Jeremias
- As palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam
em Anatote, na terra de Benjamim;
- ao qual veio a palavra do Senhor, nos dias de Josias, filho de Amom, rei
de Judá, no décimo terceiro ano do seu reinado;
- e lhe veio também nos dias de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, até
o fim do ano undécimo de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até que
Jerusalém foi levada em cativeiro no quinto mês.
- Ora veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da
madre te santifiquei; às nações te dei por profeta.
- Então disse eu: Ah, Senhor Deus! Eis que não sei falar; porque sou um
menino.
- Mas o Senhor me respondeu: Não digas: Eu sou um menino; porque a todos a
quem eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás.
- Não temas diante deles; pois eu sou contigo para te livrar, diz o
Senhor.
- Então estendeu o Senhor a mão, e tocou-me na boca; e disse- me o Senhor:
Eis que ponho as minhas palavras na tua boca.
- Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para
arrancares e derribares, para destruíres e arruinares; e também para
edificares e plantares.
- E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Que é que vês, Jeremias? Eu
respondi: Vejo uma vara de amendoeira.
- Então me disse o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra
para a cumprir.
- Veio a mim a palavra do Senhor segunda vez, dizendo: Que é que vês? E eu
disse: Vejo uma panela a ferver, que se apresenta da banda do norte.
- Ao que me disse o Senhor: Do norte se estenderá o mal sobre todos os
habitantes da terra.
- Pois estou convocando todas as famílias dos reinos do norte, diz o Senhor;
e, vindo, porá cada um o seu trono à entrada das portas de Jerusalém, e contra
todos os seus muros em redor e contra todas as cidades de Judá.
- E pronunciarei contra eles os meus juizos, por causa de toda a sua
malícia; pois me deixaram a mim, e queimaram incenso a deuses estranhos, e
adoraram as obras das suas mãos.
- Tu, pois, cinge os teus lombos, e levanta-te, e dem-lhes tudo quanto eu te
ordenar; não desanimes diante deles, para que eu não te desanime diante
deles.
- Eis que hoje te ponho como cidade fortificada, e como coluna de ferro e
muros de bronze contra toda a terra, contra os reis de Judá, contra os seus
príncipes, contra os seus sacerdotes, e contra o povo da terra.
- E eles pelejarão contra ti, mas não prevalecerão; porque eu sou contigo,
diz o Senhor, para te livrar.
- Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor:
Lembro-me, a favor de ti, da devoção da tua mocidade, do amor dos teus
desposórios, de como me seguiste no deserto, numa terra não semeada.
- Então Israel era santo para o Senhor, primícias da sua novidade; todos os
que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o
Senhor.
- Ouvi a palavra do Senhor, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de
Israel;
- assim diz o Senhor: Que injustiça acharam em mim vossos pais, para se
afastarem de mim, indo após a vaidade, e tornando-se levianos?
- Eles não perguntaram: Onde está o Senhor, que nos fez subir da terra do
Egito? que nos enviou através do deserto, por uma terra de charnecas e de
covas, por uma terra de sequidão e densas trevas, por uma terra em que ninguém
transitava, nem morava?
- E eu vos introduzi numa terra fértil, para comerdes o seu fruto e o seu
bem; mas quando nela entrastes, contaminastes a minha terra, e da minha
herança fizestes uma abominação.
- Os sacerdotes não disseram: Onde está o Senhor? E os que tratavam da lei
não me conheceram, e os governadores prevaricaram contra mim, e os profetas
profetizaram por Baal, e andaram após o que é de nenhum proveito.
- Portanto ainda contenderei convosco, diz o Senhor; e até com os filhos de
vossos filhos contenderei.
- Pois passai às ilhas de Quitim, e vede; enviai a Quedar, e atentai bem;
vede se jamais sucedeu coisa semelhante.
- Acaso trocou alguma nação os seus deuses, que contudo não são deuses? Mas
o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito.
- Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! ficai verdadeiramente
desolados, diz o Senhor.
- Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de
águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as
águas.
- Acaso é Israel um servo? E ele um escravo nascido em casa? Por que, pois,
veio a ser presa?
- Os leões novos rugiram sobre ele, e levantaram a sua voz; e fizeram da
terra dele uma desolação; as suas cidades se queimaram, e ninguém habita
nelas.
- Até os filhos de Mênfis e de Tapanes te quebraram o alto da cabeça.
- Porventura não trouxeste isso sobre ti mesmo, deixando o Senhor teu Deus
no tempo em que ele te guiava pelo caminho?
- Agora, pois, que te importa a ti o caminho do Egito, para beberes as águas
do Nilo? e que te importa a ti o caminho da Assíria, para beberes as águas do
Eufrates?
- A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe,
pois, e vê, que má e amarga coisa é o teres deixado o Senhor teu Deus, e o não
haver em ti o temor de mim, diz o Senhor Deus dos exércitos.
- Já há muito quebraste o teu jugo, e rompeste as tuas ataduras, e disseste:
Não servirei: Pois em todo outeiro alto e debaixo de toda árvore frondosa te
deitaste, fazendo-te prostituta.
- Todavia eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente
fiel; como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, de vida
estranha?
- Pelo que, ainda que te laves com salitre, e uses muito sabão, a mancha da
tua iniqüidade está diante de mim, diz o Senhor Deus.
- Como dizes logo: Não estou contaminada nem andei após Baal? Vê o teu
caminho no vale, conhece o que fizeste; dromedária ligeira és, que anda
torcendo os seus caminhos;
- asna selvagem acostumada ao deserto e que no ardor do cio sorve o vento;
quem lhe pode impedir o desejo? Dos que a buscarem, nenhum precisa cansar-se;
pois no mês dela, achá-la-ão.
- Evita que o teu pé ande descalço, e que a tua garganta tenha sede. Mas tu
dizes: Não há esperança; porque tenho amado os estranhos, e após eles
andarei.
- Como fica confundido o ladrão quando o apanham, assim se confundem os da
casa de Israel; eles, os seus reis, os seus príncipes, e os seus sacerdotes, e
os seus profetas,
- que dizem ao pau: Tu és meu pai; e à pedra: Tu me geraste. Porque me
viraram as costas, e não o rosto; mas no tempo do seu aperto dir-me-ão:
Levanta-te, e salvamos.
- Mas onde estão os teus deuses que fizeste para ti? Que se levantem eles,
se te podem livrar no tempo da tua tribulação; porque os teus deuses, ó Judá,
são tão numerosos como as tuas cidades.
- Por que disputais comigo? Todos vós transgredistes contra mim diz o
Senhor.
- Em vão castiguei os vossos filhos; eles não aceitaram a correção; a vossa
espada devorou os vossos profetas como um leão destruidor.
- ç geração, considerai vós a palavra do Senhor: Porventura tenho eu sido
para Israel um deserto? ou uma terra de espessa escuridão? Por que pois diz o
meu povo: Andamos à vontade; não tornaremos mais a ti?
- Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a esposa dos seus
cendais? todavia o meu povo se esqueceu de mim por inumeráveis dias.
- Como ornamentas o teu caminho, para buscares o amor! de sorte que até às
malignas ensinaste os teus caminhos.
- Até nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue dos pobres inocentes; e
não foi no lugar do arrombamento que os achaste; mas apesar de todas estas
coisas,
- ainda dizes: Eu sou inocente; certamente a sua ira se desviou de mim. Eis
que entrarei em juízo contigo, porquanto dizes: Não pequei.
- Por que te desvias tanto, mudando o teu caminho? Também pelo Egito serás
envergonhada, como já foste envergonhada pela Assíria.
- Também daquele sairás com as mães sobre a tua cabeça; porque o Senhor
rejeitou as tuas confianças, e não prosperarás com elas.
- Eles dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ela se desligar dele, e se
ajuntar a outro homem, porventura tornará ele mais para ela? Não se poluiria
de todo aquela terra? Ora, tu te maculaste com muitos amantes; mas ainda
assim, torna para mim, diz o Senbor.
- Levanta os teus olhos aos altos escalvados, e vê: onde é o lugar em que
não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas, esperando-os, como o árabe no
deserto. Manchaste a terra com as tuas devassidões e com a tua malícia.
- Pelo que foram retidas as chuvas copiosas, e não houve chuva tardia;
contudo tens a fronte de uma prostituta, e não queres ter vergonha.
- Não me invocaste há pouco, dizendo: Pai meu, tu és o guia da minha
mocidade;
- Reterá ele para sempre a sua ira? ou indignar-se-á continuamente? Eis que
assim tens dito; porém tens feito todo o mal que pudeste.
- Disse-me mais o Senhor nos dias do rei Josias: Viste, porventura, o que
fez a apóstata Israel, como se foi a todo monte alto, e debaixo de toda árvore
frondosa, e ali andou prostituindo-se?
- E eu disse: Depois que ela tiver feito tudo isso, voltará para mim. Mas
não voltou; e viu isso a sua aleivosa irmã Judá.
- Sim viu que, por causa de tudo isso, por ter cometido adultério a pérfida
Israel, a despedi, e lhe dei o seu libelo de divórcio, que a aleivosa Judá,
sua irmã, não temeu; mas se foi e também ela mesma se prostituiu.
- E pela leviandade da sua prostituição contaminou a terra, porque adulterou
com a pedra e com o pau.
- Contudo, apesar de tudo isso a sua aleivosa irmã Judá não voltou para mim
de todo o seu coração, mas fingidamente, diz o Senhor.
- E o Senhor me disse: A pérfida Israel mostrou-se mais justa do que a
aleivosa Judá.
- Vai, pois, e apregoa estas palavras para a banda do norte, e diz: Volta, ó
pérfida Israel, diz o Senhor. Não olharei em era para ti; porque
misericordioso sou, diz o Senhor, e não conservarei para sempre a minha
ira.
- Somente reconhece a tua iniqüidade: que contra o Senhor teu Deus
transgrediste, e estendeste os teus favores para os estranhos debaixo de toda
árvore frondosa, e não deste ouvidos à minha voz, diz o Senhor.
- Voltai, ó filhos pérfidos, diz o Senhor; porque eu sou como esposo para
vós; e vos tomarei, a um de uma cidade, e a dois de uma família; e vos levarei
a Sião;
- e vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com
ciência e com inteligência.
- E quando vos tiverdes multiplicado e frutificado na terra, naqueles dias,
diz o Senhor, nunca mais se dirá: A arca do pacto do Senhor; nem lhes virá ela
ao pensamento; nem dela se lembrarão; nem a visitarão; nem se fará mais.
- Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor; e todas as nações se
ajuntarão a ela, em nome do Senhor, a Jerusalém; e não mais andarão
obstinadamente segundo o propósito do seu coração maligno.
- Naqueles dias andará a casa de Judá com a casa de Israel; e virão juntas
da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos pais.
- Pensei como te poria entre os filhos, e te daria a terra desejável, a mais
formosa herança das nações. Também pensei que me chamarias meu Pai, e que de
mim não te desviarias.
- Deveras, como a mulher se aparta aleivosamente do seu marido, assim
aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o Senhor.
- Nos altos escalvados se ouve uma voz, o pranto e as súplicas dos filhos de
Israel; porque perverteram o seu caminho, e se esqueceram do Senhor seu
Deus.
- Voltai, ó filhos infiéis, eu curarei a vossa infidelidade. Responderam
eles: Eis-nos aqui, vimos a ti, porque tu és o Senhor nosso Deus.
- Certamente em vão se confia nos outeiros e nas orgias nas montanhas;
deveras no Senhor nosso Deus está a salvação de Israel.
- A coisa vergonhosa, porém, devorou o trabalho de nossos pais desde a nossa
mocidade os seus rebanhos e os seus gados os seus filhos e as suas
filhas.
- Deitemo-nos em nossa vergonha, e cubra-nos a nossa confusão, porque temos
pecado contra o Senhor nosso Deus, nós e nossos pais, desde a nossa mocidade
até o dia de hoje; e não demos ouvidos à voz do Senhor nosso Deus.
- Se voltares, ó Israel, diz o Senhor, se voltares para mim e tirares as
tuas abominações de diante de mim, e não andares mais vagueando;
- e se jurares: Como vive o Senhor, na verdade, na justiça e na retidão;
então nele se bendirão as nações, e nele se gloriarão.
- Porque assim diz o Senhor aos homens de Judá e a Jerusalém: Lavrai o vosso
terreno alqueivado, e não semeeis entre espinhos.
- Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens
de Judá e habitadores de Jerusalém, para que a minha indignação não venha a
sair como fogo, e arda de modo que ninguém o possa apagar, por causa da
maldade das vossas obras.
- Anunciai em Judá, e publicai em Jerusalém; e dizei: Tocai a trombeta na
terra; gritai em alta voz, dizendo: Ajuntai-vos, e entremos nas cidades
fortificadas.
- Arvorai um estandarte no caminho para Sião; buscai refúgio, não demoreis;
porque eu trago do norte um mal, sim, uma grande destruição.
- Subiu um leão da sua ramada, um destruidor de nações; ele já partiu, saiu
do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas
cidades sejam assoladas, e ninguém habite nelas.
- Por isso cingi-vos de saco, lamentai, e uivai, porque o ardor da ira do
Senhor não se desviou de nós.
- Naquele dia, diz o Senhor, desfalecerá o coração do rei e o coração dos
príncipes; os sacerdotes pasmarão, e os profetas se maravilharão.
- Então disse eu: Ah, Senhor Deus! verdadeiramente trouxeste grande ilusão a
este povo e a Jerusalém, dizendo: Tereis paz; entretanto a espada penetra-lhe
até a alma.
- Naquele tempo se dirá a este povo e a Jerusalém: Um vento abrasador, vindo
dos altos escalvados no deserto, aproxima-se da filha do meu povo, não para
cirandar, nem para alimpar,
- mas um vento forte demais para isto virá da minha parte; agora também
pronunciarei eu juízos contra eles.
- Eis que vem subindo como nuvens, como o redemoinho são os seus carros; os
seus cavalos são mais ligeiros do que as águias. Ai de nós! pois estamos
arruinados!
- Lava o teu coração da maldade, ó Jerusalém, para que sejas salva; até
quando permanecerão em ti os teus maus pensamentos?
- Porque uma voz anuncia desde Dã, e proclama a calamidade desde o monte de
Efraim.
- Anunciai isto às nações; eis, proclamai contra Jerusalém que vigias vêm de
uma terra remota; eles levantam a voz contra as cidades de Judá.
- Como guardas de campo estão contra ela ao redor; porquanto ela se rebelou
contra mim, diz o Senhor.
- O teu caminho e as tuas obras te trouxeram essas coisas; essa e a tua
iniquidade, e amargosa é, chegando até o coração.
- Ah, entranhas minhas, entranhas minhas! Eu me torço em dores! Paredes do
meu coração! O meu coração se aflige em mim. Não posso calar; porque tu, ó
minha alma, ouviste o som da trombeta e o alarido da guerra.
- Destruição sobre destruição se apregoa; porque já toda a terra está
assolada; de repente são destruídas as minhas tendas, e as minhas cortinas num
momento.
- Até quando verei o estandarte, e ouvirei a voz da trombeta?
- Deveras o meu povo é insensato, já me não conhece; são filhos obtusos, e
não entendidos; são sábios para fazerem o mal, mas não sabem fazer o
bem.
- Observei a terra, e eis que era sem forma e vazia; também os céus, e não
tinham a sua luz.
- Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros
estremeciam.
- Observei e eis que não havia homem algum, e todas as aves do céu tinham
fugido.
- Vi também que a terra fértil era um deserto, e todas as suas cidades
estavam derrubadas diante do Senhor, diante do furor da sua ira.
- Pois assim diz o Senhor: Toda a terra ficará assolada; de todo, porém, não
a consumirei.
- Por isso lamentará a terra, e os céus em cima se enegrecerão; porquanto
assim o disse eu, assim o propus, e não me arrependi, nem me desviarei
disso.
- Ao clamor dos cavaleiros e dos flecheiros fogem todas as cidades; entram
pelas matas, e trepam pelos penhascos; todas as cidades ficam desamparadas, e
já ninguém habita nelas.
- Agora, pois, ó assolada, que farás? Embora te vistas de escarlate, e te
adornes com enfeites de ouro, embora te pintes em volta dos olhos com
antimônio, debalde te farias bela; os teus amantes te desprezam, e procuram
tirar-te a vida.
- Pois ouvi uma voz, como a de mulher que está de parto, a angústia como a
de quem dá à luz o seu primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que
estende as mãos, dizendo: Ai de mim agora! porque a minha alma desfalece por
causa dos assassinos.
- Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, e informai- vos, e buscai
pelas suas praças a ver se podeis achar um homem, se há alguém que pratique a
justiça, que busque a verdade; e eu lhe perdoarei a ela.
- E ainda que digam: Vive o Senhor; de certo falsamente juram.
- ç Senhor, acaso não atentam os teus olhos para a verdade? feriste-os,
porém não lhes doeu; consumiste-os, porém recusaram receber a correção;
endureceram as suas faces mais do que uma rocha; recusaram-se a voltar.
- Então disse eu: Deveras eles são uns pobres; são insensatos, pois não
sabem o caminho do Senhor, nem a justiça do seu Deus.
- Irei aos grandes, e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do
Senhor, e a justiça do seu Deus; mas aqueles de comum acordo quebraram o jugo,
e romperam as ataduras.
- Por isso um leão do bosque os matará, um lobo dos desertos os destruirá;
um leopardo vigia contra as suas cidades; todo aquele que delas sair será
despedaçado; porque são muitas as suas transgressões, e multiplicadas as suas
apostasias.
- Como poderei perdoar-te? pois teus filhos me abandonaram a mim, e juraram
pelos que não são deuses; quando eu os tinha fartado, adulteraram, e em casa
de meretrizes se ajuntaram em bandos.
- Como cavalos de lançamento bem nutridos, andavam rinchando cada um à
mulher do seu próximo.
- Acaso não hei de castigá-los por causa destas coisas? diz o Senhor; ou não
hei de vingar-me de uma nação como esta?
- Subi aos seus muros, e destruí-os; não façais, porém, uma destruição
final; tirai os seus ramos; porque não são do Senhor.
- Porque aleivosissimamente se houveram contra mim a casa de Israel e a casa
de Judá, diz o Senhor.
- Negaram ao Senhor, e disseram: Não é ele; nenhum mal nos sobrevirá; nem
veremos espada nem fome.
- E até os profetas se farão como vento, e a palavra não está com eles;
assim se lhes fará.
- Portanto assim diz o Senhor, o Deus dos exércitos: Porquanto proferis tal
palavra, eis que converterei em fogo as minhas palavras na tua boca, e este
povo em lenha, de modo que o fogo o consumirá.
- Eis que trago sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o
Senhor; é uma nação durável, uma nação antiga, uma nação cuja língua ignoras,
e não entenderás o que ela falar.
- A sua aljava é como uma sepultura aberta; todos eles são valentes.
- E comerão a tua sega e o teu pão, que teus filhos e tuas filhas haviam de
comer; comerão os teus rebanhos e o teu gado; comerão a tua vide e a tua
figueira; as tuas cidades fortificadas, em que confias, abatê-las-ão à
espada.
- Contudo, ainda naqueles dias, diz o Senhor, não farei de vós uma
destruição final.
- E quando disserdes: Por que nos fez o Senhor nosso Deus todas estas
coisas? então lhes dirás: Como vós me deixastes, e servistes deuses estranhos
na vossa terra, assim servireis estrangeiros, em terra que não e vossa.
- Anunciai isto na casa de Jacó, e proclamai-o em Judá, dizendo:
- Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem entendimento, que tendes olhos e
não vedes, que tendes ouvidos e não ouvis:
- Não me temeis a mim? diz o Senhor; não tremeis diante de mim, que pus a
areia por limite ao mar, por ordenança eterna, que ele não pode passar? Ainda
que se levantem as suas ondas, não podem prevalecer; ainda que bramem, não a
podem traspassar.
- Mas este povo é de coração obstinado e rebelde; rebelaram-se e
foram-se.
- E não dizem no seu coração: Temamos agora ao Senhor nosso Deus, que dá
chuva, tanto a temporã como a tardia, a seu tempo, e nos conserva as semanas
determinadas da sega.
- As vossas iniqüidades desviaram estas coisas, e os vossos pecados
apartaram de vos o bem.
- Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como espreitam os
passarinheiros. Armam laços, apanham os homens.
- Qual gaiola cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de dolo;
por isso se engrandeceram, e enriqueceram.
- Engordaram-se, estão nédios; também excedem o limite da maldade; não
julgam com justiça a causa dos órfãos, para que prospere, nem defendem o
direito dos necessitados.
- Acaso não hei de trazer o castigo por causa destas coisas? diz o senhor;
ou não hei de vingar-me de uma nação como esta?
- Coisa espantosa e horrenda tem-se feito na terra:
- os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por intermédio
deles; e o meu povo assim o deseja. Mas que fareis no fim disso?
- Fugi para segurança vossa, filhos de Benjamim, do meio de Jerusalém! Tocai
a buzina em Tecoa, e levantai o sinal sobre Bete- Haquerem; porque do norte
vem surgindo um grande mal, sim, uma grande destruição.
- A formosa e delicada, a filha de Sião, eu a exterminarei.
- Contra ela virão pastores com os seus rebanhos; levantarão contra ela as
suas tendas em redor e apascentarão, cada um no seu lugar.
- Preparai a guerra contra ela; levantai-vos, e subamos ao meio-dia. Ai de
nós! que ja declina o dia, que já se vão estendendo as sombras da tarde.
- Levantai-vos, e subamos de noite, e destruamos os seus palácios.
- Porque assim diz o Senhor dos exércitos: Cortai as suas árvores, e
levantai uma tranqueira contra Jerusalém. Esta é a cidade que há de ser
castigada; só opressão há no meio dela.
- Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela conserva fresca a
sua maldade; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há
diante de mim continuadamente.
- Sê avisada, ó Jerusalém, para que não me aparte de ti; para que eu não te
faça uma assolação, uma terra não habitada.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Na verdade respigarão o resto de Israel
como uma vinha; torna a tua mão, como o vindimador, aos ramos.
- A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? eis que os seus ouvidos
estão incircuncisos, e eles não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor se
lhes tornou em opróbrio; nela não têm prazer.
- Pelo que estou cheio de furor do Senhor; estou cansado de o conter;
derrama-o sobre os meninos pelas ruas, e sobre a assembléia dos jovens também;
porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho com o que está cheio
de dias.
- As suas casas passarão a outros, como também os seus campos e as suas
mulheres; porque estenderei a minha mão contra os habitantes da terra, diz o
Senhor.
- Porque desde o menor deles até o maior, cada um se dá à avareza; e desde o
profeta até o sacerdote, cada um procede perfidamente.
- Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo:
Paz, paz; quando não há paz.
- Porventura se envergonharam por terem cometido abominação? Não, de maneira
alguma; nem tampouco sabem que coisa é envergonhar- se. Portanto cairão entre
os que caem; quando eu os visitar serão derribados, diz o Senhor.
- Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas
veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso
para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele.
- Também pus atalaias sobre vós dizendo: Estai atentos à voz da buzina. Mas
disseram: Não escutaremos.
- Portanto ouvi, vós, nações, e informa-te tu, ó congregação, do que se faz
entre eles!
- Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei o mal sobre este povo, o próprio fruto
dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras; e quanto à
minha lei, rejeitaram-na.
- Para que, pois, me vem o incenso de Sabá, ou a melhor cana aromática de
terras remotas? Vossos holocaustos não são aceitáveis, nem me agradam os
vossos sacrifícios.
- Portanto assim diz o Senhor: Eis que armarei tropeços a este povo, e
tropeçarão neles pais e filhos juntamente; o vizinho e o seu amigo
perecerão.
- Assim diz o Senhor: Eis que um povo vem da terra do norte, e uma grande
nação se levanta das extremidades da terra.
- Arco e lança trarão; são cruéis, e não usam de misericórdia; a sua voz
ruge como o mar, e em cavalos vêm montados, dispostos como homens para a
batalha, contra ti, ó filha de Sião.
- Ao ouvirmos a notícia disso, afrouxam-se as nossas mãos; apoderam-se de
nós angústia e dores, como as de parturiente.
- Não saiais ao campo, nem andeis pelo caminho; porque espada do inimigo e
espanto há por todos os lados.
- ç filha do meu povo, cingi-te de saco, e revolve-te na cinza; pranteia
como por um filho único, em pranto de grande amargura; porque de repente virá
o destruidor sobre nós.
- Por acrisolador e examinador te pus entre o meu povo, para que proves e
examines o seu caminho.
- Todos eles são os mais rebeldes, e andam espalhando calúnias; são bronze e
ferro; todos eles andam corruptamente.
- Já o fole se queimou; o chumbo se consumiu com o fogo; debalde continuam a
fundição, pois os maus não são arrancados.
- Prata rejeitada lhes chamam, porque o Senhor os rejeitou.
- A palavra que da parte do Senhor veio a Jeremias, dizendo:
- Põe-te à porta da casa do Senhor, e proclama ali esta palavra, e dize:
Ouvi a palavra do Senhor, todos de Judá, os que entrais por estas portas, para
adorardes ao Senhor.
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Emendai os vossos
caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar.
- Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do
Senhor, templo do Senhor são estes.
- Mas, se deveras emendardes os vossos caminhos e as vossas obras; se
deveras executardes a justiça entre um homem e o seu proximo;
- se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes
sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso
próprio mal,
- então eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais
desde os tempos antigos e para sempre.
- Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são
proveitosas.
- Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente,
e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não
conhecestes,
- e então vireis, e vos apresentareis diante de mim nesta casa, que se chama
pelo meu nome, e direis: Somos livres para praticardes ainda todas essas
abominações?
- Tornou-se, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de
salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isso, diz o
Senhor.
- Mas ide agora ao meu lugar, que estava em Siló, onde, ao princípio, fiz
habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo
Israel.
- Agora, pois, porquanto fizestes todas estas obras, diz o Senhor, e quando
eu vos falei insistentemente, vós não ouvistes, e quando vos chamei, não
respondestes,
- farei também a esta casa, que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e
a este lugar, que vos dei a vós e a vossos pais, como fiz a Siló.
- E eu vos lançarei da minha presença, como lancei todos os vossos irmãos,
toda a linhagem de Efraim.
- Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor ou oração,
nem me importunes; pois eu não te ouvirei.
- Não vês tu o que eles andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de
Jerusalém?
- Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam
a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros
deuses, a fim de me provocarem à ira.
- Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o Senhor; não se provocam a si
mesmos, para a sua própria confusão?
- Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que a minha ira e o meu furor se
derramarão sobre este lugar, sobre os homens e sobre os animais, sobre as
árvores do campo e sobre os frutos da terra; sim, acender-se-á, e não se
apagará.
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos
holocaustos aos vossos sacrifícios, e comei a carne.
- Pois não falei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, nem
lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.
- Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e
vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos
vá bem.
- Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos; porém andaram nos seus
próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás,
e não para diante.
- Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito, até hoje,
tenho-vos enviado insistentemente todos os meus servos, os profetas, dia após
dia;
- contudo não me deram ouvidos, nem inclinaram os seus ouvidos, mas
endureceram a sua cerviz. Fizeram pior do que seus pais.
- Dir-lhes-ás pois todas estas palavras, mas não te darão ouvidos;
chamá-los-ás, mas não te responderão.
- E lhes dirás: Esta é a nação que não obedeceu a voz do Senhor seu Deus e
não aceitou a correção; já pereceu a verdade, e está exterminada da sua
boca.
- Corta os teus cabelos, Jerusalém, e lança-os fora, e levanta um pranto
sobre os altos escalvados; porque o Senhor já rejeitou e desamparou esta
geração, objeto do seu furor.
- Porque os filhos de Judá fizeram o que era mau aos meus olhos, diz o
Senhor; puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para a
contaminarem.
- E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do filho de Hinom, para
queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me
veio à mente.
- Portanto, eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que não se chamará mais
Tofete, nem Vale do filho de Hinom, mas o Vale da Matança; pois enterrarão em
Tofete, por não haver mais outro lugar.
- E os cadáveres deste povo servirão de pasto às aves do céu e aos animais
da terra; e ninguém os enxotará.
- E farei cessar nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, a voz de gozo
e a voz de alegria, a voz de noivo e a voz de noiva; porque a terra se tornará
em desolação.
- Naquele tempo, diz o Senhor, tirarão para fora das suas sepulturas os
ossos dos reis de Judá, e os ossos dos seus príncipes, e os ossos dos
sacerdotes, e os ossos dos profetas, e os ossos dos habitantes de
Jerusalém;
- e serão expostos ao sol, e à lua, e a todo o exército do céu, a quem eles
amaram, e a quem serviram , e após quem andaram, e a quem buscaram, e a quem
adoraram; não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a face
da terra.
- E será escolhida antes a morte do que a vida por todos os que restarem
desta raça maligna, que ficarem em todos os lugares onde os lancei, diz o
senhor dos exércitos.
- Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: porventura cairão os homens, e não se
levantarão? desviar-se-ão, e não voltarão?
- Por que, pois, se desvia este povo de Jerusalém com uma apostasia
contínua? ele retém o engano, recusa-se a voltar.
- Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto; ninguém há que se arrependa da
sua maldade, dizendo: Que fiz eu? Cada um se desvia na sua carreira, como um
cavalo que arremete com ímpeto na batalha.
- Até a cegonha no céu conhece os seus tempos determinados; e a rola, a
andorinha, e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não
conhece a ordenança do Senhor.
- Como pois dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Mas
eis que a falsa pena dos escribas a converteu em mentira.
- Os sábios são envergonhados, espantados e presos; rejeitaram a palavra do
Senhor; que sabedoria, pois, têm eles?
- Portanto darei suas mulheres a outros, e os seus campos aos
conquistadores; porque desde o menor até o maior, cada um deles se dá à
avareza; desde o profeta até o sacerdote, cada qual usa de falsidade.
- E curam a ferida da filha de meu povo le23
- Porventura se envergonham de terem cometido abominação? Não; de maneira
alguma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar- se. Portanto cairão
entre os que caem; e no tempo em que eu os visitar, serão derribados, diz o
Senhor.
- Quando eu os colheria, diz o Senhor, já não há uvas na vide, nem figos na
figueira; até a folha está caída; e aquilo mesmo que lhes dei se foi
deles.
- Por que nos assentamos ainda? juntai-vos e entremos nas cidades fortes, e
ali pereçamos; pois o Senhor nosso Deus nos destinou a perecer e nos deu a
beber água de fel; porquanto pecamos contra o Senhor.
- Esperamos a paz, porém não chegou bem algum; e o tempo da cura, e eis o
terror.
- Já desde Dã se ouve o resfolegar dos seus cavalos; a terra toda estremece
à voz dos rinchos dos seus ginetes; porque vêm e devoram a terra e quanto nela
há, a cidade e os que nela habitam.
- Pois eis que envio entre vós serpentes, basiliscos, contra os quais não há
encantamento; e eles vos morderão, diz o Senhor.
- Oxalá que eu pudesse consolar-me na minha tristeza! O meu coração
desfalece dentro de mim.
- Eis o clamor da filha do meu povo, de toda a extensão da terra; Não está o
Senhor em Sião? Não está nela o seu rei? Por que me provocaram a ira com as
suas imagens esculpidas, com vaidades estranhas?
- Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.
- Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo; ando de luto; o
espanto apoderou-se de mim.
- Porventura não há bálsamo em Gileade? ou não se acha lá médico? Por que,
pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?
- Oxalá a minha cabeça se tornasse em águas, e os meus olhos numa fonte de
lágrimas, para que eu chorasse de dia e de noite os mortos da filha do meu
povo!
- Oxalá que eu tivesse no deserto uma estalagem de viandantes, para poder
deixar o meu povo, e me apartar dele! porque todos eles são adúlteros, um
bando de aleivosos.
- E encurvam a língua, como se fosse o seu arco, para a mentira;
fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam de malícia em
malícia, e a mim me não conhecem, diz o Senhor.
- Guardai-vos cada um do seu próximo, e de irmão nenhum vos fieis; porque
todo irmão não faz mais do que enganar, e todo próximo anda caluniando.
- E engana cada um a seu próximo, e nunca fala a verdade; ensinaram a sua
língua a falar a mentira; andam-se cansando em praticar a iniqüidade.
- A tua habitação está no meio do engano; pelo engano recusam-se a
conhecer-me, diz o Senhor.
- Portanto assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que eu os fundirei e os
provarei; pois, de que outra maneira poderia proceder com a filha do meu
povo?
- uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala
cada um de paz com o seu próximo, mas no coração arma-lhe ciladas.
- Não hei de castigá-los por estas coisas? diz o Senhor; ou não me vingarei
de uma nação tal como esta?
- Pelos montes levantai choro e pranto, e pelas pastagens do deserto
lamentação; porque já estão queimadas, de modo que ninguém passa por elas; nem
se ouve mugido de gado; desde as aves dos céus até os animais, fugiram e se
foram.
- E farei de Jerusalém montões de pedras, morada de chacais, e das cidades
de Judá farei uma desolação, de sorte que fiquem sem habitantes.
- Quem é o homem sábio, que entenda isto? e a quem falou a boca do Senhor,
para que o possa anunciar? Por que razão pereceu a terra, e se queimou como um
deserto, de sorte que ninguém passa por ela?
- E diz o Senhor: porque deixaram a minha lei, que lhes pus diante, e não
deram ouvidos à minha voz, nem andaram nela,
- antes andaram obstinadamente segundo o seu próprio coração, e após
baalins, como lhes ensinaram os seus pais.
- Portanto assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Eis que darei
de comer losna a este povo, e lhe darei a beber água de fel.
- Também os espalharei por entre nações que nem eles nem seus pais
conheceram; e mandarei a espada após eles, até que venha a consumi-los.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Considerai, e chamai as carpideiras,
para que venham; e mandai procurar mulheres hábeis, para que venham
também;
- e se apressem, e levantem o seu lamento sobre nós, para que se desfaçam em
lágrimas os nossos olhos, e as nossas pálpebras destilem águas.
- Porque uma voz de pranto se ouviu de Sião: Como estamos arruinados!
Estamos mui envergonhados, por termos deixado a terra, e por terem eles
transtornado as nossas moradas.
- Contudo ouvi, vós, mulheres, a palavra do Senhor, e recebam os vossos
ouvidos a palavra da sua boca; e ensinai a vossas filhas o pranto, e cada uma
à sua vizinha a lamentação.
- Pois a morte subiu pelas nossas janelas, e entrou em nossos palácios, para
exterminar das ruas as crianças, e das praças os mancebos.
- Fala: Assim diz o Senhor: Até os cadáveres dos homens cairão como esterco
sobre a face do campo, e como gavela atrás do segador, e não há quem a
recolha.
- Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie
o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas;
- mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender, e em me conhecer, que
eu sou o Senhor, que faço benevolência, juízo e justiça na terra; porque
destas coisas me agrado, diz o Senhor.
- Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que castigarei a todo circuncidado pela
sua incircuncisão:
- ao Egito, a Judá e a Edom, aos filhos de Amom e a Moabe, e a todos os que
cortam os cantos da sua cabeleira e habitam no deserto; pois todas as nações
são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração.
- Ouvi a palavra que o Senhor vos fala a vós, ó casa de Israel.
- Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho das nações, nem vos espanteis
com os sinais do céu; porque deles se espantam as nações,
- pois os costumes dos povos são vaidade; corta-se do bosque um madeiro e se
lavra com machado pelas mãos do artífice.
- Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam, para
que não se mova.
- São como o espantalho num pepinal, e não podem falar; necessitam de quem
os leve, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem
fazer o mal, nem tampouco têm poder de fazer o bem.
- Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor; és grande, e grande é o teu nome em
poder.
- Quem te não temeria a ti, ó Rei das nações? pois a ti se deve o temor;
porquanto entre todos os sábios das nações, e em todos os seus reinos ninguém
há semelhante a ti.
- Mas eles todos são embrutecidos e loucos; a instrução dos ídolos é como o
madeiro.
- Trazem de Társis prata em chapas, e ouro de Ufaz, trabalho do artífice, e
das mãos do fundidor; seus vestidos são de azul e púrpura; obra de peritos são
todos eles.
- Mas o Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno, ao seu
furor estremece a terra, e as nações não podem suportar a sua
indignação.
- Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra, esses
perecerão da terra e de debaixo dos céus.
- Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu o mundo por sua sabedoria
e com a sua inteligência estendeu os céus.
- Quando ele faz soar a sua voz, logo há tumulto de águas nos céus, e ele
faz subir das extremidades da terra os vapores; faz os relâmpagos para a
chuva, e dos seus tesouros faz sair o vento.
- Todo homem se embruteceu e não tem conhecimento; da sua imagem esculpida
envergonha-se todo fundidor; pois as suas imagens fundidas são falsas, e nelas
não há fôlego.
- Vaidade são, obra de enganos; no tempo da sua visitação virão a
perecer.
- Não é semelhante a estes aquele que é a porção de Jacó; porque ele é o que
forma todas as coisas, e Israel é a tribo da sua herança. Senhor dos exércitos
é o seu nome.
- Tira do chão a tua trouxa, ó tu que habitas em lugar sitiado.
- Pois assim diz o Senhor: Eis que desta vez arrojarei como se fora com uma
funda os moradores da terra, e os angustiarei, para que venham a
senti-lo.
- Ai de mim, por causa do meu quebrantamento! a minha chaga me causa grande
dor; mas eu havia dito: Certamente isto é minha enfermidade, e eu devo
suporta-la.
- A minha tenda está destruída, e todas as minhas cordas estão rompidas; os
meus filhos foram-se de mim, e não existem; ninguém há mais que estire a minha
tenda, e que levante as minhas cortinas.
- Pois os pastores se embruteceram, e não buscaram ao Senhor; por isso não
prosperaram, e todos os seus rebanhos se acham dispersos.
- Eis que vem uma voz de rumor, um grande tumulto da terra do norte, para
fazer das cidades de Judá uma assolação, uma morada de chacais.
- Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho; nem é do homem que
caminha o dirigir os seus passos.
- Corrige-me, ó Senhor, mas com medida justa; não na tua ira, para que não
me reduzas a nada.
- Derrama a tua indignação sobre as nações que não te conhecem, e sobre as
famílias que não invocam o teu nome; porque devoraram a Jacó; sim,
devoraram-no e consumiram-no, e assolaram a sua morada.
- A palavra que veio a Jeremias, da parte do Senhor, dizendo:
- Ouvi as palavras deste pacto, e falai aos homens de Judá, e aos habitantes
de Jerusalém.
- Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Maldito o homem que
não ouvir as palavras deste pacto,
- que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da
fornalha de ferro, dizendo: Ouvi a minha voz, e fazei conforme a tudo que vos
mando; assim vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus;
- para que eu confirme o juramento que fiz a vossos pais de dar-lhes uma
terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia. Então eu respondi, e
disse: Amém, ó Senhor.
- Disse-me, pois, o Senhor: Proclama todas estas palavras nas cidades de
Judá, e nas ruas de Jerusalém, dizendo: Ouvi as palavras deste pacto, e
cumpri-as.
- Porque com instância admoestei a vossos pais, no dia em que os tirei da
terra do Egito, até o dia de hoje, protestando persistentemente e dizendo:
Ouvi a minha voz.
- Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes andaram cada um na
obstinação do seu coração malvado; pelo que eu trouxe sobre eles todas as
palavras deste pacto, as quais lhes ordenei que cumprissem, mas não o
fizeram.
- Disse-me mais o Senhor: Uma conspiração se achou entre os homens de Judá,
e entre os habitantes de Jerusalém.
- Tornaram às iniqüidades de seus primeiros pais, que recusaram ouvir as
minhas palavras; até se foram após outros deuses para os servir; a casa de
Israel e a casa de Judá quebrantaram o meu pacto, que fiz com seus pais.
- Portanto assim diz o Senhor: Eis que estou trazendo sobre eles uma
calamidade de que não pederão escapar; clamarão a mim, mas eu não os
ouvirei.
- Então irão as cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém e clamarão aos
deuses a que eles queimam incenso; estes, porém, de maneira alguma os livrarão
no tempo da sua calamidade.
- Pois, segundo o número das tuas cidades, são os teus deuses, ó Judá; e,
segundo o número das ruas de Jerusalém, tendes levantado altares à impudência,
altares para queimardes incenso a Baal.
- Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por eles clamor nem oração;
porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim por causa da sua
calamidade.
- Que direito tem a minha amada na minha casa, visto que com muitos tem
cometido grande abominação, e as carnes santas se desviaram de ti? Quando tu
fazes mal, então andas saltando de prazer.
- Denominou-te o Senhor oliveira verde, formosa por seus deliciosos frutos;
mas agora, à voz dum grande tumulto, acendeu fogo nela, e se quebraram os seus
ramos.
- Porque o Senhor dos exércitos, que te plantou, pronunciou contra ti uma
calamidade, por causa do grande mal que a casa de Israel e a casa de Judá
fizeram, pois me provocaram à ira, queimando icenso a Baal.
- E o Senhor mo fez saber, e eu o soube; então me fizeste ver as suas
ações.
- Mas eu era como um manso cordeiro, que se leva à matança; não sabia que
era contra mim que maquinavam, dizendo: Destruamos a árvore com o seu fruto, e
cortemo-lo da terra dos viventes, para que não haja mais memória do seu
nome.
- Mas, ó Senhor dos exércitos, justo Juiz, que provas o coração e a mente,
permite que eu veja a tua vingança sobre eles; pois a ti descobri a minha
causa.
- Portanto assim diz o Senhor acerca dos homens de Anatote, que procuram a
tua vida, dizendo: Não profetizes no nome do Senhor, para que não morras às
nossas mãos;
- por isso assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que eu os punirei; os
mancebos morrerão à espada, os seus filhos e as suas filhas morrerão de
fome.
- E não ficará deles um resto; pois farei vir sobre os homens de Anatote uma
calamidade, sim, o ano da sua punição.
- Justo és, ó Senhor, ainda quando eu pleiteio contigo; contudo pleitearei a
minha causa diante de ti. Por que prospera o caminho dos ímpios? Por que vivem
em paz todos os que procedem aleivosamente?
- Plantaste-os, e eles se arraigaram; medram, dão também fruto; chegado
estás à sua boca, porém longe do seu coração.
- Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês, e provas o meu coração para
contigo; tira-os como a ovelhas para o matadouro, e separa-os para o dia da
matança.
- Até quando lamentará a terra, e se secará a erva de todo o campo? Por
causa da maldade dos que nela habitam, perecem os animais e as aves; porquanto
disseram: Ele nào vera o nosso fim.
- Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, então como poderás
competir com cavalos? Se foges numa terra de paz, como hás de fazer na soberba
do Jordão?
- Pois até os teus irmãos, e a casa de teu pai, eles mesmos se houveram
aleivosamente contigo; eles mesmos clamam após ti em altas vozes. Não te fies
neles, ainda que te digam coisas boas.
- Desamparei a minha casa, abandonei a minha herança; entreguei a amada da
minha alma na mão de seus inimigos.
- Tornou-se a minha herança para mim como leão numa floresta; levantou a sua
voz contra mim, por isso eu a odeio.
- Acaso é para mim a minha herança como uma ave de rapina de varias cores?
Andam as aves de rapina contra ela em redor? Ide, pois, ajuntai a todos os
animais do campo, trazei-os para a devorarem.
- Muitos pastores destruíram a minha vinha, pisaram o meu quinhão; tornaram
em desolado deserto o meu quinhão aprazível.
- Em assolação o tornaram; ele, desolado, clama a mim. Toda a terra está
assolada, mas ninguém toma isso a peito.
- Sobre todos os altos escalvados do deserto vieram destruidores, porque a
espada do Senhor devora desde uma até outra extremidade da terra; não há paz
para nenhuma carne.
- Semearam trigo, mas segaram espinhos; cansaram-se, mas de nada se
aproveitaram; haveis de ser envergonhados das vossas colheitas, por causa do
ardor da ira do Senhor.
- Assim diz o Senhor acerca de todos os meus maus vizinhos, que tocam a
minha herança que fiz herdar ao meu povo Israel: Eis que os arrancarei da sua
terra, e a casa de Judá arrancarei do meio deles.
- E depois de os haver eu arrancado, tornarei, e me compadecerei deles, e os
farei voltar cada um à sua herança, e cada um à sua terra.
- E será que, se diligentemente aprenderem os caminhos do meu povo, jurando
pelo meu nome: Vive o Senhor; como ensinaram o meu povo a jurar por Baal;
então edificar-se-ão no meio do meu povo.
- Mas, se não quiserem ouvir, totalmente arrancarei a tal nação, e a farei
perecer, diz o Senhor.
- Assim me disse o Senhor: Vai, e compra-te um cinto de linho, e põe-no
sobre os teus lombos, mas não o metas na água.
- E comprei o cinto, conforme a palavra do Senhor, e o pus sobre os meus
lombos.
- Então me veio a palavra do Senhor pela segunda vez, dizendo:
- Toma o cinto que compraste e que trazes sobre os teus lombos, e
levanta-te, vai ao Eufrates, e esconde-o ali na fenda duma rocha.
- Fui, pois, e escondi-o junto ao Eufrates, como o Senhor me havia
ordenado.
- E passados muitos dias, me disse o Senhor: Levanta-te, vai ao Eufrates, e
toma dali o cinto que te ordenei que escondesses ali.
- Então fui ao Eufrates, e cavei, e tomei o cinto do lugar onde e havia
escondido; e eis que o cinto tinha apodrecido, e para nada prestava.
- Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Assim diz o Senhor: Do mesmo modo farei apodrecer a soberba de Judá, e a
grande soberba de Jerusalém.
- Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha
segundo a teimosia do seu coração, e que anda após deuses alheios, para os
servir, e para os adorar, será tal como este cinto, que para nada
presta.
- Pois, assim como se liga o cinto aos lombos do homem, assim eu liguei a
mim toda a casa de Israel, e toda a casa de Judá, diz o Senhor, para me serem
por povo, e por nome, e por louvor, e por glória; mas não quiseram
ouvir:
- Pelo que lhes dirás esta palavra: Assim diz o Senhor Deus de Israel: Todo
o odre se encherá de vinho. E dir-te-ão: Acaso não sabemos nós muito bem que
todo o odre se encherá de vinho?
- Então lhes dirás: Assim diz o Senhor: Eis que eu encherei de embriaguez a
todos os habitantes desta terra, mesmo aos reis que se assentam sobre o trono
de Davi, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de
Jerusalém.
- E atirá-los-ei uns contra os outros, mesmo os pais juntamente com os
filhos, diz o Senhor; não terei pena nem pouparei, nem terei deles compaixão
para não os destruir.
- Escutai, e inclinai os ouvidos; não vos ensoberbeçais, porque o Senhor
falou.
- Dai glória ao Senhor vosso Deus, antes que venha a escuridão e antes que
tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a
mude em densas trevas, e a reduza a profunda escuridão.
- Mas, se não ouvirdes, a minha alma chorará em oculto, por causa da vossa
soberba; e amargamente chorarão os meus olhos, e se desfarão em lágrimas,
porque o rebanho do Senhor se vai levado cativo.
- Dize ao rei e à rainha-mãe: Humilhai-vos, sentai-vos no chão; porque de
vossas cabeças já caiu a coroa de vossa glória.
- As cidades do Negebe estão fechadas, e não há quem as abra; todo o Judá é
levado cativo, sim, inteiramente cativo.
- Levantai os vossos olhos, e vede os que vêm do norte; onde está o rebanho
que se te deu, o teu lindo rebanho?
- Que dirás, quando ele puser sobre ti como cabeça os que ensinaste a serem
teus amigos? Não te tomarão as dores, como as duma mulher que está de
parto?
- Se disseres no teu coração: Por que me sobrevieram estas coisas? Pela
multidão das tuas iniqüidades se descobriram as tuas fraldas, e os teus
calcanhares sofrem violência.
- pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então
podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal.
- Pelo que os espalharei como o restolho que passa arrebatado pelo vento do
deserto.
- Esta é a tua sorte, a porção que te é medida por mim, diz o Senhor; porque
te esqueceste de mim, e confiaste em mentiras.
- Assim também eu levantarei as tuas fraldas sobre o teu rosto, e aparecerá
a tua ignominia.
- Os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição,
essas abominações tuas, eu as tenho visto sobre os outeiros no campo. Ai de
ti, Jerusalém! até quando não te purificarás?
- A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, a respeito da seca.
- Judá chora, e as suas portas estão enfraquecidas; eles se sentam de luto
no chão; e o clamor de Jerusalém já vai subindo.
- E os seus nobres mandam os seus inferiores buscar água; estes vão às
cisternas, e não acham água; voltam com os seus cântaros vazios; ficam
envergonhados e confundidos, e cobrem as suas cabeças.
- Por causa do solo ressecado, pois que não havia chuva sobre a terra, os
lavradores ficam envergonhados e cobrem as suas cabeças.
- Pois até a cerva no campo pare, e abandona sua cria, porquanto não há
erva.
- E os asnos selvagens se põem nos altos escalvados e, ofegantes, sorvem o
ar como os chacais; desfalecem os seus olhos, porquanto não ha erva.
- Posto que as nossas iniqüidades testifiquem contra nós, ó Senhor, opera tu
por amor do teu nome; porque muitas são as nossas rebeldias; contra ti havemos
pecado.
- ç esperança de Israel, e Redentor seu no tempo da angústia! por que serias
como um estrangeiro na terra? e como o viandante que arma a sua tenda para
passar a noite?
- Por que serias como homem surpreendido, como valoroso que não pode livrar?
Mas tu estás no meio de nós, Senhor, e nós somos chamados pelo teu nome; não
nos desampares.
- Assim diz o Senhor acerca deste povo: Pois que tanto gostaram de andar
errantes, e não detiveram os seus pés, por isso o Senhor não os aceita, mas
agora se lembrará da iniqüidade deles, e visitará os seus pecados.
- Disse-me ainda o Senhor: Não rogues por este povo para seu bem.
- Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos
e oblações, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada, e pela
fome e pela peste.
- Então disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não
vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste
lugar.
- E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os
enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade
e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam.
- Portanto assim diz o Senhor acerca dos profetas que profetizam em meu
nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá
nesta terra: Â espada e à fome serão consumidos esses profetas.
- E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por
causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepulte a eles, a suas
mulheres, a seus filhos e a suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua
maldade.
- Portanto lhes dirás esta palavra: Os meus olhos derramem lágrimas de noite
e de dia, e não cessem; porque a virgem filha do meu povo está gravemente
ferida, de mui dolorosa chaga.
- Se eu saio ao campo, eis os mortos à espada, e, se entro na cidade, eis os
debilitados pela fome; o profeta e o sacerdote percorrem a terra, e nada
sabem.
- Porventura já de todo rejeitaste a Judá? Aborrece a tua alma a Sião? Por
que nos feriste, de modo que não há cura para nós? Aguardamos a paz, e não
chegou bem algum; e o tempo da cura, e eis o pavor!
- Ah, Senhor! reconhecemos a nossa impiedade e a iniqüidade de nossos pais;
pois contra ti havemos pecado.
- Não nos desprezes, por amor do teu nome; não tragas opróbrio sobre o trono
da tua glória; lembra-te, e não anules o teu pacto conosco.
- Há, porventura, entre os deuses falsos das nações, algum que faça chover?
Ou podem os céus dar chuvas? Não és tu, ó Senhor, nosso Deus? Portanto em ti
esperaremos; pois tu tens feito todas estas coisas.
- Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de
mim, não poderia estar a minha alma com este povo. Lança-os de diante da minha
face, e saiam eles.
- E quando te perguntarem: Para onde iremos? dir-lhes-ás: Assim diz o
Senhor: Os que para a morte, para a morte; e os que para a espada, para a
espada; e os que para a fome, para a fome; e os que para o cativeiro, para o
cativeiro.
- Pois os visitarei com quatro gêneros de destruidores, diz o Senhor: com
espada para matar, e com cães, para os dilacerarem, e com as aves do céu e os
animais da terra, para os devorarem e destruírem.
- Entregá-los-ei para serem um espetáculo horrendo perante todos os reinos
da terra, por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, por tudo
quanto fez em Jerusalém.
- Pois quem se compadecerá de ti, ó Jerusalém? ou quem se entristecerá por
ti? Quem se desviará para perguntar pela tua paz?
- Tu me rejeitaste, diz o Senhor, voltaste para trás; por isso estenderei a
minha mão contra ti, e te destruirei; estou cansado de me abrandar.
- E os padejei com a pá nas portas da terra; desfilhei, destruí o meu povo;
não voltaram dos seus caminhos.
- As suas viúvas mais se me têm multiplicado do que a areia dos mares;
trouxe ao meio-dia um destruidor sobre eles, até sobre a mãe de jovens; fiz
que caísse de repente sobre ela angústia e terrores.
- A que dava à luz sete se enfraqueceu: expirou a sua alma; pôs-se-lhe o sol
sendo ainda dia; ela se confundiu, e se envergonhou; e os que ficarem deles eu
os entregarei à espada, diante dos seus inimigos, diz o Senhor.
- Ai de mim, minha mãe! porque me deste à luz, homem de rixas e homem de
contendas para toda a terra. Nunca lhes emprestei com usura, nem eles me
emprestaram a mim com usura, todavia cada um deles me amaldiçoa.
- Assim seja, ó Senhor, se jamais deixei de suplicar-te pelo bem deles, ou
de rogar-te pelo inimigo no tempo da calamidade e no tempo da angústia.
- Pode alguém quebrar o ferro, o ferro do Norte, e o bronze?
- As tuas riquezas e os teus tesouros, eu os entregarei sem preço ao saque;
e isso por todos os teus pecados, mesmo em todos os teus limites.
- E farei que sirvas os teus inimigos numa terra que não conheces; porque o
fogo se acendeu em minha ira, e sobre vós arderá.
- Tu, ó Senhor, me conheces; lembra-te de mim, visita-me, e vinga-me dos
meus perseguidores; não me arrebates, por tua longanimidade. Sabe que por amor
de ti tenho sofrido afronta.
- Acharam-se as tuas palavras, e eu as comi; e as tuas palavras eram para
mim o gozo e alegria do meu coração; pois levo o teu nome, ó Senhor Deus dos
exércitos.
- Não me assentei na roda dos que se alegram, nem me regozijei. Sentei-me a
sós sob a tua mão, pois me encheste de indignação.
- Por que é perpétua a minha dor, e incurável a minha ferida, que se recusa
a ser curada? Serás tu para mim como ribeiro ilusório e como águas
inconstantes?
- Portanto assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te restaurarei, para
estares diante de mim; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha
boca; tornem-se eles a ti, mas não voltes tu a eles.
- E eu te porei contra este povo como forte muro de bronze; eles pelejarão
contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque eu sou contigo para te
salvar, para te livrar, diz o Senhor.
- E arrebatar-te-ei da mão dos iníquos, e livrar-te-ei da mão dos
cruéis.
- E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Não tomarás a ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar.
- Pois assim diz o Senhor acerca dos filhos e das filhas que nascerem neste
lugar, acerca de suas mães, que os tiverem, e de seus pais que os gerarem
nesta terra:
- Morrerão de enfermidades dolorosas, e não serão pranteados nem sepultados;
serão como esterco sobre a face da terra; pela espada e pela fome serão
consumidos, e os seus cadáveres servirão de pasto para as aves do céu e para
os animais da terra.
- Pois assim diz o Senhor: Não entres na casa que está de luto, nem vás a
lamentá-los, nem te compadeças deles; porque deste povo, diz o Senhor, retirei
a minha paz, benignidade e misericórdia.
- E morrerão nesta terra tanto grandes como pequenos; não serão sepultados,
e não os prantearão, nem se farão por eles incisões, nem por eles se raparão
os cabelos;
- nem pão se dará aos que estiverem de luto, para os consolar sobre os
mortos; nem se lhes dará a beber o copo da consolação pelo pai ou pela
mãe.
- Não entres na casa do banquete, para te assentares com eles a comer e a
beber.
- Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Eis que perante
os vossos olhos, e em vossos dias, farei cessar deste lugar a voz de gozo e a
voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva.
- E quando anunciares a este povo todas estas palavras, e eles te disserem:
Por que pronuncia o Senhor sobre :nós todo este grande mal? Qual é a nossa
iniqüidade? Qual é o pecado que cometemos contra o Senhor nosso Deus?
- Então lhes dirás: Porquanto vossos pais me deixaram, diz o Senhor, e se
foram após outros deuses, e os serviram e adoraram, e a mim me deixaram, e não
guardaram a minha lei;
- e vós fizestes pior do que vossos pais; pois eis que andais, cada um de
vós, após o pensamento obstinado do seu mau coração, recusando ouvir-me a
mim;
- portanto eu vos lançarei fora desta terra, para uma terra que não
conhecestes, nem vós nem vossos pais; e ali servireis a deuses estranhos de
dia e de noite; pois não vos concederei favor algum.
- Portanto, eis que dias vêm, diz o Senhor, em que não se dirá mais: Vive o
Senhor: que fez subir os filhos de Israel da terra do Egito;
- mas sim: Vive o Senhor, que fez subir os filhos de Israel da terra do
norte, e de todas as terras para onde os tinha lançado; porque eu os farei
voltar à sua terra, que dei a seus pais.
- Eis que mandarei vir muitos pescadores, diz o Senhor, os quais os
pescarão; e depois mandarei vir muitos caçadores, os quais os caçarão de todo
monte, e de todo outeiro, e até das fendas das rochas.
- Pois os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; não se acham eles
escondidos da minha face, nem está a sua iniqüidade encoberta aos meus
olhos.
- E eu retribuirei em dobro a sua iniqüidade e o seu pecado, porque
contaminaram a minha terra com os vultos inertes dos seus ídolos detestáveis,
e das suas abominações encheram a minha herança.
- ç Senhor, força minha e fortaleza minha, e refúgio meu no dia da angústia,
a ti virão as nações desde as extremidades da terra, e dirão: Nossos pais
herdaram só mentiras, e vaidade, em que não havia proveito.
- Pode um homem fazer para si deuses? Esses tais não são deuses!
- Portanto, eis que lhes farei conhecer, sim desta vez lhes farei conhecer o
meu poder e a minha força; e saberão que o meu nome é Jeová.
- O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro; com ponta de
diamante está gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus
altares;
- enquanto seus filhos se lembram dos seus altares, e dos seus aserins,
junto às árvores frondosas, sobre os altos outeiros,
- nas montanhas no campo aberto, a tua riqueza e todos os teus tesouros
dá-los-ei como despojo por causa do pecado, em todos os teus termos.
- Assim tu, por ti mesmo, te privarás da tua herança que te dei; e far-te-ei
servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque acendeste um fogo
na minha ira, o qual arderá para sempre.
- Assim diz o Senhor: Maldito o varão que confia no homem, e faz da carne o
seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!
- Pois é como o junípero no deserto, e não verá vir bem algum; antes morará
nos lugares secos do deserto, em terra salgada e inabitada.
- Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor.
- Porque é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes
para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e
no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto.
- Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o
poderá conhecer?
- Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o coração; e isso para dar a
cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.
- Como a perdiz que ajunta pintainhos que não são do seu ninho, assim é
aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as
deixará, e no seu fim se mostrará insensato.
- Um trono glorioso, posto bem alto desde o princípio, é o lugar do nosso
santuário.
- ç Senhor, esperança de Israel, todos aqueles que te abandonarem serão
envergonhados. Os que se apartam de ti serão escritos sobre a terra; porque
abandonam o Senhor, a fonte das águas vivas.
- Cura-me, ó Senhor, e serei curado; salva-me, e serei salvo; pois tu és o
meu louvor.
- Eis que eles me dizem: Onde está a palavra do Senhor? venha agora.
- Quanto a mim, não instei contigo para enviares sobre eles o mal, nem
tampouco desejei o dia calamitoso; tu o sabes; o que saiu dos meus lábios
estava diante de tua face.
- Não me sejas por espanto; meu refúgio és tu no dia da calamidade.
- Envergonhem-se os que me perseguem, mas não me envergonhe eu; assombrem-se
eles, mas não me assombre eu; traze sobre eles o dia da calamidade, e
destrói-os com dobrada destruição.
- Assim me disse o Senhor: Vai, e põe-te na porta de Benjamim, pela qual
entram os reis de Judá, e pela qual saem, como também em todas as portas de
Jerusalém.
- E dize-lhes: Ouvi a palavra do Senhor, vós, reis de Judá e todo o Judá, e
todos os moradores de Jerusalém, que entrais por estas portas;
- assim diz o Senhor: Guardai-vos a vós mesmos, e não tragais cargas no dia
de sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém;
- nem tireis cargas de vossas casas no dia de sábado, nem façais trabalho
algum; antes santificai o dia de sábado, como eu ordenei a vossos pais.
- Mas eles não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes endureceram
a sua cerviz, para não ouvirem, e para não receberem instrução.
- Mas se vós diligentemente me ouvirdes, diz o Senhor, não introduzindo
cargas pelas portas desta cidade no dia de sábado, e santificardes o dia de
sábado, não fazendo nele trabalho algum,
- então entrarão pelas portas desta cidade reis e príncipes, que se assentem
sobre o trono de Davi, andando em carros e montados em cavalos, eles e seus
príncipes, os homens de Judá, e os moradores de Jerusalém; e esta cidade será
para sempre habitada.
- E virão das cidades de Judá, e dos arredores de Jerusalém, e da terra de
Benjamim, e da planície, e da região montanhosa, e do e sul, trazendo à casa
do Senhor holocaustos, e sacrifícios, e ofertas de cereais, e incenso,
trazendo também sacrifícios de ação de graças.
- Mas, se não me ouvirdes, para santificardes o dia de sábado, e para não
trazerdes carga alguma, quando entrardes pelas portas de Jerusalém no dia de
sábado, então acenderei fogo nas suas portas, o qual consumirá os palácios de
Jerusalém, e não se apagará.
- A palavra que veio do Senhor a Jeremias, dizendo:
- Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas
palavras.
- Desci, pois, à casa do oleiro, e eis que ele estava ocupado com a sua obra
sobre as rodas.
- Como o vaso, que ele fazia de barro, se estragou na mão do oleiro, tornou
a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos fazer.
- Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o
Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó
casa de Israel.
- Se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação, e acerca dum reino, para
arrancar, para derribar e para destruir,
- e se aquela nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade,
também eu me arrependerei do mal que intentava fazer-lhe.
- E se em qualquer tempo eu falar acerca duma nação e acerca dum reino, para
edificar e para plantar,
- se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz,
então me arrependerei do bem que lhe intentava fazer.
- Ora pois, fala agora aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém,
dizendo: Assim diz o senhor: Eis que estou forjando mal contra vós, e projeto
um plano contra vós; convertei-vos pois agora cada um do seu mau caminho, e
emendai os vossos caminhos e as vossas ações.
- Mas eles dizem: Não há esperança; porque após os nossos projetos
andaremos, e cada um fará segundo o propósito obstinado do seu mau
coraçao.
- Portanto assim diz o Senhor: Perguntai agora entre as nações quem ouviu
tais coisas? coisa mui horrenda fez a virgem de Israel!
- Acaso desaparece a neve do Líbano dos penhascos do Siriom? Serão esgotadas
as águas frias que vêm dos montes?
- Contudo o meu povo se tem esquecido de mim, queimando incenso a deuses
falsos; fizeram-se tropeçar nos seus caminhos, e nas veredas antigas, para que
andassem por atalhos não aplainados;
- para fazerem da sua terra objeto de espanto e de perpétuos assobios; todo
aquele que passa por ela se espanta, e meneia a cabeça.
- Com vento oriental os espalharei diante do inimigo; mostrar-lhes-ei as
costas e não o rosto, no dia da sua calamidade.
- Então disseram: Vinde, e maquinemos projetos contra Jeremias; pois não
perecerá a lei do sacerdote, nem o conselho do sábio, nem a palavra do
profeta. Vinde, e firâmo-lo com a língua, e não atendamos a nenhuma das suas
palavras.
- Atende-me, ó Senhor, e ouve a voz dos que contendem comigo.
- Porventura pagar-se-á mal por bem? Contudo cavaram uma cova para a minha
vida. Lembra-te de que eu compareci na tua presença, para falar a favor deles,
para desviar deles a tua indignação.
- Portanto entrega seus filhos à fome, e entrega-os ao poder da espada, e
sejam suas mulheres roubadas dos filhos, e fiquem viúvas; e sejam seus maridos
feridos de morte, e os seus jovens mortos à espada na peleja.
- Seja ouvido o clamor que vem de suas casas, quando de repente trouxeres
tropas sobre eles; porque cavaram uma cova para prender-me e armaram laços aos
meus pés.
- Mas tu, ó Senhor, sabes todo o seu conselho contra mim para matar-me. Não
perdoes a sua iniquidade, nem apagues o seu pecado de diante da tua face; mas
sejam transtornados diante de ti; trata-os assim no tempo da tua ira.
- Assim disse o Senhor: Vai, e compra uma botija de oleiro, e leva contigo
alguns anciãos do povo e alguns anciãos dos sacerdotes;
- e sai ao vale do filho de Hinom, que está à entrada da Porta Harsite, e
apregoa ali as palavras que eu te disser;
- e dirás: Ouvi a palavra do Senhor, ó reis de Judá, e moradores de
Jerusalém. Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei
sobre este lugar uma calamidade tal que fará retinir os ouvidos de quem quer
que dela ouvir.
- Porquanto me deixaram, e profanaram este lugar, queimando nele incenso a
outros deuses, que nunca conheceram, nem eles nem seus pais, nem os reis de
Judá; e encheram este lugar de sangue de inocentes.
- E edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em
holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem entrou no meu
pensamento.
- Por isso eis que dias vêm, diz o Senhor, em que este lugar não se chamara
mais Tofete, nem o vale do filho de Hinom, mas o vale da matança.
- E tornarei vão o conselho de Judá e de Jerusalém neste lugar, e os farei
cair à espada diante de seus inimigos e pela mão dos que procuram tirar-lhes a
vida. Darei os seus cadaveres por pasto as aves do céu e aos animais da
terra.
- E farei esta cidade objeto de espanto e de assobios; todo aquele que
passar por ela se espantará, e assobiará, por causa de todas as suas
pragas.
- E lhes farei comer a carne de seus filhos, e a carne de suas filhas, e
comerá cada um a carne do seu próximo, no cerco e no aperto em que os
apertarão os seus inimigos, e os que procuram tirar-lhes a vida.
- Então quebrarás a botija à vista dos homens que foram contigo,
- e lhes dirás: Assim diz o Senhor dos exércitos: Deste modo quebrarei eu a
este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, de sorte que não
pode mais refazer-se; e os enterrarão em Tofete, porque não haverá outro lugar
para os enterrar.
- Assim farei a este lugar e aos seus moradores, diz o Senhor; sim, porei
esta cidade como Tofete.
- E as casas de Jerusalém, e as casas dos reis de Judá, serão imundas como o
lugar de Tofete, como também todas as casas, sobre cujos terraços queimaram
incenso a todo o exército dos céus, e ofereceram libações a deuses
estranhos.
- Então voltou Jeremias de Tofete, aonde o tinha enviado o Senhor a
profetizar; e pôs-se em pé no átrio da casa do Senhor, e disse a todo o
povo:
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Eis que trarei sobre
esta cidade, e sobre todas as suas cercanias, todo o mal que pronunciei contra
ela, porquanto endureceram a sua cerviz, para não ouvirem as minhas
palavras.
- Ora Pasur, filho de Imer, o sacerdote, que era superintendente da casa do
Senhor, ouviu Jeremias profetizar estas coisas.
- Então feriu Pasur ao profeta Jeremias, e o meteu no cepo que está na porta
superior de Benjamim, na casa do Senhor.
- No dia seguinte, quando Pasur o tirou do cepo Jeremias lhe disse: O Senhor
não te chama Pasur, mas Magor-Missabibe.
- Porque assim diz o Senhor: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e
para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos
o verão. Entregarei Judá todo na mão do rei de Babilônia; ele os levará
cativos para Babilônia, e matá-los-á à espada.
- Também entregarei todas as riquezas desta cidade, todos os seus lucros, e
todas as suas coisas preciosas, sim, todos os tesouros dos reis de Judá na mão
de seus inimigos, que os saquearão e, tomando-os, os levarão a
Babilônia.
- E tu, Pasur, e todos os moradores da tua casa ireis para o cativeiro; e
virás para Babilônia, e ali morrerás, e ali serás sepultado, tu, e todos os
teus amigos, aos quais profetizaste falsamente.
- Seduziste-me, ó Senhor, e deixei-me seduzir; mais forte foste do que eu, e
prevaleceste; sirvo de escárnio o dia todo; cada um deles zomba de mim.
- Pois sempre que falo, grito, clamo: Violência e destruição; porque se
tornou a palavra do Senhor um opróbrio para mim, e um ludíbrio o dia
todo.
- Se eu disser: Não farei menção dele, e não falarei mais no seu nome, então
há no meu coração um como fogo ardente, encerrado nos meus ossos, e estou
fatigado de contê-lo, e não posso mais.
- Pois ouço a difamação de muitos, terror por todos os lados! Denunciai-o!
Denunciemo-lo! dizem todos os meus íntimos amigos, aguardando o meu manquejar;
bem pode ser que se deixe enganar; então prevaleceremos contra ele e nos
vingaremos dele.
- Mas o Senhor está comigo como um guerreiro valente; por isso tropeçarão os
meus perseguidores, e não prevalecerão; ficarão muito confundidos, porque não
alcançarão êxito, sim, terão uma confusão perpétua que nunca será
esquecida.
- Tu pois, ó Senhor dos exércitos, que provas o justo, e vês os pensamentos
e o coração, permite que eu veja a tua vingança sobre eles; porque te confiei
a minha causa.
- Cantai ao Senhor, louvai ao Senhor; pois livrou a alma do necessitado da
mão dos malfeitores.
- Maldito o dia em que nasci; não seja bendito o dia em que minha mãe me deu
à luz.
- Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu- te um filho,
alegrando-o com isso grandemente.
- E seja esse homem como as cidades que o senhor destruiu sem piedade; e
ouça ele um clamor pela manhã, e um alarido ao meio-dia.
- Por que não me matou na madre? assim minha mãe teria sido a minha
sepultura, e teria ficado grávida perpetuamente!
- Por que saí da madre, para ver trabalho e tristeza, e para que se consumam
na vergonha os meus dias?
- A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, quando o rei Zedequias
lhe enviou Pasur, filho de Malquias, e Sofonias, filho de Maaséias, o
sacerdote, dizendo:
- Pergunta agora por nós ao Senhor, por que Nabucodonozor, rei de Babilônia,
guerreia contra nós; porventura o Senhor nos tratará segundo todas as suas
maravilhas, e fará que o rei se retire de nós.
- Então Jeremias lhes respondeu: Assim direis a Zedequias:
- Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Eis que virarei contra vos as armas
de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de
Babilônia e contra os caldeus, que vos estão sitiando ao redor dos muros, e
ajuntá-los-ei no meio desta cidade.
- E eu mesmo pelejarei contra vós com mão estendida, e com braço forte, e em
ira, e em furor, e em grande indignação.
- E ferirei os habitantes desta cidade, tanto os homens como os animais; de
grande peste morrerão.
- E depois disso, diz o Senhor, entregarei Zedequias, rei de Judá, e seus
servos, e o povo, e os que desta cidade restarem da peste, e da espada, e da
fome, sim entregá-los-ei na mão de Nabucodonozor, rei de Babilônia, e na mão
de seus inimigos, e na mão dos que procuram tirar-lhes a vida; e ele os
passará ao fio da espada; não os poupará, nem se compadecerá, nem terá
misericordia.
- E a este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante de vós o
caminho da vida e o caminho da morte.
- O que ficar nesta cidade há de morrer à espada, ou de fome, ou de peste;
mas o que sair, e se render aos caldeus, que vos cercam, viverá, e terá a sua
vida por despojo.
- Porque pus o meu rosto contra esta cidade para mal, e não para bem, diz o
Senhor; na mão do rei de Babilônia se entregará, e ele a queimará a
fogo.
- E à casa do rei de Judá dirás: Ouvi a palavra do Senhor:
- O casa de Davi, assim diz o Senhor: Executai justiça pela manhã, e livrai
o espoliado da mão do opressor, para que não saia o meu furor como fogo, e se
acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade de vossas
ações.
- Eis que eu sou contra ti, ó moradora do vale, ó rocha da campina, diz o
Senhor; contra vós que dizeis: Quem descerá contra nós? ou: Quem entrará nas
nossas moradas?
- E eu vos castigarei segundo o fruto das vossas ações, diz o Senhor; e no
seu bosque acenderei fogo que consumirá a tudo o que está em redor dela.
- Assim diz o Senhor: Desce à casa do rei de Judá, e anuncia ali esta
palavra.
- E dize: Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judá, que te assentas no trono
de Davi; ouvi, tu, e os teus servos, e o teu povo, que entrais por estas
portas.
- Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da
mão do opressor. Não façais nenhum mal ou violencia ao estrangeiro, nem ao
orfão, nem a viúva; não derrameis sangue inocente neste lugar.
- Pois se deveras cumprirdes esta palavra, entrarão pelas portas desta casa
reis que se assentem sobre o trono de Davi, andando em carros e montados em
cavalos, eles, e os seus servos, e o seu povo.
- Mas se não derdes ouvidos a estas palavras, por mim mesmo tenho jurado,
diz o Senhor, que esta casa se tornará em assolação.
- Pois assim diz o Senhor acerca da casa do rei de Judá: Tu és para mim
Gileade, e a cabeça do Líbano; todavia certamente farei de ti um deserto e
cidades desabitadas.
- E prepararei contra ti destruidores, cada um com as suas armas; os quais
cortarão os teus cedros escolhidos, e os lançarão no fogo.
- E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu
companheiro: Por que procedeu o Senhor assim com esta grande cidade?
- Então responderão: Porque deixaram o pacto do Senhor seu Deus, e adoraram
a outros deuses, e os serviram.
- Não choreis o morto, nem o lastimeis; mas chorai amargamente aquele que
sai; porque não voltará mais, nem verá a terra onde nasceu.
- Pois assim diz o Senhor acerca de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que
reinou em lugar de Josias seu pai, que saiu deste lugar: Nunca mais voltará
para cá,
- mas no lugar para onde o levaram cativo morrerá, e nunca mais verá esta
terra.
- Ai daquele que edifica a sua casa com iniqüidade, e os seus aposentos com
injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe
dá o salário;
- que diz: Edificarei para mim uma casa espaçosa, e aposentos largos; e que
lhe abre janelas, forrando-a de cedro, e pintando-a de vermelhão.
- Acaso reinarás tu, porque procuras exceder no uso de cedro? O teu pai não
comeu e bebeu, e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso lhe sucedeu
bem.
- Julgou a causa do pobre e necessitado; então lhe sucedeu bem. Porventura
não é isso conhecer-me? diz o Senhor.
- Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua ganância, e
para derramar sangue inocente, e para praticar a opressão e a violência.
- Portanto assim diz o Senhor acerca de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de
Judá: Não o lamentarão, dizendo: Ai, meu irmão! ou: Ai, minha irmã! nem o
lamentarão, dizendo: Ai, Senhor! ou: Ai, sua majestade!
- Com a sepultura de jumento será sepultado, sendo arrastado e lançado fora
das portas de Jerusalém.
- Sobe ao Líbano, e clama, e levanta a tua voz em Basã, e clama desde
Abarim; porque são destruídos todos os teus namorados.
- Falei contigo no tempo da tua prosperidade; mas tu disseste: Não
escutarei. Este tem sido o teu caminho, desde a tua mocidade, o não obedeceres
à minha voz.
- O vento apascentará todos os teus pastores, e os teus namorados irão para
o cativeiro; certamente então te confundirás,
- e tu, que habitas no Líbano, aninhada nos cedros, como hás de gemer,
quando te vierem as dores, os ais como da que está de parto!
- Vivo eu, diz o Senhor, ainda que Conias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá,
fosse o anel do selo da minha mão direita, contudo eu dali te
arrancaria;
- e te entregaria na mão dos que procuram tirar-te a vida, e na mão daqueles
diante dos quais tu temes, a saber, na mão de Nabucodonozor, rei de Babilônia,
e na mão dos caldeus.
- A ti e a tua mãe, que te deu à luz, lançar-vos-ei para uma terra estranha,
em que não nascestes, e ali morrereis.
- Mas à terra para a qual eles almejam voltar, para lá não voltarão.
- E este homem Conias algum vaso desprezado e quebrado, um vaso de que
ninguém se agrada? Por que razão foram ele e a sua linhagem arremessados e
arrojados para uma terra que não conhecem?
- ç terra, terra, terra; ouve a palavra do Senhor.
- Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem fica sem filhos, homem que não
prosperará nos seus dias; pois nenhum da sua linhagem prosperará para
assentar-se sobre o trono de Davi e reinar daqui em diante em Judá.
- Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o
Senhor.
- Portanto assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que
apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes,
e não as visitastes. Eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações,
diz o Senhor.
- E eu mesmo recolherei o resto das minhas ovelhas de todas as terras para
onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão,
e se multiplicarão.
- E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão,
nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o Senhor.
- Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo;
e, sendo rei, reinará e procederá sabiamente, executando o juízo e a justiça
na terra.
- Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este é o nome
de que será chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.
- Portanto, eis que vêm dias, diz o Senhor, em que nunca mais dirão: Vive o
Senhor, que tirou os filhos de Israel da terra do Egito;
- mas: Vive o Senhor, que tirou e que trouxe a linhagem da casa de Israel da
terra do norte, e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e eles
habitarão na sua terra.
- Quanto aos profetas. O meu coração está quebrantado dentro de mim; todos
os meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado, e como um homem
vencido do vinho, por causa do Senhor, e por causa das suas santas
palavras.
- Pois a terra está cheia de adúlteros; por causa da maldição a terra chora,
e os pastos do deserto se secam. A sua carreira é má, e a sua força não é
reta.
- Porque tanto o profeta como o sacerdote são profanos; até na minha casa
achei a sua maldade, diz o Senhor.
- Portanto o seu caminho lhes será como veredas escorregadias na escuridão;
serão empurrados e cairão nele; porque trarei sobre eles mal, o ano mesmo da
sua punição, diz o Senhor.
- Nos profetas de Samária bem vi eu insensatez; profetizavam da parte de
Baal, e faziam errar o meu povo Israel.
- Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios,
e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, de sorte que não
se convertam da sua maldade; eles têm- se tornado para mim como Sodoma, e os
moradores dela como Gomorra.
- Portanto assim diz o Senhor dos exércitos acerca dos profetas: Eis que
lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas
de Jerusalém saiu a contaminação sobre toda a terra.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Não deis ouvidos as palavras dos
profetas, que vos profetizam a vós, ensinando-vos vaidades; falam da visão do
seu coração, não da boca do Senhor.
- Dizem continuamente aos que desprezam a palavra do Senhor: Paz tereis; e a
todo o que anda na teimosia do seu coração, dizem: Não virá mal sobre
vós.
- Pois quem dentre eles esteve no concílio do Senhor, para que percebesse e
ouvisse a sua palavra, ou quem esteve atento e escutou a sua palavra?
- Eis a tempestade do Senhor! A sua indignação, qual tempestade devastadora,
já saiu; descarregar-se-á sobre a cabeça dos impios.
- Não retrocederá a ira do Senhor, até que ele tenha executado e cumprido os
seus desígnios. Nos últimos dias entendereis isso claramente.
- Não mandei esses profetas, contudo eles foram correndo; não lhes falei a
eles, todavia eles profetizaram.
- Mas se tivessem assistido ao meu concílio, então teriam feito o meu povo
ouvir as minhas palavras, e o teriam desviado do seu mau caminho, e da maldade
das suas ações.
- Sou eu apenas Deus de perto, diz o Senhor, e não também Deus de
longe?
- Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o
Senhor. Porventura não encho eu o céu e a terra? diz o Senhor.
- Tenho ouvido o que dizem esses profetas que profetizam mentiras em meu
nome, dizendo: Sonhei, sonhei.
- Até quando se achará isso no coração dos profetas que profetizam mentiras,
e que profetizam do engano do seu próprio coração?
- Os quais cuidam fazer com que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus
sonhos que cada um conta ao seu próximo, assim como seus pais se esqueceram do
meu nome por causa de Baal.
- O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha
palavra, fale fielmente a minha palavra. Que tem a palha com o trigo? diz o
Senhor.
- Não é a minha palavra como fogo, diz o Senhor, e como um martelo que
esmiúça a pedra?
- Portanto, eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que furtam as
minhas palavras, cada um ao seu próximo.
- Eis que eu sou contra os profetas, diz o Senhor, que usam de sua própria
linguagem, e dizem: Ele disse.
- Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, e
os contam, e fazem errar o meu povo com as suas mentiras e com a sua vã
jactância; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem; e eles não trazem
proveito algum a este povo, diz o Senhor.
- Quando pois te perguntar este povo, ou um profeta, ou um sacerdote,
dizendo: Qual é a profecia do Senhor? Então lhes dirás: Qual a profecia! que
eu vos arrojarei, diz o Senhor.
- E, quanto ao profeta, e ao sacerdote, e ao povo, que disser: A profecia do
Senhor; eu castigarei aquele homem e a sua casa.
- Assim direis, cada um ao seu próximo, e cada um ao seu irmão: Que
respondeu o Senhor? e: Que falou o Senhor?
- Mas nunca mais fareis menção da profecia do Senhor, porque a cada um lhe
servirá de profecia a sua própria palavra; pois torceis as palavras do Deus
vivo, do Senhor dos exércitos, o nosso Deus.
- Assim dirás ao profeta: Que te respondeu o Senhor? e: Que falou o
Senhor?
- Se, porém, disserdes: A profecia do Senhor; assim diz o Senhor: Porque
dizeis esta palavra: A profecia do Senhor, quando eu mandei dizer-vos: Não
direis: A profecia do Senhor;
- por isso, eis que certamente eu vos levantarei, e vos lançarei fora da
minha presença, a vós e a cidade que vos dei a vós e a vossos pais;
- e porei sobre vós perpétuo opróbrio, e eterna vergonha, que não será
esquecida.
- Fez-me o Senhor ver, e vi dois cestos de figos, postos diante do templo do
Senhor. Sucedeu isso depois que Nabucodonozor, rei de Babilônia, levara em
cativeiro a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, e os príncipes de Judá,
e os carpinteiros, e os ferreiros de Jerusalém, e os trouxera a
Babilonia.
- Um cesto tinha figos muito bons, como os figos temporãos; mas o outro
cesto tinha figos muito ruins, que não se podiam comer, de ruins que
eram.
- E perguntou-me o Senhor: Que vês tu, Jeremias? E eu respondi: Figos; os
figos bons, muito bons, e os ruins, muito ruins, que não se podem comer, de
ruins que são.
- Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Como a estes bons figos, assim
atentarei com favor para os exilados de Judá, os quais eu enviei deste lugar
para a terra dos caldeus.
- Porei os meus olhos sobre eles, para seu bem, e os farei voltar a esta
terra. Edificá-los-ei, e não os demolirei; e plantá-los-ei, e não os
arrancarei.
- E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, que eu sou o Senhor; e eles
serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; pois se voltarão para mim de todo o
seu coração.
- E como os figos ruins, que não se podem comer, de ruins que são,
certamente assim diz o Senhor: Do mesmo modo entregarei Zedequias, rei de
Judá, e os seus príncipes, e o resto de Jerusalém, que ficou de resto nesta
terra, e os que habitam na terra do Egito;
- eu farei que sejam espetáculo horrendo, uma ofensa para todos os reinos da
terra, um opróbrio e provérbio, um escárnio, e uma maldição em todos os
lugares para onde os arrojarei.
- E enviarei entre eles a espada, a fome e a peste, até que sejam consumidos
de sobre a terra que lhes dei a eles e a seus pais.
- A palavra que veio a Jeremias acerca de todo o povo de Judá, no ano quarto
de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá (que era o primeiro ano de
Nabucodonozor, rei de Babilônia,
- a qual anunciou o profeta Jeremias a todo o povo de Judá, e a todos os
habitantes de Jerusalém, dizendo:
- Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de
hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra do Senhor, e
vo-la tenho anunciado, falando-vos insistentemente; mas vós não tendes
escutado.
- Também o Senhor vos tem enviado com insistência todos os seus servos, os
profetas mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para
ouvir,
- quando vos diziam: Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da
maldade das suas ações, e habitai na terra que o Senhor vos deu e a vossos
pais, desde os tempos antigos e para sempre;
- e não andeis após deuses alheios para os servirdes, e para os adorardes,
nem me provoqueis à ira com a obra de vossas mãos; e não vos farei mal
algum.
- Todavia não me escutastes, diz o Senhor, mas me provocastes à ira com a
obra de vossas mãos, para vosso mal.
- Portanto assim diz o Senhor dos exércitos: Visto que não escutastes as
minhas palavras
- eis que eu enviarei, e tomarei a todas as famílias do Norte, diz o Senhor,
como também a Nabucodonozor, rei de Babilônia, meu servo, e os trarei sobre
esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor. e
os destruirei totalmente, e farei que sejam objeto de espanto, e de assobio, e
de perpétuo opróbrio.
- E farei cessar dentre eles a voz de gozo e a voz de alegria, a voz do
noivo e a voz da noiva, o som das mós e a luz do candeeiro.
- E toda esta terra virá a ser uma desolação e um espanto; e estas nações
servirão ao rei de Babilônia setenta anos.
- Acontecerá, porém, que quando se cumprirem os setenta anos, castigarei o
rei de Babilônia, e esta nação, diz o Senhor, castigando a sua iniqüidade, e a
terra dos caldeus; farei dela uma desolação perpetua.
- E trarei sobre aquela terra todas as minhas palavras, que tenho proferido
contra ela, tudo quanto está escrito neste livro, que profetizou Jeremias
contra todas as nações.
- Porque deles, sim, deles mesmos muitas nações e grandes reis farão
escravos; assim lhes retribuirei segundo os seus feitos, e segundo as obras
das suas mãos.
- Pois assim me disse o Senhor, o Deus de Israel: Toma da minha mão este
cálice do vinho de furor, e faze que dele bebam todas as nações, às quais eu
te enviar.
- Beberão, e cambalearão, e enlouquecerão, por causa da espada, que eu
enviarei entre eles.
- Então tomei o cálice da mão do Senhor, e fiz que bebessem todas as nações,
às quais o Senhor me enviou:
- a Jerusalém, e às cidades de Judá, e aos seus reis, e aos seus principes,
para fazer deles uma desolação, um espanto, um assobio e uma maldição, como
hoje se ve;
- a Faraó, rei do Egito, e a seus servos, e a seus príncipes, e a todo o seu
povo;
- e a todo o povo misto, e a todos os reis da terra de Uz, e a todos os reis
da terra dos filisteus, a Asquelom, a Gaza, a Ecrom, e ao que resta de
Asdode;
- e a Edom, a Moabe, e aos filhos de Amom;
- e a todos os reis de Tiro, e a todos os reis de Sidom, e aos reis das
terras dalém do mar;
- a Dedã, a Tema, a Buz e a todos os que cortam os -cantos da
cabeleira;
- a todos os reis da Arábia, e a todos os reis do povo misto que habita no
deserto;
- a todos os reis de Zinri, a todos os reis de Elão, e a todos os reis da
Média;
- a todos os reis do Norte, os de perto e os de longe, tanto um como o
outro, e a todos os reinos da terra, que estão sobre a face da terra; e o rei
de Sesaque beberá depois deles.
- Pois lhes dirás: Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel:
Bebei, e embebedai-vos, e vomitai, e caí, e não torneis a levantar, por causa
da espada que eu vos enviarei.
- Se recusarem tomar o copo da tua mão para beber, então lhes dirás: Assim
diz o Senhor dos exércitos: Certamente bebereis.
- Pois eis que sobre a cidade que se chama pelo meu nome, eu começo a trazer
a calamidade; e haveis vós de ficar totalmente impunes? Não ficareis impunes;
porque eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra, diz o Senhor dos
exércitos.
- Tu pois lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O Senhor
desde o alto bramirá, e fará ouvir a sua voz desde a sua santa morada; bramirá
fortemente contra a sua habitação; dará brados, como os que pisam as uvas,
contra todos os moradores da terra.
- Chegará o estrondo até a extremidade da terra, porque o Senhor tem
contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; quanto aos ímpios,
ele os entregará a espada, diz o Senhor.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que o mal passa de nação para nação,
e grande tempestade se levantará dos confins da terra.
- E os mortos do Senhor naquele dia se encontrarão desde uma extremidade da
terra até a outra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; mas
serão como esterco sobre a superfície da terra.
- Uivai, pastores, e clamai; e revolvei-vos na cinza, vós que sois os
principais do rebanho; pois já se cumpriram os vossos dias para serdes mortos,
e eu vos despedaçarei, e vós então caireis como carneiros escolhidos.
- E não haverá refúgio para os pastores, nem lugar para onde escaparem os
principais do rebanho.
- Eis a voz de grito dos pastores, o uivo dos principais do rebanho; porque
o Senhor está devastando o pasto deles.
- E as suas malhadas pacíficas são reduzidas a silêncio, por causa do furor
da ira do Senhor.
- Deixou como leão o seu covil; porque a sua terra se tornou em desolação,
por causa do furor do opressor, e por causa do furor da sua ira.
- No princípio do reino de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio da
parte do Senhor esta palavra, dizendo:
- Assim diz o Senhor: Põe-te no átrio da casa do Senhor e dize a todas as
cidades de Judá que vêm adorar na casa do Senhor, todas as palavras que te
mando que lhes fales; não omitas uma só palavra.
- Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, para
que eu desista do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas
ações.
- Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor: Se não me derdes ouvidos para andardes
na minha lei, que pus diante de vós,
- e para ouvirdes as palavras dos meus servos, os profetas, que eu com
insistência vos envio, mas não ouvistes;
- então farei que esta casa seja como Siló, e farei desta cidade uma
maldição para todas as nações da terra.
- E ouviram os sacerdotes, e os profetas, e todo o povo, a Jeremias,
anunciando estas palavras na casa do Senhor.
- Tendo Jeremias acabado de dizer tudo quanto o Senhor lhe havia ordenado
que dissesse a todo o povo, pegaram nele os sacerdotes, e os profetas, e todo
o povo, dizendo: Certamente morrerás.
- Por que profetizaste em nome do Senhor, dizendo: Será como Siló esta casa,
e esta cidade ficará assolada e desabitada? E ajuntou-se todo o povo contra
Jeremias, na casa do Senhor.
- Quando os príncipes de Judá ouviram estas coisas, subiram da casa do rei à
casa do Senhor, e se assentaram à entrada da porta nova do Senhor.
- Então falaram os sacerdotes e os profetas aos príncipes e a todo povo,
dizendo: Este homem é réu de morte, porque profetizou contra esta cidade, como
ouvistes com os vossos proprios ouvidos.
- E falou Jeremias a todos os príncipes e a todo o povo, dizendo: O Senhor
enviou-me a profetizar contra esta casa, e contra esta cidade, todas as
palavras que ouvistes.
- Agora, pois, melhorai os vossos caminhos e as vossas ações, e ouvi a voz
do Senhor vosso Deus, e o Senhor desistirá do mal que falou contra vós.
- Quanto a mim, eis que estou nas vossas mãos; fazei de mim conforme o que
for bom e reto aos vossos olhos.
- Sabei, porém, com certeza que, se me matardes a mim, trareis sangue
inocente sobre vós, e sobre esta cidade, e sobre os seus habitantes; porque,
na verdade, o Senhor me enviou a vós, para dizer aos vossos ouvidos todas
estas palavras.
- Então disseram os príncipes e todo o povo aos sacerdotes e aos profetas:
Este homem não é réu de morte, porque em nome do Senhor, nosso Deus, nos
falou.
- Também se levantaram alguns dos anciãos da terra, e falaram a toda a
assembléia do povo, dizendo:
- Miquéias, o morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá, e
falou a todo o povo de Judá, dizendo: Assim diz o Senhor dos exércitos: Sião
será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de ruínas, e o
monte desta casa como os altos de um bosque.
- Mataram-no, porventura, Ezequias, rei de Judá, e todo o Judá? Antes não
temeu este ao Senhor, e não implorou o favor do Senhor? e não se arrependeu o
Senhor do mal que falara contra eles? Mas nós estamos fazendo um grande mal
contra as nossas almas.
- Também houve outro homem que profetizava em nome do Senhor: Urias, filho
de Semaías, de Quiriate-Jearim, o qual profetizou contra esta cidade, e contra
esta terra, conforme todas as palavras de Jeremias;
- e quando o rei Jeoiaquim, e todos os seus valentes, e todos os príncipes,
ouviram as palavras dele, procurou o rei matá-lo; mas quando Urias o ouviu,
temeu, e fugiu, e foi para o Egito;
- mas o rei Jeoiaquim enviou ao Egito certos homens; Elnatã, filho de Acbor,
e outros com ele,
- os quais tiraram a Urias do Egito, e o trouxeram ao rei Jeoiaquim, que o
matou à espada, e lançou o seu cadáver nas sepulturas da plebe.
- Porém Aicão, filho de Safã, deu apoio a Jeremias, de sorte que não foi
entregue na mão do povo, para ser morto.
- No princípio do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, veio
esta palavra a Jeremias da parte do Senhor, dizendo:
- Assim me disse o Senhor: Faze-te brochas e canzis e põe-nos ao teu
pescoço.
- Depois envia-os ao rei de Edom, e ao rei de Moabe, e ao rei dos filhos de
Amom, e ao rei de Tiro, e ao rei de Sidom, pela mão dos mensageiros que são
vindos a Jerusalém a ter com zedequias, rei de Judá;
- e lhes darás uma mensageem para seus senhores, dizendo: Assim diz o Senhor
dos exércitos, o Deus de Israel: Assim direis a vossos senhores:
- Sou eu que, com o meu grande poder e o meu braço estendido, fiz a terra
com os homens e os animais que estão sobre a face da terra; e a dou a quem me
apraz.
- E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonozor, rei de
Babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o
sirvam.
- Todas as nações o servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho,
até que venha o tempo da sua própria terra; e então muitas nações e grandes
reis se servirão dele.
- A nação e o reino que não servirem a Nabucodonozor, rei de Babilônia, e
que não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de Babilônia, punirei com
a espada, com a fome, e com a peste a essa nação, diz o Senhor, até que eu os
tenha consumido pela mão dele.
- Não deis ouvidos, pois, aos vossos profetas, e aos vossos adivinhadores, e
aos vossos sonhos, e aos vossos agoureiros, e aos vossos encantadores, que vos
dizem: Não servireis o rei de Babilônia;
- porque vos profetizam a mentira, para serdes removidos para longe da vossa
terra, e eu vos expulsarei dela, e vós perecereis.
- Mas a nação que meter o seu pescoço sob o jugo do rei de Babilônia, e o
servir, eu a deixarei na sua terra, diz o Senhor; e lavrá-la-á e habitará
nela.
- E falei com Zedequias, rei de Judá, conforme todas estas palavras: Metei
os vossos pescoços no jugo do rei de Babilônia, e servi-o, a ele e ao seu
povo, e vivei.
- Por que morrereis tu e o teu povo, à espada, de fome, e de peste, como o
Senhor disse acerca da nação que não servir ao rei de Babilônia?
- Não deis ouvidos às palavras dos profetas que vos dizem: Não servireis ao
rei de Babilônia; porque vos profetizam a mentira.
- Pois não os enviei, diz o Senhor, mas eles profetizam falsamente em meu
nome; para que eu vos lance fora, e venhais a perecer, vós e os profetas que
vos profetizam.
- Então falei aos sacerdotes, e a todo este povo, dizendo: Assim diz o
Senhor: Não deis ouvidos às palavras dos vossos profetas, que vos profetizam
dizendo: Eis que os utensílios da casa do senhor cedo voltarão de Babilônia;
pois eles vos profetizam a mentira.
- Não lhes deis ouvidos; servi ao rei de Babilônia, e vivei. Por que se
tornaria esta cidade em assolação?
- Se, porém, são profetas, e se está com eles a palavra do Senhor,
intercedam agora junto ao Senhor dos exércitos, para que os utensílios que
ficaram na casa do Senhor, e na casa do rei de Judá, e em Jerusalém, não vão
para Babilônia.
- Pois assim diz o Senhor dos exércitos acerca das colunas, e do mar, e das
bases, e dos demais utensílios que ficaram na cidade,
- os quais Nabucodonozor, rei de Babilônia, não levou, quando transportou de
Jerusalém para Babilônia a Jeconias, filho de Jeoiaquim, rei de Judá, como
também a todos os nobres de Judá e de Jerusalém;
- assim pois diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, acerca dos
utensílios que ficaram na casa do Senhor, e na casa do rei de Judá, e em
Jerusalém:
- Para Babilônia serão levados, e ali ficarão até o dia em que eu os
visitar, diz o Senhor; então os farei subir, e os restituirei a este
lugar.
- E sucedeu no mesmo ano, no princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá,
no ano quarto, no mês quinto, que Hananias, filho de Azur, o profeta de
Gibeão, me falou, na casa do Senhor, na presença dos sacerdotes e de todo o
povo dizendo:
- Assim fala o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, dizendo: Eu quebrarei
o jugo do rei de Babilônia.
- Dentro de dois anos, eu tornarei a trazer a este lugar todos os utensílios
da casa do Senhor, que deste lugar tomou Nabucodonozor, rei de Babilônia,
levando-os para Babilônia.
- Também a Jeconias, filho de Jeoiaquim rei de Judá, e a todos os do
cativeiro de, Judá, que entraram em Babilônia, eu os tornarei a trazer a este
lugar, diz o Senhor; porque hei de quebrar o jugo do rei de Babilônia.
- Então falou o profeta Jeremias ao profeta Hananias, na presença dos
sacerdotes, e na presença de todo o povo que estava na casa do Senhor.
- Disse pois Jeremias, o profeta: Amém! assim faça o Senhor; cumpra o Senhor
as tuas palavras, que profetizaste, e torne ele a trazer os utensílios da casa
do Senhor, e todos os do cativeiro, de Babilônia para este lugar.
- Mas ouve agora esta palavra, que eu falo aos teus ouvidos e aos ouvidos de
todo o povo:
- Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antigüidade,
profetizaram contra muitos países e contra grandes reinos, acerca de guerra,
de fome e de peste.
- Quanto ao profeta que profetuar de paz, quando se cumprir a palavra desse
profeta, então será conhecido que o Senhor na verdade enviou o profeta.
- Então o profeta Hananias tomou o canzil do pescoço do profeta Jeremias e o
quebrou.
- E falou Hananias na presença de todo o povo, dizendo: Isto diz o Senhor:
Assim dentro de dois anos quebrarei o jugo de Nabucodonozor, rei de Babilônia,
de sobre o pescoço de todas as nações. E Jeremias, o profeta, se foi seu
caminho.
- Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, depois de ter o profeta
Hananias quebrado o jugo de sobre o pescoço do profeta Jeremias,
dizendo:
- Vai, e fala a Hananias, dizendo: Assim diz o Senhor: Jugos de madeira
quebraste, mas em vez deles farei jugos de ferro
- Pois assim diz o Senhor dos exércitos o Deus de Israel Jugo de ferro pus
sobre o, pescoço de todas estas nações, para servirem a Nabucodonozor, rei de
Babilônia, e o servirão; e até os animais do campo lhe dei.
- Então disse o profeta Jeremias ao profeta Hananias: Ouve agora, Hananias:
O Senhor não te enviou, mas tu fazes que este povo confie numa mentira.
- Pelo que assim diz o Senhor: Eis que te lançarei de sobre a face da terra.
Este ano morrerás, porque pregaste rebelião contra o Senhor.
- Morreu, pois, Hananias, o profeta, no mesmo ano, no sétimo mês.
- Ora, são estas as palavras da carta que Jeremias, o profeta, enviou de
Jerusalém, aos que restavam dos anciãos do cativeiro, como também aos
sacerdotes, e aos profetas, e a todo o povo, que Nabucodonozor levara cativos
de Jerusalém para Babilônia,
- depois de terem saído de Jerusalém o rei Jeconias, e a rainha-mãe, e os
eunucos, e os príncipes de Judá e Jerusalém e os artífices e os
ferreiros.
- Veio por mão de Elasa, filho de Safã, e de Gemarias, filho de Hilquias, os
quais Zedequias, rei de Judá, enviou a Babilônia, a Nabucodonozor, rei de
Babilônia; eis as palavras da carta:
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, a todos os do
cativeiro, que eu fiz levar cativos de Jerusalém para Babilônia:
- Edificai casas e habitai-as; plantai jardins, e comei o seu fruto.
- Tomai mulheres e gerai filhos e filhas; também tomai mulheres para vossos
filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; assim
multiplicai-vos ali, e não vos diminuais.
- E procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e
orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz.
- Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem
os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhadores; nem
deis ouvidos aos vossos sonhos, que vós sonhais;
- porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o
Senhor.
- Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em
Babilônia, eu vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra,
tornando a trazer-vos a este lugar.
- Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor;
planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.
- Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
- Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso
coração.
- E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos, e
congregarvos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos
lancei, diz o Senhor; e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos
transportei.
- Porque dizeis: O Senhor nos levantou profetas em Babilônia;
- portanto assim diz o Senhor a respeito do rei que se assenta no trono de
Davi, e de todo o povo que habita nesta cidade, vossos irmãos, que não saíram
convosco para o cativeiro;
- assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que enviarei entre eles a espada, a
fome e a peste e fá-los-ei como a figos péssimos, que não se podem comer, de
ruins que são.
- E persegui-los-ei com a espada, com a fome e com a peste; farei que sejam
um espetáculo de terror para todos os reinos da terra, e para serem um motivo
de execração, de espanto, de assobio, e de opróbrio entre todas as nações para
onde os tiver lançado,
- porque não deram ouvidos às minhas palavras, diz o Senhor, as quais lhes
enviei com insistência pelos meus servos, os profetas; mas vós não escutastes,
diz o Senhor.
- Ouvi, pois, a palavra do Senhor, vós todos os do cativeiro que enviei de
Jerusalém para Babilônia.
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, acerca de Acabe, filho
de Colaías, e de Zedequias, filho de Maaséias, que vos profetizam falsamente
em meu nome: Eis que os entregarei na mão de Nabucodonozor, rei de Babilônia,
e ele os matará diante dos vossos olhos.
- E por causa deles será formulada uma maldição por todos os exilados de
Judá que estão em Babilônia, dizendo: O Senhor te faça como a Zedequias, e
como a Acabe, os quais o rei de Babilônia assou no fogo;
- porque fizeram insensatez em Israel, cometendo adultério com as mulheres
de seus próximos, e anunciando falsamente em meu nome palavras que não lhes
mandei. Eu o sei, e sou testemunha disso, diz o Senhor.
- E a Semaías, o neelamita, falarás, dizendo:
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Porquanto enviaste em
teu próprio nome cartas a todo o povo que está em Jerusalém, como também a
Sofonias, filho de Maaséias, o sacerdote, e a todos os sacerdotes,
dizendo:
- O Senhor te pôs por sacerdote em lugar de Jeoiada, o sacerdote, para que
fosses encarregado da casa do Senhor, sobre todo homem obsesso que profetiza,
para o lançares na prisão e no tronco;
- agora, pois, por que não repreendeste a Jeremias, o anatotita, que vos
profetiza?
- Pois que até nos mandou dizer em Babilônia: O cativeiro muito há de durar;
edificai casas, e habitai-as; e plantai jardins, e comei do seu fruto.
- E lera Sofonias, o sacerdote, esta carta aos ouvidos de Jeremias, o
profeta.
- Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
- Manda a todos os do cativeiro, dizendo: Assim diz o Senhor acerca de
Semaías, o neelamita: Porquanto Semaías vos profetizou, quando eu não o
enviei, e vos fez confiar numa mentira,
- portanto assim diz o Senhor: Eis que castigarei a Semaías, o neelamita, e
a sua descendência; ele não terá varão que habite entre este povo, nem verá
ele o bem que hei de fazer ao meu povo, diz o Senhor, porque pregou rebelião
contra o Senhor.
- A palavra que do Senhor veio a Jeremias, dizendo:
- Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras
que te falei;
- pois eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que farei voltar do cativeiro o
meu povo Israel e Judá, diz o Senhor; e tornarei a trazê-los à terra que dei a
seus pais, e a possuirão.
- E estas são as palavras que disse o Senhor, acerca de Israel e de
Judá.
- Assim, pois, diz o Senhor: Ouvimos uma voz de tremor, de temor mas não de
paz.
- Perguntai, pois, e vede, se um homem pode dar à luz. Por que, pois, vejo a
cada homem com as mãos sobre os lombos como a que está de parto? Por que
empalideceram todos os rostos?
- Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! É
tempo de angústia para Jacó; todavia, há de ser livre dela.
- E será naquele dia, diz o Senhor dos exércitos, que eu quebrarei o jugo de
sobre o seu pescoço, e romperei as suas brochas. Nunca mais se servirão dele
os estrangeiros;
- mas ele servirá ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhe
levantarei.
- Não temas pois tu, servo meu, Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó
Israel; pois eis que te livrarei de terras longinquas, se à tua descendência
da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e ficará tranqüilo e sossegado, e
não haverá quem o atemorize.
- Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te salvar; porquanto darei fim
cabal a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei
fim, mas castigar-te-ei com medida justa, e de maneira alguma te terei por
inocente.
- Porque assim diz o Senhor: Incurável é a tua fratura, e gravíssima a tua
ferida.
- Não há quem defenda a tua causa; para a tua ferida não há remédio nem
cura.
- Todos os teus amantes se esqueceram de ti; não te procuram; pois te feri
com ferida de inimigo, e com castigo de quem é cruel, porque é grande a tua
culpa, e têm-se multiplicado os teus pecados.
- Por que gritas por causa da tua fratura? tua dor é incurável. Por ser
grande a tua culpa, e por se terem multiplicado os teus pecados, é que te fiz
estas coisas.
- Portanto todos os que te devoram serão devorados, e todos os teus
adversários irão, todos eles, para o cativeiro; e os que te roubam serão
roubados, e a todos os que te saqueiam entregarei ao saque.
- Pois te restaurarei a saúde e te sararei as feridas, diz o Senhor; porque
te chamaram a repudiada, dizendo: É Sião, à qual já ninguém procura.
- Assim diz o Senhor: Eis que acabarei o cativeiro das tendas de Jacó, e
apiedarme-ei das suas moradas; e a cidade será reedificada sobre o seu montão,
e o palácio permanecerá como habitualmente.
- E sairá deles ação de graças e a voz dos que se alegram; e
multiplicá-los-ei, e não serão diminuídos; glorificá-los-ei, e não serão
apoucados.
- E seus filhos serão como na antigüidade, e a sua congregação será
estabelecida diante de mim, e castigarei todos os seus opressores.
- E o seu príncipe será deles, e o seu governador sairá do meio deles; e o
farei aproximar, e ele se chegará a mim. Pois quem por si mesmo ousaria
chegar-se a mim? diz o Senhor.
- E vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus.
- Eis a tempestade do Senhor! A sua indignação já saiu, uma tempestade
varredora; cairá cruelmente sobre a cabeça dos impios.
- Não retrocederá o furor da ira do Senhor, até que ele tenha executado, e
até que tenha cumprido os desígnios do seu coração. Nos últimos dias
entendereis isso.
- Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de todas as famílias de Israel,
e elas serão o meu povo.
- Assim diz o Senhor: O povo que escapou da espada achou graça no deserto.
Eu irei e darei descanso a Israel.
- De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei,
também com benignidade te atraí.
- De novo te edificarei, e serás edificada ó virgem de Israel! ainda serás
adornada com os teus adufes, e sairás nas danças dos que se alegram.
- Ainda plantarás vinhas nos montes de Samária; os plantadores plantarão e
gozarão dos frutos.
- Pois haverá um dia em que gritarão os vigias sobre o monte de Efraim:
Levantai-vos, e subamos a Sião, ao Senhor nosso Deus.
- Pois assim diz o Senhor: Cantai sobre Jacó com alegria, e exultai por
causa da principal das nações; proclamai, cantai louvores, e dizei: Salva,
Senhor, o teu povo, o resto de Israel.
- Eis que os trarei da terra do norte e os congregarei das extremidades da
terra; e com eles os cegos e aleijados, as mulheres grávidas e as de parto
juntamente; em grande companhia voltarão para cá.
- Virão com choro, e com súplicas os levarei; guiá-los-ei aos ribeiros de
águas, por caminho direito em que não tropeçarão; porque sou um pai para
Israel, e Efraim é o meu primogênito.
- Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai-a nas longinquas terras
maritimas, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e o guardará,
como o pastor ao seu rebanho.
- Pois o Senhor resgatou a Jacó, e o livrou da mão do que era mais forte do
que ele.
- E virão, e cantarão de júbilo nos altos de Sião, e ficarão radiantes pelos
bens do Senhor, pelo trigo, o mosto, e o azeite, pelos cordeiros e os
bezerros; e a sua vida será como um jardim regado, e nunca mais
desfalecerão.
- Então a virgem se alegrará na dança, como também os mancebos e os velhos
juntamente; porque tornarei o seu pranto em gozo, e os consolarei, e lhes
darei alegria em lugar de tristeza.
- E saciarei de gordura a alma dos sacerdotes, e o meu povo se fartará dos
meus bens, diz o Senhor.
- Assim diz o Senhor: Ouviu-se um clamor em Ramá, lamentação e choro amargo.
Raquel chora a seus filhos, e não se deixa consolar a respeito deles, porque
já não existem.
- Assim diz o Senhor: Reprime a tua voz do choro, e das lágrimas os teus
olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o Senhor, e eles voltarão
da terra do imimigo.
- E há esperança para o teu futuro, diz o Senhor; pois teus filhos voltarão
para os seus termos.
- Bem ouvi eu que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me e fui
castigado, como novilho ainda não domado; restaura-me, para que eu seja
restaurado, pois tu és o Senhor meu Deus.
- Na verdade depois que me desviei, arrependi-me; e depois que fui
instruído, bati na minha coxa; fiquei confundido e envergonhado, porque
suportei o opróbrio da minha mocidade.
- Não é Efraim meu filho querido? filhinho em quem me deleito? Pois quantas
vezes falo contra ele, tantas vezes me lembro dele solicitamente; por isso se
comovem por ele as minhas entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o
Senhor.
- Põe-te marcos, faze postes que te guiem; dirige a tua atenção à estrada,
ao caminho pelo qual foste; regressa, ó virgem de Israel, regressa a estas
tuas cidades.
- Até quando andarás errante, ó filha rebelde? pois o senhor criou uma coisa
nova na terra: uma mulher protege a um varão.
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ainda dirão esta
palavra na terra de Judá, e nas suas cidades, quando eu acabar o seu
cativeiro: O Senhor te abençoe, ó morada de justiça, ó monte de
santidade!
- E nela habitarão Judá, e todas as suas cidades juntamente; como também os
lavradores e os que pastoreiam os rebanhos.
- Pois saciarei a alma cansada, e fartarei toda alma desfalecida.
- Nisto acordei, e olhei; e o meu sono foi doce para mim.
- Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que semearei de homens e de animais
a casa de Israel e a casa de Judá.
- E será que, como vigiei sobre eles para arrancar e derribar, para
transtornar, destruir, e afligir, assim vigiarei sobre eles para edificar e
para plantar, diz o Senhor.
- Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos
filhos se embotaram.
- Pelo contrário, cada um morrerá pela sua própria iniqüidade; de todo homem
que comer uvas verdes, é que os dentes se embotarão.
- Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa
de Israel e com a casa de Judá,
- não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela
mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram,
apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
- Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias,
diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu
coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
- E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão,
dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles
até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me
lembrarei mais dos seus pecados.
- Assim diz o Senhor, que dá o sol para luz do dia, e a ordem estabelecida
da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, de modo que bramem
as suas ondas; o Senhor dos exércitos é o seu nome:
- Se esta ordem estabelecida falhar diante de mim, diz o Senhor, deixará
também a linhagem de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.
- Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados
os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a linhagem de
Israel, por tudo quanto eles têm feito, diz o Senhor.
- Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que esta cidade será reedificada
para o Senhor, desde a torre de Hananel até a porta da esquina.
- E a linha de medir estender-se-á para diante, até o outeiro de Garebe, e
dará volta até Goa.
- E o vale inteiro dos cadáveres e da cinza, e todos os campos até o ribeiro
de Cedrom, até a esquina da porta dos cavalos para o oriente, tudo será santo
ao Senhor; nunca mais será arrancado nem derribado.
- A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, no ano décimo de
Zedequias, rei de Judá, o qual foi o ano dezoito de Nabucodonozor.
- Ora, cercava então o exército do rei de Babilônia a Jerusalém; e Jeremias,
o profeta, se achava encerrado no pátio da guarda que estava na casa do rei de
Judá;
- pois Zedequias, rei de Judá, o havia encarcerado, dizendo: Por que
profetizas , dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que entrego esta cidade na mão
do rei de Babilônia, e ele a tomará;
- e Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus, mas
certamente será entregue na mão do rei de Babilônia, e com ele falará boca a
boca, e os seus olhos verão os olhos dele;
- e ele levará para Babilônia a Zedequias, que ali estará até que eu o
visite, diz o Senhor, e, ainda que pelejeis contra os caldeus, não
ganhareis?
- Disse pois Jeremias: Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
- Eis que Hanamel, filho de Salum, teu tio, virá a ti, dizendo: Compra o meu
campo que está em Anatote, pois tens o direito de resgate; a ti compete
comprá-lo.
- Veio, pois, a mim Hanamel, filho de meu tio, segundo a palavra do Senhor,
ao pátio da guarda, e me disse: Compra o meu campo que está em Anatote, na
terra de Benjamim; porque teu é o direito de herança e teu é o de resgate;
compra-o para ti. Então entendi que isto era a palavra do Senhor.
- Comprei, pois, de Hanamel, filho de meu tio, o campo que está em Anatote;
e pesei-lhe o dinheiro, dezessete siclos de prata.
- Assinei a escritura e a selei, chamei testemunhas, e pesei-lhe o dinheiro
numa balança.
- E tomei a escritura da compra, que continha os termos e as condições,
tanto a que estava selada, como a cópia que estava aberta,
- e as dei a Baruque, filho de Nerias, filho de Maséias, na presença de
Hanamel, filho de meu tio, e na presença das testemunhas que subscreveram a
escritura da compra, à vista de todos os judeus que estavam sentados no pátio
da guarda.
- E dei ordem a Banique, na presença deles, dizendo:
- Assim diz o Senbor dos exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras
de compra, tanto a selada, como a aberta, e mete-as num vaso de barro, para
que se possam conservar muitos dias;
- pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Ainda se
comprarão casas, e campos, e vinhas nesta terra.
- E depois que dei a escritura da compra a Banique, filho de Nerias, orei ao
Senhor, dizendo:
- Ah! Senhor Deus! És tu que fizeste os céus e a terra com o teu grande
poder, e com o teu braço estendido! Nada há que te seja demasiado
difícil!
- Usas de benignidade para com milhares e tornas a iniqüidade dos pais ao
seio dos filhos depois deles; tu és o grande, o poderoso Deus cujo nome é o
Senhor dos exércitos.
- Grande em conselho, e poderoso em obras, cujos olhos estão abertos sobre
todos os caminhos dos filhos dos homens, para dares a cada um segundo os seus
caminhos e segundo o fruto das suas obras;
- puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até o dia de hoje, tanto em
Israel, como entre os outros homens; e te fizeste um nome, qual tu tens neste
dia.
- E tiraste o teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e com
maravilhas, e com mão forte, e com braço estendido, e com grande terror;
- e lhes deste esta terra, que juraste a seus pais que lhes havias de dar,
terra que mana leite e mel.
- E entraram nela, e a possuíram; mas não obedeceram à tua voz, nem andaram
na tua lei; de tudo o que lhes mandaste fazer, eles não fizeram nada; pelo que
ordenaste lhes sucedesse todo este mal.
- Eis aqui os valados! já vieram contra a cidade para tomá-la e a cidade
está entregue na mão dos caldeus que pelejam contra ela, pela espada, pela
fome e pela peste. O que disseste se cumpriu, e eis aqui o estás
presenciando.
- Contudo tu me disseste, ó Senhor Deus: Compra-te o campo por dinheiro, e
chama testemunhas, embora a cidade já esteja dada na mão dos caldeus:
- Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
- Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne; acaso há alguma coisa
demasiado difícil para mim?
- Portanto assim diz o Senhor: Eis que eu entrego esta cidade na mão dos
caldeus, e na mão de Nabucodonozor, rei de Babilônia, e ele a tomará.
- E os caldeus que pelejam contra esta cidade entrarão nela, e lhe porão
fogo, e a queimarão, juntamente com as casas sobre cujos terraços queimaram
incenso a Baal e ofereceram libações a outros deuses, para me provocarem a
ira.
- Pois os filhos de Israel e os filhos de Judá têm feito desde a sua
mocidade tão somente o que era mau aos meus olhos; pois os filhos de Israel
nada têm feito senão provocar-me à ira com as obras das suas mãos, diz o
Senhor.
- Na verdade esta cidade, desde o dia em que a edificaram e até o dia de
hoje, tem provocado a minha ira e o meu furor, de sorte que eu a removerei de
diante de mim,
- por causa de toda a maldade dos filhos de Israel e dos filhos de Judá, que
fizeram para me provocarem à ira, eles e os seus reis, os seus príncipes, os
seus sacerdotes e os seus profetas, como também os homens de Judá e os
moradores de Jerusalém.
- E viraram para mim as costas, e não o rosto; ainda que eu os ensinava, com
insistência, eles não deram ouvidos para receberem instrução.
- Mas puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para a
profanarem.
- Também edificaram os altos de Baal, que estão no vale do filho de Hinom,
para fazerem passar seus filhos e suas filhas pelo fogo a Moloque; o que nunca
lhes ordenei, nem me passou pela mente, que fizessem tal abominação, para
fazerem pecar a Judá.
- E por isso agora assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca desta
cidade, da qual vós dizeis: Já está dada na mão do rei de Babilônia, pela
espada, e pela fome, e pela peste:
- Eis que eu os congregarei de todos os países para onde os tenho lançado na
minha ira, e no meu furor e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer
a este lugar, e farei que habitem nele seguramente.
- E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
- E lhes darei um só coração, e um só caminho, para que me temam para
sempre, para seu bem e o bem de seus filhos, depois deles;
- e farei com eles um pacto eterno de não me desviar de fazer-lhes o bem; e
porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.
- E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes o bem; e os plantarei nesta
terra, com toda a fidelidade do meu coração e da minha alma.
- Pois assim diz o Senhor: Como eu trouxe sobre este povo todo este grande
mal, assim eu trarei sobre eles todo o bem que lhes tenho prometido.
- E comprar-se-ão campos nesta terra, da qual vós dizeis: E uma desolação,
sem homens nem animais; está entregue na mão dos caldeus.
- Comprarão campos por dinheiro, assinarão escrituras e as selarão, e
chamarão testemunhas, na terra de Benjamim, e nos lugares ao redor de
Jerusalém, e nas cidades de Judá e nas cidades da região montanhosa, e nas
cidades das planícies e nas cidades do Sul porque os farei voltar do
cativeiro, diz o Senhor.
- E veio a palavra do Senhor a Jeremias, segunda vez, estando ele ainda
encarcerado no pátio da guarda, dizendo:
- Assim diz o Senhor que faz isto, o Senhor que forma isto, para o
estabelecer; o Senhor é o seu nome.
- Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas,
que não sabes.
- Pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca das casas desta cidade,
e acerca das casas dos reis de Judá, que foram demolidas para fazer delas uma
defesa contra os valados e contra a espada;
- entrementes os caldeus estão entrando a pelejar para os encher de
cadáveres de homens que ferirei na minha ira e no meu furor; porquanto escondi
o meu rosto desta cidade, por causa de toda a sua maldade.
- Eis que lhe trarei a ela saúde e cura, e os sararei, e lhes manifestarei
abundância de paz e de segurança.
- E farei voltar do cativeiro os exilados de Judá e de Israel, e os
edificarei como ao princípio.
- E os purificarei de toda a iniqüidade do seu pecado contra mim; e
perdoarei todas as suas iniqüidades, com que pecaram e transgrediram contra
mim.
- E esta cidade me servirá de nome de gozo, de louvor e de glória, diante de
todas as nações da terra que ouvirem de todo o bem que eu lhe faço; e
espantar-se-ão e perturbar-se-ão por causa de todo o bem, e por causa de toda
a paz que eu lhe dou.
- Assim diz o Senhor: Neste lugar do qual vós dizeis: E uma desolação, sem
homens nem animais, sim, nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, que
estão assoladas, sem homens, sem moradores e sem animais, ainda se
ouvira
- a voz de gozo e a voz de alegria, a voz de noivo e a voz de noiva, e a voz
dos que dizem: Dai graças ao Senhor dos exércitos, porque bom é o Senhor,
porque a sua benignidade dura para sempre; também se ouvirá a voz dos que
trazem à casa do Senhor sacrifícios de ação de graças. Pois farei voltar a
esta terra os seus exilados como no princípio, diz o Senhor.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Ainda neste lugar, que está deserto, sem
homens, e sem animais, e em todas as suas cidades, haverá uma morada de
pastores que façam repousar aos seus rebanhos.
- Nas cidades da região montanhosa, nas cidades das planícies, e nas cidades
do sul, e na terra de Benjamim, e nos contornos de Jerusalém, e nas cidades de
Judá, ainda passarão os rebanhos pelas mãos dos contadores, diz o
Senhor.
- Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que cumprirei a boa palavra que
falei acerca da casa de Israel e acerca da casa de Judá.
- Naqueles dias e naquele tempo farei que brote a Davi um Renovo de justiça;
ele executará juízo e justiça na terra.
- Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará em segurança; e este é
o nome que lhe chamarão: O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA.
- Pois assim diz o Senhor: Nunca faltará a Davi varão que se assente sobre o
trono da casa de Israel;
- nem aos sacerdotes levíticos faltará varão diante de mim para oferecer
holocaustos, e queimar ofertas de cereais e oferecer sacrifícios
continuamente.
- E veio a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
- Assim diz o Senhor: se puderdes invalidar o meu pacto com o dia, e o meu
pacto com a noite, de tal modo que não haja dia e noite a seu tempo,
- também se poderá invalidar o meu pacto com Davi, meu servo, para que não
tenha filho que reine no seu trono; como também o pacto com os sacerdotes
levíticos, meus ministros.
- Assim como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do
mar, assim multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas, que
ministram diante de mim.
- E veio ainda a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
- Acaso não observaste o que este povo está dizendo: As duas famílias que o
Senhor escolheu, agora as rejeitou? Assim desprezam o meu povo, como se não
fora um povo diante deles.
- Assim diz o Senhor: Se o meu pacto com o dia e com a noite não permanecer,
e se eu não tiver determinado as ordenanças dos céus e da terra,
- também rejeitarei a descendência de Jacó, e de Davi, meu servo, de modo
que não tome da sua descendência os que dominem sobre a descendência de
Abraão, Isaque, e Jacó; pois eu os farei voltar do seu cativeiro, e
apiedar-me-ei deles.
- A palavra que da parte do Senhor veio a Jeremias, quando Nabucodonozor,
rei de Babilônia, e todo o seu exército, e todos os reinos da terra que
estavam sob o domínio da sua mão, e todos os povos, pelejavam contra
Jerusalém, e contra todas as suas cidades, dizendo:
- Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Vai, e fala a Zedequias, rei de Judá,
e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Eis que estou prestes a entregar esta cidade
na mão do rei de Babilônia, o qual a queimará a fogo.
- E tu não escaparás da sua mão; mas certamente serás preso e entregue na
sua mão; e teus olhos verão os olhos do rei de Babilônia, e ele te falará boca
a boca, e irás a Babilônia.
- Todavia ouve a palavra do Senhor, ó Zedequias, rei de Judá; assim diz o
Senhor acerca de ti: Não morrerás à espada;
- em paz morrerás, e como queimavam perfumes a teus pais, os reis
precedentes, que foram antes de ti, assim tos queimarão a ti; e te prantearão,
dizendo: Ah Senhor! Pois eu disse a palavra, diz o Senhor.
- E anunciou Jeremias, o profeta, a Zedequias, rei de Judá, todas estas
palavras, em Jerusalém,
- quando o exército do rei de Babilônia pelejava contra Jerusalém, e contra
todas as cidades de Judá, que ficaram de resto, contra Laquis e contra Azeca;
porque dentre as cidades de Judá, só estas haviam ficado como cidades
fortificadas.
- A palavra que da parte do Senhor veio a Jeremias, depois que o rei
Zedequias fez um pacto com todo o povo que estava em Jerusalém, para lhe fazer
proclamação de liberdade,
- para que cada um libertasse o seu escravo, e cada um a sua escrava, hebreu
ou hebréia, de maneira que ninguém se servisse mais dos judeus, seus irmãos,
como escravos.
- E obedeceram todos os príncipes e todo o povo que haviam entrado no pacto
de libertarem cada qual o seu escravo, e cada qual a sua escrava, de maneira a
não se servirem mais deles, sim, obedeceram e os libertaram.
- Mas depois se arrependeram, e fizeram voltar os escravos e as escravas que
haviam libertado, e tornaram a escravizá-los.
- Veio, pois, a palavra do Senhor a Jeremias, da parte do Senhor,
dizendo:
- Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Eu fiz um pacto com vossos pais, no
dia em que os tirei da terra do Egito, da casa da servidão, dizendo:
- Ao fim de sete anos libertareis cada um a seu irmão hebreu, que te for
vendido, e te houver servido seis anos, e despedi-lo-ás livre de ti; mas
vossos pais não me ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos.
- E vos havíeis hoje arrependido, e tínheis feito o que é reto aos meus
olhos, proclamando liberdade cada um ao seu próximo; e tínheis feito diante de
mim um pacto, na casa que se chama pelo meu nome;
- mudastes, porém, e profanastes o meu nome, e fizestes voltar cada um o seu
escravo, e cada um a sua escrava, que havíeis deixado ir livres à vontade
deles; e os sujeitastes de novo à servidão.
- Portanto assim diz o Senhor: Vós não me ouvistes a mim, para proclamardes
a liberdade, cada um ao seu irmão, e cada um ao seu próximo. Eis, pois, que eu
vos proclamo a liberdade, diz o Senhor, para a espada, para a peste e para a
fome; e farei que sejais um espetáculo de terror a todos os reinos da
terra.
- Entregarei os homens que traspassaram o meu pacto, e não cumpriram as
palavras do pacto que fizeram diante de mim com o bezerro que dividiram em
duas partes, passando pelo meio das duas porções -
- os príncipes de Judá, os príncipes de Jerusalém, os eunucos, os
sacerdotes, e todo o povo da terra, os mesmos que passaram pelo meio das
porções do bezerro,
- entregá-los-ei, digo, na mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a
sua morte. Os cadáveres deles servirão de pasto para as aves do céu e para os
animais da terra.
- E a Zedequias, rei de Judá, e seus príncipes entregarei na mão de seus
inimigos e na mão dos que procuram a sua morte, e na mão do exército do rei de
Babilônia, os quais já se retiraram de vós.
- Eis que eu darei ordem, diz o Senhor, e os farei tornar a esta cidade, e
pelejarão contra ela, e a tomarão, e a queimarão a fogo; e das cidades de Judá
farei uma assolação, de sorte que ninguém habite nelas.
- A palavra que da parte do Senhor veio a Jeremias, nos dias de Jeoiaquim,
filho de Josias, rei de Judá, dizendo:
- Vai à casa dos recabitas, e fala com eles, introduzindo-os na casa do
Senhor, em uma das câmaras, e lhes oferece vinho a beber.
- Então tomei a Jaazanias, filho de Jeremias, filho de Habazínias, e a seus
irmãos, e a todos os seus filhos, e a toda a casa dos recabitas,
- e os introduzi na casa do Senhor, na câmara dos filhos de Hanã, filho de
Jigdalias, homem de Deus, a qual estava junto à câmara dos príncipes que
ficava sobre a câmara de Maaséias, filho de Salum, guarda do vestíbulo;
- e pus diante dos filhos da casa dos recabitas taças cheias de vinho, e
copos, e disse-lhes: Bebei vinho.
- Eles, porém, disseram: Não beberemos vinho, porque Jonadabe, filho de
Recabe, nosso pai, nos ordenou, dizendo: Nunca jamais bebereis vinho, nem vós
nem vossos filhos;
- não edificareis casa, nem semeareis semente, nem plantareis vinha, nem a
possuireis; mas habitareis em tendas todos os vossos dias; para que vivais
muitos dias na terra em que andais peregrinando.
- Obedecemos pois à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso pai, em tudo
quanto nos ordenou, de não bebermos vinho em todos os nossos dias, nem nós,
nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas;
- nem de edificarmos casas para nossa habitação; nem de possuirmos vinha,
nem campo, nem semente;
- mas habitamos em tendas, e assim obedecemos e fazemos conforme tudo quanto
nos ordenou Jonadabe, nosso pai.
- Sucedeu, porém, que, quando subia Nabucodonozor, rei de Babilônia, contra
esta terra, dissemos: Vinde, e vamo-nos a Jerusalém, por causa do exército dos
caldeus, e por causa do exército dos sírios; e assim habitamos em
Jerusalém.
- Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, dizendo:
- Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Vai, e dize aos homens
de Judá e aos moradores de Jerusalém: Acaso não aceitareis instrução, para
ouvirdes as minhas palavras? diz o Senhor.
- As palavras de Jonadabe, filho de Recabe, pelas quais ordenou a seus
filhos que não bebessem vinho, foram guardadas; pois não o têm bebido até o
dia de hoje, porque obedecem o mandamento de seu pai; a mim, porém, que vos
tenho falado a vós, com insistência, vós não me ouvistes.
- Também vos tenho enviado, insistentemente, todos os meus servos, os
profetas, dizendo: Convertei-vos agora, cada um do seu mau caminho, e emendai
as vossas ações, e não vades após outros deuses para os servir, e assim
habitareis na terra que vos dei a vós e a vossos pais; mas não inclinastes o
vosso ouvido, nem me obedecestes a mim.
- Os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, guardaram o mandamento de seu pai
que ele lhes ordenou, mas este povo não me obedeceu;
- por isso assim diz o Senhor, o Deus dos exércitos, o Deus de Israel: Eis
que trarei sobre Judá, e sobre todos os moradores de Jerusalem, todo o mal que
pronunciei contra eles; pois lhes tenho falado, e não ouviram; e clamei a
eles, e não responderam.
- E à casa dos recabitas disse Jeremias: Assim diz o Senhor dos exércitos, o
Deus de Israel: Pois que obedecestes ao mandamento de Jonadabe, vosso pai,
guardando todos os seus mandamentos e fazendo conforme tudo quanto vos
ordenou;
- portanto assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de tsrael: Nunca jamais
faltará varão a Jonadabe, filho de Recabe, que assista diante de mim.
- Sucedeu pois no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, que
da parte do Senhor veio esta palavra a Jeremias, dizendo:
- Toma o rolo dum livro, e escreve nele todas as palavras que te hei falado
contra Israel, contra Judá e contra todas as nações, desde o dia em que eu te
falei, desde os dias de Josias até o dia de hoje.
- Ouvirão talvez os da casa de Judá todo o mal que eu intento fazer-lhes;
para que cada qual se converta do seu mau caminho, a fim de que eu perdoe a
sua iniqüidade e o seu pecado.
- Então Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias; e escreveu Baruque, no
rolo dum livro, enquanto Jeremias lhas ditava, todas as palavras que o Senhor
lhe havia falado.
- E Jeremias deu ordem a Banique, dizendo: Eu estou impedido; não posso
entrar na casa do Senhor.
- Entra pois tu e, pelo rolo que escreveste enquanto eu ditava, lê as
palavras do Senhor aos ouvidos do povo, na casa do Senhor, no dia de jejum; e
também as lerás aos ouvidos de todo o Judá que vem das suas cidades.
- Pode ser que caia a sua súplica diante do Senhor, e se converta cada um do
seu mau caminho; pois grande é a ira e o furor que o Senhor tem manifestado
contra este povo.
- E fez Baruque, filho de Nerias, conforme tudo quanto lhe havia ordenado
Jeremias, o profeta, lendo no livro as palavras do Senhor na casa do
Senhor.
- No quinto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, no mês nono,
todo o povo em Jerusalém, como também todo o povo que vinha das cidades de
Judá a Jerusalém, apregoaram um jejum diante do Senhor.
- Leu, pois, Banique no livro as palavras de Jeremias, na casa do Senhor, na
câmara de Gemarias, filho de Safã, o escriba, no átrio superior, à entrada da
porta nova da casa do Senhor, aos ouvidos de todo o povo.
- E, ouvindo Micaías, filho de Gemarias, filho de Safã, todas as palavras do
Senhor, naquele livro,
- desceu à casa do rei, à câmara do escriba. E eis que todos os príncipes
estavam ali assentados: Elisama, o escriba, e Delaías, filho de Semaías, e
Elnatã, filho de Acbor, e Gemarias, filho de Safã, e Zedequias, filho de
Hananias, e todos os outros príncipes.
- E Micaías anunciou-lhes todas as palavras que ouvira, quando Baruque leu o
livro aos ouvidos do povo.
- Então todos os príncipes mandaram Jeúdi, filho de Netanias, filho
Selemias, filho de Cuche, a Baruque, para lhe dizer: O rolo que leste aos
ouvidos do povo, toma-o na tua mão, e vem. E Banique, filho de Nerias, tomou o
rolo na sua mão, e foi ter com eles.
- E disseram-lhe: Assenta-te agora, e lê-o aos nossos ouvidos. E Baruque o
leu aos ouvidos deles.
- Ouvindo eles todas aquelas palavras, voltaram-se temerosos uns para os
outros, e disseram a Banique: Sem dúvida alguma temos que anunciar ao rei
todas estas palavras.
- E disseram a Baruque: Declara-nos agora como escreveste todas estas
palavras. Ele as ditava?
- E disse-lhes Baruque: Sim, da sua boca ele me ditava todas estas palavras,
e eu com tinta as escrevia no livro.
- Então disseram os príncipes a Banique: Vai, esconde-te tu e Jeremias; e
ninguém saiba onde estais.
- E foram ter com o rei ao átrio; mas depositaram o rolo na câmara de
Elisama, o escriba, e anunciaram aos ouvidos do rei todas aquelas
palavras.
- Então enviou o rei a Jeúdi para trazer o rolo; e Jeúdi tomou-o da câmara
de Elisama, o escriba, e o leu aos ouvidos do rei e aos ouvidos de todos os
príncipes que estavam em torno do rei.
- Ora, era o nono mês e o rei estava assentado na casa de inverno, e diante
dele estava um braseiro aceso.
- E havendo Jeúdi lido três ou quatro colunas, o rei as cortava com o
canivete do escrivão, e as lançava no fogo que havia no braseiro, até que todo
o rolo se consumiu no fogo que estava sobre o braseiro.
- E não temeram, nem rasgaram os seus vestidos, nem o rei nem nenhum dos
seus servos que ouviram todas aquelas palavras
- e, posto que Elnatã, Delaías e Gema rias tivessem insistido com o rei que
não queimasse o rolo, contudo ele não lhes deu ouvidos.
- Antes deu ordem o rei a Jerameel, filho do rei, e a Seraías, filho de
Azriel, e a Selemias, filho de Abdeel, que prendessem a Baruque, o escrivão, e
a Jeremias, o profeta; mas o Senhor os escondera.
- Depois que o rei queimara o rolo com as palavras que Banique escrevera da
boca de Jeremias, veio a Jeremias a palavra do Senhor, dizendo:
- Toma ainda outro rolo, e escreve nele todas aquelas palavras que estavam
no primeiro rolo, que Jeoiaquim, rei de Judá, queimou.
- E a Jeoiaquim, rei de Judá, dirás: Assim diz o Senhor: Tu queimaste este
rolo, dizendo: Por que escreveste nele anunciando: Certamente virá o rei da
Babilônia, e destruirá esta terra e fará cessar nela homens e animais?,
- Portanto assim diz o Senhor acerca de Jeoiaquim, rei de Judá: Não terá
quem se assente sobre o trono de Davi, e será lançado o seu cadáver ao calor
de dia, e à geada de noite.
- E castigá-lo-ei a ele, e a sua descendência e os seus servos, por causa da
sua iniqüidade; e trarei sobre ele e sobre os moradores de Jerusalém, e sobre
os homens de Judá, todo o mal que tenho pronunciado contra eles, e que não
ouviram.
- Tomou, pois, Jeremias outro rolo, e o deu a Baruque, filho de Nerias, o
escrivão, o qual escreveu nele, enquanto Jeremias ditava, todas as palavras do
livro que Jeoiaquim, rei de Judá, tinha queimado no fogo; e ainda se lhes
acrescentaram muitas palavras semelhantes.
- E Zedequias, filho de Josias, a quem Nabucodonozor, rei de Babilônia,
constituiu rei na terra de Judá, reinou em lugar de Conias, filho de
Jeoiaquim.
- Mas nem ele, nem os seus servos, nem o povo da terra escutaram as palavras
do Senhor que este falou por intermédio de Jeremias o profeta.
- Contudo mandou o rei Zedequias a Jeucal filho de Selemias, e a Sofonias,
filho de Maaséias, o sacerdote, ao profeta Jeremias, para lhe dizerem: Roga
agora por nós ao Senhor nosso Deus,
- Ora, Jeremias entrava e saía entre o povo; pois ainda não o tinham
encerrado na prisão.
- E o exército de Faraó saíra do Egito; quando, pois, os caldeus que estavam
sitiando Jerusalém, ouviram esta notícia, retiraram-se de Jerusalém.
- Então veio a Jeremias, o profeta, a palavra do Senhor, dizendo:
- Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Assim direis ao rei de Judá, que vos
enviou a mim, para me consultar: Eis que o exército de Faraó, que saiu em
vosso socorro, voltará para a sua terra no Egito.
- E voltarão os caldeus, e pelejarão contra esta cidade, e a tomarão, e a
queimarão a fogo.
- Assim diz o Senhor: Não vos enganeis a vós mesmos, dizendo: Sem dúvida os
caldeus se retirarão de nós; pois não se retirarão.
- Porque ainda que derrotásseis a todo o exército dos caldeus que peleja
contra vós, e entre eles só ficassem homens feridos, contudo se levantariam,
cada um na sua tenda, e queimariam a fogo esta cidade.
- Ora, quando se retirou de Jerusalém o exército dos caldeus, por causa do
exército de Iearaó,
- saiu Jeremias de Jerusalém, a fim de ir à terra de Benjamim, para receber
ali a sua parte no meio do povo.
- E quando ele estava à porta de Benjamim, achava-se ali um capitão da
guarda, cujo nome era Jurias, filho de Selemias, filho de Hananias, o qual
prendeu a Jeremias, o profeta, dizendo: Tu estás desertando para os
caldeus.
- E Jeremias disse: Isso é falso, não estou desertando para os caldeus. Mas
ele não lhe deu ouvidos, de modo que prendeu a Jeremias e o levou aos
príncipes.
- E os príncipes ficaram muito irados contra Jeremias, de sorte que o
açoitaram e o meteram no cárcere, na casa de Jônatas, o escrivão, porquanto a
tinham transformado em cárcere.
- Tendo Jeremias entrado nas celas do calabouço, e havendo ficado ali muitos
dias,
- o rei Zedequias mandou soltá-lo e lhe perguntou em sua casa, em segredo:
Há alguma palavra da parte do Senhor? Respondeu Jeremias: Há. E acrescentou:
Na mão do rei de Babilônia serás entregue.
- Disse mais Jeremias ao rei Zedequias: Em que tenho pecado contra ti, e
contra os teus servos, e contra este povo, para que me pusésseis na
prisão?
- Onde estão agora os vossos profetas que vos profetizavam, dizendo: O rei
de Babilônia não virá contra vós nem contra esta terra?
- Ora, pois, ouve agora, ó rei, meu senhor: seja aceita agora a minha
súplica diante de ti; não me faças tornar à casa de Jônatas, o escriba, para
que eu não venha a morrer ali.
- Então ordenou o rei Zedequias que pusessem a Jeremias no átrio da guarda;
e deram-lhe um bolo de pão cada dia, da rua dos padeiros, até que se gastou
todo o pão da cidade. Assim ficou Jeremias no átrio da guarda.
- Ouviram, pois, Sefatias, filho de Matã, e Gedalias, filho de Pasur, e
Jeucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, as palavras que
anunciava Jeremias a todo o povo, dizendo:
- Assim diz o Senhor: O que ficar nesta cidade morrerá à espada, de fome e
de peste; mas o que sair para os caldeus viverá; pois a sa vida lhe será por
despojo, e vivera.
- Assim diz o Senhor: Esta cidade infalivelmente será entregue na mão do
exército do rei de Babilônia, e ele a tomará.
- E disseram os príncipes ao rei: Morra este homem, visto que ele assim
enfraquece as mãos dos homens de guerra que restam nesta cidade, e as mãos de
todo o povo, dizendo-lhes tais palavras; porque este homem não busca a paz
para este povo, porem o seu mal.
- E disse o rei Zedequias: Eis que ele está na vossa mão; porque não é o rei
que possa coisa alguma contra vós.
- Então tomaram a Jeremias, e o lançaram na cisterna de Malquias, filho do
rei, que estava no átrio da guarda; e desceram Jeremias com cordas; mas na
cisterna não havia água, senão lama, e atolou-se Jeremias na lama.
- Quando Ebede-Meleque, o etíope, um eunuco que então estava na casa do rei,
ouviu que tinham metido Jeremias na cisterna, o rei estava assentado à porta
de Benjamim.
- Saiu, pois, Ebede-Meleque da casa do rei, e falou ao rei, dizendo:
- o rei, senhor meu, estes homens fizeram mal em tudo quanto fizeram a
Jeremias, o profeta, lançando-o na cisterna; de certo morrerá no lugar onde se
acha, por causa da fome, pois não há mais pão na cidade.
- Deu ordem, então, o rei a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Toma contigo
daqui três homens, e tira Jeremias, o profeta, da cisterna, antes que
morra.
- Assim Ebede-Meleque tomou consigo os homens, e entrou na casa do rei,
debaixo da tesouraria, e tomou dali uns trapos velhos e rotos, e roupas
velhas, e desceu-os a Jeremias na cisterna por meio de cordas.
- E disse Ebede-Meleque, o etíope, a Jeremias: Poe agora estes trapos velhos
e rotos, debaixo dos teus sovacos, entre os braços e as cordas. E Jeremias
assim o fez.
- E tiraram Jeremias com as cordas, e o alçaram da cisterna; e ficou
Jeremias no átrio da guarda.
- Então mandou o rei Zedequias e fez vir à sua presença Jeremias, o profeta,
à terceira entrada do templo do Senhor; e disse o rei a Jeremias: Vou
perguntar-te uma coisa; não me encubras nada.
- E disse Jeremias a Zedequias: Se eu ta declarar, acaso não me matarás? E
se eu te aconselhar, não me ouvirás.
- Então jurou o rei Zedequias a Jeremias, em segredo, dizendo: Vive o
Senhor, que nos fez esta alma, que não te matarei nem te entregarei na mão
destes homens que procuram a tua morte.
- Então Jeremias disse a Zedequias: Assim diz o Senhor, Deus dos exércitos,
Deus de Israel: Se te renderes aos príncipes do rei de Babilônia, será poupada
a tua vida, e esta cidade não se queimará a fogo, e viverás tu e a tua
casa.
- Mas, se não saíres aos príncipes do rei de Babilônia, então será entregue
esta cidade na mão dos caldeus, e eles a queimarão a fogo, e tu não escaparás
da sua mão.
- E disse o rei Zedequias a Jeremias: Receio-me dos judeus que se passaram
para os caldeus, que seja entregue na mão deles, e escarneçam de mim.
- Jeremias, porém, disse: Não te entregarão. Ouve, peço-te, a voz do Senhor,
conforme a qual eu te falo; e bem te irá, e poupar-se-á a tua vida.
- Mas, se tu recusares sair, esta é a palavra que me mostrou o Senhor:
- Eis que todas as mulheres que ficaram na casa do rei de Judá serão levadas
aos príncipes do rei de Babilônia, e elas mesmas dirão: Os teus pacificadores
te incitaram e prevaleceram contra ti; e agora que se atolaram os teus pés na
lama, voltaram atrás.
- Todas as tuas mulheres e os teus filhos serão levados para fora aos
caldeus; e tu não escaparás da sua mão, mas pela mão do rei de Babilônia serás
preso, e esta cidade será queimada a fogo.
- Então disse Zedequias a Jeremias: Ninguém saiba estas palavras, e não
morrerás.
- Se os príncipes ouvirem que falei contigo, e vierem ter contigo e te
disserem: Declara-nos agora o que disseste ao rei e o que o rei te disse; não
no-lo encubras, e não te mataremos;
- então lhes dirás: Eu lancei a minha súplica diante do rei, que não me
fizesse tornar à casa de Jônatas, para morrer ali.
- Então vieram todos os principes a Jeremias, e o interrogaram; e ele lhes
respondeu conforme todas as palavras que o rei lhe havia ordenado; assim
cessaram de falar com ele, pois a coisa não foi percebida.
- E ficou Jeremias no átrio da guarda, até o dia em que Jerusalém foi
tomada.
- No ano nono de Zedequias, rei de Judá, no décimo mês, veio Nabucodonozor,
rei de Babilônia, e todo o seu exército contra Jerusalém, e a cercaram.
- No ano undécimo de Zedequias, no quarto mês, aos nove do mês, fez-se uma
brecha na cidade.
- E entraram todos os príncipes do rei de Babilônia, e sentaram-se na porta
do meio, os quais eram Nergal-Sarezer, Sangar-Nebo, Sarsequim, Rabe-Sáris
Nergal Sarezer, Rabe-Maque, juntamente, com todo o resto dos principes do rei
de Babilônia
- E sucedeu que, vendo-os Zedequias, rei de Judá, e todos os homens de
guerra, fugiram, saindo da cidade de noite pelo caminho do jardim do rei, pela
porta entre os dois muros; e seguiram pelo caminho da Arabá.
- Mas o exército dos caldeus os perseguiu; e eles alcançaram a Zedequias nas
campinas de Jericó; e, prendendo-o, levaram-no a Nabucodonozor rei de
Babilônia, a Ribla, na terra de Hamate; e o rei o sentenciou.
- E o rei de Babilônia matou os filhos de Zedequias em Ribla, à sua vista;
também matou o rei de Babilônia a todos os nobres de Judá.
- Cegou os olhos a Zedequias, e o atou com cadeias de bronze, para levá-lo a
Babilônia.
- Os caldeus incendiaram a casa do rei e as casas do povo, e derribaram os
muros de Jerusalém.
- Então, ao resto do povo, que ficara na cidade, aos desertores que se
tinham passado para ele e ao resto do povo que havia ficado, levou-os
Nebuzaradão, capitão da guarda, para Babilônia.
- Mas aos pobres dentre o povo, que não tinham nada, Nebuzaradão, capitão da
guarda, deixou-os ficar na terra de Judá; e ao mesmo tempo lhes deu vinhas e
campos.
- Ora Nabucodonozor, rei de Babilônia, havia ordenado acerca de Jeremias, a
Nebuzaradão, capitão dos da guarda, dizendo:
- Toma-o, e trata-o bem, e não lhe faças mal algum; mas como ele te disser,
assim procederás para com ele.
- Pelo que Nebuzaradão, capitão da guarda, Nebusazbã, Rabe-Sáris,
Nergal-Sarezer, Rabe-Maeue, e todos os príncipes do rei de Babilônia
- mandaram retirar Jeremias do átrio da guarda, e o entregaram a Gedalias,
filho de Aicão, filho de Safã, para que o levasse para casa; assim ele habitou
entre o povo.
- Ora, a palavra do Senhor viera a Jeremias, estando ele ainda encarcerado
no átrio da guarda, dizendo:
- Vai, e fala a Ebede-Meleque, o etíope, dizendo: Assim diz o Senhor dos
exércitos, Deus de Israel: Eis que eu cumprirei as minhas palavras sobre esta
cidade para mal e não para bem; e se cumprirão diante de ti naquele dia.
- A ti, porém, eu livrarei naquele dia, diz o Senhor, e não serás entregue
na mão dos homens a quem temes.
- Pois certamente te salvarei, e não cairás à espada, mas a tua vida terás
por despojo, porquanto confiaste em mim, diz o Senhor.
- A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, depois que Nebuzaradão,
capitão da guarda, o deixara ir de Ramá, quando o havia tomado, estando ele
atado com cadeias no meio de todos os do cativeiro de Jerusalém e de Judá, que
estavam sendo levados cativos para Babilônia.
- Ora o capitão da guarda levou Jeremias, e lhe disse: O Senhor teu Deus
pronunciou este mal contra este lugar;
- e o Senhor o trouxe, e fez como havia dito; porque pecastes contra o
Senhor, e não obedecestes à sua voz, portanto vos sucedeu tudo isto.
- Agora pois, eis que te solto hoje das cadeias que estão sobre as tuas
mãos. Se te apraz vir comigo para Babilônia, vem, e eu velarei por ti; mas, se
não te apraz vir comigo para Babilônia, deixa de vir. Olha, toda a terra está
diante de ti; para onde te parecer bem e conveniente ir, para ali vai.
- Se assim quiseres, volta a Gedalias, filho de Aicão filho de Safã e a quem
o rei de Babilônia constituiu governador das cidades de Judá, e habita com ele
no meio do povo; ou vai para qualquer outra parte que te aprouver ir. E
deu-lhe o capitão da guarda sustento para o caminho, e um presente, e o deixou
ir.
- Assim veio Jeremias a Gedalias, filho de Aicão, a Mizpá, e habitou com ele
no meio do povo que havia ficado na terra.
- Ouvindo pois todos os chefes das forças que estavam no campo, eles e os
seus homens, que o rei de Babilônia havia constituído a Gedalias, filho de
Aicão, governador da terra, e que lhe havia confiado homens, mulheres e
crianças, os mais pobres da terra, que não foram levados cativos para
Babilônia,
- vieram ter com Gedalias, a Mizpá; e eram: Ismael, filho de Netanias, e
Joanã e Jônatas, filhos de Careá, e Seraías, filho de Tanumete, e os filhos de
Efai, o netofatita, e Jezanias, filho do maacatita, eles e os seus
homens.
- E jurou Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, eles e pos seus homens,
dizendo: Não temais servir aos caldeus; habitai na terra, e servi o rei de
Babilônia, e bem vos erá.
- Quanto a mim, eis que habito em Mizpá, para vos representar diante dos
caldeus que vierem a nós; vós, porém, colhei o vinho e os frutos de verão, e o
azeite, e metei-os nos vossos vasos, e habitai nas vossas cidades, que
tomastes.
- Do mesmo modo, quando todos os judeus que estavam em Moabe, e entre os
filhos de Amom, e em Edom, e os que havia em todos os países, ouviram que o
rei de Babilônia havia deixado um resto em Judá, e que havia posto sobre eles
a Guedalias, o de Aicão, filho de Safã;
- voltaram, então, todos os judeus de todos os lugares para onde foram
arrojados, e vieram para a terra de Judá, a Gedalias, a Mizpá, e colheram
vinho e frutos do verão com muita abundância.
- Joanã, filho de Careá, e todos os chefes das forças que estavam no campo
vieram ter com Gedalias, a Mizpá,
- e disseram-lhe: Sabes que Baalis, rei dos filhos de Amom, enviou a Ismael,
filho de Netanias, para te tirar a vida? Mas não lhes deu crédito Gedalias,
filho de Aicão.
- Todavia Joanã, filho de Careá, falou a Gedalias em segredo, em Mizpá,
dizendo: Deixa, peço-te, que eu vá e mate a Ismael, filho de Netanias, sem que
ninguém o saiba. Por que razão te tiraria ele a vida, de modo que fossem
dispersos todos os judeus que se têm congregado a ti, e perecesse o resto de
Judá?
- Mas disse Gedalias, filho de Aicão, a Joanã, filho de Careá: Não faças tal
coisa; pois falas falsamente contra Ismael.
- Sucedeu, porém, no mês sétimo, que veio Ismael, filho de Netanias, filho
de Elisama, de sangue real, e um dos nobres do rei, e dez homens com ele, a
Gedalias, filho de Aicão, a Mizpá; e eles comeram pão juntos ali em
Mizpá.
- E levantou-se Ismael, filho de Netanias, com os dez homens que estavam com
ele, e feriram a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, à espada, matando
assim aquele que o rei de Babilônia havia posto por governador sobre a
terra.
- Matou também Ismael a todos os judeus que estavam com Gedalias, em Mizpá,
como também aos soldados caldeus que se achavam ali.
- Sucedeu pois no dia seguinte, depois que ele matara a Gedalias, sem
ninguém o saber,
- que vieram de Siquém, de Siló e de Samária, oitenta homens, com a barba
rapada, e os vestidos rasgados e tendo as carnes retalhadas, trazendo nas mãos
ofertas de cereais e incenso, para os levarem à casa do Senhor.
- E, saindo-lhes ao encontro Ismael, filho de Netanias, desde Mizpá, ia
chorando; e sucedeu que, encontrando-os, lhes disse: Vinde a Gedalias, filho
de Aicão.
- Chegando eles, porém, até o meio da cidade, Ismael, filho de Netanias, e
os homens que estavam com ele mataram-nos e os lançaram num poço.
- Mas entre eles se acharam dez homens que disseram a Ismael: Não nos mates
a nós, porque temos escondidos no campo depósitos de trigo, cevada, azeite e
mel. E ele por isso os deixou, e não os matou entre seus irmãos.
- E o poço em que Ismael lançou todos os cadáveres dos homens que matara por
causa de Gedalias é o mesmo que fez o rei Asa, por causa de Baasa, rei de
Israel; foi esse mesmo que Ismael, filho de Netanias, encheu de mortos.
- E Ismael levou cativo a todo o resto do povo que estava em Mizpá: as
filhas do rei, e todo o povo que ficara em Mizpá, que Nebuzaradão, capitão da
guarda, havia confiado a Gedalias, filho de Aicão; e levou-os cativos Ismael,
filho de Netanias, e se foi para passar aos filhos de Amom.
- Ouvindo, porém, Joanã, filho de Careá, e todos os chefes das forças que
estavam com ele, todo o mal que havia feito Ismael, filho de Netanias,
- tomaram todos os seus homens e foram pelejar contra Ismael, filho de
Netanias; e o acharam ao pé das grandes águas que há em Gibeão.
- E todo o povo que estava com Ismael se alegrou quando viu a Joanã, filho
de Careá, e a todos os chefes das forças, que vinham com ele.
- E todo o povo que Ismael levara cativo de Mizpá virou as costas, e voltou,
e foi para Joanã, filho de Careá.
- Mas Ismael, filho de Netanias, com oito homens, escapou de Joanã e se foi
para os filhos de Amom.
- Então Joanã, filho de Careá, e todos os chefes das forças que estavam com
ele, tomaram a todo o resto do povo que Ismael, filho de Netanias, tinha
levado cativo de Mizpá, depois que matara Gedalias, filho de Aicão, a saber,
aos soldados, as mulheres, aos meninos e aos eunucos, que Joanã havia
recobrado de Gibeão,
- e partiram, indo habitar Gerute-Quimã, que está perto de Belém, para dali
entrarem no Egito,
- por causa dos caldeus; pois os temiam, por ter Ismael, filho de Netanias,
matado a Gedalias, filho de Aicão, a quem o rei de Babilônia tinha posto por
governador sobre a terra.
- Então chegaram todos os chefes das forças, e Joanã, filho de Careá, e
Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até o maior,
- e disseram a Jeremias, o profeta: Seja aceita, pedimos-te, a nossa súplica
diante de ti, e roga ao Senhor teu Deus, por nós e por todo este resto; porque
de muitos restamos somente uns poucos, assim como nos vêem os teus
olhos;
- para que o Senhor teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar
e aquilo que havemos de fazer.
- Respondeu-lhes Jeremias o profeta: Eu vos tenho ouvido; eis que orarei ao
Senhor vosso Deus conforme as vossas palavras; e o que o Senhor vos responder,
eu vo-lo declararei; não vos ocultarei nada.
- Então eles disseram a Jeremias: Seja o Senhor entre nós testemunha
verdadeira e fiel, se assim não fizermos conforme toda a palavra com que te
enviar a nós o Senhor teu Deus.
- Seja ela boa, ou seja má, à voz do Senhor nosso Deus, a quem te enviamos,
obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor nosso
Deus.
- Ao fim de dez dias veio a palavra do Senhor a Jeremias.
- Então chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos os chefes das forças que
havia com ele, e a todo o povo, desde o menor até o maior,
- e lhes disse: Assim diz o Senhor, Deus de Israel, a quem me enviastes para
apresentar a vossa súplica diante dele:
- Se de boa mente habitardes nesta terra, então vos edificarei, e não vos
derrubarei; e vos plantarei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do
mal que vos tenho feito.
- Não temais o rei de Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o
Senhor; pois eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua
mão.
- E vos concederei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós, e
vos faça habitar na vossa terra.
- Mas se vós disserdes: Não habitaremos nesta terra; não obedecendo à voz do
Senhor vosso Deus,
- e dizendo: Não; antes iremos para a terra do Egito, onde não veremos
guerra, nem ouviremos o som de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali
habitaremos;
- nesse caso ouvi a palavra do Senhor, ó resto de Judá: Assim diz o Senhor
dos exércitos, Deus de Israel: Se vós de todo vos propuserdes a entrar no
Egito, e entrardes para lá peregrinar,
- então a espada que vós temeis vos alcançará ali na terra do Egito, e a
fome que vós receais vos seguirá de perto mesmo no Egito, e ali
morrereis.
- Assim sucederá a todos os homens que se propuserem a entrar no Egito, a
fim de lá peregrinarem: morrerão à espada, de fome, e de peste; e deles não
haverá quem reste ou escape do mal que eu trarei sobre eles.
- Pois assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Como se derramou a
minha ira e a minha indignação sobre os habitantes de Jerusalém, assim se
derramará a minha indignação sobre vós, quando entrardes no Egito. Sereis um
espetáculo de execração, e de espanto, e de maldição, e de opróbrio; e não
vereis mais este lugar.
- Falou o Senhor acerca de vós, ó resto de Judá: Não entreis no Egito. Tende
por certo que hoje vos tenho avisado.
- Porque vós vos enganastes a vós mesmos; pois me enviastes ao Senhor vosso
Deus, dizendo: Roga por nós ao Senhor nosso Deus, e conforme tudo o que disser
o Senhor Deus nosso, declara-no-lo assim, e o faremos.
- E vo-lo tenho declarado hoje, mas não destes ouvidos à voz do Senhor vosso
Deus em coisa alguma pela qual ele me enviou a vos.
- Agora pois sabei por certo que morrereis à espada, de fome e de peste no
mesmo lugar onde desejais ir para lá peregrinardes.
- Tendo Jeremias acabado de falar a todo o povo todas as palavras do Senhor
seu Deus, aquelas palavras com as quais o Senhor seu Deus lho havia
enviado,
- então falaram Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos
os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o Senhor nosso Deus
não te enviou a dizer: Não entreis no Egito para ali peregrinardes;
- mas Baruque, filho de Nerias, é que te incita contra nós, para nos
entregar na mão dos caldeus, para eles nos matarem, ou para nos levarem
cativos para Babilônia.
- Não obedeceu pois Joanã, filho de Careá, nem nenhum de todos os príncipes
dos exércitos, nem o povo todo, à voz do Senhor, para ficarem na terra de
Judá.
- Mas Joanã, filho de Careá, e todos os chefes das forças tomaram a todo o
resto de Judá, que havia voltado dentre todas as nações, para onde haviam sido
arrojados, com o fim de peregrinarem na terra de Judá;
- aos homens, às mulheres, às crianças, e às filhas do rei, e a toda pessoa
que Nebuzaradão, capitão da guarda, deixara com Gedalias, filho de Aicão,
filho de Safã, como também a Jeremias, o profeta, e a Baruque, filho de
Nerias;
- e entraram na terra do Egito; pois não obedeceram à voz do Senhor; assim
vieram até Tapanes.
- Então veio a palavra do Senhor a Jeremias, em Tapanes, dizendo:
- Toma na tua mão pedras grandes, e esconde-as com barro no pavimento que
está à entrada da casa de Faraó em Tapanes, à vista dos homens de Judá;
- e dize-lhes: Assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Eis que eu
enviarei, e tomarei a Nabucodonozor, rei de Babilônia, meu servo, e porei o
seu trono sobre estas pedras que escondi; e ele estenderá o seu pavilhão real
sobre elas.
- Virá, e ferirá a terra do Egito, entregando à morte quem é para a morte,
ao cativeiro quem é para o cativeiro, e à espada.
- E lançarei fogo às casas dos deuses do Egito; e ele os queimará e os
levará cativos; e ornar-se-á da terra do Egito, como se veste o pastor com a
sua roupa; e sairá dali em paz.
- E quebrará as colunas de Bete-Semes, que está na terra do Egito; e as
casas dos deuses do Egito queimará a fogo.
- A palavra que veio a Jeremias, acerca de todos os judeus, que habitavam na
terra do Egito, em Migdol, em Tapanes, em Mênfis, e no país de Patros:
- Assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Vós vistes todo o mal
que fiz cair sobre Jerusalém, e sobre todas as cidades de Judá; e eis que elas
são hoje uma desolação, e ninguém nelas habita;
- por causa da sua maldade que fizeram, para me irarem, indo queimar
incenso, e servir a outros deuses, a quem eles nunca conheceram, nem eles, nem
vós, nem vossos pais.
- Todavia eu vos enviei persistentemente todos os meus servos, os profetas,
para vos dizer: Ora, não façais esta coisa abominável que odeio!
- Mas eles não escutaram, nem inclinaram os seus ouvidos, para se
converterem da sua maldade, para não queimarem incenso a outros deuses.
- Pelo que se derramou a minha indignação e a minha ira, e acendeu-se nas
cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém; e elas tornaram-se em deserto e em
desolação, como hoje se vê.
- Agora, pois, assim diz o Senhor, Deus dos exércitos, Deus de Israel: Por
que fazeis vós tão grande mal contra vós mesmos, para desarraigardes o homem e
a mulher, a criança e o que mama, dentre vós, do meio de Judá, a fim de não
vos deixardes ali resto algum;
- irando-me com as obras de vossas mãos, queimando incenso a outros deuses
na terra do Egito, aonde vós entrastes para lá peregrinardes, para que sejais
exterminados, e para que sirvais de maldição e de opróbrio entre todas as
nações da terra?
- Esquecestes já as maldades de vossos pais, as maldades dos reis de Judá,
as maldades das suas mulheres, as vossas maldades e as maldades das vossas
mulheres, cometidas na terra de Judá e nas ruas de Jerusalém?
- Não se humilharam até o dia de hoje, nem temeram, nem andaram na minha
lei, nem nos meus estatutos, que pus diante de vós e diante de vossos
pais.
- Portanto assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Eis que eu
ponho o meu rosto contra vós para mal, e para desarraigar todo o Judá.
- E tomarei os que restam de Judá, os quais puseram o seu rosto para entrar
na terra do Egito, a fim de lá peregrinarem, e todos eles serão consumidos; na
terra do Egito cairão; à espada, e de fome serão consumidos; desde o menor até
o maior morrerão à espada e de fome; e tornar-se-ão um espetáculo de
execração, de espanto, de maldição e de opróbrio.
- Pois castigarei os que habitam na terra do Egito, como castiguei
Jerusalém, com a espada, a fome e a peste.
- De maneira que, da parte remanescente de Judá que entrou na terra do Egito
a fim de lá peregrinar, não haverá quem escape e fique para tornar à terra de
Judá, à qual era seu grande desejo voltar, para ali habitar; mas não voltarão,
senão um pugilo de fugitivos.
- Então responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres
queimavam incenso a outros deuses, e todas as mulheres que estavam presentes,
uma grande multidão, a saber, todo o povo que habitava na terra do Egito, em
Patros, dizendo:
- Quanto à palavra que nos anunciaste em nome do Senhor, não te obedeceremos
a ti;
- mas certamente cumpriremos toda a palavra que saiu da nossa boca, de
queimarmos incenso à rainha do céu, e de lhe oferecermos libações, como nós e
nossos pais, nossos reis e nossos príncipes, temos feito, nas cidades de Judá,
e nas ruas de Jerusalém; então tínhamos fartura de pão, e prosperávamos, e não
vimos mal algum.
- Mas desde que cessamos de queimar incenso à rainha do céu, e de lhe
oferecer libações, temos tido falta de tudo, e temos sido consumidos pela
espada e pela fome.
- E nós, as mulheres, quando queimávamos incenso à rainha do céu, e lhe
oferecíamos libações, acaso lhe fizemos bolos para a adorar e lhe oferecemos
libações sem nossos maridos?
- Então disse Jeremias a todo o povo, aos homens e às mulheres, e a todo o
povo que lhe havia dado essa resposta, dizendo:
- Porventura não se lembrou o Senhor, e não lhe veio à mente o incenso que
queimastes nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, vós e vossos pais,
vossos reis e vossos príncipes, como tambem o povo da terra?
- O Senhor não podia por mais tempo suportar a maldade das vossas ações, as
abominações que cometestes; pelo que se tornou a vossa terra em desolação, e
em espanto, e em maldição, sem habitantes, como hoje se vê.
- Porquanto queimastes incenso, e pecastes contra o Senhor, não obedecendo à
voz do Senhor, nem andando na sua lei, nos seus estatutos e nos seus
testemunhos; por isso vos sobreveio este mal, como se vê neste dia.
- Disse mais Jeremias a todo o povo e a todas as mulheres: Ouvi a palavra do
Senhor, vós, todo o Judá, que estais na terra do Egito.
- Assim fala o Senhor dos exércitos, Deus de Israel, dizendo: Vós e vossas
mulheres falastes por vossa boca, e com as vossas mãos o cumpristes, dizendo:
Certamente cumpriremos os nossos votos que fizemos, de queimarmos incenso à
rainha do céu e de lhe derramarmos libações; confirmai, pois, os vossos votos,
e cumpri-os!
- Ouvi, pois, a palavra do Senhor, todos os de Judá que habitais na terra do
Egito: Eis que eu juro pelo meu grande nome, diz o Senhor, que nunca mais será
pronunciado o meu nome pela boca de nenhum homem de Judá em toda a terra do
Egito, dizendo: Como vive o Senhor Deus!
- Eis que velarei sobre eles para o mal, e não para o bem; e serão
consumidos todos os homens de Judá que estão na terra do Egito, pela espada e
pela fome, até que de todo se acabem.
- E os que escaparem da espada voltarão da terra do Egito para a terra de
Judá, poucos em número; e saberá todo o resto de Judá que entrou na terra do
Egito para peregrinar ali, se subsistirá a minha palavra ou a sua.
- E isto vos servirá de sinal, diz o Senhor, de que eu vos castigarei neste
lugar, para que saibais que certamente subsistirão as minhas palavras contra
vós para o mal:
- Assim diz o Senhor: Eis que eu entregarei Faraó-Hofra, rei do Egito, na
mão de seus inimigos, e na mão dos que procuram a sua morte; como entreguei
Zedequias, rei de Judá, na mão de Nabucodonozor, rei de Babilônia, seu
inimigo, e que procurava a sua morte.
- A palavra que Jeremias, o profeta, falou a Banique, filho de Nerias,
quando este escrevia num livro as palavras ditadas por Jeremias, no quarto ano
de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá:
- Assim diz o Senhor, Deus de Israel, acerca de ti ó Baruque.
- Disseste: Ai de mim agora! porque me acrescentou o Senhor tristeza à minha
dor; estou cansado do meu gemer, e não acho descanso.
- Isto lhe dirás: Assim diz o Senhor: Eis que estou a demolir o que
edifiquei, e a arrancar o que plantei, e isso em toda esta terra.
- E procuras tu grandezas para ti mesmo? Não as busques; pois eis que estou
trazendo o mal sobre toda a raça, diz o Senhor; porém te darei a tua vida por
despojo, em todos os lugares para onde fores.
- A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, o profeta, acerca das
nações.
- Acerca do Egito: a respeito do exército de Faraó-Neco, rei do Egito, que
estava junto ao rio Eufrates em Carquêmis, ao qual Nabucodonozor, rei de
Babilônia, derrotou no quarto ano de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de
Judá.
- Preparai o escudo e o pavês, e chegai-vos para a peleja.
- Aparelhai os cavalos, e montai, cavaleiros! Apresentai-vos com elmos;
açacalai as lanças; vesti-vos de couraças.
- Por que razão os vejo espantados e voltando as costas? Os seus heróis
estão abatidos, e vão fugindo, sem olharem para trás; terror há por todos os
lados, diz o Senhor.
- Não pode fugir o ligeiro, nem escapar o herói; para a banda do norte,
junto ao rio Eufrates, tropeçaram e caíram.
- Quem é este que vem subindo como o Nilo, como rios cujas águas se
agitam?
- O Egito é que vem subindo como o Nilo, e como rios cujas águas se agitam;
e ele diz: Subirei, cobrirei a terra; destruirei a cidade e os que nela
habitam.
- Subi, ó cavalos; e estrondeai, ó carros; e saiam valentes: Cuche e Pute,
que manejam o escudo, e os de Lude, que manejam e entesam o arco.
- Porque aquele dia é o dia do Senhor Deus dos exércitos, dia de vingança
para ele se vingar dos seus adversários. A espada devorará, e se fartará, e se
embriagará com o sangue deles; pois o Senhor Deus dos exércitos tem um
sacrifício na terra do Norte junto ao rio Eufrates.
- Sobe a Gileade, e toma bálsamo, ó virgem filha do Egito; debalde
multiplicas remédios; não há cura para ti.
- As nações ouviram falar da tua vergonha, e a terra está cheia do teu
clamor; porque o valente tropeçou no valente e ambos juntos cairam.
- A palavra que falou o Senhor a Jeremias, o profeta, acerca da vinda de
Nabucodonozor, rei de Babilônia, para ferir a terra do Egito.
- Anunciai-o no Egito, proclamai isto em Migdol; proclamai-o também em
Mênfis, e em Tapanes; dizei: Apresenta-te, e prepara-te; porque a espada
devorará o que está ao redor de ti.
- Por que está derribado o teu valente? Ele não ficou em pé, porque o Senhor
o abateu.
- Fez tropeçar a multidão; caíram uns sobre os outros, e disseram:
Levanta-te, e voltemos para o nosso povo, para a terra do nosso nascimento,
por causa da espada que oprime.
- Clamaram ali: Faraó, rei do Egito, é apenas um som; deixou passar o tempo
assinalado.
- Vivo eu, diz o Rei, cujo nome é o Senhor dos exércitos, que certamente
como o Tabor entre os montes, e como o Carmelo junto ao mar, assim ele
vira.
- Prepara-te para ires para o cativeiro, ó moradora filha do Egito; porque
Mênfis será tornada em desolação, e será incendiada, até que ninguém mais aí
more.
- Novilha mui formosa é o Egito; mas já lhe vem do Norte um tavão.
- Até os seus mercenários no meio dela são como bezerros cevados; mas também
eles viraram as costas, fugiram juntos, não ficaram firmes; porque veio sobre
eles o dia da sua ruína e o tempo da sua punição.
- A sua voz irá como a da serpente; porque marcharão com um exército, e
virão contra ela com machados, como cortadores de lenha.
- Cortarão o seu bosque, diz o Senhor, embora seja impenetrável; porque se
multiplicaram mais do que os gafanhotos; são inumeraveis.
- A filha do Egito será envergonhada; será entregue na mão do povo do
Norte.
- Diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: Eis que eu castigarei a Amom
de Tebas, e a Faraó, e ao Egito, juntamente com os seus deuses e os seus reis,
sim, ao próprio Faraó, e aos que nele confiam.
- E os entregarei na mão dos que procuram a sua morte, na mão de
Nabucodonozor, rei de Babilônia, e na mão dos seus servos; mas depois será
habitada, como nos dias antigos, diz o Senhor.
- Mas não temas tu, servo meu, Jacó, nem te espantes, ó Israel; pois eis que
te livrarei mesmo de longe, e a tua descendência da terra do seu cativeiro; e
Jacó voltará, e ficará tranqüilo e sossegado, e não haverá quem o
atemorize.
- Tu não temas, servo meu, Jacó, diz o senhor; porque estou contigo; pois
destruirei totalmente todas as nações para onde te arrojei; mas a ti não te
destruirei de todo, mas castigar-te-ei com justiça, e de modo algum te
deixarei impune.
- A palavra do Senhor que veio a Jeremias, o profeta, acerca dos filisteus,
antes que Faraó ferisse a Gaza.
- Assim diz o Senhor: Eis que do Norte se levantam as águas, e tornar-se-ão
em torrente trasbordante, e alagarão a terra e quanto há nela, a cidade e os
que nela habitam; os homens clamarão, e todos os habitantes da terra
uivarão,
- ao ruído estrepitoso das unhas dos seus fortes cavalos, ao barulho de seus
carros, ao estrondo das suas rodas; os pais não atendem aos filhos, por causa
da fraqueza das mãos,
- por causa do dia que vem para destruir a todos os filisteus, para cortar
de Tiro e de Sidom todo o resto que os socorra; pois o Senhor destruirá os
filisteus, o resto da ilha de Caftor.
- A calvicie é vinda sobre Gaza; foi desarraigada Asquelom, bem como o resto
do seu vale; até quando te sarjarás?
- Ah espada do Senhor! até quando deixarás de repousar? volta para a tua
bainha; descansa, e aquieta-te.
- Como podes estar quieta, se o Senhor te deu uma ordem? Contra Asquelom, e
contra o litoral, é que ele a enviou.
- Acerca de Moabe. Assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Ai de
Nebo, porque foi destruída; envergonhada está Quiriataim, já é tomada; Misgabe
está envergonhada e espantada.
- O louvor de Moabe já não existe mais; em Hesbom projetaram mal contra ela,
dizendo: Vinde, e exterminemo-la, para que não mais seja nação; também tu, ó
Madmém, serás destruída; a espada te perseguirá.
- Voz de grito de Horonaim, ruína e grande destruição!
- Está destruído Moabe; seus filhinhos fizeram ouvir um clamor.
- Pois pela subida de Luíte eles vão subindo com choro contínuo; porque na
descida de Horonaim, ouviram a angústia do grito da destruição.
- Fugi, salvai a vossa vida! Sede como o asno selvagem no deserto.
- Pois, porquanto confiaste nas tuas obras e nos teus tesouros, também tu
serás tomada; e Quemós sairá para o cativeiro, os seus sacerdotes e os seus
príncipes juntamente.
- Porque virá o destruidor sobre cada uma das cidades e nenhuma escapará, e
perecerá o vale, e destruir-se-á a planície, como disse o Senhor.
- Dai asas a Moabe, porque voando sairá; e as suas cidades se tornarão em
desolação, sem habitante.
- Maldito aquele que fizer a obra do Senhor negligentemente, e maldito
aquele que vedar do sangue a sua espada!
- Moabe tem estado sossegado desde a sua mocidade, e tem repousado como
vinho sobre as fezes; não foi deitado de vasilha em vasilha, nem foi para o
cativeiro; por isso permanece nele o seu sabor, e o seu cheiro não se
altera.
- Portanto, eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que lhe enviarei
derramadores que o derramarão; e despejarão as suas vasilhas, e despedaçarão
os seus jarros.
- E Moabe terá vergonha de Quemós, como se envergonhou a casa de Israel de
Betel, sua confiança.
- Como direis: Somos valentes e homens fortes para a guerra?
- Já subiu o destruidor de Moabe e das suas cidades, e os seus mancebos
escolhidos desceram à matança, diz o Rei, cujo nome é o Senhor dos
exércitos.
- A calamidade de Moabe está perto e muito se apressa o seu mal.
- Condoei-vos dele todos os que estais em seu redor, e todos os que sabeis o
seu nome; dizei: Como se quebrou a vara forte, o cajado formoso!
- Desce da tua glória, e senta-te no pó, ó moradora, filha de Dibom; porque
o destruidor de Moabe subiu contra ti, e desfez as tuas fortalezas.
- Põe-te junto ao caminho, e espia, ó moradora do Aroer; pergunta ao que
foge, e à que escapa: Que sucedeu?
- Moabe está envergonhado, porque foi quebrantado; uivai e gritai; anunciai
em Arnom que Moabe está destruído.
- Também o julgamento é vindo sobre a terra da planície; sobre Holom, Jaza,
e Mefaate;
- sobre Dibom, Nebo, e Bete-Diblataim;
- sobre Quiriataim, Bete-Gamul, e BeteMeom;
- sobre Queriote, e Bozra, e todas as cidades da terra de Moabe, as de longe
e as de perto.
- Está cortado o poder de Moabe, e quebrantado o seu braço, diz o
senhor.
- Embriagai-o, porque contra o Senhor se engrandeceu; e Moabe se revolverá
no seu vômito, e ele também se tornará objeto de escárnio.
- Pois não se tornou também Israel objeto de escárnio para ti? Porventura
foi achado entre ladrões para que, sempre que falas dele, meneies a
cabeça?
- Deixai as cidades, e habitai no rochedo, ó moradores de Moabe; e sede como
a pomba que se aninha nos lados da boca da caverna.
- Temos ouvido da soberba de Moabe, que é soberbíssimo; da sua sobrançaria,
do seu orgulho, da sua arrogância, e da altivez do seu coração.
- Eu conheço, diz o Senhor, a sua insolência, mas isso nada é; as suas
jactâncias nada têm efetuado.
- Por isso uivarei por Moabe; sim, gritarei por todo o Moabe; pelos homens
de Quir-Heres lamentarei.
- Com choro maior do que o de Jazer chorar-te-ei, ó vide de Sibma; os teus
ramos passaram o mar, chegaram até o mar de Jazer; mas o destruidor caiu sobre
os teus frutos de verão, e sobre a tua vindima.
- Tirou-se, pois, a alegria e o regozijo do campo fértil e da terra de
Moabe; e fiz que o vinho cessasse dos lagares; já não pisam uvas com júbilo; o
brado não é o de júbilo
- O grito de Hesbom e Eleale se ouve até Jaza; fazem ouvir a sua voz desde
Zoar até Horonaim, e até Eglate-Selíssia; pois também as águas do Ninrim virão
a ser uma desolação.
- Demais, farei desaparecer de Moabe, diz o Senhor, aquele que sacrifica nos
altos, e queima incenso a seus deuses.
- Por isso geme como flauta o meu coração por Moabe, e como flauta geme o
meu coração pelos homens de Quir-Heres; porquanto a abundância que ajuntou se
perdeu.
- Pois toda cabeça é tosquiada, e toda barba rapada; sobre todas as mãos há
sarjaduras, e sobre os lombos sacos.
- Sobre todos os eirados de Moabe e nas suas ruas há um pranto geral; porque
quebrei a Moabe, como a um vaso que não agrada, diz o Senhor.
- Como está quebrantrado! como uivam! como virou Moabe as costas
envergonhado! assim se tornou Moabe objeto de escárnio e de espanto para todos
os que estão em redor dele.
- Pois assim diz o Senhor: Eis que alguém voará como a águia, e estenderá as
suas asas contra Moabe.
- Tomadas serão as cidades, e ocupadas as fortalezas; e naquele dia será o
coração dos valentes de Moabe como o coração da mulher em suas dores de
parto.
- E Moabe será destruído, para que não seja povo, porque se engrandeceu
contra o Senhor.
- Temor, e cova, e laço estão sobre ti, ó morador de Moabe, diz o
Senhor.
- O que fugir do temor cairá na cova, e o que sair da cova ficará preso no
laço; pois trarei sobre ele, sobre Moabe, o ano do seu castigo, diz o
Senhor.
- Os que fugiram ficam parados sem forças à sombra de Hesbom; mas fogo saiu
de Hesbom, e a labareda do meio de Siom, e devorou a fronte de Moabe e o alto
da cabeça dos turbulentos.
- Ai de ti, Moabe! pereceu o povo de Quemós; pois teus filhos foram levados
cativos, e tuas filhas para o cativeiro.
- Contudo nos últimos dias restaurarei do cativeiro a Moabe, diz o Senhor.
Até aqui o juizo de Moabe.
- A respeito dos filhos de Amom. Assim diz o Senhor: Acaso Israel não tem
filhos? Não tem herdeiro? Por que, então, possui Milcom a Gade, e o seu povo
habita nas suas cidades?
- Portanto, eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que farei ouvir contra
Rabá dos filhos de Amom o alarido de guerra, e tornar-se-á num montão de
ruínas, e os seus arrabaldes serão queimados a fogo; então Israel deserdará
aos que e deserdaram a ele, diz o Senhor.
- Uiva, ó Hesbom, porque é destruída Ai; clamai, ó filhas de Rabá, cingi-vos
de sacos; lamentai, e dai voltas pelas sebes; porque Milcom irá em cativeiro,
juntamente com os seus sacerdotes e os seus príncipes.
- Por que te glorias nos vales, teus luxuriantes vales, ó filha apóstata?
que confias nos teus tesouros, dizendo: Quem virá contra mim?
- Eis que farei vir sobre ti pavor, diz o Senhor Deus dos exércitos, de
todos os que estão ao redor de ti; e sereis lançados fora, cada um para
diante, e ninguém recolherá o desgarrado.
- Mas depois disto farei voltar do cativeiro os filhos de Amom, diz o
senhor.
- A respeito de Edom. Assim diz o Senhor dos exércitos: Acaso não há mais
sabedoria em Temã? Pereceu o conselho dos entendidos? Desvaneceu-se-lhes a
sabedoria?
- Fugi, voltai, habitai em profundezas, ó moradores de Dedã; porque trarei
sobre ele a calamidade de Esaú, o tempo em que o punirei.
- Se vindimadores viessem a ti, não deixariam alguns rabiscos? se ladrões de
noite, não te danificariam só o quanto lhes bastasse?
- Mas eu desnudei a Esaú, descobri os seus esconderijos, de modo que ele não
se poderá esconder. E despojada a sua descendência, como também seus irmãos e
seus vizinhos, e ele já não existe.
- Deixa os teus órfãos, eu os guardarei em vida; e as tuas viúvas confiem em
mim.
- Pois assim diz o Senhor: Eis que os que não estavam condenados a beber o
copo, certamente o beberão; e ficarias tu inteiramente impune? Não ficarás
impune, mas certamente o beberás.
- Pois por mim mesmo jurei, diz o Senhor, que Bozra servirá de objeto de
espanto, de opróbrio, de ruína, e de maldição; e todas as suas cidades se
tornarão em desolações perpétuas.
- Eu ouvi novas da parte do Senhor, que um embaixador é enviado por entre as
nações para lhes dizer: Ajuntai-vos, e vinde contra ela, e levantai-vos para a
guerra.
- Pois eis que te farei pequeno entre as nações, desprezado entre os
homens.
- Quanto à tua terribilidade, enganou-te a arrogância do teu coração, ó tu
que habitas nas cavernas dos penhascos, que ocupas as alturas dos outeiros;
ainda que ponhas o teu ninho no alto como a águia, de lá te derrubarei, diz o
Senhor.
- E Edom se tornará em objeto de espanto; todo aquele que passar por ela se
espantará, e assobiará por causa de todas as suas pragas.
- Como na subversão de Sodoma e Gomorra, e das cidades circunvizinhas, diz o
Senhor, não habitará ninguém ali, nem peregrinará nela filho de homem.
- Eis que como leão subirá das margens do Jordão um inimigo contra a morada
forte; mas de repente o farei correr dali; e ao escolhido, pô-lo-ei sobre ela.
Pois quem é semelhante a mim? e quem me fixará um prazo? e quem é o pastor que
me poderá resistir?
- Portanto ouvi o conselho do Senhor, que ele decretou contra Edom, e os
seus desígnios, que ele intentou contra os moradores de Temã: Até os mais
novos do rebanho serão arrastados; certamente ele assolará as suas moradas
sobre eles.
- A terra estremecerá com o estrondo da sua queda; o som do seu clamor se
ouvirá até o Mar Vermelho.
- Eis que como águia subirá, e voará, e estenderá as suas asas contra Bozra;
e o coração do valente de Edom naquele dia se tornará como o coração da mulher
que está em dores de parto.
- A respeito de Damasco. Envergonhadas estão Hamate e Arpade, e se derretem
de medo porquanto ouviram más notícias; estão agitadas como o mar, que não
pode aquietar-se.
- Enfraquecida está Damasco, virou as costas para fugir, e o tremor
apoderou-se dela; angústia e dores apossaram-se dela como da mulher que está
de parto.
- Como está abandonada a cidade famosa, a cidade da minha alegria!
- Portanto os seus jovens lhe cairão nas ruas, e todos os homens de guerra
serão consumidos naquele dia, diz o Senhor dos exércitos.
- E acenderei fogo no muro de Damasco, o qual consumirá os palácios de
Bene-Hadade.
- A respeito de Quedar, e dos reinos de Hazor, que Nabucodonozor, rei de
Babilônia, feriu. Assim diz o Senhor: Levantai-vos, subi contra Quedar, e
destruí os filhos do Oriente.
- As suas tendas e os seus rebanhos serão tomados; as suas cortinas serão
levadas, como também todos os seus vasos, e os seus camelos; e lhes gritarão:
Há terror de todos os lados!
- Fugi, desviai-vos para muito longe, habitai nas profundezas, ó moradores
de Hazor, diz o Senhor; porque Nabucodonozor, rei de Babilônia, tomou conselho
contra vós, e formou um desígnio contra vós.
- Levantai-vos, subi contra uma nação que está sossegada, que habita
descuidada, diz o Senhor; que não tem portas nem ferrolhos, que habita a
sós.
- E os seus camelos serão para presa e a multidão do seu gado para despojo;
e espalharei a todo o vento aqueles que cortam os cantos da sua cabeleira; e
de todos os lados lhes trarei a sua calamidade, diz o Senhor.
- Assim Hazor se tornará em morada de chacais, em desolação para sempre;
ninguém habitará ali, nem peregrinará nela filho de homem.
- A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, o profeta, acerca de Elão, no
princípio do reinado de Zedequias, rei de Judá, dizendo:
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que eu quebrarei o arco de Elão, o
principal do seu poder.
- E trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro cantos dos céus, e os
espalharei para todos estes ventos; e não haverá nação aonde não cheguem os
fugitivos de Elão.
- E farei que Elão desfaleça diante de seus inimigos e diante dos que
procuram a sua morte. Farei vir sobre eles o mal, o furor da minha ira, diz o
Senhor; e enviarei após eles a espada, até que eu os tenha consumido.
- E porei o meu trono em Elão, e destruirei dali rei e príncipes, diz o
Senhor.
- Acontecerá, porém, nos últimos dias, que restaurarei do cativeiro a Elão,
diz o Senhor.
- A palavra que falou o Senhor acerca de Babilônia, acerca da terra dos
caldeus, por intermédio de Jeremias o profeta.
- Anunciai entre as nações e publicai, arvorando um estandarte; sim
publicai, não encubrais; dizei: Tomada está Babilônia, confundido está Bel,
caído está Merodaque, confundidos estão os seus ídolos, e caídos estão os seus
deuses.
- Pois do Norte sobe contra ela uma nação que fará da sua terra uma
desolação, e não haverá quem nela habite; tanto os homens como os animais já
fugiram e se foram.
- Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Senhor, os filhos de Israel virão,
eles e os filhos de Judá juntamente; andando e chorando virão, e buscarão ao
Senhor seu Deus.
- Acerca de Sião indagarão, tendo os seus rostos voltados para lá e dizendo:
Vinde e uni-vos ao Senhor num pacto eterno que nunca será esquecido.
- Ovelhas perdidas têm sido o meu povo; os seus pastores as fizeram errar, e
voltar aos montes; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar de
seu repouso.
- Todos os que as achavam as devoraram, e os seus adversários diziam: Culpa
nenhuma teremos; porque pecaram contra o Senhor, a morada da justiça, sim, o
Senhor, a esperança de seus pais.
- Fugi do meio de Babilônia, e saí da terra dos caldeus, e sede como os
bodes diante do rebanho.
- Pois eis que eu suscitarei e farei subir contra Babilônia uma companhia de
grandes nações da terra do Norte; e por-se-ão em ordem contra ela; dali será
ela tomada. As suas flechas serão como as de valente herói; nenhuma tornará
sem efeito.
- E Caldéia servirá de presa; todos os que a saquearem ficarão fartos, diz o
Senhor.
- Embora vos alegreis e vos regozijeis, ó saqueadores da minha herança,
embora andeis soltos como novilha que pisa a erva, e rincheis como cavalos
vigorosos,
- muito envergonhada será vossa mãe, ficará humilhada a que vos deu à luz;
eis que ela será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma
solidão.
- Por causa da ira do Senhor não será habitada, antes se tornará em total
desolação; qualquer que passar por Babilônia se espantará, e assobiará por
causa de todas as suas pragas.
- Ponde-vos em ordem para cercar Babilônia, todos os que armais arcos;
atirai-lhe, não poupeis as flechas, porque ela tem pecado contra o
Senhor.
- Gritai contra ela rodeando-a; ela já se submeteu; caíram seus baluartes,
estão derribados os seus muros. Pois esta é a vingança do Senhor; vingai-vos
dela; conforme o que ela fez, assim lhe fazei a ela.
- Cortai de Babilônia o que semeia, e o que maneja a foice no tempo da sega;
por causa da espada do opressor virar-se-á cada um para o seu povo, e fugirá
cada qual para a sua terra.
- Cordeiro desgarrado é Israel, os leões o afugentaram; o primeiro a
devorá-lo foi o rei da Assíria, e agora por último Nabucodonozor, rei de
Babilônia, lhe quebrou os ossos.
- Portanto, assim diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Eis que
castigarei o rei de Babilônia e a sua terra, como castiguei o rei da
Assíria.
- E farei voltar Israel para a sua morada, e ele pastará no Carmelo e em
Basã, e se fartará nos outeiros de Efraim e em Gileade.
- Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a iniqüidade em
Israel, e não haverá; e o pecado em Judá, e não se achará; pois perdoarei aos
que eu deixar de resto.
- Sobe contra a terra de Merataim, sim, contra ela, e contra os moradores de
Pecode; mata e inteiramente destrói tudo após eles, diz o Senhor, e faze
conforme tudo o que te ordenei.
- Na terra há estrondo de batalha, e de grande destruição.
- Como foi cortado e quebrado o martelo de toda a terra! como se tornou
Babilônia em objeto de espanto entre as nações!
- Laços te armei, e também foste presa, ó Babilônia, e tu não o soubeste;
foste achada, e também apanhada, porque contra o Senhor te entremeteste.
- O Senhor abriu o seu arsenal, e tirou os instrumentos da sua indignação;
porque o senhor Deus dos exércitos tem uma obra a realizar na terra dos
caldeus.
- Vinde contra ela dos confins da terra, abri os seus celeiros; fazei dela
montões, e destruí-a de todo; nada lhe fique de resto.
- Matai a todos os seus novilhos, desçam ao degoladouro; ai deles! porque é
chegado o seu dia, o tempo da sua punição.
- Eis a voz dos que fogem e escapam da terra de Babilônia para anunciarem em
Sião a vingança do Senhor nosso Deus, a vingança do seu templo.
- Convocai contra Babilônia os flecheiros, todos os que armam arcos;
acampai-vos contra ela em redor, ninguém escape dela. Pagai-lhe conforme a sua
obra; conforme tudo o que ela fez, assim lhe fazei a ela; porque se houve
arrogantemente contra o Senhor, contra o Santo de Israel.
- Portanto cairão os seus jovens nas suas praças, e todos os seus homens de
guerra serão destruídos naquele dia, diz o Senhor.
- Eis que eu sou contra ti, ó soberbo, diz o Senhor Deus dos exércitos; pois
o teu dia é chegado, o tempo em que te hei de punir?
- Então tropeçará o soberbo, e cairá, e ninguém haverá que o levante; e
porei fogo às suas cidades, o qual consumirá tudo o que está ao seu
redor.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá
são juntamente oprimidos; e todos os que os levaram cativos os retêm, recusam
soltá-los.
- Mas o seu Redentor é forte; o Senhor dos exércitos é o seu nome.
Certamente defenderá em juízo a causa deles, para dar descanso à terra, e
inquietar os moradores de Babilônia.
- A espada virá sobre os caldeus, diz o senhor, e sobre os moradores de
Babilônia, e sobre os seus príncipes, e sobre os seus sábios.
- A espada virá sobre os paroleiros, e eles ficarão insensatos; a espada
virá sobre os seus valentes, e eles desfalecerão.
- A espada virá sobre os seus cavalos, e sobre os seus carros, e sobre todo
o povo misto, que se acha no meio dela, e eles se tornarão como mulheres; a
espada virá sobre os seus tesouros, e estes serão saqueados.
- Cairá a seca sobre as suas águas, e elas secarão; pois é uma terra de
imagens esculpidas, e eles pelos seus ídolos fazem-se loucos.
- Por isso feras do deserto juntamente com lobos habitarão ali; também
habitarão nela avestruzes; e nunca mais será povoada, nem será habitada de
geração em geração.
- Como quando Deus subverteu a Sodoma e a Gomorra, e às suas cidades
vizinhas, diz o Senhor, assim ninguém habitará ali, nem peregrinará nela filho
de homem.
- Eis que um povo vem do norte; e uma grande nação e muitos reis se levantam
das extremidades da terra.
- Armam-se de arco e lança; são cruéis, e não têm piedade; a sua voz brama
como o mar, e em cavalos vêm montados, dispostos como homens para a batalha,
contra ti, ó filha de Babilônia.
- O rei de Babilônia ouviu a fama deles, e desfaleceram as suas mãos; a
angústia se apoderou dele, dores, como da que está de parto.
- Eis que como leão subirá das margens do Jordão um inimigo contra a morada
forte, mas de repente o farei correr dali; e ao escolhido, pô-lo-ei sobre ela.
Pois quem é semelhante a mim? e quem me fixará um prazo? Quem é o pastor que
me poderá resistir?
- Portanto ouvi o conselho que o Senhor decretou contra Babilônia, e o
propósito que formou contra a terra dos caldeus: Certamente eles, os pequenos
do rebanho, serão arrastados; certamente o aprisco ficará apavorado por causa
deles.
- Ao estrondo da tomada de Babilônia estremece a terra; e o grito se ouve
entre as nações.
- Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra
Babilônia, e contra os que habitam na Caldéia.
- E enviarei padejadores contra Babilônia, que a padejarão, e esvaziarão a
sua terra, quando vierem contra ela em redor no dia da calamidade.
- Não arme o flecheiro o seu arco, nem se levante o que estiver armado da
sua couraça; não perdoeis aos seus jovens; destruí completamente todo o seu
exército.
- Cairão mortos na terra dos caldeus, e feridos nas ruas dela.
- Pois Israel e Judá não foram abandonados do seu Deus, o Senhor dos
exércitos, ainda que a terra deles esteja cheia de culpas contra o Santo de
Israel.
- Fugi do meio de Babilônia, e livre cada um a sua vida; não sejais
exterminados na sua punição; pois este é o tempo da vingança do Senhor; ele
lhe dará o pago.
- Na mão do Senhor a Babilônia era um copo de ouro, o qual embriagava a toda
a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso as nações estão fora de
si.
- Repentinamente caiu Babilônia, e ficou arruinada; uivai sobre ela; tomai
bálsamo para a sua dor, talvez sare.
- Queríamos sarar Babilônia, ela, porém, não sarou; abandonai- a, e
vamo-nos, cada qual para a sua terra; pois o seu julgamento chega até o céu, e
se eleva até as mais altas nuvens.
- O Senhor trouxe à luz a nossa justiça; vinde e anunciemos em Sião a obra
do Senhor nosso Deus.
- Aguçai as flechas, preperai os escudos; o Senhor despertou o espírito dos
reis dos medos; porque o seu intento contra Babilônia é para a destruir; pois
esta é a vingança do Senhor, a vingança do seu templo.
- Arvorai um estandarte sobre os muros de Babilônia, reforçai a guarda,
colocai sentinelas, preparai as emboscadas; porque o Senhor tanto intentou
como efetuou o que tinha dito acerca dos moradores de Babilônia.
- ç tu, que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros! é chegado o teu
fim, a medida da tua ganância.
- Jurou o Senhor dos exércitos por si mesmo, dizendo: Certamente te encherei
de homens, como de locustas; e eles levantarão o grito de vitória sobre
ti.
- É ele quem fez a terra com o seu poder, estabeleceu o mundo com a sua
sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento.
- Â sua voz, há grande tumulto de águas nas céus, e ele faz subir os vapores
desde as extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva, e tira o vento
dos seus tesouros.
- Embruteceu-se todo homem, de modo que não tem conhecimento; todo ourives é
envergonhado pelas suas imagens esculpidas; pois as suas imagens de fundição
são mentira, e não há espírito em nenhuma delas.
- Vaidade são, obra de enganos; no tempo em que eu as visitar
perecerão.
- Não é semelhante a estes a porção de Jacó; porque ele é o que forma todas
as coisas; e Israel é a tribo da sua herança; o Senhor dos exércitos é o seu
nome.
- Tu me serves de martelo e de armas de guerra; contigo despedaçarei nações,
e contigo destruirei os reis;
- contigo despedaçarei o cavalo e o seu cavaleiro; contigo despedaçarei e
carro e o que nele vai;
- contigo despedaçarei o homem e a mulher; contigo despedaçarei o velho e o
moço; contigo despedaçarei o mancebo e a donzela;
- contigo despedaçarei o pastor e o seu rebanho; contigo despedaçarei o
lavrador e a sua junta de bois; e contigo despedaçarei governadores e
magistrados.
- Ante os vossos olhos pagarei a Babilônia, e a todos os moradores da
Caldéia, toda a sua maldade que fizeram em Sião, diz o Senhor.
- Eis-me aqui contra ti, ó monte destruidor, diz o Senhor, que destróis toda
a terra; estenderei a minha mão contra ti, e te revolverei dos penhascos
abaixo, e farei de ti um monte incendiado.
- E não tomarão de ti pedra para esquina, nem pedra para fundamentos; mas
desolada ficarás perpetuamente, diz o Senhor.
- Arvorai um estandarte na terra, tocai a trombeta entre as nações, preparai
as nações contra ela, convocai contra ela os reinos de Arará, Mini, e
Asquenaz; ponde sobre ela um capitão, fazei subir cavalos, como locustas
eriçadas.
- Preparai contra ela as nações, os reis dos medos, os seus governadores e
magistrados, e toda a terra do seu domínio.
- E a terra estremece e está angustiada; porque os desígnios do Senhor estão
firmes contra Babilônia, para fazer da terra de Babilônia uma desolação, sem
habitantes.
- Os valentes de Babilônia cessaram de pelejar, ficam nas fortalezas,
desfaleceu a sua força, tornaram-se como mulheres; incendiadas são as suas
moradas, quebrados os seus ferrolhos.
- Um correio corre ao encontro de outro correio, e um mensageiro ao encontro
de outro mensageiro, para anunciar ao rei de Babilônia que a sua cidade está
tomada de todos os lados.
- E os vaus estão ocupados, os canaviais queimados a fogo, e os homens de
guerra assombrados.
- Pois assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel: A filha de
Babilônia é como a eira no tempo da debulha; ainda um pouco, e o tempo da sega
lhe virá.
- Nabucodonozor, rei de Babilônia, devorou-me, esmagou-me, fez de mim um
vaso vazio, qual monstro tragou-me, encheu o seu ventre do que eu tinha de
delicioso; lançou-me fora.
- A violência que se me fez a mim e à minha carne venha sobre Babilônia,
diga a moradora de Sião. O meu sangue caia sobre os moradores de Caldéia, diga
Jerusalém.
- Pelo que assim diz o Senhor: Eis que defenderei a tua causa, e te
vingarei; e secarei o seu mar, e farei que se esgote a sua fonte:
- E Babilônia se tornará em montões, morada de chacais, objeto de espanto e
assobio, sem habitante.
- Juntos rugirão como leões novos, bramarão como cachorros de leões.
- Estando eles excitados, preparar-lhes-ei um banquete, e os embriagarei,
para que se regozijem, e durmam um perpétuo sono, e não despertem, diz o
Senhor.
- Fá-los-ei descer como cordeiros ao matadouro, como carneiros e
bodes.
- Como foi tomada Sesaque, e apanhada de surpresa a glória de toda a terra!
como se tornou Babilônia um espetáculo horrendo entre as nações!
- O mar subiu sobre Babilônia; coberta está com a multidão das suas
ondas.
- Tornaram-se as suas cidades em ruínas, terra seca e deserta, terra em que
ninguém habita, nem passa por ela filho de homem.
- E castigarei a Bel em Babilônia, e tirarei da sua boca o que ele tragou; e
nunca mais concorrerão a ele as nações; o muro de Babilônia está caído.
- Saí do meio dela, ó povo meu, e salve cada um a sua vida do ardor da ira
do Senhor.
- Não desfaleça o vosso coração, nem temais pelo rumor que se ouvir na
terra; pois virá num ano um rumor, e depois noutro ano outro rumor; e haverá
violência na terra, dominador contra dominador.
- Portanto eis que vêm os dias em que executarei juízo sobre as imagens
esculpidas de Babilônia; e toda a sua terra ficará envergonhada; e todos os
seus traspassados cairão no meio dela.
- Então o céu e a terra, com tudo quanto neles há, jubilarão sobre
Babilônia; pois do norte lhe virão os destruidores, diz o Senhor.
- Babilônia há de cair pelos mortos de Israel, assim como por Babilônia têm
caído os mortos de toda a terra.
- Vós, que escapastes da espada, ide-vos, não pareis; desde terras
longínquas lembrai-vos do Senhor, e suba Jerusalém à vossa mente.
- Envergonhados estamos, porque ouvimos opróbrio; a confusão nos cobriu o
rosto; pois entraram estrangeiros nos santuários da casa do Senhor.
- Portanto, eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que executarei juízo sobre
as suas imagens esculpidas; e em toda a sua terra gemerão os feridos.
- Ainda que Babilônia subisse ao céu, e ainda que fortificasse a altura da
sua fortaleza, contudo de mim viriam destruidores sobre ela, diz o
Senhor.
- Eis um clamor de Babilônia! de grande destruição da terra dos
caldeus!
- Pois o Senhor está despojando a Babilônia, e emudecendo a sua poderosa
voz. Bramam as ondas do inimigo como muitas águas; ouve-se o arruído da sua
voz.
- Porque o destruidor veio sobre ela, sobre Babilônia, e os seus valentes
estão presos; já estão despedaçados os seus arcos; pois o Senhor é Deus das
recompensas, ele certamente retribuirá.
- Embriagarei os seus príncipes e os seus sábios, os seus governadores, os
seus magistrados, e os seus valentes; e dormirão um sono perpétuo, e jamais
acordarão, diz o Rei, cujo nome é o Senhor dos exércitos.
- Assim diz o Senhor dos exércitos: O largo muro de Babilônia será de todo
derribado, e as suas portas altas serão abrasadas pelo fogo; e trabalharão os
povos em vão, e as nações se cansarão só para o fogo.
- A palavra que Jeremias, o profeta, mandou a Seraías, filho de Nerias,
filho de Maséias, quando ia com Zedequias, rei de Judá, a Babilônia, no quarto
ano do seu reinado. Ora, Seraías era o camareiro-mor.
- Escreveu, pois, Jeremias num livro todo o mal que havia de vir sobre
Babilônia, a saber, todas estas palavras que estão escritas acerca de
Babilônia.
- E disse Jeremias a Seraías: Quando chegares a Babilônia, vê que leias
todas estas palavras;
- e dirás: Tu, Senhor, falaste a respeito deste lugar, que o havias de
desarraigar, até não ficar nele morador algum, nem homem nem animal, mas que
se tornaria em perpétua desolação.
- E acabando tu de ler este livro, atar-lhe-ás uma pedra e o lançarás no
meio do Eufrates;
- e dirás: Assim será submergida Babilônia, e não se levantará, por causa do
mal que vou trazer sobre ela; e eles se cansarão.
- Era Zedequias da idade de vinte e um anos quando começou a reinar, e
reinou onze anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de
Jeremias, de Libna.
- E fez o que era mau aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera
Jeoiaquim.
- Pois por causa da ira do Senhor, chegou-se a tal ponto em Jerusalém e Judá
que ele os lançou da sua presença. E Zedequias rebelou-se contra o rei de
Babilônia.
- No ano nono do seu reinado, no mês décimo, no décimo dia do mês, veio
Nabucodonozor, rei de Babilônia, contra Jerusalém, ele e todo o seu exército,
e se acamparam contra ela, e contra ela levantaram tranqueiras ao redor.
- Assim esteve cercada a cidade, até o ano undécimo do rei Zedequias.
- No quarto mês, aos nove do mês, a fome prevalecia na cidade, de tal modo
que não havia pão para o povo da terra.
- Então foi aberta uma brecha na cidade; e todos os homens de guerra
fugiram, e saíram da cidade de noite, pelo caminho da porta entre os dois
muros, a qual está junto ao jardim do rei, enquanto os caldeus estavam ao
redor da cidade; e foram pelo caminho da Arabá.
- Mas o exército dos caldeus perseguiu o rei, e alcançou a Zedequias nas
campinas de Jericó; e todo o seu exército se espalhou, abandonando-o.
- Prenderam o rei, e o fizeram subir ao rei de Babilônia a Ribla na terra de
Hamate, o qual lhe pronunciou a sentença.
- E o rei de Babilônia matou os filhos de Zedequias à sua vista; e também
matou a todos os príncipes de Judá em Ribla.
- E cegou os olhos a Zedequias; e o atou com cadeias; e o rei de Babilônia o
levou para Babilônia, e o conservou na prisão até o dia da sua morte.
- No quinto mês, no décimo dia do mês, que era o décimo nono ano do rei
Nabucodonozor, rei de Babilônia, veio a Jerusalém Nebuzaradão, capitão da
guarda, que assistia na presença do rei de Babilônia.
- E queimou a casa do Senhor, e a casa do rei; como também a todas as casas
de Jerusalém, todas as casas importantes, ele as incendiou.
- E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da guarda,
derribou todos os muros que rodeavam Jerusalém.
- E os mais pobres do povo, e o resto do povo que tinha ficado na cidade, e
os desertores que se haviam passado para o rei de Babilônia, e o resto dos
artífices, Nebuzaradão, capitão da guarda, levou-os cativos.
- Mas dos mais pobres da terra Nebuzaradão, capitão da guarda, deixou ficar
alguns, para serem vinhateiros e lavradores.
- Os caldeus despedaçaram as colunas de bronze que estavam na casa do
Senhor, e as bases, e o mar de bronze, que estavam na casa do Senhor, e
levaram todo o bronze para Babilônia.
- Também tomaram as caldeiras, as pás, as espevitadeiras, as bacias, as
colheres, e todos os utensílios de bronze, com que se ministrava.
- De igual modo o capitão da guarda levou os copos, os braseiros, as bacias,
as caldeiras, os castiçais, as colheres, e as tigelas. O que era de ouro,
levou como ouro, e o que era de prata, como prata.
- Quanto às duas colunas, ao mar, e aos doze bois de bronze que estavam
debaixo das bases, que fizera o rei Salomão para a casa do Senhor, o peso do
bronze de todos estes vasos era incalculável.
- Dessas colunas, a altura de cada um era de dezoito côvados; doze côvados
era a medida da sua circunferência; e era a sua espessura de quatro dedos; e
era oca.
- E havia sobre ela um capitel de bronze; e a altura dum capitel era de
cinco côvados, com uma rede e romãs sobre o capitel ao redor, tudo de bronze;
e a segunda coluna tinha as mesmas coisas com as romãs.
- E havia noventa e seis romãs aos lados; as romãs todas, sobre a rede ao
redor eram cem.
- Levou também o capitão da guarda a Seraías, o principal sacerdote, e a
Sofonias, o segundo sacerdote, e os três guardas da porta;
- e da cidade levou um oficial que tinha a seu cargo os homens de guerra; e
a sete homens dos que assistiam ao rei e que se achavam na cidade; como também
o escrivão-mor do exército, que registrava o povo da terra; e mais sessenta
homens do povo da terra que se achavam no meio da cidade.
- Tomando-os pois Nebuzaradão, capitão da guarda, levou-os ao rei de
Babilônia, a Ribla.
- E o rei de Babilônia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamate.
Assim Judá foi levado cativo para fora da sua terra.
- Este é o povo que Nabucodonozor levou cativo: no sétimo ano três mil e
vinte e três judeus;
- no ano décimo oitavo de Nabucodonozor, ele levou cativas de Jerusalém
oitocentas e trinta e duas pessoas;
- no ano vinte e três de Nabucodonozor, Nebuzaradão, capitão da guarda,
levou cativas, dentre os judeus, setecentas e quarenta e cinco pessoas; todas
as pessoas foram quatro mil e seiscentas.
- No ano trigésimo sétimo do cativeiro de Joaquim, rei de Judá, no mês
duodécimo, aos vinte e cinco do mês, Evil-Merodaque, rei de Babilônia, no
primeiro ano do seu reinado, levantou a cabeça de Joaquim, rei de Judá, e o
tirou do cárcere;
- e falou com ele benignamente, e pôs o trono dele acima dos tronos dos reis
que estavam com ele em Babilônia;
- e lhe fez mudar a roupa da sua prisão; e Joaquim comia pão na presença do
rei continuamente, todos os dias da sua vida.
- E, quanto à sua ração, foi-lhe dada pelo rei de
Babilônia a sua porção quotidiana, até o dia da sua morte, durante todos os
dias da sua vida.