavra que o Senhor falou a respeito dele: A virgem, a filha de
Sião, te despreza e te escarnece; a filha de Jerusalém meneia a cabeça por
detrás de ti.
- A quem afrontaste e blasfemaste? E contra quem alçaste a voz, e ergueste
os olhos ao alto? Contra o Santo de Israel!
- Por meio de teus mensageiros afrontaste o Senhor, e disseste: Com a
multidão de meus carros subi ao alto dos montes, aos lados do Líbano; cortei
os seus altos cedros, e as suas mais formosas faias, e entrei na sua mais
distante pousada, no bosque do seu campo fértil.
- Eu cavei, e bebi águas estrangeiras; e com as plantas de meus pés sequei
todos os rios do Egito.
- Porventura não ouviste que já há muito tempo determinei isto, e já desde
os dias antigos o planejei? Agora, porém, o executei, para que fosses tu que
reduzisses as cidades fortificadas a montões desertos.
- Por isso os moradores delas tiveram pouca força, ficaram pasmados e
confundidos; tornaram-se como a erva do campo, como a relva verde, e como o
feno dos telhados, que se queimam antes de amadurecer.
- Eu, porém, conheço o teu assentar, o teu sair e o teu entrar, bem como o
teu furor contra mim.
- Por causa do teu furor contra mim, e porque a tua arrogância subiu aos
meus ouvidos, porei o meu anzol no teu nariz e o meu freio na tua boca, e te
farei voltar pelo caminho por onde vieste.
- E isto te será por sinal: Este ano comereis o que nascer por si mesmo, e
no ano seguinte que daí proceder; e no terceiro ano semeai e comei, e plantai
vinhas, e comei os seus frutos.
- Pois o que escapou da casa de Judá, e ficou de resto, tornará a lançar
raízes para baixo, e dará fruto para cima.
- Porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte Sião os que escaparem; o
zelo do Senhor fará isto.
- Portanto, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Não entrará nesta
cidade, nem lançará nela flecha alguma; tampouco virá perante ela com escudo,
nem contra ela levantará tranqueira.
- Pelo caminho por onde veio, por esse mesmo voltará, e nesta cidade não
entrará, diz o Senhor.
- Porque eu defenderei esta cidade para livrá-la, por amor de mim e por amor
do meu servo Davi.
- Sucedeu, pois, que naquela mesma noite saiu o anjo do Senhor, e feriu no
arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil deles: e, levantando-se os
assírios pela manhã cedo, eis que aqueles eram todos cadáveres.
- Então Senaqueribe, rei da Assíria, se retirou e, voltando, habitou em
Nínive.
- E quando ele estava adorando na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e
Sarezer, seus filhos, o mataram à espada e fugiram para a terra de Arará. E
Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar.
- Por aquele tempo Ezequias ficou doente, à morte. O profeta Isaías, filho
de Amoz, veio ter com ele, e lhe disse: Assim diz, o Senhor: Põe em ordem a
tua casa porque morrerás, e não viverás.
- Então o rei virou o rosto para a parede, e orou ao Senhor, dizendo:
- Lembra-te agora, ó Senhor, te peço, de como tenho andado diante de ti com
fidelidade e integridade de coração, e tenho feito o que era reto aos teus
olhos. E Ezequias chorou muitíssimo.
- E sucedeu que, não havendo Isaías ainda saído do meio do pátio, veio a ele
a palavra do Senhor, dizendo:
- Volta, e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o Senhor Deus de
teu pai Davi: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas. Eis que eu te sararei;
ao terceiro dia subirás à casa do Senhor.
- Acrescentarei aos teus dias quinze anos; e das mãos do rei da Assíria te
livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim, e
por amor do meu servo Davi.
- Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos e ponde-a sobre a úlcera; e
ele sarará.
- Perguntou, pois, Ezequias a Isaías: Qual é o sinal de que o Senhor me
sarará, e de que ao terceiro dia subirei à casa do Senhor?
- Respondeu Isaías: Isto te será sinal, da parte do Senhor, de que o Senhor
cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus, ou voltará dez
graus atrás?
- Então disse Ezequias: É fácil que a sombra decline dez graus; não seja
assim, antes volte a sombra dez graus atrás.
- Então o profeta Isaías clamou ao Senhor, que fez voltar a sombra dez graus
atrás, pelos graus que já tinha declinado no relógio de sol de Acaz.
- Naquele tempo Berodaque-Baladã, filho de Baladã, rei de Babilônia, enviou
cartas e um presente a Ezequias, porque ouvira que Ezequias tinha estado
doente.
- E Ezequias deu audiência aos mensageiros, e lhes mostrou toda a casa de
seu tesouro, a prata e o ouro, as especiarias e os melhores ungüentos, a sua
casa de armas e tudo quanto havia nos seus tesouros; coisa nenhuma houve que
lhes não mostrasse, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio.
- Então o profeta Isaías veio ao rei Ezequias, e lhe perguntou: Que disseram
aqueles homens, e donde vieram a ti? Respondeu Ezequias: Vieram de um país mui
remoto, de Babilônia.
- E disse ele: Que viram em tua casa? E disse Ezequias: Viram tudo quanto há
em minha casa; não há coisa nenhuma nos meus tesouros que eu não lhes
mostrasse.
- Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor:
- Eis que vêm dias em que será levado para a Babilônia tudo quanto houver em
minha casa, bem como o que os teus pais entesouraram até o dia de hoje; não
ficará coisa alguma, diz o Senhor.
- E até mesmo alguns de teus filhos, que procederem de ti, e que tu gerares,
levarão; e eles serão eunucos no paço do rei de Babilônia.
- Então disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do Senhor que disseste.
Disse mais: Pois não é assim, se em meus dias vai haver paz e segurança?
- Ora, o restante dos atos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez a
piscina e o aqueduto, e como fez vir a água para a cidade, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- E Ezequias dormiu com seus pais. E Manassés, seu filho, reinou em seu
lugar.
- Manassés tinha doze anos quando começou a reinar, e reinou cinquenta e
cinco anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hefzibá.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme as abominações das
nações que o Senhor desterrara de diante dos filhos de Israel.
- Porque tornou a edificar os altos que Ezequias, seu pai, tinha destruído,
e levantou altares a Baal, e fez uma Asera como a que fizera Acabe, rei de
Israel, e adorou a todo o exército do céu, e os serviu.
- E edificou altares na casa do Senhor, da qual o Senhor tinha dito: Em
Jerusalém porei o meu nome.
- Também edificou altares a todo o exército do céu em ambos os átrios da
casa do Senhor.
- E até fez passar seu filho pelo fogo, e usou de augúrios e de
encantamentos, e instituiu adivinhos e feiticeiros; fez muito mal aos olhos do
Senhor, provocando-o à ira.
- Também pôs a imagem esculpida de Asera, que tinha feito, na casa de que o
Senhor dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que
escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre;
- e não mais farei andar errante o pé de Israel desta terra que tenho dado a
seus pais, contanto que somente tenham cuidado de fazer conforme tudo o que
lhes tenho ordenado, e conforme toda a lei que Moisés, meu servo, lhes
ordenou.
- Eles, porém, não ouviram; porque Manassés de tal modo os fez errar, que
fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos
filhos de Israel.
- Então o Senhor falou por intermédio de seus servos os profetas,
dizendo:
- Porquanto Manassés, rei de Judá, cometeu estas abominações, fazendo pior
do que tudo quanto fizeram os amorreus, que foram antes dele, e com os seus
ídolos fez Judá também pecar;
- por isso assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que trago tais males sobre
Jerusalém e Judá, que a qualquer que deles ouvir lhe ficarão retinindo ambos
os ouvidos.
- Estenderei sobre Jerusalém o cordel de Samária e o prumo da casa de Acabe;
e limparei Jerusalém como quem limpa a escudela, limpando-a e virando-a sobre
a sua face.
- Desampararei os restantes da minha herança, e os entregarei na mão de seus
inimigos. tornar-se-ão presa e despojo para todos os seus inimigos;
- porquanto fizeram o que era mau aos meus olhos, e me provocaram à ira,
desde o dia em que seus pais saíram do Egito até hoje.
- Além disso, Manassés derramou muitíssimo sangue inocente, até que encheu
Jerusalém de um a outro extremo, afora o seu pecado com que fez Judá pecar
fazendo o que era mau aos olhos do Senhor.
- Quanto ao restante dos atos de Manassés, e a tudo quanto fez, e ao pecado
que cometeu, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de
Judá?
- E Manassés dormiu com seus pais, e foi sepultado no jardim da sua casa, no
jardim de Uzá. E Amom, seu filho, reinou em seu lugar.
- Amom tinha vinte e dois anos quando começou a reinar, e reinou dois anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Mesulemete, filha de Haniz, de
Jotba.
- Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, como fizera Manassés, seu
pai;
- e andou em todo o caminho em que seu pai andara, e serviu os ídolos que
ele tinha servido, e os adorou.
- Assim deixou o Senhor, Deus de seus pais, e não andou no caminho do
Senhor.
- E os servos de Amom conspiraram contra ele, e o mataram em sua casa.
- O povo da terra, porém, matou a todos os que conspiraram contra o rei
Amom, e constituiu Josias, seu filho, rei em seu lugar.
- Quanto ao restante dos atos de Amom, porventura não está escrito no livro
das crônicas dos reis de Judá?
- E o puseram na sua sepultura, no jardim de Uzá. E Josias, seu filho,
reinou em seu lugar.
- Josias tinha oito anos quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos
em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jedida, filha de Adaías, de Bozcate.
- Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor; e andou em todo o camimho de
Davi, seu pai, não se apartando dele nem para a direita nem para a
esquerda.
- No ano décimo oitavo do rei Josias, o rei mandou o escrivão Safã, filho de
Azalias, filho de Mesulão, à casa do Senhor, dizendo-lhe:
- Sobe a Hilquias, o sumo sacerdote, para que faça a soma do dinheiro que se
tem trazido para a casa do Senhor, o qual os guardas da entrada têm recebido
do povo;
- e que só entreguem na mão dos mestres de obra que estão encarregados da
casa do Senhor; e que estes o dêem aos que fazem a obra, aos que estão na casa
do Senhor para repararem os estragos da casa,
- aos carpinteiros, aos edificadores, e aos pedreiros. e que comprem madeira
e pedras lavradas, a fim de repararem a casa.
- Contudo não se tomava conta a eles do dinheiro que se lhes entregava nas
mãos, porquanto se haviam com fidelidade.
- Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da
lei na casa do Senhor. E Hilquias entregou o livro a Safã, e ele o leu.
- Depois o escrivão Safã veio ter com o rei e, dando ao rei o relatório,
disse: Teus servos despejaram o dinheiro que se achou na casa, e o entregaram
na mão dos mestres de obra que estão encarregados da casa do Senhor.
- Safã, o escrivão, falou ainda ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias me
entregou um livro. E Safã o leu diante do rei.
- E sucedeu que, tendo o rei ouvido as palavras do livro da lei, rasgou as
suas vestes.
- Então o rei deu ordem a Hilquias, o sacerdote, a Aicão, filho de Safã, a
Acbor, filho de Micaías, a Safã, o escrivão, e Asaías, servo do rei,
dizendo:
- Ide, consultai ao Senhor por mim, e pelo povo, e por todo o Judá, acerca
das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que
se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras
deste livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está
escrito.
- Então o sacerdote Hilquias, e Aicão, e Acbor, e Safã, e Asaías foram ter
com a profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticvá, filho de Harás, o
guarda das vestiduras (ela habitava então em Jerusalém, na segunda parte), e
lhe falaram.
- E ela lhes respondeu: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Dizei ao homem
que vos enviou a mim:
- Assim diz o Senhor: Eis que trarei males sobre este lugar e sobre os seus
habitantes, conforme todas as palavras do livro que o rei de Judá leu.
- Porquanto me deixaram, e queimaram incenso a outros deuses, para me
provocarem à ira por todas as obras das suas mãos, o meu furor se acendeu
contra este lugar, e não se apagará.
- Todavia ao rei de Judá, que vos enviou para consultar ao Senhor, assim lhe
direis: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Quanto às palavras que
ouviste,
- porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor,
quando ouviste o que falei contra este lugar, e contra os seus habitantes,
isto é, que se haviam de tornar em assolação e em maldição, e rasgaste as tuas
vestes, e choraste perante mim, também eu te ouvi, diz o Senhor.
- Pelo que eu te recolherei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua
sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este
lugar. Então voltaram, levando a resposta ao rei.
- Então o rei deu ordem, e todos os anciãos de Judá e de Jerusalém se
ajuntaram a ele.
- Subiu o rei à casa do Senhor, e com ele todos os homens de Judá, todos os
habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas, e todo o povo, desde o
menor até o maior; e leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do
pacto, que fora encontrado na casa do Senhor.
- Então o rei, pondo-se em pé junto à coluna, fez um pacto perante o Senhor,
de andar com o Senhor, e guardar os seus mandamentos, os seus testemunhos e os
seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, confirmando as palavras
deste pacto, que estavam escritas naquele livro; e todo o povo esteve por este
pacto.
- Também o rei mandou ao sumo sacerdote Hilquias, e aos sacerdotes da
segunda ordem, e aos guardas da entrada, que tirassem do templo do Senhor
todos os vasos que tinham sido feitos para Baal, e para a Asera, e para todo o
exército do céu; e os queimou fora de Jerusalém, nos campos de Cedrom, e levou
as cinzas deles para Betel.
- Destituiu os sacerdotes idólatras que os reis de Judá haviam constituído
para queimarem incenso sobre os altos nas cidades de Judá, e ao redor de
Jerusalém, como também os que queimavam incenso a Baal, ao sol, à lua, aos
planetas, e a todo o exército do céu.
- Tirou da casa do Senhor a Asera e, levando-a para fora de Jerusalém até o
ribeiro de Cedrom, ali a queimou e a reduziu a pó, e lançou o pó sobre as
sepulturas dos filhos do povo.
- Derrubou as casas dos sodomitas que estavam na casa do Senhor, em que as
mulheres teciam cortinas para a Asera.
- Tirou das cidades de Judá todos os sacerdotes, e profanou os altos em que
os sacerdotes queimavam incenso desde Geba até Berseba; e derrubou os altos
que estavam às portas junto à entrada da porta de Josué, o chefe da cidade, à
esquerda daquele que entrava pela porta da cidade.
- Todavia os sacerdotes dos altos não sacrificavam sobre o altar do Senhor
em Jerusalém, porém comiam pães ázimos no meio de seus irmãos.
- Profanou a Tofete, que está no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém
fosse passar seu filho ou sua filha pelo fogo a Moloque.
- Tirou os cavalos que os reis de Judá tinham consagrado ao sol, à entrada
da casa do Senhor, perto da câmara do camareiro Natã-Meleque, a qual estava no
recinto; e os carros do sol queimou a fogo.
- Também o rei derrubou os altares que estavam sobre o terraço do cenáculo
de Acaz, os quais os reis de Judá tinham feito, como também os altares que
Manassés fizera nos dois átrios da casa do Senhor; e, tendo-os esmigalhado, os
tirou dali e lançou o pó deles no ribeiro de Cedrom.
- O rei profanou também os altos que estavam ao oriente de Jerusalém, à
direita do Monte de Corrupção, os quais Salomão, rei de Israel, edificara a
Astarote, abominação dos sidônios, a Quemós, abominação dos moabitas, e a
Milcom, abominação dos filhos de Amom.
- Semelhantemente quebrou as colunas, e cortou os aserins, e encheu os seus
lugares de ossos de homens.
- Igualmente o altar que estava em Betel, e o alto feito por Jeroboão, filho
de Nebate, que fizera Israel pecar, esse altar e o alto ele os derrubou;
queimando o alto, reduziu-o a pó, e queimou a Asera.
- E, virando-se Josias, viu as sepulturas que estavam ali no monte, e mandou
tirar os ossos das sepulturas e os queimou sobre aquele altar, e assim o
profanou, conforme a palavra do Senhor proclamada pelo homem de Deus que
predissera estas coisas.
- Então perguntou: Que monumento é este que vejo? Responderam- lhe os homens
da cidade: É a sepultura do homem de Deus que veio de Judá e predisse estas
coisas que acabas de fazer contra este altar de Betel.
- Ao que disse Josias: Deixai-o estar; ninguém mexa nos seus ossos. Deixaram
estar, pois, os seus ossos juntamente com os do profeta que viera de
Samária.
- Josias tirou também todas as casas dos altos que havia nas cidades de
Samária, e que os reis de Israel tinham feito para provocarem o Senhor à ira,
e lhes fez conforme tudo o que havia feito em Betel.
- E a todos os sacerdotes dos altos que encontrou ali, ele os matou sobre os
respectivos altares, onde também queimou ossos de homens; depois voltou a
Jerusalém.
- Então o rei deu ordem a todo o povo dizendo: Celebrai a páscoa ao Senhor
vosso Deus, como está escrito neste livro do pacto.
- Pois não se celebrara tal páscoa desde os dias dos juízes que julgaram a
Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco nos dias dos
reis de Judá.
- Foi no décimo oitavo ano do rei Josias que esta páscoa foi celebrada ao
Senhor em Jerusalém.
- Além disso, os adivinhos, os feiticeiros, os terafins, os ídolos e todas
abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, Josias os extirpou,
para confirmar as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o
sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor.
- Ora, antes dele não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse
ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas
forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro
semelhante.
- Todavia o Senhor não se demoveu do ardor da sua grande ira, com que ardia
contra Judá por causa de todas as provocações com que Manassés o
provocara.
- E disse o Senhor: Também a Judá hei de remover de diante da minha face,
como removi a Israel, e rejeitarei esta cidade de Jerusalém que elegi, como
também a casa da qual eu disse: Estará ali o meu nome.
- Ora, o restante dos atos de Josias, e tudo quanto fez, por ventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- Nos seus dias subiu Faraó-Neco, rei do Egito, contra o rei da Assíria, ao
rio Eufrates. E o rei Josias lhe foi ao encontro; e Faraó-Neco o matou em
Megido, logo que o viu.
- De Megido os seus servos o levaram morto num carro, e o trouxeram a
Jerusalém, onde o sepultaram no seu sepulcro. E o povo da terra tomou a
Jeoacaz, filho de Josias, ungiram-no, e o fizeram rei em lugar de seu
pai.
- Jeoacaz tinha vinte e três anos quando começou a reinar, e reinou três
meses em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, de
Libna.
- Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que seus pais
haviam feito.
- Ora, Faraó-Neco mandou prendê-lo em Ribla, na terra de Hamate, para que
não reinasse em Jerusalém; e à terra impôs o tributo de cem talentos de prata
e um talento de ouro.
- Também Faraó-Neco constituiu rei a Eliaquim, filho de Josias, em lugar de
Josias, seu pai, e lhe mudou o nome em Jeoiaquim; porém levou consigo a
Jeoacaz, que conduzido ao Egito, ali morreu.
- E Jeoiaquim deu a Faraó a prata e o ouro; porém impôs à terra uma taxa,
para fornecer esse dinheiro conforme o mandado de Faraó. Exigiu do povo da
terra, de cada um segundo a sua avaliação, prata e ouro, para o dar a
Faraó-Neco.
- Jeoiaquim tinha vinte e cinco ano quando começou a reinar, e reinou onze
anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Zebida, filha de Pedaías, de
Ruma.
- Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que seus pais
haviam feito.
- Nos seus dias subiu Nabucodonozor, rei de Babilônia, e Jeoiaquim ficou
sendo seu servo por três anos; mas depois se rebelou contra ele.
- Então o Senhor enviou contra Jeoiaquim tropas dos caldeus, tropas dos
sírios, tropas dos moabitas e tropas dos filhos de Amom; e as enviou contra
Judá, para o destruírem, conforme a palavra que o Senhor falara por intermédio
de seus servos os profetas.
- Foi, na verdade, por ordem do Senhor que isto veio sobre Judá para
removê-lo de diante da sua face, por causa de todos os pecados cometidos por
Manassés,
- bem como por causa do sangue inocente que ele derramou; pois encheu
Jerusalém de sangue inocente; e por isso o Senhor não quis perdoar.
- Ora, o restante dos atos de Jeoiaquim, e tudo quanto fez, porventura não
estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
- Jeoiaquim dormiu com seus pais. E Joaquim, seu filho, reinou em seu
lugar.
- O rei do Egito nunca mais saiu da sua terra, porque o rei de Babilônia
tinha tomado tudo quanto era do rei do Egito desde o rio do Egito até o rio
Eufrates.
- Tinha Joaquim dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em
Jerusalém. O nome de sua mãe era Neústa, filha de Elnatã, de Jerusalém.
- Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que seu pai
tinha feito.
- Naquele tempo os servos de Nabucodonozor, rei de Babilônia, subiram contra
Jerusalém, e a cidade foi sitiada.
- E Nabucodonozor, rei de Babilônia, chegou diante da cidade quando já os
seus servos a estavam sitiando.
- Então saiu Joaquim, rei de Judá, ao rei da Babilônia, ele, e sua mãe, e
seus servos, e seus príncipes, e seus oficiais; e, no ano oitavo do seu
reinado, o rei de Babilônia o levou preso.
- E tirou dali todos os tesouros da casa do Senhor, e os tesouros da casa do
rei; e despedaçou todos os vasos de ouro que Salomão, rei de Israel, fizera no
templo do Senhor, como o Senhor havia dito.
- E transportou toda a Jerusalém, como também todos os príncipes e todos os
homens valentes, deu mil cativos, e todos os artífices e ferreiros; ninguém
ficou senão o povo pobre da terra.
- Assim transportou Joaquim para Babilônia; como também a mãe do rei, as
mulheres do rei, os seus oficiais, e os poderosos da terra, ele os levou
cativos de Jerusalém para Babilônia.
- Todos os homens valentes, em número de sete mil, e artífices e ferreiros
em número de mil, todos eles robustos e destros na guerra, a estes o rei de
Babilônia levou cativos para Babilônia.
- E o rei de Babilônia constituiu rei em lugar de Joaquim a Matanias, seu
tio paterno, e lhe mudou o nome em Zedequias.
- Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar, e reinou onze
anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, de
Libna.
- Ele fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo quanto fizera
Jeoiaquim.
- Por causa da ira do Senhor, assim sucedeu em Jerusalém, e em Judá, até que
ele as lançou da sua presença. E Zedequias se rebelou contra o rei de
Babilônia.
- E sucedeu que, ao nono ano do seu reinado, no décimo dia do décimo mês,
Nabucodonozor, rei de Babilônia, veio contra Jerusalém com todo o seu
exército, e se acampou contra ela; levantaram contra ela tranqueiras em
redor.
- E a cidade ficou sitiada até o décimo primeiro ano do rei Zedequias
- Aos nove do quarto mês, a cidade se via tão apertada pela fome que não
havia mais pão para o povo da terra.
- Então a cidade foi arrombada, e todos os homens de guerra fugiram de noite
pelo caminho da porta entre os dois muros, a qual estava junto ao jardim do
rei (porque os caldeus estavam contra a cidade em redor), e o rei se foi pelo
caminho da Arabá.
- Mas o exército dos caldeus perseguiu o rei, e o alcançou nas campinas de
Jericó; e todo o seu exército se dispersou.
- Então prenderam o rei, e o fizeram subir a Ribla ao rei de Babilônia, o
qual pronunciou sentença contra ele.
- Degolaram os filhos de Zedequias à vista dele, vasaram-lhe os olhos,
ataram-no com cadeias de bronze e o levaram para Babilônia.
- Ora, no quinto mês, no sétimo dia do mês, no ano décimo nono de
Nabucodonozor, rei de Babilônia, veio a Jerusalém Nebuzaradão, capitão da
guarda, servo do rei de Babilônia;
- e queimou a casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de
Jerusalém; todas as casas de importância, ele as queimou.
- E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda,
derrubou os muros em redor de Jerusalém.
- Então o resto do povo que havia ficado na cidade, e os que já se haviam
rendido ao rei de babilônia, e o resto da multidão, Nebuzaradão, capitão da
guarda, levou cativos.
- Mas dos mais pobres da terra deixou o capitão da guarda ficar alguns para
vinheiros e para lavradores.
- Ademais os caldeus despedaçaram as colunas de bronze que estavam na casa
do Senhor, como também as bases e o mar de bronze que estavam na casa do
senhor e levaram esse bronze para Babilônia. ,
- Também tomaram as caldeiras, as pás, as espevitadeiras, as colheres, e
todos os utensilios de bronze, com que se ministrava,
- como também os braseiros e as bacias; tudo o que era de ouro, o capitão da
guarda levou em ouro, e tudo o que era de prata, em prata.
- As duas colunas, o mar, e as bases, que Salomão fizera para a casa do
Senhor, o bronze de todos esses utensilios era de peso imensurável.
- A altura duma coluna era de dezoito côvados, e sobre ela havia um capitel
de bronze, cuja altura era de três côvados; em redor do capitel havia uma rede
e romãs, tudo de bronze; e semelhante a esta era a outra coluna com a
rede.
- O capitão da guarda tomou também Seraías, primeiro sacerdote, Sofonias,
segundo sacerdote, e os três guardas da entrada.
- Da cidade tomou um oficial, que tinha cargo da gente de guerra, e cinco
homens dos que viam a face do rei e que se achavam na cidade, como também o
escrivão-mor do exército, que registrava o povo da terra, e sessenta homens do
povo da terra, que se achavam na cidade.
- Tomando-os Nebuzaradão, capitão da guarda, levou-os ao rei de Babilônia, a
Ribla.
- Então o rei de Babilônia os feriu e matou em Ribla, na terra de Hamate.
Assim Judá foi levado cativo para fora da sua terra.
- Quanto ao povo que tinha ficado, na terra de Judá, Nabucodonozor, rei de
Babilônia, que o deixara ficar, pôs por governador sobre ele Gedalias, filho
de Aicão, filho de Safã.
- Ouvindo, pois, os chefes das forças, eles e os seus homens, que o rei de
Babilônia pusera Gedalias por governador, vieram ter com Gedalias, a Mizpá, a
saber: Ismael, filho de Netanias, Joanã, filho de Careá, Seraías, filho de
Tanumete netofatita, e Jaazanias, filho do maacatita, eles e os seus
homens.
- E Gedalias lhe jurou, a eles e aos seus homens, e lhes disse: Não temais
ser servos dos caldeus; ficai na terra, e servi ao rei de Babilônia, e bem vos
irá.
- Mas no sétimo mês Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, da
descendência real, veio com dez homens, e feriram e mataram Gedalias, como
também os judeus e os caldeus que estavam com ele em Mizpá.
- Então todo o povo, tanto pequenos como grandes, e os chefes das forças,
levantando-se, foram para o Egito, porque temiam os caldeus.
- Depois disso sucedeu que, no ano trinta e sete do cativeiro de Joaquim,
rei de Judá, no dia vinte e sete do décimo segundo mês, Evil-Merodaque, rei de
Babilônia, no ano em que começou a reinar, levantou a cabeça de Joaquim, rei
de Judá, tirando-o da casa da prisão;
- e lhe falou benignamente, e pôs o seu trono acima do trono dos reis que
estavam com ele em Babilônia.
- Também lhe fez mudar as vestes de prisão; e ele comeu da mesa real todos
os dias da sua vida.
- E, quanto à sua subsistência, esta lhe foi dada de
contínuo pelo rei, a porção de cada dia no seu dia, todos os dias da sua vida.