Gênesis
- No princípio criou Deus os céus e a terra.
- A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas
o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
- Disse Deus: haja luz. E houve luz.
- Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.
- E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia
primeiro.
- E disse Deus: haja um firmamento no meio das águas, e haja separação entre
águas e águas.
- Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do
firmamento das que estavam por cima do firmamento. E assim foi.
- Chamou Deus ao firmamento céu. E foi a tarde e a manhã, o dia
segundo.
- E disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e
apareça o elemento seco. E assim foi.
- Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E
viu Deus que isso era bom.
- E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores
frutíferas que, segundo as suas espécies, dêem fruto que tenha em si a sua
semente, sobre a terra. E assim foi.
- A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo as suas
espécies, e árvores que davam fruto que tinha em si a sua semente, segundo as
suas espécies. E viu Deus que isso era bom.
- E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.
- E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação
entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e
anos;
- e sirvam de luminares no firmamento do céu, para alumiar a terra. E assim
foi.
- Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o
dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas.
- E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra,
- para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as
trevas. E viu Deus que isso era bom.
- E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.
- E disse Deus: Produzam as águas cardumes de seres viventes; e voem as aves
acima da terra no firmamento do céu.
- Criou, pois, Deus os monstros marinhos, e todos os seres viventes que se
arrastavam, os quais as águas produziram abundantemente segundo as suas
espécies; e toda ave que voa, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era
bom.
- Então Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as
águas dos mares; e multipliquem-se as aves sobre a terra.
- E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.
- E disse Deus: Produza a terra seres viventes segundo as suas espécies:
animais domésticos, répteis, e animais selvagens segundo as suas espécies. E
assim foi.
- Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os
animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra
segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom.
- E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;
domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais
domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a
terra.
- Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou.
- Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei
a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e
sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.
- Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem
semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as
árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento.
- E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente
que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como
mantimento. E assim foi.
- E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a
manhã, o dia sexto.
- Assim foram acabados os céus e a terra, com todo o seu exército.
- Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito,
descansou nesse dia de toda a obra que fizera.
- Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda
a sua obra que criara e fizera.
- Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o
Senhor Deus fez a terra e os céus
- não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do
campo tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a
terra, nem havia homem para lavrar a terra.
- Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.
- E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o
fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.
- Então plantou o Senhor Deus um jardim, da banda do oriente, no Éden; e pôs
ali o homem que tinha formado.
- E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à
vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a
árvore do conhecimento do bem e do mal.
- E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava
em quatro braços.
- O nome do primeiro é Pisom: este é o que rodeia toda a terra de Havilá,
onde há ouro;
- e o ouro dessa terra é bom: ali há o bdélio, e a pedra de berilo.
- O nome do segundo rio é Giom: este é o que rodeia toda a terra de
Cuche.
- O nome do terceiro rio é Tigre: este é o que corre pelo oriente da
Assíria. E o quarto rio é o Eufrates.
- Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o
lavrar e guardar.
- Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes
comer livremente;
- mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque
no dia em que dela comeres, certamente morrerás.
- Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma
ajudadora que lhe seja idônea.
- Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as
aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o
homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome.
- Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a
todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora
idônea.
- Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este
adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu
lugar;
- e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao
homem.
- Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha
carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.
- Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher,
e serão uma só carne.
- E ambos estavam nus, o homem e sua mulher; e não se envergonhavam.
- Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o
Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não
comereis de toda árvore do jardim?
- Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos
comer,
- mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não
comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.
- Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.
- Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se
abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.
- Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável
aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto,
comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.
- Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo
que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.
- E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha,
esconderam-se o homem e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as
árvores do jardim.
- Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás?
- Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava
nu; e escondi-me.
- Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore
de que te ordenei que não comesses?
- Ao que respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me a
árvore, e eu comi.
- Perguntou o Senhor Deus à mulher: Que é isto que fizeste? Respondeu a
mulher: A serpente enganou-me, e eu comi.
- Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita
serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do
campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua
vida.
- Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua
descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
- E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor
darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te
dominará.
- E ao homem disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste
da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por
tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida.
- Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo.
- Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque
dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.
- Chamou Adão à sua mulher Eva, porque era a mãe de todos os viventes.
- E o Senhor Deus fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os
vestiu.
- Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tem tornado como um de nós,
conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tome também
da árvore da vida, e coma e viva eternamente.
- O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden para lavrar a terra,
de que fora tomado.
- E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os
querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para
guardar o caminho da árvore da vida.
- Conheceu Adão a Eva, sua mulher; ela concebeu e, tendo dado à luz a Caim,
disse: Alcancei do Senhor um varão.
- Tornou a dar à luz a um filho - a seu irmão Abel. Abel foi pastor de
ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.
- Ao cabo de dias trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
- Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura.
Ora, atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta,
- mas para Caim e para a sua oferta não atentou. Pelo que irou-se Caim
fortemente, e descaiu-lhe o semblante.
- Então o Senhor perguntou a Caim: Por que te iraste? e por que está
descaído o teu semblante?
- Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se
não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo; mas
sobre ele tu deves dominar.
- Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se
levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.
- Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu
ele: Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?
- E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a
mim desde a terra.
- Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão
receber o sangue de teu irmão.
- Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e
vagabundo serás na terra.
- Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa
suportar.
- Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei
escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar
matar-me-á.
- O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre
ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse
quem quer que o encontrasse.
- Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao
oriente do Éden.
- Conheceu Caim a sua mulher, a qual concebeu, e deu à luz a Enoque. Caim
edificou uma cidade, e lhe deu o nome do filho, Enoque.
- A Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meüjael, e Meüjael gerou a
Metusael, e Metusael gerou a Lameque.
- Lameque tomou para si duas mulheres: o nome duma era Ada, e o nome da
outra Zila.
- E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e
possuem gado.
- O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa
e flauta.
- A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento
cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naama.
- Disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zila, ouvi a minha voz; escutai,
mulheres de Lameque, as minhas palavras; pois matei um homem por me ferir, e
um mancebo por me pisar.
- Se Caim há de ser vingado sete vezes, com certeza Lameque o será setenta e
sete vezes.
- Tornou Adão a conhecer sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem pôs o
nome de Sete; porque, disse ela, Deus me deu outro filho em lugar de Abel;
porquanto Caim o matou.
- A Sete também nasceu um filho, a quem pôs o nome de Enos. Foi nesse tempo,
que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.
- Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à
semelhança de Deus o fez.
- Homem e mulher os criou; e os abençoou, e os chamou pelo nome de homem, no
dia em que foram criados.
- Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança,
conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.
- E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos; e gerou
filhos e filhas.
- Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e
morreu.
- Sete viveu cento e cinco anos, e gerou a Enos.
- Viveu Sete, depois que gerou a Enos, oitocentos e sete anos; e gerou
filhos e filhas.
- Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e morreu.
- Enos viveu noventa anos, e gerou a Quenã.
- viveu Enos, depois que gerou a Quenã, oitocentos e quinze anos; e gerou
filhos e filhas.
- Todos os dias de Enos foram novecentos e cinco anos; e morreu.
- Quenã viveu setenta anos, e gerou a Maalalel.
- Viveu Quenã, depois que gerou a Maalalel, oitocentos e quarenta anos, e
gerou filhos e filhas.
- Todos os dias de Quenã foram novecentos e dez anos; e morreu.
- Maalalel viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Jarede.
- Viveu Maalalel, depois que gerou a Jarede, oitocentos e trinta anos; e
gerou filhos e filhas.
- Todos os dias de Maalalel foram oitocentos e noventa e cinco anos; e
morreu.
- Jarede viveu cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque.
- Viveu Jarede, depois que gerou a Enoque, oitocentos anos; e gerou filhos e
filhas.
- Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e
morreu.
- Enoque viveu sessenta e cinco anos, e gerou a Matusalém.
- Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e
gerou filhos e filhas.
- Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos;
- Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou.
- Matusalém viveu cento e oitenta e sete anos, e gerou a Lameque.
- Viveu Matusalém, depois que gerou a Lameque, setecentos e oitenta e dois
anos; e gerou filhos e filhas.
- Todos os dias de Matusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e
morreu.
- Lameque viveu cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho,
- a quem chamou Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do
trabalho de nossas mãos, os quais provêm da terra que o Senhor
amaldiçoou.
- Viveu Lameque, depois que gerou a Noé, quinhentos e noventa e cinco anos;
e gerou filhos e filhas.
- Todos os dias de Lameque foram setecentos e setenta e sete anos; e
morreu.
- E era Noé da idade de quinhentos anos; e gerou Noé a Sem, Cão e
Jafé.
- Sucedeu que, quando os homens começaram a multiplicar-se sobre a terra, e
lhes nasceram filhas,
- viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram
para si mulheres de todas as que escolheram.
- Então disse o Senhor: O meu Espírito não permanecerá para sempre no homem,
porquanto ele é carne, mas os seus dias serão cento e vinte anos.
- Naqueles dias estavam os nefilins na terra, e também depois, quando os
filhos de Deus conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos.
Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na
antigüidade.
- Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a
imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.
- Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe
pesou no coração
- E disse o Senhor: Destruirei da face da terra o homem que criei, tanto o
homem como o animal, os répteis e as aves do céu; porque me arrependo de os
haver feito.
- Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.
- Estas são as gerações de Noé. Era homem justo e perfeito em suas gerações,
e andava com Deus.
- Gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé.
- A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de
violência.
- Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia
corrompido o seu caminho sobre a terra.
- Então disse Deus a Noé: O fim de toda carne é chegado perante mim; porque
a terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente
com a terra.
- Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na arca, e
a revestirás de betume por dentro e por fora.
- Desta maneira a farás: o comprimento da arca será de trezentos côvados, a
sua largura de cinqüenta e a sua altura de trinta.
- Farás na arca uma janela e lhe darás um côvado de altura; e a porta da
arca porás no seu lado; fá-la-ás com andares, baixo, segundo e terceiro.
- Porque eis que eu trago o dilúvio sobre a terra, para destruir, de debaixo
do céu, toda a carne em que há espírito de vida; tudo o que há na terra
expirará.
- Mas contigo estabelecerei o meu pacto; entrarás na arca, tu e contigo teus
filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos.
- De tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na
arca, para os conservares vivos contigo; macho e fêmea serão.
- Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de
todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a
ti, para os conservares em vida.
- Leva contigo de tudo o que se come, e ajunta-o para ti; e te será para
alimento, a ti e a eles.
- Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.
- Depois disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque
tenho visto que és justo diante de mim nesta geração.
- De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua
fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea;
- também das aves do céu sete e sete, macho e fêmea, para se conservar em
vida sua espécie sobre a face de toda a terra.
- Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias
e quarenta noites, e exterminarei da face da terra todas as criaturas que
fiz.
- E Noé fez segundo tudo o que o Senhor lhe ordenara.
- Tinha Noé seiscentos anos de idade, quando o dilúvio veio sobre a
terra.
- Noé entrou na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus
filhos, por causa das águas do dilúvio.
- Dos animais limpos e dos que não são limpos, das aves, e de todo réptil
sobre a terra,
- entraram dois a dois para junto de Noé na arca, macho e fêmea, como Deus
ordenara a Noé.
- Passados os sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio.
- No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do
mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se
abriram,
- e caiu chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.
- Nesse mesmo dia entrou Noé na arca, e juntamente com ele seus filhos Sem,
Cão e Jafé, como também sua mulher e as três mulheres de seus filhos,
- e com eles todo animal segundo a sua espécie, todo o gado segundo a sua
espécie, todo réptil que se arrasta sobre a terra segundo a sua espécie e toda
ave segundo a sua espécie, pássaros de toda qualidade.
- Entraram para junto de Noé na arca, dois a dois de toda a carne em que
havia espírito de vida.
- E os que entraram eram macho e fêmea de toda a carne, como Deus lhe tinha
ordenado; e o Senhor o fechou dentro.
- Veio o dilúvio sobre a terra durante quarenta dias; e as águas cresceram e
levantaram a arca, e ela se elevou por cima da terra.
- Prevaleceram as águas e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca
vagava sobre as águas.
- As águas prevaleceram excessivamente sobre a terra; e todos os altos
montes que havia debaixo do céu foram cobertos.
- Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e assim foram
cobertos.
- Pereceu toda a carne que se movia sobre a terra, tanto ave como gado,
animais selvagens, todo réptil que se arrasta sobre a terra, e todo
homem.
- Tudo o que tinha fôlego do espírito de vida em suas narinas, tudo o que
havia na terra seca, morreu.
- Assim foram exterminadas todas as criaturas que havia sobre a face da
terra, tanto o homem como o gado, o réptil, e as aves do céu; todos foram
exterminados da terra; ficou somente Noé, e os que com ele estavam na
arca.
- E prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinqüenta dias.
- Deus lembrou-se de Noé, de todos os animais e de todo o gado, que estavam
com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra, e as águas
começaram a diminuir.
- Cerraram-se as fontes do abismo e as janelas do céu, e a chuva do céu se
deteve;
- as águas se foram retirando de sobre a terra; no fim de cento e cinqüenta
dias começaram a minguar.
- No sétimo mês, no dia dezessete do mês, repousou a arca sobre os montes de
Arará.
- E as águas foram minguando até o décimo mês; no décimo mês, no primeiro
dia do mês, apareceram os cumes dos montes.
- Ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela que havia feito na
arca;
- soltou um corvo que, saindo, ia e voltava até que as águas se secaram de
sobre a terra.
- Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a
face da terra;
- mas a pomba não achou onde pousar a planta do pé, e voltou a ele para a
arca; porque as águas ainda estavam sobre a face de toda a terra; e Noé,
estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca.
- Esperou ainda outros sete dias, e tornou a soltar a pomba fora da
arca.
- Â tardinha a pomba voltou para ele, e eis no seu bico uma folha verde de
oliveira; assim soube Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.
- Então esperou ainda outros sete dias, e soltou a pomba; e esta não tornou
mais a ele.
- No ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês,
secaram-se as águas de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca: e
olhou, e eis que a face a terra estava enxuta.
- No segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.
- Então falou Deus a Noé, dizendo:
- Sai da arca, tu, e juntamente contigo tua mulher, teus filhos e as
mulheres de teus filhos.
- Todos os animais que estão contigo, de toda a carne, tanto aves como gado
e todo réptil que se arrasta sobre a terra, traze-os para fora contigo; para
que se reproduzam abundantemente na terra, frutifiquem e se multipliquem sobre
a terra.
- Então saiu Noé, e com ele seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus
filhos;
- todo animal, todo réptil e toda ave, tudo o que se move sobre a terra,
segundo as suas famílias, saiu da arca.
- Edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo animal limpo e de toda
ave limpa, e ofereceu holocaustos sobre o altar.
- Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a
amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem
é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo
de fazer.
- Enquanto a terra durar, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e
calor, verão e inverno, dia e noite.
- Abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e
multiplicai-vos, e enchei a terra.
- Terão medo e pavor de vós todo animal da terra, toda ave do céu, tudo o
que se move sobre a terra e todos os peixes do mar; nas vossas mãos são
entregues.
- Tudo quanto se move e vive vos servirá de mantimento, bem como a erva
verde; tudo vos tenho dado.
- A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.
- Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; de todo
animal o requererei; como também do homem, sim, da mão do irmão de cada um
requererei a vida do homem.
- Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado;
porque Deus fez o homem à sua imagem.
- Mas vós frutificai, e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e
multiplicai-vos nela.
- Disse também Deus a Noé, e a seus filhos com ele:
- Eis que eu estabeleço o meu pacto convosco e com a vossa descendência
depois de vós,
- e com todo ser vivente que convosco está: com as aves, com o gado e com
todo animal da terra; com todos os que saíram da arca, sim, com todo animal da
terra.
- Sim, estabeleço o meu pacto convosco; não será mais destruída toda a carne
pelas águas do dilúvio; e não haverá mais dilúvio, para destruir a
terra.
- E disse Deus: Este é o sinal do pacto que firmo entre mim e vós e todo ser
vivente que está convosco, por gerações perpétuas:
- O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver um pacto
entre mim e a terra.
- E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o
arco nas nuvens,
- então me lembrarei do meu pacto, que está entre mim e vós e todo ser
vivente de toda a carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio para
destruir toda a carne.
- O arco estará nas nuvens, e olharei para ele a fim de me lembrar do pacto
perpétuo entre Deus e todo ser vivente de toda a carne que está sobre a
terra.
- Disse Deus a Noé ainda: Esse é o sinal do pacto que tenho estabelecido
entre mim e toda a carne que está sobre a terra.
- Ora, os filhos de Noé, que saíram da arca, foram Sem, Cão e Jafé; e Cão é
o pai de Canaã.
- Estes três foram os filhos de Noé; e destes foi povoada toda a
terra.
- E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha.
- Bebeu do vinho, e embriagou-se; e achava-se nu dentro da sua tenda.
- E Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e o contou a seus dois irmãos
que estavam fora.
- Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre os seus ombros, e
andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai, tendo os rostos
virados, de maneira que não viram a nudez de seu pai.
- Despertado que foi Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe
fizera;
- e disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos.
- Disse mais: Bendito seja o Senhor, o Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por
servo.
- Alargue Deus a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por
servo.
- Viveu Noé, depois do dilúvio, trezentos e cinqüenta anos.
- E foram todos os dias de Noé novecentos e cinqüenta anos; e morreu.
- Estas, pois, são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cão e Jafé, aos quais
nasceram filhos depois do dilúvio.
- Os filhos de Jafé: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e
Tiras.
- Os filhos de Gomer: Asquenaz, Rifate e Togarma.
- Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim.
- Por estes foram repartidas as ilhas das nações nas suas terras, cada qual
segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações.
- Os filhos de Cão: Cuche, Mizraim, Pute e Canaã.
- Os filhos de Cuche: Seba, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá; e os filhos de
Raamá são Sebá e Dedã.
- Cuche também gerou a Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na
terra.
- Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz: Como Ninrode,
poderoso caçador diante do Senhor.
- O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de
Sinar.
- Desta mesma terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir,
Calá,
- e Résem entre Nínive e Calá (esta é a grande cidade).
- Mizraim gerou a Ludim, Anamim, Leabim, Naftuim,
- Patrusim, Casluim (donde saíram os filisteus) e Caftorim.
- Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e Hete,
- e ao jebuseu, o amorreu, o girgaseu,
- o heveu, o arqueu, o sineu,
- o arvadeu, o zemareu e o hamateu. Depois se espalharam as famílias dos
cananeus.
- Foi o termo dos cananeus desde Sidom, em direção a Gerar, até Gaza; e daí
em direção a Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa.
- São esses os filhos de Cão segundo as suas famílias, segundo as suas
línguas, em suas terras, em suas nações.
- A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de
Jafé, a ele também nasceram filhos.
- Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.
- Os filhos de Arão: Uz, Hul, Geter e Más.
- Arfaxade gerou a Selá; e Selá gerou a Eber.
- A Eber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porque nos seus
dias foi dividida a terra; e o nome de seu irmão foi Joctã.
- Joctã gerou a Almodá, Selefe, Hazarmavé, Jerá,
- Hadorão, Usal, Dicla,
- Obal, Abimael, Sebá,
- Ofir, Havilá e Jobabe: todos esses foram filhos de Joctã.
- E foi a sua habitação desde Messa até Sefar, montanha do oriente.
- Esses são os filhos de Sem segundo as suas famílias, segundo as suas
línguas, em suas terras, segundo as suas nações.
- Essas são as famílias dos filhos de Noé segundo as suas gerações, em suas
nações; e delas foram disseminadas as nações na terra depois do dilúvio.
- Ora, toda a terra tinha uma só língua e um só idioma.
- E deslocando-se os homens para o oriente, acharam um vale na terra de
Sinar; e ali habitaram.
- Disseram uns aos outros: Eia pois, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os
tijolos lhes serviram de pedras e o betume de argamassa.
- Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume
toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a
face de toda a terra.
- Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens
edificavam;
- e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que
começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem
fazer.
- Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um
a língua do outro.
- Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram
de edificar a cidade.
- Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a
linguagem de toda a terra, e dali o Senhor os espalhou sobre a face de toda a
terra.
- Estas são as gerações de Sem. Tinha ele cem anos, quando gerou a Arfaxade,
dois anos depois do dilúvio.
- E viveu Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos; e gerou filhos
e filhas.
- Arfaxade viveu trinta e cinco anos, e gerou a Selá.
- Viveu Arfaxade, depois que gerou a Selá, quatrocentos e três anos; e gerou
filhos e filhas.
- Selá viveu trinta anos, e gerou a Eber.
- Viveu Selá, depois que gerou a Eber, quatrocentos e três anos; e gerou
filhos e filhas.
- Eber viveu trinta e quatro anos, e gerou a Pelegue.
- Viveu Eber, depois que gerou a Pelegue, quatrocentos e trinta anos; e
gerou filhos e filhas.
- Pelegue viveu trinta anos, e gerou a Reú.
- Viveu Pelegue, depois que gerou a Reú, duzentos e nove anos; e gerou
filhos e filhas.
- Reú viveu trinta e dois anos, e gerou a Serugue.
- Viveu Reú, depois que gerou a Serugue, duzentos e sete anos; e gerou
filhos e filhas.
- Serugue viveu trinta anos, e gerou a Naor.
- Viveu Serugue, depois que gerou a Naor, duzentos anos; e gerou filhos e
filhas.
- Naor viveu vinte e nove anos, e gerou a Tera.
- Viveu Naor, depois que gerou a Tera, cento e dezenove anos; e gerou filhos
e filhas.
- Tera viveu setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor e a Harã.
- Estas são as gerações de Tera: Tera gerou a Abrão, a Naor e a Harã; e Harã
gerou a Ló.
- Harã morreu antes de seu pai Tera, na terra do seu nascimento, em Ur dos
Caldeus.
- Abrão e Naor tomaram mulheres para si: o nome da mulher de Abrão era
Sarai, e o nome da mulher do Naor era Milca, filha de Harã, que foi pai de
Milca e de Iscá.
- Sarai era estéril; não tinha filhos.
- Tomou Tera a Abrão seu filho, e a Ló filho de Harã, filho de seu filho, e
a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos
Caldeus, a fim de ir para a terra de Canaã; e vieram até Harã, e ali
habitaram.
- Foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e morreu Tera em Harã.
- Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da
casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
- Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu
nome; e tu, sê uma bênção.
- Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar;
e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
- Partiu, pois Abrão, como o Senhor lhe ordenara, e Ló foi com ele. Tinha
Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
- Abrão levou consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e
todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhes acresceram em Harã; e
saíram a fim de irem à terra de Canaã; e à terra de Canaã chegaram.
- Passou Abrão pela terra até o lugar de Siquém, até o carvalho de Moré.
Nesse tempo estavam os cananeus na terra.
- Apareceu, porém, o Senhor a Abrão, e disse: ë tua semente darei esta
terra. Abrão, pois, edificou ali um altar ao Senhor, que lhe aparecera.
- Então passou dali para o monte ao oriente de Betel, e armou a sua tenda,
ficando-lhe Betel ao ocidente, e Ai ao oriente; também ali edificou um altar
ao Senhor, e invocou o nome do Senhor.
- Depois continuou Abrão o seu caminho, seguindo ainda para o sul.
- Ora, havia fome naquela terra; Abrão, pois, desceu ao Egito, para
peregrinar ali, porquanto era grande a fome na terra.
- Quando ele estava prestes a entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher:
Ora, bem sei que és mulher formosa à vista;
- e acontecerá que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é mulher dele.
E me matarão a mim, mas a ti te guardarão em vida.
- Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa, e que
viva a minha alma em atenção a ti.
- E aconteceu que, entrando Abrão no Egito, viram os egípcios que a mulher
era mui formosa.
- Até os príncipes de Faraó a viram e gabaram-na diante dele; e foi levada a
mulher para a casa de Faraó.
- E ele tratou bem a Abrão por causa dela; e este veio a ter ovelhas, bois e
jumentos, servos e servas, jumentas e camelos.
- Feriu, porém, o Senhor a Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa
de Sarai, mulher de Abrão.
- Então chamou Faraó a Abrão, e disse: Que é isto que me fizeste? por que
não me disseste que ela era tua mulher?
- Por que disseste: E minha irmã? de maneira que a tomei para ser minha
mulher. Agora, pois, eis aqui tua mulher; toma-a e vai-te.
- E Faraó deu ordens aos seus guardas a respeito dele, os quais o despediram
a ele, e a sua mulher, e a tudo o que tinha.
- Subiu, pois, Abrão do Egito para o Negebe, levando sua mulher e tudo o que
tinha, e Ló o acompanhava.
- Abrão era muito rico em gado, em prata e em ouro.
- Nas suas jornadas subiu do Negebe para Betel, até o lugar onde outrora
estivera a sua tenda, entre Betel e Ai,
- até o lugar do altar, que dantes ali fizera; e ali invocou Abrão o nome do
Senhor.
- E também Ló, que ia com Abrão, tinha rebanhos, gado e tendas.
- Ora, a terra não podia sustentá-los, para eles habitarem juntos; porque os
seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos.
- Pelo que houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores
do gado de Ló. E nesse tempo os cananeus e os perizeus habitavam na
terra.
- Disse, pois, Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os
meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos.
- Porventura não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de
mim. Se tu escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita
escolheres, irei eu para a esquerda.
- Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda
bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o
jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar.
- E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente;
assim se apartaram um do outro.
- Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e
foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma.
- Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o
Senhor.
- E disse o Senhor a Abrão, depois que Ló se apartou dele: Levanta agora os
olhos, e olha desde o lugar onde estás, para o norte, para o sul, para o
oriente e para o ocidente;
- porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência,
para sempre.
- E farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que se puder ser
contado o pó da terra, então também poderá ser contada a tua
descendência.
- Levanta-te, percorre esta terra, no seu comprimento e na sua largura;
porque a darei a ti.
- Então mudou Abrão as suas tendas, e foi habitar junto dos carvalhos de
Manre, em Hebrom; e ali edificou um altar ao Senhor.
- Aconteceu nos dias de Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar,
Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goiim,
- que estes fizeram guerra a Bera, rei de Sodoma, a Birsa, rei de Gomorra, a
Sinabe, rei de Admá, a Semeber, rei de Zeboim, e ao rei de Belá (esta é
Zoar).
- Todos estes se ajuntaram no vale de Sidim (que é o Mar Salgado).
- Doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas ao décimo terceiro ano
rebelaram-se.
- Por isso, ao décimo quarto ano veio Quedorlaomer, e os reis que estavam
com ele, e feriram aos refains em Asterote-Carnaim, aos zuzins em Hão, aos
emins em Savé-Quiriataim,
- e aos horeus no seu monte Seir, até El-Parã, que está junto ao
deserto.
- Depois voltaram e vieram a En-Mispate (que é Cades), e feriram toda a
terra dos amalequitas, e também dos amorreus, que habitavam em
Hazazom-Tamar.
- Então saíram os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá
(esta é Zoar), e ordenaram batalha contra eles no vale de Sidim,
- contra Quedorlaomer, rei de Elão, Tidal, rei de Goiim, Anrafel, rei de
Sinar, e Arioque, rei de Elasar; quatro reis contra cinco.
- Ora, o vale de Sidim estava cheio de poços de betume; e fugiram os reis de
Sodoma e de Gomorra, e caíram ali; e os restantes fugiram para o monte.
- Tomaram, então, todos os bens de Sodoma e de Gomorra com todo o seu
mantimento, e se foram.
- Tomaram também a Ló, filho do irmão de Abrão, que habitava em Sodoma, e os
bens dele, e partiram.
- Então veio um que escapara, e o contou a Abrão, o hebreu. Ora, este
habitava junto dos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner;
estes eram aliados de Abrão.
- Ouvindo, pois, Abrão que seu irmão estava preso, levou os seus homens
treinados, nascidos em sua casa, em número de trezentos e dezoito, e perseguiu
os reis até Dã.
- Dividiu-se contra eles de noite, ele e os seus servos, e os feriu,
perseguindo-os até Hobá, que fica à esquerda de Damasco.
- Assim tornou a trazer todos os bens, e tornou a trazer também a Ló, seu
irmão, e os bens dele, e também as mulheres e o povo.
- Depois que Abrão voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com
ele, saiu-lhe ao encontro o rei de Sodoma, no vale de Savé (que é o vale do
rei).
- Ora, Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; pois era sacerdote
do Deus Altíssimo;
- e abençoou a Abrão, dizendo: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o
Criador dos céus e da terra!
- E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas
mãos! E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
- Então o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas; e os bens
toma-os para ti.
- Abrão, porém, respondeu ao rei de Sodoma: Levanto minha mão ao Senhor, o
Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra,
- jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem
uma correia de sapato, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão;
- salvo tão somente o que os mancebos comeram, e a parte que toca aos homens
Aner, Escol e Manre, que foram comigo; que estes tomem a sua parte.
- Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão numa visão, dizendo:
Não temas, Abrão; eu sou o teu escudo, o teu galardão será grandíssimo.
- Então disse Abrão: Ó Senhor Deus, que me darás, visto que morro sem
filhos, e o herdeiro de minha casa é o damasceno Eliézer?
- Disse mais Abrão: A mim não me tens dado filhos; eis que um nascido na
minha casa será o meu herdeiro.
- Ao que lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Este não será o teu
herdeiro; mas aquele que sair das tuas entranhas, esse será o teu
herdeiro.
- Então o levou para fora, e disse: Olha agora para o céu, e conta as
estrelas, se as podes contar; e acrescentou-lhe: Assim será a tua
descendência.
- E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça.
- Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te
dar esta terra em herança.
- Ao que lhe perguntou Abrão: Ó Senhor Deus, como saberei que hei de
herdá-la?
- Respondeu-lhe: Toma-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos,
um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho.
- Ele, pois, lhe trouxe todos estes animais, partiu-os pelo meio, e pôs cada
parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu.
- E as aves de rapina desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as
enxotava.
- Ora, ao pôr do sol, caiu um profundo sono sobre Abrão; e eis que lhe
sobrevieram grande pavor e densas trevas.
- Então disse o Senhor a Abrão: Sabe com certeza que a tua descendência será
peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por
quatrocentos anos;
- sabe também que eu julgarei a nação a qual ela tem de servir; e depois
sairá com muitos bens.
- Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás
sepultado.
- Na quarta geração, porém, voltarão para cá; porque a medida da iniqüidade
dos amorreus não está ainda cheia.
- Quando o sol já estava posto, e era escuro, eis um fogo fumegante e uma
tocha de fogo, que passaram por entre aquelas metades.
- Naquele mesmo dia fez o Senhor um pacto com Abrão, dizendo: Â tua
descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio
Eufrates;
- e o queneu, o quenizeu, o cadmoneu,
- o heteu, o perizeu, os refains,
- o amorreu, o cananeu, o girgaseu e o jebuseu.
- Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos. Tinha ela uma serva
egípcia, que se chamava Agar.
- Disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de ter filhos; toma,
pois, a minha serva; porventura terei filhos por meio dela. E ouviu Abrão a
voz de Sarai.
- Assim Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar a egípcia, sua serva, e a deu
por mulher a Abrão seu marido, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra
de Canaã.
- E ele conheceu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua
senhora desprezada aos seus olhos.
- Então disse Sarai a Abrão: Sobre ti seja a afronta que me é dirigida a
mim; pus a minha serva em teu regaço; vendo ela agora que concebeu, sou
desprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti.
- Ao que disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está nas tuas mãos; faze-lhe
como bem te parecer. E Sarai maltratou-a, e ela fugiu de sua face.
- Então o anjo do Senhor, achando-a junto a uma fonte no deserto, a fonte
que está no caminho de Sur,
- perguntou-lhe: Agar, serva de Sarai, donde vieste, e para onde vais?
Respondeu ela: Da presença de Sarai, minha senhora, vou fugindo.
- Disse-lhe o anjo do Senhor: Torna-te para tua senhora, e humilha-te
debaixo das suas mãos.
- Disse-lhe mais o anjo do Senhor: Multiplicarei sobremaneira a tua
descendência, de modo que não será contada, por numerosa que será.
- Disse-lhe ainda o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e terás um filho, a
quem chamarás Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição.
- Ele será como um jumento selvagem entre os homens; a sua mão será contra
todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus
irmãos.
- E ela chamou, o nome do Senhor, que com ela falava, El-Rói; pois disse:
Não tenho eu também olhado neste lugar para aquele que me vê?
- Pelo que se chamou aquele poço Beer-Laai-Rói; ele está entre Cades e
Berede.
- E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão pôs o nome de Ismael no seu filho que
tivera de Agar.
- Ora, tinha Abrão oitenta e seis anos, quando Agar lhe deu Ismael.
- Quando Abrão tinha noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse:
Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e sê perfeito;
- e firmarei o meu pacto contigo, e sobremaneira te multiplicarei.
- Ao que Abrão se prostrou com o rosto em terra, e Deus falou-lhe,
dizendo:
- Quanto a mim, eis que o meu pacto é contigo, e serás pai de muitas
nações;
- não mais serás chamado Abrão, mas Abraão será o teu nome; pois por pai de
muitas nações te hei posto;
- far-te-ei frutificar sobremaneira, e de ti farei nações, e reis sairão de
ti;
- estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em
suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua
descendência depois de ti.
- Dar-te-ei a ti e à tua descendência depois de ti a terra de tuas
peregrinações, toda a terra de Canaã, em perpétua possessão; e serei o seu
Deus.
- Disse mais Deus a Abraão: Ora, quanto a ti, guardarás o meu pacto, tu e a
tua descendência depois de ti, nas suas gerações.
- Este é o meu pacto, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência
depois de ti: todo varão dentre vugar para aquele que me
- Circuncidar-vos-eis na carne do prepúcio; e isto será por sinal de pacto
entre mim e vós.
- Â idade de oito dias, todo varão dentre vós será circuncidado, por todas
as vossas gerações, tanto o nascido em casa como o comprado por dinheiro a
qualquer estrangeiro, que não for da tua linhagem.
- Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu
dinheiro; assim estará o meu pacto na vossa carne como pacto perpétuo.
- Mas o incircunciso, que não se circuncidar na carne do prepúcio, essa alma
será extirpada do seu povo; violou o meu pacto.
- Disse Deus a Abraão: Quanto a Sarai, tua, mulher, não lhe chamarás mais
Sarai, porem Sara será o seu nome.
- Abençoá-la-ei, e também dela te darei um filho; sim, abençoá-la-ei, e ela
será mãe de nações; reis de povos sairão dela.
- Ao que se prostrou Abraão com o rosto em terra, e riu-se, e disse no seu
coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara, que
tem noventa anos?
- Depois disse Abraão a Deus: Oxalá que viva Ismael diante de ti!
- E Deus lhe respondeu: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará à luz um
filho, e lhe chamarás Isaque; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto
perpétuo para a sua descendência depois dele.
- E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis que o tenho abençoado, e
fá-lo-ei frutificar, e multiplicá-lo-ei grandissimamente; doze príncipes
gerará, e dele farei uma grande nação.
- O meu pacto, porém, estabelecerei com Isaque, que Sara te dará à luz neste
tempo determinado, no ano vindouro.
- Ao acabar de falar com Abraão, subiu Deus diante dele.
- Logo tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa e
a todos os comprados por seu dinheiro, todo varão entre os da casa de Abraão,
e lhes circuncidou a carne do prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus lhe
ordenara.
- Abraão tinha noventa e nove anos, quando lhe foi circuncidada a carne do
prepúcio;
- E Ismael, seu filho, tinha treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne
do prepúcio.
- No mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.
- E todos os homens da sua casa, assim os nascidos em casa, como os
comprados por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele.
- Depois apareceu o Senhor a Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando
ele sentado à porta da tenda, no maior calor do dia.
- Levantando Abraão os olhos, olhou e eis três homens de pé em frente dele.
Quando os viu, correu da porta da tenda ao seu encontro, e prostrou-se em
terra,
- e disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te
que não passes de teu servo.
- Eia, traga-se um pouco d`água, e lavai os pés e recostai-vos debaixo da
árvore;
- e trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, e depois passareis
adiante; porquanto por isso chegastes ate o vosso servo. Responderam-lhe: Faze
assim como disseste.
- Abraão, pois, apressou-se em ir ter com Sara na tenda, e disse-lhe: Amassa
depressa três medidas de flor de farinha e faze bolos.
- Em seguida correu ao gado, apanhou um bezerro tenro e bom e deu-o ao
criado, que se apressou em prepará-lo.
- Então tomou queijo fresco, e leite, e o bezerro que mandara preparar, e
pôs tudo diante deles, ficando em pé ao lado deles debaixo da árvore, enquanto
comiam.
- Perguntaram-lhe eles: Onde está Sara, tua mulher? Ele respondeu: Está ali
na tenda.
- E um deles lhe disse: certamente tornarei a ti no ano vindouro; e eis que
Sara tua mulher terá um filho. E Sara estava escutando à porta da tenda, que
estava atrás dele.
- Ora, Abraão e Sara eram já velhos, e avançados em idade; e a Sara havia
cessado o incômodo das mulheres.
- Sara então riu-se consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver
envelhecido, sendo também o meu senhor ja velho?
- Perguntou o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: É verdade que
eu, que sou velha, darei à luz um filho?
- Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor? Ao tempo determinado, no
ano vindouro, tornarei a ti, e Sara terá um filho.
- Então Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto ela teve medo. Ao que ele
respondeu: Não é assim; porque te riste.
- E levantaram-se aqueles homens dali e olharam para a banda de Sodoma; e
Abraão ia com eles, para os encaminhar.
- E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço,
- visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e por
meio dele serão benditas todas as nações da terra?
- Porque eu o tenho escolhido, a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua
casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para praticarem
retidão e justiça; a fim de que o Senhor faça vir sobre Abraão o que a
respeito dele tem falado.
- Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem
multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito,
- descerei agora, e verei se em tudo têm praticado segundo o seu clamor, que
a mim tem chegado; e se não, sabê-lo-ei.
- Então os homens, virando os seus rostos dali, foram-se em direção a
Sodoma; mas Abraão ficou ainda em pé diante do Senhor.
- E chegando-se Abraão, disse: Destruirás também o justo com o ímpio?
- Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás e não pouparás
o lugar por causa dos cinqüenta justos que ali estão?
- Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio, de modo
que o justo seja como o ímpio; esteja isto longe de ti. Não fará justiça o
juiz de toda a terra?
- Então disse o Senhor: Se eu achar em Sodoma cinqüenta justos dentro da
cidade, pouparei o lugar todo por causa deles.
- Tornou-lhe Abraão, dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor,
ainda que sou pó e cinza.
- Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás toda a cidade
por causa dos cinco? Respondeu ele: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta
e cinco.
- Continuou Abraão ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali
quarenta? Mais uma vez assentiu: Por causa dos quarenta não o farei.
- Disse Abraão: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar. Se porventura
se acharem ali trinta? De novo assentiu: Não o farei, se achar ali
trinta.
- Tornou Abraão: Eis que outra vez me a atrevi a falar ao Senhor. Se
porventura se acharem ali vinte? Respondeu-lhe: Por causa dos vinte não a
destruirei.
- Disse ainda Abraão: Ora, não se ire o Senhor, pois só mais esta vez
falarei. Se porventura se acharem ali dez? Ainda assentiu o Senhor: Por causa
dos dez não a destruirei.
- E foi-se o Senhor, logo que acabou de falar com Abraão; e Abraão voltou
para o seu lugar.
- Â tarde chegaram os dois anjos a Sodoma. Ló estava sentado à porta de
Sodoma e, vendo-os, levantou-se para os receber; prostrou-se com o rosto em
terra,
- e disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos em casa de vosso
servo, e passai nela a noite, e lavai os pés; de madrugada vos levantareis e
ireis vosso caminho. Responderam eles: Não; antes na praça passaremos a
noite.
- Entretanto, Ló insistiu muito com eles, pelo que foram com ele e entraram
em sua casa; e ele lhes deu um banquete, assando-lhes pães ázimos, e eles
comeram.
- Mas antes que se deitassem, cercaram a casa os homens da cidade, isto é,
os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos
os lados;
- e, chamando a Ló, perguntaram-lhe: Onde estão os homens que entraram esta
noite em tua casa? Traze-os cá fora a nós, para que os conheçamos.
- Então Ló saiu-lhes à porta, fechando-a atrás de si,
- e disse: Meus irmãos, rogo-vos que não procedais tão perversamente;
- eis aqui, tenho duas filhas que ainda não conheceram varão; eu vo-las
trarei para fora, e lhes fareis como bem vos parecer: somente nada façais a
estes homens, porquanto entraram debaixo da sombra do meu telhado.
- Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Esse indivíduo, como
estrangeiro veio aqui habitar, e quer se arvorar em juiz! Agora te faremos
mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, isto é, sobre
Ló, e aproximavam-se para arrombar a porta.
- Aqueles homens, porém, estendendo as mãos, fizeram Ló entrar para dentro
da casa, e fecharam a porta;
- e feriram de cegueira os que estavam do lado de fora, tanto pequenos como
grandes, de maneira que cansaram de procurar a porta.
- Então disseram os homens a Ló: Tens mais alguém aqui? Teu genro, e teus
filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens na cidade, tira-os para fora deste
lugar;
- porque nós vamos destruir este lugar, porquanto o seu clamor se tem
avolumado diante do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo.
- Tendo saído Ló, falou com seus genros, que haviam de casar com suas
filhas, e disse-lhes: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de
destruir a cidade. Mas ele pareceu aos seus genros como quem estava
zombando.
- E ao amanhecer os anjos apertavam com Ló, dizendo: levanta-te, toma tua
mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças no castigo da
cidade.
- Ele, porém, se demorava; pelo que os homens pegaram-lhe pela mão a ele, à
sua mulher, e às suas filhas, sendo-lhe misericordioso o Senhor. Assim o
tiraram e o puseram fora da cidade.
- Quando os tinham tirado para fora, disse um deles: Escapa-te, salva tua
vida; não olhes para trás de ti, nem te detenhas em toda esta planície;
escapa-te lá para o monte, para que não pereças.
- Respondeu-lhe Ló: Ah, assim não, meu Senhor!
- Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e tens
engrandecido a tua misericórdia que a mim me fizeste, salvando-me a vida; mas
eu não posso escapar-me para o monte; não seja caso me apanhe antes este mal,
e eu morra.
- Eis ali perto aquela cidade, para a qual eu posso fugir, e é pequena.
Permite que eu me escape para lá (porventura não é pequena?), e viverá a minha
alma.
- Disse-lhe: Quanto a isso também te hei atendido, para não subverter a
cidade de que acabas de falar.
- Apressa-te, escapa-te para lá; porque nada poderei fazer enquanto não
tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar.
- Tinha saído o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar.
- Então o Senhor, da sua parte, fez chover do céu enxofre e fogo sobre
Sodoma e Gomorra.
- E subverteu aquelas cidades e toda a planície, e todos os moradores das
cidades, e o que nascia da terra.
- Mas a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida em uma estátua de
sal.
- E Abraão levantou-se de madrugada, e foi ao lugar onde estivera em pé
diante do Senhor;
- e, contemplando Sodoma e Gomorra e toda a terra da planície, viu que subia
da terra fumaça como a de uma fornalha.
- Ora, aconteceu que, destruindo Deus as cidades da planície, lembrou-se de
Abraão, e tirou Ló do meio da destruição, ao subverter aquelas cidades em que
Ló habitara.
- E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele;
porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas
filhas.
- Então a primogênita disse à menor: Nosso pai é já velho, e não há varão na
terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;
- vem, demos a nosso pai vinho a beber, e deitemo-nos com ele, para que
conservemos a descendência de nosso pai.
- Deram, pois, a seu pai vinho a beber naquela noite; e, entrando a
primogênita, deitou-se com seu pai; e não percebeu ele quando ela se deitou,
nem quando se levantou.
- No dia seguinte disse a primogênita à menor: Eis que eu ontem à noite me
deitei com meu pai; demos-lhe vinho a beber também esta noite; e então,
entrando tu, deita-te com ele, para que conservemos a descendência de nosso
pai.
- Tornaram, pois, a dar a seu pai vinho a beber também naquela noite; e,
levantando-se a menor, deitou-se com ele; e não percebeu ele quando ela se
deitou, nem quando se levantou.
- Assim as duas filhas de Ló conceberam de seu pai.
- A primogênita deu a luz a um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos
moabitas de hoje.
- A menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos
amonitas de hoje.
- Partiu Abraão dali para a terra do Negebe, e habitou entre Cades e Sur; e
peregrinou em Gerar.
- E havendo Abraão dito de Sara, sua mulher: É minha irmã; enviou
Abimeleque, rei de Gerar, e tomou a Sara.
- Deus, porém, veio a Abimeleque, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Eis que
estás para morrer por causa da mulher que tomaste; porque ela tem
marido.
- Ora, Abimeleque ainda não se havia chegado a ela: perguntou, pois: Senhor
matarás porventura tambem uma nação justa?
- Não me disse ele mesmo: É minha irmã? e ela mesma me disse: Ele é meu
irmão; na sinceridade do meu coração e na inocência das minhas mãos fiz
isto.
- Ao que Deus lhe respondeu em sonhos: Bem sei eu que na sinceridade do teu
coração fizeste isto; e também eu te tenho impedido de pecar contra mim; por
isso não te permiti tocá-la;
- agora, pois, restitui a mulher a seu marido, porque ele é profeta, e
intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que
certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.
- Levantou-se Abimeleque de manhã cedo e, chamando a todos os seus servos,
falou-lhes aos ouvidos todas estas palavras; e os homens temeram muito.
- Então chamou Abimeleque a Abraão e lhe perguntou: Que é que nos fizeste? e
em que pequei contra ti, para trazeres sobre mim o sobre o meu reino tamanho
pecado? Tu me fizeste o que não se deve fazer.
- Perguntou mais Abimeleque a Abraão: Com que intenção fizeste isto?
- Respondeu Abraão: Porque pensei: Certamente não há temor de Deus neste
lugar; matar-me-ão por causa da minha mulher.
- Além disso ela é realmente minha irmã, filha de meu pai, ainda que não de
minha mãe; e veio a ser minha mulher.
- Quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu lhe disse a ela:
Esta é a graça que me farás: em todo lugar aonde formos, dize de mim: Ele é
meu irmão.
- Então tomou Abimeleque ovelhas e bois, e servos e servas, e os deu a
Abraão; e lhe restituiu Sara, sua mulher;
- e disse-lhe Abimeleque: Eis que a minha terra está diante de ti; habita
onde bem te parecer.
- E a Sara disse: Eis que tenho dado a teu irmão mil moedas de prata; isso
te seja por véu dos olhos a todos os que estão contigo; e perante todos estás
reabilitada.
- Orou Abraão a Deus, e Deus sarou Abimeleque, e a sua mulher e as suas
servas; de maneira que tiveram filhos;
- porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de
Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão.
- O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia
prometido.
- Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo
determinado, de que Deus lhe falara;
- e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de
Isaque.
- E Abraão circuncidou a seu filho Isaque, quando tinha oito dias, conforme
Deus lhe ordenara.
- Ora, Abraão tinha cem anos, quando lhe nasceu Isaque, seu filho.
- Pelo que disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir,
se rirá comigo.
- E acrescentou: Quem diria a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? no
entanto lhe dei um filho na sua velhice.
- cresceu o menino, e foi desmamado; e Abraão fez um grande banquete no dia
em que Isaque foi desmamado.
- Ora, Sara viu brincando o filho de Agar a egípcia, que esta dera à luz a
Abraão.
- Pelo que disse a Abraão: Deita fora esta serva e o seu filho; porque o
filho desta serva não será herdeiro com meu filho, com Isaque.
- Pareceu isto bem duro aos olhos de Abraão, por causa de seu filho.
- Deus, porém, disse a Abraão: Não pareça isso duro aos teus olhos por causa
do moço e por causa da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz;
porque em Isaque será chamada a tua descendência.
- Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto ele é da tua
linhagem.
- Então se levantou Abraão de manhã cedo e, tomando pão e um odre de àgua,
os deu a Agar, pondo-os sobre o ombro dela; também lhe deu o menino e
despediu-a; e ela partiu e foi andando errante pelo deserto de
Beer-Seba.
- E consumida a água do odre, Agar deitou o menino debaixo de um dos
arbustos,
- e foi assentar-se em frente dele, a boa distância, como a de um tiro de
arco; porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. Assim sentada em frente
dele, levantou a sua voz e chorou.
- Mas Deus ouviu a voz do menino; e o anjo de Deus, bradando a Agar desde o
céu, disse-lhe: Que tens, Agar? não temas, porque Deus ouviu a voz do menino
desde o lugar onde está.
- Ergue-te, levanta o menino e toma-o pela mão, porque dele farei uma grande
nação.
- E abriu-lhe Deus os olhos, e ela viu um poço; e foi encher de água o odre
e deu de beber ao menino.
- Deus estava com o menino, que cresceu e, morando no deserto, tornou-se
flecheiro.
- Ele habitou no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe uma mulher da terra do
Egito.
- Naquele mesmo tempo Abimeleque, com Ficol, o chefe do seu exército, falou
a Abraão, dizendo: Deus é contigo em tudo o que fazes;
- agora pois, jura-me aqui por Deus que não te haverás falsamente comigo,
nem com meu filho, nem com o filho do meu filho; mas segundo a beneficência
que te fiz, me farás a mim, e à terra onde peregrinaste.
- Respondeu Abraão: Eu jurarei.
- Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque, por causa de um poço de água, que
os servos de Abimeleque haviam tomado à força.
- Respondeu-lhe Abimeleque: Não sei quem fez isso; nem tu mo fizeste saber,
nem tampouco ouvi eu falar nisso, senão hoje.
- Tomou, pois, Abraão ovelhas e bois, e os deu a Abimeleque; assim fizeram
entre, si um pacto.
- Pôs Abraão, porém, à parte sete cordeiras do rebanho.
- E perguntou Abimeleque a Abraão: Que significam estas sete cordeiras que
puseste à parte?
- Respondeu Abraão: Estas sete cordeiras receberás da minha mão para que me
sirvam de testemunho de que eu cavei este poço.
- Pelo que chamou aquele lugar Beer-Seba, porque ali os dois juraram.
- Assim fizeram uma pacto em Beer-Seba. Depois se levantaram Abimeleque e
Ficol, o chefe do seu exército, e tornaram para a terra dos filisteus.
- Abraão plantou uma tamargueira em Beer-Seba, e invocou ali o nome do
Senhor, o Deus eterno.
- E peregrinou Abraão na terra dos filisteus muitos dias.
- Sucedeu, depois destas coisas, que Deus provou a Abraão, dizendo-lhe:
Abraão! E este respondeu: Eis-me aqui.
- Prosseguiu Deus: Toma agora teu filho; o teu único filho, Isaque, a quem
amas; vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes
que te hei de mostrar.
- Levantou-se, pois, Abraão de manhã cedo, albardou o seu jumento, e tomou
consigo dois de seus moços e Isaque, seu filho; e, tendo cortado lenha para o
holocausto, partiu para ir ao lugar que Deus lhe dissera.
- Ao terceiro dia levantou Abraão os olhos, e viu o lugar de longe.
- E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o
mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós.
- Tomou, pois, Abraão a lenha do holocausto e a pôs sobre Isaque, seu filho;
tomou também na mão o fogo e o cutelo, e foram caminhando juntos.
- Então disse Isaque a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me
aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o
cordeiro para o holocausto?
- Respondeu Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu
filho. E os dois iam caminhando juntos.
- Havendo eles chegado ao lugar que Deus lhe dissera, edificou Abraão ali o
altar e pôs a lenha em ordem; o amarrou, a Isaque, seu filho, e o deitou sobre
o altar em cima da lenha.
- E, estendendo a mão, pegou no cutelo para imolar a seu filho.
- Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde o céu, e disse: Abraão, Abraão! Ele
respondeu: Eis-me aqui.
- Então disse o anjo: Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças
nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu
filho, o teu único filho.
- Nisso levantou Abraão os olhos e olhou, e eis atrás de si um carneiro
embaraçado pelos chifres no mato; e foi Abraão, tomou o carneiro e o ofereceu
em holocausto em lugar de seu filho.
- Pelo que chamou Abraão àquele lugar Jeová-Jiré; donde se diz até o dia de
hoje: No monte do Senhor se proverá.
- Então o anjo do Senhor bradou a Abraão pela segunda vez desde o céu,
- e disse: Por mim mesmo jurei, diz o Senhor, porquanto fizeste isto, e não
me negaste teu filho, o teu único filho,
- que deveras te abençoarei, e grandemente multiplicarei a tua descendência,
como as estrelas do céu e como a areia que está na praia do mar; e a tua
descendência possuirá a porta dos seus inimigos;
- e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto
obedeceste à minha voz.
- Então voltou Abraão aos seus moços e, levantando-se, foram juntos a
Beer-Seba; e Abraão habitou em Beer-Seba.
- Depois destas coisas anunciaram a Abraão, dizendo: Eis que também Milca
tem dado à luz filhos a Naor, teu irmão:
- Uz o seu primogênito, e Buz seu irmão, e Quemuel, pai de Arão,
- e Quesede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel.
- E Betuel gerou a Rebeca. Esses oito deu à luz Milca a Naor, irmão de
Abraão.
- E a sua concubina, que se chamava Reumá, também deu à luz a Teba, Gaão,
Taás e Maacá.
- Ora, os anos da vida de Sara foram cento e vinte e sete.
- E morreu Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; e veio
Abraão lamentá-la e chorar por ela:
- Depois se levantou Abraão de diante do seu morto, e falou aos filhos de
Hete, dizendo:
- Estrangeiro e peregrino sou eu entre vós; dai-me o direito de um lugar de
sepultura entre vós, para que eu sepulte o meu morto, removendo-o de diante da
minha face.
- Responderam-lhe os filhos de Hete:
- Ouve-nos, senhor; príncipe de Deus és tu entre nós; enterra o teu morto na
mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura,
para enterrares o teu morto.
- Então se levantou Abraão e, inclinando-se diante do povo da terra, diante
dos filhos de Hete,
- falou-lhes, dizendo: Se é de vossa vontade que eu sepulte o meu morto de
diante de minha face, ouvi-me e intercedei por mim junto a Efrom, filho de
Zoar,
- para que ele me dê a cova de Macpela, que possui no fim do seu campo; que
ma dê pelo devido preço em posse de sepulcro no meio de vós.
- Ora, Efrom estava sentado no meio dos filhos de Hete; e respondeu Efrom, o
heteu, a Abraão, aos ouvidos dos filhos de Hete, isto é, de todos os que
entravam pela porta da sua cidade, dizendo:
- Não, meu senhor; ouve-me. O campo te dou, também te dou a cova que nele
está; na presença dos filhos do meu povo ta dou; sepulta o teu morto.
- Então Abraão se inclinou diante do povo da terra,
- e falou a Efrom, aos ouvidos do povo da terra, dizendo: Se te agrada,
peço-te que me ouças. Darei o preço do campo; toma-o de mim, e sepultarei ali
o meu morto.
- Respondeu Efrom a Abraão:
- Meu senhor, ouve-me. Um terreno do valor de quatrocentos siclos de prata!
que é isto entre mim e ti? Sepulta, pois, o teu morto.
- E Abraão ouviu a Efrom, e pesou-lhe a prata de que este tinha falado aos
ouvidos dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre
os mercadores.
- Assim o campo de Efrom, que estava em Macpela, em frente de Manre, o campo
e a cova que nele estava, e todo o arvoredo que havia nele, por todos os seus
limites ao redor, se confirmaram
- a Abraão em possessão na presença dos filhos de Hete, isto é, de todos os
que entravam pela porta da sua cidade.
- Depois sepultou Abraão a Sara sua mulher na cova do campo de Macpela, em
frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã.
- Assim o campo e a cova que nele estava foram confirmados a Abraão pelos
filhos de Hete em possessão de sepultura.
- Ora, Abraão era já velho e de idade avançada; e em tudo o Senhor o havia
abençoado.
- E disse Abraão ao seu servo, o mais antigo da casa, que tinha o governo
sobre tudo o que possuía: Põe a tua mão debaixo da minha coxa,
- para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não
tomarás para meu filho mulher dentre as filhas dos cananeus, no meio dos quais
eu habito;
- mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para
meu filho Isaque.
- Perguntou-lhe o servo: Se porventura a mulher não quiser seguir-me a esta
terra, farei, então, tornar teu filho à terra donde saíste?
- Respondeu-lhe Abraão: Guarda-te de fazeres tornar para lá meu filho.
- O Senhor, Deus do céu, que me tirou da casa de meu pai e da terra da minha
parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: Â tua o semente darei esta
terra; ele enviará o seu anjo diante de si, para que tomes de lá mulher para
meu filho.
- Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento;
somente não farás meu filho tornar para lá.
- Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão seu senhor, e
jurou-lhe sobre este negócio.
- Tomou, pois, o servo dez dos camelos do seu senhor, porquanto todos os
bens de seu senhor estavam em sua mão; e, partindo, foi para a Mesopotâmia, à
cidade de Naor.
- Fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto ao poço de água, pela tarde,
à hora em que as mulheres saíam a tirar água.
- E disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me hoje, peço-te, bom
êxito, e usa de benevolência para com o meu senhor Abraão.
- Eis que eu estou em pé junto à fonte, e as filhas dos homens desta cidade
vêm saindo para tirar água;
- faze, pois, que a donzela a quem eu disser: Abaixa o teu cântaro, peço-te,
para que eu beba; e ela responder: Bebe, e também darei de beber aos teus
camelos; seja aquela que designaste para o teu servo Isaque. Assim conhecerei
que usaste de benevolência para com o meu senhor.
- Antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, filha de Betuel, filho de
Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, saía com o seu cântaro sobre o
ombro.
- A donzela era muito formosa à vista, virgem, a quem varão não havia
conhecido; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu.
- Então o servo correu-lhe ao encontro, e disse: Deixa-me beber, peço-te, um
pouco de água do teu cântaro.
- Respondeu ela: Bebe, meu senhor. Então com presteza abaixou o seu cântaro
sobre a mão e deu-lhe de beber.
- E quando acabou de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os
teus camelos, até que acabem de beber.
- Também com presteza despejou o seu cântaro no bebedouro e, correndo outra
vez ao poço, tirou água para todos os camelos dele.
- E o homem a contemplava atentamente, em silêncio, para saber se o Senhor
havia tornado próspera a sua jornada, ou não.
- Depois que os camelos acabaram de beber, tomou o homem um pendente de
ouro, de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as mãos dela, do peso de
dez siclos de ouro;
- e perguntou: De quem és filha? dize-mo, peço-te. Há lugar em casa de teu
pai para nós pousarmos?
- Ela lhe respondeu: Eu sou filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu
a Naor.
- Disse-lhe mais: Temos palha e forragem bastante, e lugar para
pousar.
- Então inclinou-se o homem e adorou ao Senhor;
- e disse: Bendito seja o Senhor Deus de meu senhor Abraão, que não retirou
do meu senhor a sua benevolência e a sua verdade; quanto a mim, o Senhor me
guiou no caminho à casa dos irmãos de meu senhor.
- A donzela correu, e relatou estas coisas aos da casa de sua mãe.
- Ora, Rebeca tinha um irmão, cujo nome era Labão, o qual saiu correndo ao
encontro daquele homem até a fonte;
- porquanto tinha visto o pendente, e as pulseiras sobre as mãos de sua
irmã, e ouvido as palavras de sua irmã Rebeca, que dizia: Assim me falou
aquele homem; e foi ter com o homem, que estava em pé junto aos camelos ao
lado da fonte.
- E disse: Entra, bendito do Senhor; por que estás aqui fora? pois eu já
preparei a casa, e lugar para os camelos.
- Então veio o homem à casa, e desarreou os camelos; deram palha e forragem
para os camelos e água para lavar os pés dele e dos homens que estavam com
ele.
- Depois puseram comida diante dele. Ele, porém, disse: Não comerei, até que
tenha exposto a minha incumbência. Respondeu-lhe Labão: Fala.
- Então disse: Eu sou o servo de Abraão.
- O Senhor tem abençoado muito ao meu senhor, o qual se tem engrandecido;
deu-lhe rebanhos e gado, prata e ouro, escravos e escravas, camelos e
jumentos.
- E Sara, a mulher do meu senhor, mesmo depois, de velha deu um filho a meu
senhor; e o pai lhe deu todos os seus bens.
- Ora, o meu senhor me fez jurar, dizendo: Não tomarás mulher para meu filho
das filhas dos cananeus, em cuja terra habito;
- irás, porém, à casa de meu pai, e à minha parentela, e tomarás mulher para
meu filho.
- Então respondi ao meu senhor: Porventura não me seguirá a mulher.
- Ao que ele me disse: O Senhor, em cuja presença tenho andado, enviará o
seu anjo contigo, e prosperará o teu caminho; e da minha parentela e da casa
de meu pai tomarás mulher para meu filho;
- então serás livre do meu juramento, quando chegares à minha parentela; e
se não ta derem, livre serás do meu juramento.
- E hoje cheguei à fonte, e disse: Senhor, Deus de meu senhor Abraão, se é
que agora prosperas o meu caminho, o qual venho seguindo,
- eis que estou junto à fonte; faze, pois, que a donzela que sair para tirar
água, a quem eu disser: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água do teu
cântaro,
- e ela me responder: Bebe tu, e também tirarei água para os teus camelos;
seja a mulher que o Senhor designou para o filho de meu senhor.
- Ora, antes que eu acabasse de falar no meu coração, eis que Rebeca saía
com o seu cântaro sobre o ombro, desceu à fonte e tirou água; e eu lhe disse:
Dá-me de beber, peço-te.
- E ela, com presteza, abaixou o seu cântaro do ombro, e disse: Bebe, e
também darei de beber aos teus camelos; assim bebi, e ela deu também de beber
aos camelos.
- Então lhe perguntei: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho
de Naor, que Milca lhe deu. Então eu lhe pus o pendente no nariz e as
pulseiras sobre as mãos;
- e, inclinando-me, adorei e bendisse ao Senhor, Deus do meu senhor Abraão,
que me havia conduzido pelo caminho direito para tomar para seu filho a filha
do irmão do meu senhor.
- Agora, pois, se vós haveis de usar de benevolência e de verdade para com o
meu senhor, declarai-mo; e se não, também mo declarai, para que eu vá ou para
a direita ou para a esquerda.
- Então responderam Labão e Betuel: Do Senhor procede este negócio; nós não
podemos falar-te mal ou bem.
- Eis que Rebeca está diante de ti, toma-a e vai-te; seja ela a mulher do
filho de teu senhor, como tem dito o Senhor.
- Quando o servo de Abraão ouviu as palavras deles, prostrou-se em terra
diante do Senhor:
- e tirou o servo jóias de prata, e jóias de ouro, e vestidos, e deu-os a
Rebeca; também deu coisas preciosas a seu irmão e a sua mãe.
- Então comeram e beberam, ele e os homens que com ele estavam, e passaram a
noite. Quando se levantaram de manhã, disse o servo: Deixai-me ir a meu
senhor.
- Disseram o irmão e a mãe da donzela: Fique ela conosco alguns dias, pelo
menos dez dias; e depois irá.
- Ele, porém, lhes respondeu: Não me detenhas, visto que o Senhor me tem
prosperado o caminho; deixai-me partir, para que eu volte a meu senhor.
- Disseram-lhe: chamaremos a donzela, e perguntaremos a ela mesma.
- Chamaram, pois, a Rebeca, e lhe perguntaram: Irás tu com este homem;
Respondeu ela: Irei.
- Então despediram a Rebeca, sua irmã, e à sua ama e ao servo de Abraão e a
seus homens;
- e abençoaram a Rebeca, e disseram-lhe: Irmã nossa, sê tu a mãe de milhares
de miríades, e possua a tua descendência a porta de seus aborrecedores!
- Assim Rebeca se levantou com as suas moças e, montando nos camelos,
seguiram o homem; e o servo, tomando a Rebeca, partiu.
- Ora, Isaque tinha vindo do caminho de Beer-Laai-Rói; pois habitava na
terra do Negebe.
- Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e
eis que vinham camelos.
- Rebeca também levantou os olhos e, vendo a Isaque, saltou do camelo
- e perguntou ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso
encontro? respondeu o servo: É meu senhor. Então ela tomou o véu e se
cobriu.
- Depois o servo contou a Isaque tudo o que fizera.
- Isaque, pois, trouxe Rebeca para a tenda de Sara, sua mãe; tomou-a e ela
lhe foi por mulher; e ele a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte
de sua mãe.
- Ora, Abraão tomou outra mulher, que se chamava Quetura.
- Ela lhe deu à luz a Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.
- Jocsã gerou a Seba e Dedã. Os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e
Leumim.
- Os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Hanoque, Abidá e Eldá; todos estes
foram filhos de Quetura.
- Abraão, porém, deu tudo quanto possuía a Isaque;
- no entanto aos filhos das concubinas que Abraão tinha, deu ele dádivas; e,
ainda em vida, os separou de seu filho Isaque, enviando-os ao Oriente, para a
terra oriental.
- Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Abraão, que ele viveu: cento
e setenta e, cinco anos.
- E Abraão expirou, morrendo em boa velhice, velho e cheio de dias; e foi
congregado ao seu povo.
- Então Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na cova de Macpela, no
campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manre,
- o campo que Abraão comprara aos filhos de Hete. Ali foi sepultado Abraão,
e Sara, sua mulher.
- Depois da morte de Abraão, Deus abençoou a Isaque, seu filho; e habitava
Isaque junto a Beer-Laai-Rói.
- Estas são as gerações de Ismael, filho de Abraão, que Agar, a egípcia,
serva de Sara, lhe deu;
- e estes são os nomes dos filhos de Ismael pela sua ordem, segundo as suas
gerações: o primogênito de Ismael era Nebaiote, depois Quedar, Abdeel,
Mibsão,
- Misma, Dumá, Massá,
- Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá.
- Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas
e pelos seus acampamentos: doze príncipes segundo as suas tribos.
- E estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos; e ele
expirou e, morrendo, foi cogregado ao seu povo.
- Eles então habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito,
como quem vai em direção da Assíria; assim Ismael se estabeleceu diante da
face de todos os seus irmãos.
- E estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou a
Isaque;
- e Isaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher a Rebeca, filha de
Betuel, arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, arameu.
- Ora, Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto ela
era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher,
concebeu.
- E os filhos lutavam no ventre dela; então ela disse: Por que estou eu
assim? E foi consultar ao Senhor.
- Respondeu-lhe o Senhor: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se
dividirão das tuas estranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e
o mais velho servirá ao mais moço.
- Cumpridos que foram os dias para ela dar à luz, eis que havia gêmeos no
seu ventre.
- Saiu o primeiro, ruivo, todo ele como um vestido de pelo; e chamaram-lhe
Esaú.
- Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que
foi chamado Jacó. E Isaque tinha sessenta anos quando Rebeca os deu à
luz.
- Cresceram os meninos; e Esaú tornou-se perito caçador, homem do campo; mas
Jacó, homem sossegado, que habitava em tendas.
- Isaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a
Jacó.
- Jacó havia feito um guisado, quando Esaú chegou do campo, muito
cansado;
- e disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho,
porque estou muito cansado. Por isso se chamou Edom.
- Respondeu Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura.
- Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me
servirá o direito de primogenitura?
- Ao que disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe, pois; e vendeu o seu
direito de primogenitura a Jacó.
- Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e,
levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de
primogenitura.
- Sobreveio à terra uma fome, além da primeira, que ocorreu nos dias de
Abraão. Por isso foi Isaque a Abimeleque, rei dos filisteus, em Gerar.
- E apareceu-lhe o Senhor e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que
eu te disser;
- peregrina nesta terra, e serei contigo e te abençoarei; porque a ti, e aos
que descenderem de ti, darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que
fiz a Abraão teu pai;
- e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu, e lhe darei
todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as naçoes da
terra;
- porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus
preceitos, os meus estatutos e as minhas leis.
- Assim habitou Isaque em Gerar.
- Então os homens do lugar perguntaram-lhe acerca de sua mulher, e ele
respondeu: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que
porventura, dizia ele, não me matassem os homens daquele lugar por amor de
Rebeca; porque era ela formosa à vista.
- Ora, depois que ele se demorara ali muito tempo, Abimeleque, rei dos
filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com
Rebeca, sua mulher.
- Então chamou Abimeleque a Isaque, e disse: Eis que na verdade é tua
mulher; como pois disseste: E minha irmã? Respondeu-lhe Isaque: Porque eu
dizia: Para que eu porventura não morra por sua causa.
- Replicou Abimeleque: Que é isso que nos fizeste? Facilmente se teria
deitado alguém deste povo com tua mulher, e tu terias trazido culpa sobre
nós.
- E Abimeleque ordenou a todo o povo, dizendo: Qualquer que tocar neste
homem ou em sua mulher, certamente morrerá.
- Isaque semeou naquela terra, e no mesmo ano colheu o cêntuplo; e o Senhor
o abençoou.
- E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou mui
poderoso;
- e tinha possessões de rebanhos e de gado, e muita gente de serviço; de
modo que os filisteus o invejavam.
- Ora, todos os poços, que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de
seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra.
- E Abimeleque disse a Isaque: Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso
te tens feito do que nós.
- Então Isaque partiu dali e, acampando no vale de Gerar, lá habitou.
- E Isaque tornou a cavar os poços que se haviam cavado nos dias de Abraão
seu pai, pois os filisteus os haviam entulhado depois da morte de Abraão; e
deu-lhes os nomes que seu pai lhes dera.
- Cavaram, pois, os servos de Isaque naquele vale, e acharam ali um poço de
águas vivas.
- E os pastores de Gerar contenderam com os pastores de Isaque, dizendo:
Esta água é nossa. E ele chamou ao poço Eseque, porque contenderam com
ele.
- Então cavaram outro poço, pelo qual também contenderam; por isso
chamou-lhe Sitna.
- E partiu dali, e cavou ainda outro poço; por este não contenderam; pelo
que chamou-lhe Reobote, dizendo: Pois agora o Senhor nos deu largueza, e
havemos de crescer na terra.
- Depois subiu dali a Beer-Seba.
- E apareceu-lhe o Senhor na mesma noite e disse: Eu sou o Deus de Abraão,
teu pai; não temas, porque eu sou contigo, e te abençoarei e multiplicarei a
tua descendência por amor do meu servo Abraão.
- Isaque, pois, edificou ali um altar e invocou o nome do Senhor; então
armou ali a sua tenda, e os seus servos cavaram um poço.
- Então Abimeleque veio a ele de Gerar, com Aüzate, seu amigo, e Ficol, o
chefe do seu exército.
- E perguntou-lhes Isaque: Por que viestes ter comigo, visto que me odiais,
e me repelistes de vós?
- Responderam eles: Temos visto claramente que o Senhor é contigo, pelo que
dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos um pacto
contigo,
- que não nos farás mal, assim como nós não te havemos tocado, e te fizemos
somente o bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor.
- Então Isaque lhes deu um banquete, e comeram e beberam.
- E levantaram-se de manhã cedo e juraram de parte a parte; depois Isaque os
despediu, e eles se despediram dele em paz.
- Nesse mesmo dia vieram os servos de Isaque e deram-lhe notícias acerca do
poço que haviam cavado, dizendo-lhe: Temos achado água.
- E ele chamou o poço Seba; por isso é o nome da cidade Beer-Seba até o dia
de hoje.
- Ora, quando Esaú tinha quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de
Beeri, o heteu e a Basemate, filha de Elom, o heteu.
- E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito.
- Quando Isaque já estava velho, e se lhe enfraqueciam os olhos, de maneira
que não podia ver, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e disse-lhe: Meu
filho! Ele lhe respondeu: Eis-me aqui!
- Disse-lhe o pai: Eis que agora estou velho, e não sei o dia da minha
morte;
- toma, pois, as tuas armas, a tua aljava e o teu arco; e sai ao campo, e
apanha para mim alguma caça;
- e faze-me um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-mo, para que eu
coma; a fim de que a minha alma te abençoe, antes que morra.
- Ora, Rebeca estava escutando quando Isaque falou a Esaú, seu filho. Saiu,
pois, Esaú ao campo para apanhar caça e trazê-la.
- Disse então Rebeca a Jacó, seu filho: Eis que ouvi teu pai falar com Esaú,
teu irmão, dizendo:
- Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te
abençoe diante do Senhor, antes da minha morte.
- Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te ordeno:
- Vai ao rebanho, e traze-me de lá das cabras dois bons cabritos; e eu farei
um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta;
- e levá-lo-ás a teu pai, para que o coma, a fim de te abençoar antes da sua
morte.
- Respondeu, porém, Jacó a Rebeca, sua mãe: Eis que Esaú, meu irmão, é
peludo, e eu sou liso.
- Porventura meu pai me apalpará e serei a seus olhos como enganador; assim
trarei sobre mim uma maldição, e não uma bênção.
- Respondeu-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim caia essa maldição; somente
obedece à minha voz, e vai trazer-mos.
- Então ele foi, tomou-os e os trouxe a sua mãe, que fez um guisado saboroso
como seu pai gostava.
- Depois Rebeca tomou as melhores vestes de Esaú, seu filho mais velho, que
tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais moço;
- com as peles dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço;
- e pôs o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó, seu
filho.
- E veio Jacó a seu pai, e chamou: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui;
quem és tu, meu filho?
- Respondeu Jacó a seu pai: Eu sou Esaú, teu primogênito; tenho feito como
me disseste; levanta-te, pois, senta-te e come da minha caça, para que a tua
alma me abençoe.
- Perguntou Isaque a seu filho: Como é que tão depressa a achaste, filho
meu? Respondeu ele: Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro.
- Então disse Isaque a Jacó: Chega-te, pois, para que eu te apalpe e veja se
és meu filho Esaú mesmo, ou não.
- chegou-se Jacó a Isaque, seu pai, que o apalpou, e disse: A voz é a voz de
Jacó, porém as mãos são as mãos de Esaú.
- E não o reconheceu, porquanto as suas mãos estavam peludas, como as de
Esaú seu irmão; e abençoou-o.
- No entanto perguntou: Tu és mesmo meu filho Esaú? E ele declarou: Eu o
sou.
- Disse-lhe então seu pai: Traze-mo, e comerei da caça de meu filho, para
que a minha alma te abençoe: E Jacó lho trouxe, e ele comeu; trouxe-lhe também
vinho, e ele bebeu.
- Disse-lhe mais Isaque, seu pai: Aproxima-te agora, e beija-me, meu
filho.
- E ele se aproximou e o beijou; e seu pai, sentindo-lhe o cheiro das vestes
o abençoou, e disse: Eis que o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo
que o Senhor abençoou.
- Que Deus te dê do orvalho do céu, e dos lugares férteis da terra, e
abundância de trigo e de mosto;
- sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os
filhos da tua mãe se encurvem a ti; sejam malditos os que te amaldiçoarem, e
benditos sejam os que te abençoarem.
- Tão logo Isaque acabara de abençoar a Jacó, e este saíra da presença de
seu pai, chegou da caça Esaú, seu irmão;
- e fez também ele um guisado saboroso e, trazendo-o a seu pai, disse-lhe:
Levantate, meu pai, e come da caça de teu filho, para que a tua alma me
abençoe.
- Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Respondeu ele: Eu sou teu
filho, o teu primogênito, Esaú.
- Então estremeceu Isaque de um estremecimento muito grande e disse: Quem,
pois, é aquele que apanhou caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que tu
viesses, e abençoei-o, e ele será bendito.
- Esaú, ao ouvir as palavras de seu pai, bradou com grande e mui amargo
brado, e disse a seu pai: Abençoa-me também a mim, meu pai!
- Respondeu Isaque: Veio teu irmão e com sutileza tomou a tua bênção.
- Disse Esaú: Não se chama ele com razão Jacó, visto que já por duas vezes
me enganou? tirou-me o direito de primogenitura, e eis que agora me tirou a
bênção. E perguntou: Não reservaste uma bênção para mim?
- Respondeu Isaque a Esaú: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e
todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho
fortalecido. Que, pois, poderei eu fazer por ti, meu filho?
- Disse Esaú a seu pai: Porventura tens uma única bênção, meu pai?
Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a voz, e chorou.
- Respondeu-lhe Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a
tua habitação, longe do orvalho do alto céu;
- pela tua espada viverás, e a teu irmão, serviras; mas quando te tornares
impaciente, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço.
- Esaú, pois, odiava a Jacó por causa da bênção com que seu pai o tinha
abençoado, e disse consigo: Vêm chegando os dias de luto por meu pai; então
hei de matar Jacó, meu irmão.
- Ora, foram denunciadas a Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais
velho; pelo que ela mandou chamar Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis
que Esaú teu irmão se consola a teu respeito, propondo matar-te.
- Agora, pois, meu filho, ouve a minha voz; levanta-te, refugia-te na casa
de Labão, meu irmão, em Harã,
- e demora-te com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão;
- até que se desvie de ti a ira de teu irmão, e ele se esqueça do que lhe
fizeste; então mandarei trazer-te de lá; por que seria eu desfilhada de vós
ambos num só dia?
- E disse Rebeca a Isaque: Enfadada estou da minha vida, por causa das
filhas de Hete; se Jacó tomar mulher dentre as filhas de Hete, tais como
estas, dentre as filhas desta terra, para que viverei?
- Isaque, pois, chamou Jacó, e o abençoou, e ordenou-lhe, dizendo: Não tomes
mulher dentre as filhas de Canaã.
- Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai de tua mãe, e toma de lá
uma mulher dentre as filhas de Labão, irmão de tua mãe.
- Deus Todo-Poderoso te abençoe, te faça frutificar e te multiplique, para
que venhas a ser uma multidão de povos; seu
- e te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que
herdes a terra de tuas peregrinaçoes, que Deus deu a Abraão.
- Assim despediu Isaque a Jacó, o qual foi a Padã-Arã, a Labão, filho de
Betuel, arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e de Esaú.
- Ora, viu Esaú que Isaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para
tomar de lá mulher para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não
tomes mulher dentre as filhas de Canaã,
- e que Jacó, obedecendo a seu pai e a sua mãe, fora a Padã- Arã;
- vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque seu
pai,
- foi-se Esaú a Ismael e, além das mulheres que já tinha, tomou por mulher a
Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote.
- Partiu, pois, Jacó de Beer-Seba e se foi em direção a Harã;
- e chegou a um lugar onde passou a noite, porque o sol já se havia posto;
e, tomando uma das pedras do lugar e pondo-a debaixo da cabeça, deitou-se ali
para dormir.
- Então sonhou: estava posta sobre a terra uma escada, cujo topo chegava ao
céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
- por cima dela estava o Senhor, que disse: Eu sou o Senhor, o Deus de
Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra em que estás deitado, eu a
darei a ti e à tua descendência;
- e a tua descendência será como o pó da terra; dilatar-te-ás para o
ocidente, para o oriente, para o norte e para o sul; por meio de ti e da tua
descendência serão benditas todas as famílias da terra.
- Eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei
tornar a esta terra; pois não te deixarei até que haja cumprido aquilo de que
te tenho falado.
- Ao acordar Jacó do seu sono, disse: Realmente o Senhor está neste lugar; e
eu não o sabia.
- E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão
a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
- Jacó levantou-se de manhã cedo, tomou a pedra que pusera debaixo da
cabeça, e a pôs como coluna; e derramou-lhe azeite em cima.
- E chamou aquele lugar Betel; porém o nome da cidade antes era Luz.
- Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo e me guardar neste
caminho que vou seguindo, e me der pão para comer e vestes para vestir,
- de modo que eu volte em paz à casa de meu pai, e se o Senhor for o meu
Deus,
- então esta pedra que tenho posto como coluna será casa de Deus; e de tudo
quanto me deres, certamente te darei o dízimo.
- Então pôs-se Jacó a caminho e chegou à terra dos filhos do Oriente.
- E olhando, viu ali um poço no campo, e três rebanhos de ovelhas deitadas
junto dele; pois desse poço se dava de beber aos rebanhos; e havia uma grande
pedra sobre a boca do poço.
- Ajuntavam-se ali todos os rebanhos; os pastores removiam a pedra da boca
do poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a pôr a pedra no seu lugar sobre
a boca do poço.
- Perguntou-lhes Jacó: Meus irmãos, donde sois? Responderam eles: Somos de
Harã.
- Perguntou-lhes mais: Conheceis a Labão, filho de Naor; Responderam:
Conhecemos.
- Perguntou-lhes ainda: vai ele bem? Responderam: Vai bem; e eis ali Raquel,
sua filha, que vem chegando com as ovelhas.
- Disse ele: Eis que ainda vai alto o dia; não é hora de se ajuntar o gado;
dai de beber às ovelhas, e ide apascentá-las.
- Responderam: Não podemos, até que todos os rebanhos se ajuntem, e seja
removida a pedra da boca do poço; assim é que damos de beber às ovelhas.
- Enquanto Jacó ainda lhes falava, chegou Raquel com as ovelhas de seu pai;
porquanto era ela quem as apascentava.
- Quando Jacó viu a Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas
de Labão, irmão de sua mãe, chegou-se, revolveu a pedra da boca do poço e deu
de beber às ovelhas de Labão, irmão de sua mãe.
- Então Jacó beijou a Raquel e, levantando a voz, chorou.
- E Jacó anunciou a Raquel que ele era irmão de seu pai, e que era filho de
Rebeca. Raquel, pois foi correndo para anunciá-lo a, seu pai.
- Quando Labão ouviu essas novas de Jacó, filho de sua irmã, correu-lhe ao
encontro, abraçou-o, beijou-o e o levou à sua casa. E Jacó relatou a Labão
todas essas, coisas.
- Disse-lhe Labão: Verdadeiramente tu és meu osso e minha carne. E Jacó
ficou com ele um mês inteiro.
- Depois perguntou Labão a Jacó: Por seres meu irmão hás de servir-me de
graça? Declara-me, qual será o teu salário?
- Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Léia, e o da mais
moça Raquel.
- Léia tinha os olhos enfermos, enquanto que Raquel era formosa de porte e
de semblante.
- Jacó, porquanto amava a Raquel, disse: Sete anos te servirei para ter a
Raquel, tua filha mais moça.
- Respondeu Labão: Melhor é que eu a dê a ti do que a outro; fica
comigo.
- Assim serviu Jacó sete anos por causa de Raquel; e estes lhe pareciam como
poucos dias, pelo muito que a amava.
- Então Jacó disse a Labão: Dá-me minha mulher, porque o tempo já está
cumprido; para que eu a tome por mulher.
- Reuniu, pois, Labão todos os homens do lugar, e fez um banquete.
- Â tarde tomou a Léia, sua filha e a trouxe a Jacó, que esteve com
ela.
- E Labão deu sua serva Zilpa por serva a Léia, sua filha.
- Quando amanheceu, eis que era Léia; pelo que perguntou Jacó a Labão: Que é
isto que me fizeste? Porventura não te servi em troca de Raquel? Por que,
então, me enganaste?
- Respondeu Labão: Não se faz assim em nossa terra; não se dá a menor antes
da primogênita.
- Cumpre a semana desta; então te daremos também a outra, pelo trabalho de
outros sete anos que ainda me servirás.
- Assim fez Jacó, e cumpriu a semana de Léia; depois Labão lhe deu por
mulher sua filha Raquel.
- E Labão deu sua serva Bila por serva a Raquel, sua filha.
- Então Jacó esteve também com Raquel; e amou a Raquel muito mais do que a
Léia; e serviu com Labão ainda outros sete anos.
- Viu, pois, o Senhor que Léia era desprezada e tornou-lhe fecunda a madre;
Raquel, porém, era estéril.
- E Léia concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben; pois disse:
Porque o Senhor atendeu à minha aflição; agora me amará meu marido.
- Concebeu outra vez, e deu à luz um filho; e disse: Porquanto o Senhor
ouviu que eu era desprezada, deu-me também este. E lhe chamou Simeão.
- Concebeu ainda outra vez e deu à luz um filho e disse: Agora esta vez se
unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe tenho dado. Portanto lhe chamou
Levi.
- De novo concebeu e deu à luz um filho; e disse: Esta vez louvarei ao
Senhor. Por isso lhe chamou Judá. E cessou de ter filhos.
- Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã, e disse
a Jacó: Dá-me filhos, senão eu morro.
- Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel; e disse: Porventura estou eu
no lugar de Deus que te impediu o fruto do ventre?
- Respondeu ela: Eis aqui minha serva Bila; recebe-a por mulher, para que
ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu deste modo tenha filhos por
ela.
- Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher; e Jacó a conheceu.
- Bila concebeu e deu à luz um filho a Jacó.
- Então disse Raquel: Julgou-me Deus; ouviu a minha voz e me deu um filho;
pelo que lhe chamou Dã.
- E Bila, serva de Raquel, concebeu outra vez e deu à luz um segundo filho a
Jacó.
- Então disse Raquel: Com grandes lutas tenho lutado com minha irmã, e tenho
vencido; e chamou-lhe Naftali.
- Também Léia, vendo que cessara de ter filhos, tomou a Zilpa, sua serva, e
a deu a Jacó por mulher.
- E Zilpa, serva de Léia, deu à luz um filho a Jacó.
- Então disse Léia: Afortunada! e chamou-lhe Gade.
- Depois Zilpa, serva de Léia, deu à luz um segundo filho a Jacó.
- Então disse Léia: Feliz sou eu! porque as filhas me chamarão feliz; e
chamou-lhe Aser.
- Ora, saiu Rúben nos dias da ceifa do trigo e achou mandrágoras no campo, e
as trouxe a Léia, sua mãe. Então disse Raquel a Léia: Dá-me, peço, das
mandrágoras de teu filho.
- Ao que lhe respondeu Léia: É já pouco que me hajas tirado meu marido?
queres tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Por isso
ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho.
- Quando, pois, Jacó veio à tarde do campo, saiu-lhe Léia ao encontro e
disse: Hás de estar comigo, porque certamente te aluguei pelas mandrágoras de
meu filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite.
- E ouviu Deus a Léia, e ela concebeu e deu a Jacó um quinto filho.
- Então disse Léia: Deus me tem dado o meu galardão, porquanto dei minha
serva a meu marido. E chamou ao filho Issacar.
- Concebendo Léia outra vez, deu a Jacó um sexto filho;
- e disse: Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido,
porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom.
- Depois. disto deu à luz uma filha, e chamou-lhe Diná.
- Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda.
- De modo que ela concebeu e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus o
opróbrio.
- E chamou-lhe José, dizendo: Acrescente-me o Senhor ainda outro
filho.
- Depois que Raquel deu à luz a José, disse Jacó a Labão: Despede-me a fim
de que eu vá para meu lugar e para minha terra.
- Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido,
e deixame ir; pois tu sabes o serviço que te prestei.
- Labão lhe respondeu: Se tenho achado graça aos teus olhos, fica comigo;
pois tenho percebido que o Senhor me abençoou por amor de ti.
- E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei.
- Ao que lhe respondeu Jacó: Tu sabes como te hei servido, e como tem
passado o teu gado comigo.
- Porque o pouco que tinhas antes da minha vinda tem se multiplicado
abundantemente; e o Senhor te tem abençoado por onde quer que eu fui. Agora,
pois, quando hei de trabalhar também por minha casa?
- Insistiu Labão: Que te darei? Então respondeu Jacó: Não me darás nada;
tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho se me fizeres isto:
- Passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e
malhados, e todos os escuros entre as ovelhas, e os malhados e salpicados
entre as cabras; e isto será o meu salário.
- De modo que responderá por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando
vieres ver o meu salário assim exposto diante de ti: tudo o que não for
salpicado e malhado entre as cabras e escuro entre as ovelhas, esse, se for
achado comigo, será tido por furtado.
- Concordou Labão, dizendo: Seja conforme a tua palavra.
- E separou naquele mesmo dia os bodes listrados e malhados e todas as
cabras salpicadas e malhadas, tudo em que havia algum branco, e todos os
escuros entre os cordeiros e os deu nas mãos de seus filhos;
- e pôs três dias de caminho entre si e Jacó; e Jacó apascentava o restante
dos rebanhos de Labão.
- Então tomou Jacó varas verdes de estoraque, de amendoeira e de plátano e,
descascando nelas riscas brancas, descobriu o branco que nelas havia;
- e as varas que descascara pôs em frente dos rebanhos, nos cochos, isto é,
nos bebedouros, onde os rebanhos bebiam; e conceberam quando vinham
beber.
- Os rebanhos concebiam diante das varas, e as ovelhas davam crias
listradas, salpicadas e malhadas.
- Então separou Jacó os cordeiros, e fez os rebanhos olhar para os listrados
e para todos os escuros no rebanho de Labão; e pôs seu rebanho à parte, e não
pôs com o rebanho de Labão.
- e todas as vezes que concebiam as ovelhas fortes, punha Jacó as varas nos
bebedouros, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das
varas;
- mas quando era fraco o rebanho, ele não as punha. Assim as fracas eram de
Labão, e as fortes de Jacó.
- E o homem se enriqueceu sobremaneira, e teve grandes rebanhos, servas e
servos, camelos e jumentos.
- Jacó, entretanto, ouviu as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacó
tem levado tudo o que era de nosso pai, e do que era de nosso pai adquiriu ele
todas estas, riquezas.
- Viu também Jacó o rosto de Labão, e eis que não era para com ele como
dantes.
- Disse o Senhor, então, a Jacó: Volta para a terra de teus pais e para a
tua parentela; e eu serei contigo.
- Pelo que Jacó mandou chamar a Raquel e a Léia ao campo, onde estava o seu
rebanho,
- e lhes disse: vejo que o rosto de vosso pai para comigo não é como
anteriormente; porém o Deus de meu pai tem estado comigo.
- Ora, vós mesmas sabeis que com todas as minhas forças tenho servido a
vosso pai.
- Mas vosso pai me tem enganado, e dez vezes mudou o meu salário; Deus,
porém, não lhe permitiu que me fizesse mal.
- Quando ele dizia assim: Os salpicados serão o teu salário; então todo o
rebanho dava salpicados. E quando ele dizia assim: Os listrados serão o teu
salário, então todo o rebanho dava listrados.
- De modo que Deus tem tirado o gado de vosso pai, e mo tem dado a
mim.
- Pois sucedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, levantei os olhos e
num sonho vi que os bodes que cobriam o rebanho eram listrados, salpicados e
malhados.
- Disse-me o anjo de Deus no sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui.
- Prosseguiu o anjo: Levanta os teus olhos e vê que todos os bodes que
cobrem o rebanho são listrados, salpicados e malhados; porque tenho visto tudo
o que Labão te vem fazendo.
- Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto;
levanta-te, pois, sai-te desta terra e volta para a terra da tua
parentela.
- Então lhe responderam Raquel e Léia: Temos nós ainda parte ou herança na
casa de nosso pai?
- Não somos tidas por ele como estrangeiras? pois nos vendeu, e consumiu
todo o nosso preço.
- Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos;
portanto, faze tudo o que Deus te mandou.
- Levantou-se, pois, Jacó e fez montar seus filhos e suas mulheres sobre os
camelos;
- e levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o gado
que possuía, que havia adquirido em Padã-Arã, a fim de ir ter com Isaque, seu
pai, à terra de Canaã.
- Ora, tendo Labão ido tosquiar as suas ovelhas, Raquel furtou os ídolos que
pertenciam a seu pai.
- Jacó iludiu a Labão, o arameu, não lhe fazendo saber que fugia;
- e fugiu com tudo o que era seu; e, levantando-se, passou o Rio, e foi em
direção à montanha de Gileade.
- Ao terceiro dia foi Labão avisado de que Jacó havia fugido.
- Então, tomando consigo seus irmãos, seguiu atrás de Jacó jornada de sete
dias; e alcançou-o na montanha de Gileade.
- Mas Deus apareceu de noite em sonho a Labão, o arameu, e disse-lhe:
Guardate, que não fales a Jacó nem bem nem mal.
- Alcançou, pois, Labão a Jacó. Ora, Jacó tinha armado a sua tenda na
montanha; armou também Labão com os seus irmãos a sua tenda na montanha de
Gileade.
- Então disse Labão a Jacó: Que fizeste, que me iludiste e levaste minhas
filhas como cativas da espada?
- Por que fuizeste ocultamente, e me iludiste e não mo fizeste saber, para
que eu te enviasse com alegria e com cânticos, ao som de tambores e de
harpas;
- Por que não me permitiste beijar meus filhos e minhas filhas? Ora, assim
procedeste nesciamente.
- Está no poder da minha mão fazer-vos o mal, mas o Deus de vosso pai
falou-me ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales a Jacó nem bem nem
mal.
- Mas ainda que quiseste ir embora, porquanto tinhas saudades da casa de teu
pai, por que furtaste os meus deuses?
- Respondeu-lhe Jacó: Porque tive medo; pois dizia comigo que tu me
arrebatarias as tuas filhas.
- Com quem achares os teus deuses, porém, esse não viverá; diante de nossos
irmãos descobre o que é teu do que está comigo, e leva-o contigo. Pois Jacó
não sabia que Raquel os tinha furtado.
- Entrou, pois, Labão na tenda de Jacó, na tenda de Léia e na tenda das duas
servas, e não os achou; e, saindo da tenda de Léia, entrou na tenda de
Raquel.
- Ora, Raquel havia tomado os ídolos e os havia metido na albarda do camelo,
e se assentara em cima deles. Labão apalpou toda a tenda, mas não os
achou.
- E ela disse a seu pai: Não se acenda a ira nos olhos de meu senhor, por eu
não me poder levantar na tua presença, pois estou com o incômodo das mulheres.
Assim ele procurou, mas não achou os ídolos.
- Então irou-se Jacó e contendeu com Labão, dizendo: Qual é a minha
transgressão? qual é o meu pecado, que tão furiosamente me tens
perseguido?
- Depois de teres apalpado todos os meus móveis, que achaste de todos os
móveis da tua casar. Põe-no aqui diante de meus irmãos e de teus irmãos, para
que eles julguem entre nós ambos.
- Estes vinte anos estive eu contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca
abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho.
- Não te trouxe eu o despedaçado; eu sofri o dano; da minha mão requerias
tanto o furtado de dia como o furtado de noite.
- Assim andava eu; de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o sono
me fugia dos olhos.
- Estive vinte anos em tua casa; catorze anos te servi por tuas duas filhas,
e seis anos por teu rebanho; dez vezes mudaste o meu salário.
- Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque não fora por
mim, certamente hoje me mandarias embora vazio. Mas Deus tem visto a minha
aflição e o trabalho das minhas mãos, e repreendeu-te ontem à noite.
- Respondeu-lhe Labão: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são
meus filhos, e este rebanho é meu rebanho, e tudo o que vês é meu; e que farei
hoje a estas minhas filhas, ou aos filhos que elas tiveram?
- Agora pois vem, e façamos um pacto, eu e tu; e sirva ele de testemunha
entre mim e ti.
- Então tomou Jacó uma pedra, e a erigiu como coluna.
- E disse a seus irmãos: Ajuntai pedras. Tomaram, pois, pedras e fizeram um
montão, e ali junto ao montão comeram.
- Labão lhe chamou Jegar-Saaduta, e Jacó chamou-lhe Galeede.
- Disse, pois, Labão: Este montão é hoje testemunha entre mim e ti. Por isso
foi chamado Galeede;
- e também Mizpá, porquanto disse: Vigie o Senhor entre mim e ti, quando
estivermos apartados um do outro.
- Se afligires as minhas filhas, e se tomares outras mulheres além das
minhas filhas, embora ninguém esteja conosco, lembra-te de que Deus é
testemunha entre mim e ti.
- Disse ainda Labão a Jacó: Eis aqui este montão, e eis aqui a coluna que
levantei entre mim e ti.
- Seja este montão testemunha, e seja esta coluna testemunha de que, para
mal, nem passarei eu deste montão a ti, nem passarás tu deste montão e desta
coluna a mim.
- O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós.
E jurou Jacó pelo Temor de seu pai Isaque.
- Então Jacó ofereceu um sacrifício na montanha, e convidou seus irmãos para
comerem pão; e, tendo comido, passaram a noite na montanha.
- Levantou-se Labão de manhã cedo, beijou seus filhos e suas filhas e os
abençoou; e, partindo, voltou para o seu lugar.
- Jacó também seguiu o seu caminho; e encontraram-no os anjos de Deus.
- Quando Jacó os viu, disse: Este é o exército de Deus. E chamou àquele
lugar Maanaim.
- Então enviou Jacó mensageiros diante de si a Esaú, seu irmão, à terra de
Seir, o território de Edom,
- tendo-lhes ordenado: Deste modo falareis a meu senhor Esaú: Assim diz
Jacó, teu servo: Como peregrino morei com Labão, e com ele fiquei até
agora;
- e tenho bois e jumentos, rebanhos, servos e servas; e mando comunicar isso
a meu senhor, para achar graça aos teus olhos.
- Depois os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: Fomos ter com teu irmão
Esaú; e, em verdade, vem ele para encontrar-te, e quatrocentos homens com
ele.
- Jacó teve muito medo e ficou aflito; dividiu em dois bandos o povo que
estava com ele, bem como os rebanhos, os bois e os camelos;
- pois dizia: Se Esaú vier a um bando e o ferir, o outro bando
escapará.
- Disse mais Jacó: o Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó
Senhor, que me disseste: Volta para a tua terra, e para a tua parentela, e eu
te farei bem!
- Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências e de toda a
fidelidade que tens usado para com teu servo; porque com o meu cajado passei
este Jordão, e agora volto em dois bandos.
- Livra-me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esaú, porque eu o temo;
acaso não venha ele matar-me, e a mãe com os filhos.
- Pois tu mesmo disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua
descendência como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar.
- Passou ali aquela noite; e do que tinha tomou um presente para seu irmão
Esaú:
- duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,
- trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte
jumentas e dez jumentinhos.
- Então os entregou nas mãos dos seus servos, cada manada em separado; e
disse a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre manada e
manada.
- E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esaú, meu irmão, te encontrar e te
perguntar: De quem és, e para onde vais, e de quem são estes diante de
ti?
- Então responderás: São de teu servo Jacó, presente que envia a meu senhor,
a Esaú, e eis que ele vem também atrás dé nos.
- Ordenou igualmente ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham
atrás das manadas, dizendo: Desta maneira falareis a Esaú quando o
achardes.
- E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia:
Aplacá-lo-ei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua
face; porventura ele me aceitará.
- Foi, pois, o presente adiante dele; ele, porém, passou aquela noite no
arraial.
- Naquela mesma noite levantou-se e, tomando suas duas mulheres, suas duas
servas e seus onze filhos, passou o vau de Jaboque.
- Tomou-os, e fê-los passar o ribeiro, e fez passar tudo o que tinha.
- Jacó, porém, ficou só; e lutava com ele um homem até o romper do
dia.
- Quando este viu que não prevalecia contra ele, tocou-lhe a juntura da
coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, enquanto lutava com ele.
- Disse o homem: Deixa-me ir, porque já vem rompendo o dia. Jacó, porém,
respondeu: Não te deixarei ir, se me não abençoares.
- Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó.
- Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com
Deus e com os homens e tens prevalecido.
- Perguntou-lhe Jacó: Dize-me, peço-te, o teu nome. Respondeu o homem: Por
que perguntas pelo meu nome? E ali o abençoou.
- Pelo que Jacó chamou ao lugar Peniel, dizendo: Porque tenho visto Deus
face a face, e a minha vida foi preservada.
- E nascia o sol, quando ele passou de Peniel; e coxeava de uma perna.
- Por isso os filhos de Israel não comem até o dia de hoje o nervo do
quadril, que está sobre a juntura da coxa, porquanto o homem tocou a juntura
da coxa de Jacó no nervo do quadril.
- Levantou Jacó os olhos, e olhou, e eis que vinha Esaú, e quatrocentos
homens com ele. Então repartiu os filhos entre Léia, e Raquel, e as duas
servas.
- Pôs as servas e seus filhos na frente, Léia e seus filhos atrás destes, e
Raquel e José por últimos.
- Mas ele mesmo passou adiante deles, e inclinou-se em terra sete vezes, até
chegar perto de seu irmão.
- Então Esaú correu-lhe ao encontro, abraçou-o, lançou-se-lhe ao pescoço, e
o beijou; e eles choraram.
- E levantando Esaú os olhos, viu as mulheres e os meninos, e perguntou:
Quem são estes contigo? Respondeu-lhe Jacó: Os filhos que Deus bondosamente
tem dado a teu servo.
- Então chegaram-se as servas, elas e seus filhos, e inclinaram-se.
- Chegaram-se também Léia e seus filhos, e inclinaram-se; depois chegaram-se
José e Raquel e se inclinaram.
- Perguntou Esaú: Que queres dizer com todo este bando que tenho encontrado?
Respondeu Jacó: Para achar graça aos olhos de meu senhor.
- Mas Esaú disse: Tenho bastante, meu irmão; seja teu o que tens.
- Replicou-lhe Jacó: Não, mas se agora tenho achado graça aos teus olhos,
aceita o presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se
tivesse visto o rosto de Deus, e tu te agradaste de mim.
- Aceita, peço-te, o meu presente, que eu te trouxe; porque Deus tem sido
bondoso para comigo, e porque tenho de tudo. E insistiu com ele, e ele o
aceitou.
- Então Esaú disse: Ponhamo-nos a caminho e vamos; eu irei adiante de
ti.
- Respondeu-lhe Jacó: Meu senhor sabe que estes filhos são tenros, e que
tenho comigo ovelhas e vacas de leite; se forem obrigadas a caminhar demais
por um só dia, todo o rebanho morrerá.
- Passe o meu senhor adiante de seu servo; e eu seguirei, conduzindo-os
calmamente, conforme o passo do gado que está diante de mim, e conforme o
passo dos meninos, até que chegue a meu senhor em Seir.
- Ao que disse Esaú: Permite ao menos que eu deixe contigo alguns da minha
gente. Replicou Jacó: Para que? Basta que eu ache graça aos olhos de meu
senhor.
- Assim tornou Esaú aquele dia pelo seu caminho em direção a Seir.
- Jacó, porém, partiu para Sucote, e edificou para si uma casa, e fez
barracas para o seu gado; por isso o lugar se chama Sucote.
- Depois chegou Jacó em paz à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã,
quando veio de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade.
- E comprou a parte do campo, em que estendera a sua tenda, dos filhos de
Hamor, pai de Siquém, por cem peças de dinheiro.
- Então levantou ali um altar, e chamou-lhe o El-Eloé-Israel.
- Diná, filha de Léia, que esta tivera de Jacó, saiu para ver as filhas da
terra.
- Viu-a Siquém, filho de Hamor o heveu, príncipe da terra; e, tomando-a,
deitou-se com ela e humilhou-a.
- Assim se apegou a sua alma a Diná, filha de Jacó, e, amando a donzela,
falou-lhe afetuosamente.
- Então disse Siquém a Hamor seu pai: Consegue-me esta donzela por
mulher.
- Ora, Jacó ouviu que Siquém havia contaminado a Diná sua filha. Entretanto,
estando seus filhos no campo com o gado, calou-se Jacó até que viessem.
- Hamor, pai de Siquém, saiu a fim de falar com Jacó.
- Os filhos de Jacó, pois, vieram do campo logo que souberam do caso; e
entristeceram-se e iraram-se muito, porque Siquém havia cometido uma
insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Jacó, coisa que não se devia
fazer.
- Então falou Hamor com eles, dizendo: A alma de meu filho Siquém
afeiçoou-se fortemente a vossa filha; dai-lha, peço-vos, por mulher.
- Também aparentai-vos conosco; dai-nos as vossas filhas e recebei as
nossas.
- Assim habitareis conosco; a terra estará diante de vós; habitai e negociai
nela, e nela adquiri propriedades.
- Depois disse Siquém ao pai e aos irmãos dela: Ache eu graça aos vossos
olhos, e darei o que me disserdes;
- exigi de mim o que quiserdes em dote e presentes, e darei o que me
pedirdes; somente dai-me a donzela por mulher.
- Então os filhos de Jacó, respondendo, falaram enganosamente a Siquém e a
Hamor, seu pai, porque Siquém havia contaminado a Diná, sua irmã,
- e lhes disseram: Não podemos fazer p isto, dar a nossa irmã a um homem
incircunciso; porque isso seria uma vergonha para nós.
- Sob esta única condição consentiremos; se vos tornardes como nós,
circuncidando-se todo varão entre vós;
- então vos daremos nossas filhas a vós, e receberemos vossas filhas para
nós; assim habitaremos convosco e nos tornaremos um só povo.
- Mas se não nos ouvirdes, e não vos circuncidardes, levaremos nossa filha e
nos iremos embora.
- E suas palavras agradaram a Hamor e a Siquém, seu filho.
- Não tardou, pois, o mancebo em fazer isso, porque se agradava da filha de
Jacó. Era ele o mais honrado de toda a casa de seu pai.
- Vieram, pois, Hamor e Siquém, seu filho, à porta da sua cidade, e falaram
aos homens da cidade, dizendo:
- Estes homens são pacíficos para conosco; portanto habitem na terra e
negociem nela, pois é bastante espaçosa para eles. Recebamos por mulheres as
suas filhas, e lhes demos as nossas.
- Mas sob uma única condição é que consentirão aqueles homens em habitar
conosco para nos tornarmos um só povo: se todo varão entre nós se circuncidar,
como eles são circuncidados.
- O seu gado, as suas aquisições, e todos os seus animais, não serão nossos?
consintamos somente com eles, e habitarão conosco.
- E deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho, todos os que saíam da porta
da cidade; e foi circuncidado todo varão, todos os que saíam pela porta da sua
cidade.
- Ao terceiro dia, quando os homens estavam doridos, dois filhos de Jacó,
Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, entraram na
cidade com toda a segurança e mataram todo varão.
- Mataram também ao fio da espada a Hamor e a Siquém, seu filho; e, tirando
Diná da casa de Siquém, saíram.
- Vieram os filhos de Jacó aos mortos e saquearam a cidade; porquanto haviam
contaminado a sua irmã.
- Tomaram-lhes os rebanhos, os bois, os jumentos, e o que havia tanto na
cidade como no campo;
- e todos os seus bens, e todos os seus pequeninos, e as suas mulheres,
levaram por presa; e despojando as casas, levaram tudo o que havia
nelas.
- Então disse Jacó a Simeão e a Levi: Tendes-me perturbado, fazendo-me
odioso aos habitantes da terra, aos cananeus e perizeus. Tendo eu pouca gente,
eles se ajuntarão e me ferirão; e serei destruído, eu com minha casa.
- Ao que responderam: Devia ele tratar a nossa irmã como a uma
prostituta?
- Depois disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali; e faze
ali um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da face de Esaú, teu
irmão.
- Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Lançai
fora os deuses estranhos que há no meio de vós, e purificai-vos e mudai as
vossas vestes.
- Levantemo-nos, e subamos a Betel; ali farei um altar ao Deus que me
respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho por onde
andei.
- Entregaram, pois, a Jacó todos os deuses estranhos, que tinham nas mãos, e
as arrecadas que pendiam das suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do
carvalho que está junto a Siquém.
- Então partiram; e o terror de Deus sobreveio às cidades que lhes estavam
ao redor, de modo que não perseguiram os filhos de Jacó.
- Assim chegou Jacó à Luz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e
todo o povo que estava com ele.
- Edificou ali um altar, e chamou ao lugar El-Betel; porque ali Deus se lhe
tinha manifestado quando fugia da face de seu irmão.
- Morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do
carvalho, ao qual se chamou Alom-Bacute.
- Apareceu Deus outra vez a Jacó, quando ele voltou de Padã-Arã, e o
abençoou.
- E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel
será o teu nome. Chamou-lhe Israel.
- Disse-lhe mais: Eu sou Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma
nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus
lombos;
- a terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; também à tua
descendência depois de ti a darei.
- E Deus subiu dele, do lugar onde lhe falara.
- Então Jacó erigiu uma coluna no lugar onde Deus lhe falara, uma coluna de
pedra; e sobre ela derramou uma libação e deitou-lhe também azeite;
- e Jacó chamou Betel ao lugar onde Deus lhe falara.
- Depois partiram de Betel; e, faltando ainda um trecho pequeno para chegar
a Efrata, Raquel começou a sentir dores de parto, e custou-lhe o dar à
luz.
- Quando ela estava nas dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas,
pois ainda terás este filho.
- Então Raquel, ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou ao filho Benôni;
mas seu pai chamou-lhe Benjamim.
- Assim morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata (esta é
Bete-Leém).
- E Jacó erigiu uma coluna sobre a sua sepultura; esta é a coluna da
sepultura de Raquel até o dia de hoje.
- Então partiu Israel, e armou a sua tenda além de Migdal-Eder.
- Quando Israel habitava naquela terra, foi Rúben e deitou-se com Bila,
concubina de seu pai; e Israel o soube. Eram doze os filhos de Jacó:
- Os filhos de Léia: Rúben o primogênito de Jacó, depois Simeão, Levi, Judá,
Issacar e Zebulom;
- os filhos de Raquel: José e Benjamim;
- os filhos de Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali;
- os filhos de Zilpa, serva de Léia: Gade e Aser. Estes são os filhos de
Jacó, que lhe nasceram em Padã-Arã.
- Jacó veio a seu pai Isaque, a Manre, a Quiriate-Arba (esta é Hebrom), onde
peregrinaram Abraão e Isaque.
- Foram os dias de Isaque cento e oitenta anos;
- e, exalando o espírito, morreu e foi congregado ao seu povo, velho e cheio
de dias; e Esaú e Jacó, seus filhos, o sepultaram.
- Estas são as gerações de Esaú (este é Edom):
- Esaú tomou dentre as filhas de Canaã suas mulheres: Ada, filha de Elom o
heteu, e Aolíbama, filha de Ana, filha de Zibeão o heveu,
- e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote.
- Ada teve de Esaú a Elifaz, e Basemate teve a Reuel; e Aolíbama teve a
Jeús, Jalão e Corá; estes são os filhos de Esaú, que lhe nasceram na terra de
Canaã.
- Depois Esaú tomou suas mulheres, seus filhos, suas filhas e todas as almas
de sua casa, seu gado, todos os seus animais e todos os seus bens, que havia
adquirido na terra de Canaã, e foi-se para outra terra, apartando-se de seu
irmão Jacó.
- Porque os seus bens eram abundantes demais para habitarem juntos; e a
terra de suas peregrinações não os podia sustentar por causa do seu
gado.
- Portanto Esaú habitou no monte de Seir; Esaú é Edom.
- Estas, pois, são as gerações de Esaú, pai dos edomeus, no monte de
Seir:
- Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de
Esaú; Reuel, filho de Basemate, mulher de Esaú.
- E os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Zefô, Gatã e Quenaz.
- Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú, e teve de Elifaz a Amaleque.
São esses os filhos de Ada, mulher de Esaú.
- Foram estes os filhos de Reuel: Naate e Zerá, Sama e Mizá. Foram esses os
filhos de Basemate, mulher de Esaú.
- Estes foram os filhos de Aolíbama, filha de Ana, filha de Zibeão, mulher
de Esaú: ela teve de Esaú Jeús, Jalão e Corá.
- São estes os chefes dos filhos de Esaú: dos filhos de Elifaz, o
primogênito de Esaú, os chefes Temã, Omar, Zefô, Quenaz,
- Corá, Gatã e Amaleque. São esses os chefes que nasceram a Elifaz na terra
de Edom; esses são os filhos de Ada.
- Estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: os chefes Naate, Zerá, Sama e
Mizá; esses são os chefes que nasceram a Reuel na terra de Edom; esses são os
filhos de Basemate, mulher de Esaú.
- Estes são os filhos de Aolíbama, mulher de Esaú: os chefes Jeús, Jalão e
Corá; esses são os chefes que nasceram a líbama, filha de Ana, mulher de
Esaú.
- Esses são os filhos de Esaú, e esses seus príncipes: ele é Edom.
- São estes os filhos de Seir, o horeu, moradores da terra: Lotã, Sobal,
Zibeão, Anás,
- Disom, Eser e Disã; esses são os chefes dos horeus, filhos de Seir, na
terra de Edom.
- Os filhos de Lotã foram: Hori e Hemã; e a irmã de Lotã era Timna.
- Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onão.
- Estes são os filhos de Zibeão: Aías e Anás; este é o Anás que achou as
fontes termais no deserto, quando apascentava os jumentos de Zibeão, seu
pai.
- São estes os filhos de Ana: Disom e Aolíbama, filha de Ana.
- São estes os filhos de Disom: Hendã, Esbã, Itrã e Querã.
- Estes são os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Acã.
- Estes são os filhos de Disã: Uz e Arã.
- Estes são os chefes dos horeus: Lotã, Sobal, Zibeão, Anás,
- Disom, Eser e Disã; esses são os chefes dos horeus que governaram na terra
de Seir.
- São estes os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei
algum sobre os filhos de Israel.
- Reinou, pois, em Edom Belá, filho de Beor; e o nome da sua cidade era
Dinabá.
- Morreu Belá; e Jobabe, filho de Zerá de Bozra, reinou em seu lugar.
- Morreu Jobabe; e Husão, da terra dos temanitas, reinou em seu lugar.
- Morreu Husão; e em seu lugar reinou Hadade, filho de Bedade, que feriu a
Midiã no campo de Moabe; e o nome da sua cidade era Avite.
- Morreu Hadade; e Sâmela de Masreca reinou em seu lugar.
- Morreu Sâmela; e Saul de Reobote junto ao rio reinou em seu lugar.
- Morreu Saul; e Baal-Hanã, filho de Acbor, reinou em seu lugar.
- Morreu Baal-Hanã, filho de Acbor; e Hadar reinou em seu lugar; e o nome da
sua cidade era Paú; e o nome de sua mulher era Meetabel, filha de Matrede,
filha de Me-Zaabe.
- Estes são os nomes dos chefes dos filhos de Esaú, segundo as suas
famílias, segundo os seus lugares, pelos seus nomes: os chefes Timna, Alva,
Jetete,
- Aolíbama, Elá, Pinom,
- Quenaz, Temã, Mibzar,
- Magdiel e Irão; esses são os chefes de Edom, segundo as suas habitações,
na terra ,da sua possessão. Este é Esaú, pai dos edomeus.
- Jacó habitava na terra das peregrinações de seu pai, na terra de
Canaã.
- Estas são as gerações de Jacó. José, aos dezessete anos de idade, estava
com seus irmãos apascentando os rebanhos; sendo ainda jovem, andava com os
filhos de Bila, e com os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e José trazia a
seu pai más notícias a respeito deles.
- Israel amava mais a José do que a todos os seus filhos, porque era filho
da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores.
- Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos eles,
odiavam-no, e não lhe podiam falar pacificamente.
- José teve um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda
mais.
- Pois ele lhes disse: Ouvi, peço-vos, este sonho que tive:
- Estávamos nós atando molhos no campo, e eis que o meu molho,
levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam, e se inclinavam ao
meu molho.
- Responderam-lhe seus irmãos: Tu pois, deveras reinarás sobre nós? Tu
deveras terás domínio sobre nós? Por isso ainda mais o odiavam por causa dos
seus sonhos e das suas palavras.
- Teve José outro sonho, e o contou a seus irmãos, dizendo: Tive ainda outro
sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam perante
mim.
- Quando o contou a seu pai e a seus irmãos, repreendeu-o seu pai, e
disse-lhe: Que sonho é esse que tiveste? Porventura viremos, eu e tua mãe, e
teus irmãos, a inclinar-nos com o rosto em terra diante de ti?
- Seus irmãos, pois, o invejavam; mas seu pai guardava o caso no seu
coração.
- Ora, foram seus irmãos apascentar o rebanho de seu pai, em Siquém.
- Disse, pois, Israel a José: Não apascentam teus irmãos o rebanho em
Siquém? Vem, e enviar-te-ei a eles. Respondeu-lhe José: Eis-me aqui.
- Disse-lhe Israel: Vai, vê se vão bem teus irmãos, e o rebanho; e traze-me
resposta. Assim o enviou do vale de Hebrom; e José foi a Siquém.
- E um homem encontrou a José, que andava errante pelo campo, e
perguntou-lhe: Que procuras?
- Respondeu ele: Estou procurando meus irmãos; dize-me, peço-te, onde
apascentam eles o rebanho.
- Disse o homem: Foram-se daqui; pois ouvi-lhes dizer: Vamos a Dotã. José,
pois, seguiu seus irmãos, e os achou em Dotã.
- Eles o viram de longe e, antes que chegasse aonde estavam, conspiraram
contra ele, para o matarem,
- dizendo uns aos outros: Eis que lá vem o sonhador!
- Vinde pois agora, fmatemo-lo e lancemo-lo numa das covas; e diremos: uma
besta-fera o devorou. Veremos, então, o que será dos seus sonhos.
- Mas Rúben, ouvindo isso, livrou-o das mãos deles, dizendo: Não lhe tiremos
a vida.
- Também lhes disse Rúben: Não derrameis sangue; lançai-o nesta cova, que
está no deserto, e não lanceis mão nele. Disse isto para livrá-lo das mãos
deles, a fim de restituí-lo a seu pai.
- Logo que José chegou a seus irmãos, estes o despiram da sua túnica, a
túnica de várias cores, que ele trazia;
- e tomando-o, lançaram-no na cova; mas a cova estava vazia, não havia água
nela.
- Depois sentaram-se para comer; e, levantando os olhos, viram uma caravana
de ismaelitas que vinha de Gileade; nos seus camelos traziam tragacanto,
bálsamo e mirra, que iam levar ao Egito.
- Disse Judá a seus irmãos: De que nos aproveita matar nosso irmão e
encobrir o seu sangue?
- Vinde, vendamo-lo a esses ismaelitas, e não seja nossa mão sobre ele;
porque é nosso irmao, nossa carne. E escutaram-no seus irmãos.
- Ao passarem os negociantes midianitas, tiraram José, alçando-o da cova, e
venderam-no por vinte siclos de prata aos ismaelitas, os quais o levaram para
o Egito.
- Ora, Rúben voltou à cova, e eis que José não estava na cova; pelo que
rasgou as suas vestes
- e, tornando a seus irmãos, disse: O menino não aparece; e eu, aonde
irei?
- Tomaram, então, a túnica de José, mataram um cabrito, e tingiram a túnica
no sangue.
- Enviaram a túnica de várias cores, mandando levá-la a seu pai e dizer-lhe:
Achamos esta túnica; vê se é a túnica de teu filho, ou não.
- Ele a reconheceu e exclamou: A túnica de meu filho! uma besta-fera o
devorou; certamente José foi despedaçado.
- Então Jacó rasgou as suas vestes, e pôs saco sobre os seus lombos e
lamentou seu filho por muitos dias.
- E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o
consolarem; ele, porém, recusou ser consolado, e disse: Na verdade, com choro
hei de descer para meu filho até o Seol. Assim o chorou seu pai.
- Os midianitas venderam José no Egito a Potifar, oficial de Faraó, capitão
da guarda.
- Nesse tempo Judá desceu de entre seus irmãos e entrou na casa dum
adulamita, que se chamava Hira,
- e viu Judá ali a filha de um cananeu, que se chamava Suá; tomou-a por
mulher, e esteve com ela.
- Ela concebeu e teve um filho, e o pai chamou-lhe Er.
- Tornou ela a conceber e teve um filho, a quem ela chamou Onã.
- Teve ainda mais um filho, e chamou-lhe Selá. Estava Judá em Quezibe,
quando ela o teve.
- Depois Judá tomou para Er, o seu primogênito, uma mulher, por nome
Tamar.
- Ora, Er, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, pelo que o
Senhor o matou.
- Então disse Judá a Onã: Toma a mulher de teu irmão, e cumprindo-lhe o
dever de cunhado, suscita descendência a teu irmão.
- Onã, porém, sabia que tal descendência não havia de ser para ele; de modo
que, toda vez que se unia à mulher de seu irmão, derramava o sêmen no chão
para não dar descendência a seu irmão.
- E o que ele fazia era mau aos olhos do Senhor, pelo que o matou também a
ele.
- Então disse Judá a Tamar sua nora: Conserva-te viúva em casa de teu pai,
até que Selá, meu filho, venha a ser homem; porquanto disse ele: Para que
porventura não morra também este, como seus irmãos. Assim se foi Tamar e morou
em casa de seu pai.
- Com o correr do tempo, morreu a filha de Suá, mulher de Judá. Depois de
consolado, Judá subiu a Timnate para ir ter com os tosquiadores das suas
ovelhas, ele e Hira seu amigo, o adulamita.
- E deram aviso a Tamar, dizendo: Eis que o teu sogro sobe a Timnate para
tosquiar as suas ovelhas.
- Então ela se despiu dos vestidos da sua viuvez e se cobriu com o véu, e
assim envolvida, assentou-se à porta de Enaim que está no caminho de Timnate;
porque via que Selá já era homem, e ela lhe não fora dada por mulher.
- Ao vê-la, Judá julgou que era uma prostituta, porque ela havia coberto o
rosto.
- E dirigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, deixa-me estar contigo;
porquanto não sabia que era sua nora. Perguntou-lhe ela: Que me darás, para
estares comigo?
- Respondeu ele: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. Perguntou ela ainda:
Dar-me-ás um penhor até que o envies?
- Então ele respondeu: Que penhor é o que te darei? Disse ela: O teu selo
com a corda, e o cajado que está em tua mão. Ele, pois, lhos deu, e esteve com
ela, e ela concebeu dele.
- E ela se levantou e se foi; tirou de si o véu e vestiu os vestidos da sua
viuvez.
- Depois Judá enviou o cabrito por mão do seu amigo o adulamita, para
receber o penhor da mão da mulher; porém ele não a encontrou.
- Pelo que perguntou aos homens daquele lugar: Onde está a prostituta que
estava em Enaim junto ao caminho? E disseram: Aqui não esteve prostituta
alguma.
- Voltou, pois, a Judá e disse: Não a achei; e também os homens daquele
lugar disseram: Aqui não esteve prostituta alguma.
- Então disse Judá: Deixa-a ficar com o penhor, para que não caiamos em
desprezo; eis que enviei este cabrito, mas tu não a achaste.
- Passados quase três meses, disseram a Judá: Tamar, tua nora, se prostituiu
e eis que está grávida da sua prostituição. Então disse Judá: Tirai-a para
fora, e seja ela queimada.
- Quando ela estava sendo tirada para fora, mandou dizer a seu sogro: Do
homem a quem pertencem estas coisas eu concebi. Disse mais: Reconhece,
peço-te, de quem são estes, o selo com o cordão, e o cajado.
- Reconheceu-os, pois, Judá, e disse: Ela é mais justa do que eu, porquanto
não a dei a meu filho Selá. E nunca mais a conheceu.
- Sucedeu que, ao tempo de ela dar à luz, havia gêmeos em seu ventre;
- e dando ela à luz, um pôs fora a mão, e a parteira tomou um fio encarnado
e o atou em sua mão, dizendo: Este saiu primeiro.
- Mas recolheu ele a mão, e eis que seu irmão saiu; pelo que ela disse: Como
tens tu rompido! Portanto foi chamado Pérez.
- Depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio encamado; e foi chamado
Zerá.
- José foi levado ao Egito; e Potifar, oficial de Faraó, capitão da guarda,
egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o haviam levado para lá.
- Mas o Senhor era com José, e ele tornou-se próspero; e estava na casa do
seu senhor, o egípcio.
- E viu o seu senhor que Deus era com ele, e que fazia prosperar em sua mão
tudo quanto ele empreendia.
- Assim José achou graça aos olhos dele, e o servia; de modo que o fez
mordomo da sua casa, e entregou na sua mão tudo o que tinha.
- Desde que o pôs como mordomo sobre a sua casa e sobre todos os seus bens,
o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor
estava sobre tudo o que tinha, tanto na casa como no campo.
- Potifar deixou tudo na mão de José, de maneira que nada sabia do que
estava com ele, a não ser do pão que comia. Ora, José era formoso de porte e
de semblante.
- E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os olhos
em José, e lhe disse: Deita-te comigo.
- Mas ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não
sabe o que está comigo na sua casa, e entregou em minha mão tudo o que
tem;
- ele não é maior do que eu nesta casa; e nenhuma coisa me vedou, senão a
ti, porquanto és sua mulher. Como, pois, posso eu cometer este grande mal, e
pecar contra Deus?
- Entretanto, ela instava com José dia após dia; ele, porém, não lhe dava
ouvidos, para se deitar com ela, ou estar com ela.
- Mas sucedeu, certo dia, que entrou na casa para fazer o seu serviço; e
nenhum dos homens da casa estava lá dentro.
- Então ela, pegando-o pela capa, lhe disse: Deita-te comigo! Mas ele,
deixando a capa na mão dela, fugiu, escapando para fora.
- Quando ela viu que ele deixara a capa na mão dela e fugira para
fora,
- chamou pelos homens de sua casa, e disse-lhes: Vede! meu marido trouxe-nos
um hebreu para nos insultar; veio a mim para se deitar comigo, e eu gritei em
alta voz;
- e ouvigiu-se para ela no caminho, e disse: Vem, deixa-me deixou, aqui a
sua capa e fugiu, escapando para fora.
- Ela guardou a capa consigo, até que o senhor dele voltou a casa.
- Então falou-lhe conforme as mesmas palavras, dizendo: O servo hebreu, que
nos trouxeste, veio a mim para me insultar;
- mas, levantando eu a voz e gritando, ele deixou comigo a capa e fugiu para
fora.
- Tendo o seu senhor ouvido as palavras de sua mulher, que lhe falava,
dizendo: Desta maneira me fez teu servo, a sua ira se acendeu.
- Então o senhor de José o tomou, e o lançou no cárcere, no lugar em que os
presos do rei estavam encarcerados; e ele ficou ali no cárcere.
- O Senhor, porém, era com José, estendendo sobre ele a sua benignidade e
dando-lhe graça aos olhos do carcereiro,
- o qual entregou na mão de José todos os presos que estavam no cárcere; e
era José quem ordenava tudo o que se fazia ali.
- E o carcereiro não tinha cuidado de coisa alguma que estava na mão de
José, porquanto o Senhor era com ele, fazendo prosperar tudo quanto ele
empreendia.
- Depois destas coisas o copeiro do rei do Egito e o seu padeiro ofenderam o
seu senhor, o rei do Egito.
- Pelo que se indignou Faraó contra os seus dois oficiais, contra o
copeiro-mor e contra o padeiro-mor;
- e mandou detê-los na casa do capitão da guarda, no cárcere onde José
estava preso;
- e o capitão da guarda pô-los a cargo de José, que os servia. Assim
estiveram por algum tempo em detenção.
- Ora, tiveram ambos um sonho, cada um seu sonho na mesma noite, cada um
conforme a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito,
que se achavam presos no cárcere:
- Quando José veio a eles pela manhã, viu que estavam perturbados:
- Perguntou, pois, a esses oficiais de Faraó, que com ele estavam no cárcere
da casa de seu senhor, dizendo: Por que estão os vossos semblantes tão tristes
hoje?
- Responderam-lhe: Tivemos um sonho e ninguém há que o interprete. Pelo que
lhes disse José: Porventura não pertencem a Deus as interpretações? Contai-mo,
peço-vos.
- Então contou o copeiro-mor o seu sonho a José, dizendo-lhe: Eis que em meu
sonho havia uma vide diante de mim,
- e na vide três sarmentos; e, tendo a vide brotado, saíam as suas flores, e
os seus cachos produziam uvas maduras.
- O copo de Faraó estava na minha mão; e, tomando as uvas, eu as espremia no
copo de Faraó e entregava o copo na mão de Faraó.
- Então disse-lhe José: Esta é a sua interpretação: Os três sarmentos são
três dias;
- dentro de três dias Faraó levantará a tua cabeça, e te restaurará ao teu
cargo; e darás o copo de Faraó na sua mão, conforme o costume antigo, quando
eras seu copeiro.
- Mas lembra-te de mim, quando te for bem; usa, peço-te, de compaixão para
comigo e faze menção de mim a Faraó e tira-me desta casa;
- porque, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus; e aqui também nada
tenho feito para que me pusessem na masmorra.
- Quando o padeiro-mor viu que a interpretação era boa, disse a José: Eu
também sonhei, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha
cabeça.
- E no cesto mais alto havia para Faraó manjares de todas as qualidades que
fazem os padeiros; e as aves os comiam do cesto que estava sobre a minha
cabeça.
- Então respondeu José: Esta é a interpretação do sonho: Os três cestos são
três dias;
- dentro de três dias tirará Faraó a tua cabeça, e te pendurará num madeiro,
e as aves comerão a tua carne de sobre ti.
- E aconteceu ao terceiro dia, o dia natalício de Faraó, que este deu um
banquete a todos os seus servos; e levantou a cabeça do copeiro-mor, e a
cabeça do padeiro-mor no meio dos seus servos;
- e restaurou o copeiro-mor ao seu cargo de copeiro, e este deu o copo na
mão de Faraó;
- mas ao padeiro-mor enforcou, como José lhes havia interpretado.
- O copeiro-mor, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu
dele.
- Passados dois anos inteiros, Faraó sonhou que estava em pé junto ao rio
Nilo;
- e eis que subiam do rio sete vacas, formosas à vista e gordas de carne, e
pastavam no carriçal.
- Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras de
carne; e paravam junto às outras vacas à beira do Nilo.
- E as vacas feias à vista e magras de carne devoravam as sete formosas à
vista e gordas. Então Faraó acordou.
- Depois dormiu e tornou a sonhar; e eis que brotavam dum mesmo pé sete
espigas cheias e boas.
- Após elas brotavam sete espigas miúdas e queimadas do vento
oriental;
- e as espigas miúdas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então
Faraó acordou, e eis que era um sonho.
- Pela manhã o seu espírito estava perturbado; pelo que mandou chamar todos
os adivinhadores do Egito, e todos os seus sábios; e Faraó contou-lhes os seus
sonhos, mas não havia quem lhos interpretasse.
- Então falou o copeiro-mor a Faraó, dizendo: Dos meus pecados me lembro
hoje:
- Estando faraó mui indignado contra os seus servos, e pondo-me sob prisão
na casa do captão da guarda, a mim e ao padeiro-mor.
- Então sonhamos um sonho na mesma noite, eu e ele, cada um conforme a
interpretação do seu sonho sonhamos.
- Ora, estava ali conosco um mancebo hbreu, servo do capitão da guarda, ao
qual contamos os nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um conforme o
seu sonho.
- E como ele nos interpretou, assim mesmo foi feito: a mim me fez tornar ao
meu estado, e a ele fez enforcar.
- Então enviou Faraó, e chamou a José, e o fizeram sair logo da cova; e
barbeou-se e mudou os seus vestidos, e veio a Faraó.
- E Faraó disse a José: Eu sonhei um sonho, e ninguém há que o interprete;
mas de ri ouvi dizer que quando ouves um sonho o interpretas.
- E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará
resposta de paz a Faraó.
- Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava em pé na praia do
rio,
- E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e
pastavam no prado.
- E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista, e
magras de carne; não tenho visto outras taus, quanto à fealdade, em toda a
terra do Egito
- E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas;
- E entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em
suas entranhas; porque o seu parecer era feio como no principio. Então
acordei.
- Depois vi em meu sonho, e eis que dum mesmo pé subiam sete espigas cheias
e boas;
- E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental
brotavam após elas.
- E as sete espigas miudas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o aos
magos, mas ninguém houve que mo interpretasse.
- Então disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de
fazer, notificou-o a Faraó.
- As sete vacas formosas são sete anos; as sete espigas formosas também são
sete anos; o sonho é um só.
- E as sete vacas magras e feias à vista, que subiam depois delas, são sete
anos, como as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental; serão sete
anos de fome.
- Esta é a palavra que tenho dito a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o
a Faraó.
- E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do
Egito
- E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura
será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra:
- e não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que
seguirá; porquanto será gravíssima.
- Ora, se o sonho foi duplicado a Faraó, é porque esta coisa é determinada
por Deus, e ele brevemente a fará.
- Portanto, proveja-se agora Faraó de um homem entendido e sábio, e o ponha
sobre a terra do Egito.
- Faça isto Faraó: nomeie administradores sobre a terra, que tomem a quinta
parte dos produtos da terra do Egito nos sete anos de fartura;
- e ajuntem eles todo o mantimento destes bons anos que vêm, e amontoem
trigo debaixo da mão de Faraó, para mantimento nas cidades e o guardem;
- assim será o mantimento para provimento da terra, para os sete anos de
fome, que haverá na terra do Egito; para que a terra não pereça de fome.
- Esse parecer foi bom aos olhos de Faraó, e aos olhos de todos os seus
servos.
- Perguntou, pois, Faraó a seus servos: Poderíamos achar um homem como este,
em quem haja o espírito de Deus?
- Depois disse Faraó a José: Porquanto Deus te fez saber tudo isto, ninguém
há tão entendido e sábio como tu.
- Tu estarás sobre a minha casa, e por tua voz se governará todo o meu povo;
somente no trono eu serei maior que tu.
- Disse mais Faraó a José: Vê, eu te hei posto sobre toda a terra do
Egito.
- E Faraó tirou da mão o seu anel-sinete e pô-lo na mão de José, vestiu-o de
traje de linho fino, e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro.
- Ademais, fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele:
Ajoelhai-vos. Assim Faraó o constituiu sobre toda a terra do Egito.
- Ainda disse Faraó a José: Eu sou Faraó; sem ti, pois, ninguém levantará a
mão ou o pé em toda a terra do Egito.
- Faraó chamou a José Zafnate-Paneã, e deu-lhe por mulher Asenate, filha de
Potífera, sacerdote de Om. Depois saiu José por toda a terra do Egito.
- Ora, José era da idade de trinta anos, quando se apresentou a Faraó, rei
do Egito. E saiu José da presença de Faraó e passou por toda a terra do
Egito.
- Durante os sete anos de fartura a terra produziu a mancheias;
- e José ajuntou todo o mantimento dos sete anos, que houve na terra do
Egito, e o guardou nas cidades; o mantimento do campo que estava ao redor de
cada cidade, guardou-o dentro da mesma.
- Assim José ajuntou muitíssimo trigo, como a areia do mar, até que cessou
de contar; porque não se podia mais contá-lo.
- Antes que viesse o ano da fome, nasceram a José dois filhos, que lhe deu
Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
- E chamou José ao primogênito Manassés; porque disse: Deus me fez esquecer
de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai.
- Ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da
minha aflição.
- Acabaram-se, então, os sete anos de fartura que houve na terra do
Egito;
- e começaram a vir os sete anos de fome, como José tinha dito; e havia fome
em todas as terras; porém, em toda a terra do Egito havia pão.
- Depois toda a terra do Egito teve fome, e o povo clamou a Faraó por pão; e
Faraó disse a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser,
fazei.
- De modo que, havendo fome sobre toda a terra, abriu José todos os
depósitos, e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do
Egito.
- Também de todas as terras vinham ao Egito, para comprarem de José;
porquanto a fome prevaleceu em todas as terras.
- Ora, Jacó soube que havia trigo no Egito, e disse a seus filhos: Por que
estais olhando uns para os outros?
- Disse mais: Tenho ouvido que há trigo no Egito; descei até lá, e de lá
comprai-o para nós, a fim de que vivamos e não morramos.
- Então desceram os dez irmãos de José, para comprarem trigo no Egito.
- Mas a Benjamim, irmão de José, não enviou Jacó com os seus irmãos, pois
disse: Para que, porventura, não lhe suceda algum desastre.
- Assim entre os que iam lá, foram os filhos de Israel para comprar, porque
havia fome na terra de Canaã.
- José era o governador da terra; era ele quem vendia a todo o povo da
terra; e vindo os irmãos de José, prostraram-se diante dele com o rosto em
terra.
- José, vendo seus irmãos, reconheceu-os; mas portou-se como estranho para
com eles, falou-lhes asperamente e perguntou-lhes: Donde vindes? Responderam
eles: Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento.
- José, pois, reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
- Lembrou-se então José dos sonhos que tivera a respeito deles, e
disse-lhes: Vós sois espias, e viestes para ver a nudez da terra.
- Responderam-lhe eles: Não, senhor meu; mas teus servos vieram comprar
mantimento.
- Nós somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens de retidão; os teus
servos não são espias.
- Replicou-lhes: Não; antes viestes para ver a nudez da terra.
- Mas eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem
da terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, e outro já não
existe.
- Respondeu-lhe José: É assim como vos disse; sois espias.
- Nisto sereis provados: Pela vida de Faraó, não saireis daqui, a menos que
venha para cá vosso irmão mais novo.
- Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão, mas vós ficareis presos, a
fim de serem provadas as vossas palavras, se há verdade convosco; e se não,
pela vida de Faraó, vós sois espias.
- E meteu-os juntos na prisão por três dias.
- Ao terceiro dia disse-lhes José: Fazei isso, e vivereis; porque eu temo a
Deus.
- Se sois homens de retidão, que fique um dos irmãos preso na casa da vossa
prisão; mas ide vós, levai trigo para a fome de vossas casas,
- e trazei-me o vosso irmão mais novo; assim serão verificadas vossas
palavras, e não morrereis. E eles assim fizeram.
- Então disseram uns aos outros: Nós, na verdade, somos culpados no tocante
a nosso irmão, porquanto vimos a angústia da sua alma, quando nos rogava, e
não o quisemos atender; é por isso que vem sobre nós esta angústia.
- Respondeu-lhes Rúben: Não vos dizia eu: Não pequeis contra o menino; Mas
não quisestes ouvir; por isso agora é requerido de nós o seu sangue.
- E eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre
eles.
- Nisto José se retirou deles e chorou. Depois tornou a eles, falou-lhes, e
tomou a Simeão dentre eles, e o amarrou perante os seus olhos.
- Então ordenou José que lhes enchessem de trigo os sacos, que lhes
restituíssem o dinheiro a cada um no seu saco, e lhes dessem provisões para o
caminho. E assim lhes foi feito.
- Eles, pois, carregaram o trigo sobre os seus jumentos, e partiram
dali.
- Quando um deles abriu o saco, para dar forragem ao seu jumento na
estalagem, viu o seu dinheiro, pois estava na boca do saco.
- E disse a seus irmãos: Meu dinheiro foi-me devolvido; ei-lo aqui no saco.
Então lhes desfaleceu o coração e, tremendo, viravam-se uns para os outros,
dizendo: Que é isto que Deus nos tem feito?
- Depois vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e contaram-lhe tudo o
que lhes acontecera, dizendo:
- O homem, o senhor da terra, falou-nos asperamente, e tratou-nos como
espias da terra;
- mas dissemos-lhe: Somos homens de retidão; não somos espias;
- somos doze irmãos, filhos de nosso pai; um já não existe e o mais novo
está hoje com nosso pai na terra de Canaã.
- Respondeu-nos o homem, o senhor da terra: Nisto conhecerei que vós sois
homens de retidão: Deixai comigo um de vossos irmãos, levai trigo para a fome
de vossas casas, e parti,
- e trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espias, mas
homens de retidão; então vos entregarei o vosso irmão e negociareis na
terra.
- E aconteceu que, despejando eles os sacos, eis que o pacote de dinheiro de
cada um estava no seu saco; quando eles e seu pai viram os seus pacotes de
dinheiro, tiveram medo.
- Então Jacó, seu pai, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; José já não existe,
e não existe Simeão, e haveis de levar Benjamim! Todas estas coisas vieram
sobre mim.
- Mas Rúben falou a seu pai, dizendo: Mata os meus dois filhos, se eu to não
tornar a trazer; entrega-o em minha mão, e to tornarei a trazer.
- Ele porém disse: Não descerá meu filho convosco; porquanto o seu irmão é
morto, e só ele ficou. Se lhe suceder algum desastre pelo caminho em que
fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza ao Seol.
- Ora, a fome era gravíssima na terra.
- Tendo eles acabado de comer o mantimento que trouxeram do Egito,
disse-lhes seu pai: voltai, comprai-nos um pouco de alimento.
- Mas respondeu-lhe Judá: Expressamente nos advertiu o homem, dizendo: Não
vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco.
- Se queres enviar conosco o nosso irmão, desceremos e te compraremos
alimento; mas se não queres enviá-lo, não desceremos, porquanto o homem nos
disse: Não vereis a minha face, se vosso irmão não estiver convosco.
- Perguntou Israel: Por que me fizeste este mal, fazendo saber ao homem que
tínheis ainda outro irmão?
- Responderam eles: O homem perguntou particularmente por nós, e pela nossa
parentela, dizendo: vive ainda vosso pai? tendes mais um irmão? e
respondemos-lhe segundo o teor destas palavras. Podíamos acaso saber que ele
diria: Trazei vosso irmão?
- Então disse Judá a Israel, seu pai: Envia o mancebo comigo, e
levantar-nos-emos e iremos, para que vivamos e não morramos, nem nós, nem tu,
nem nossos filhinhos.
- Eu serei fiador por ele; da minha mão o requererás. Se eu to não trouxer,
e o não puser diante de ti, serei réu de crime para contigo para sempre.
- E se não nos tivéssemos demorado, certamente já segunda vez estaríamos de
volta.
- Então disse-lhes Israel seu pai: Se é sim, fazei isto: tomai os melhores
produtos da terra nas vossas vasilhas, e levai ao homem um presente: um pouco
de bálsamo e um pouco de mel, tragacanto e mirra, nozes de fístico e
amêndoas;
- levai em vossas mãos dinheiro em dobro; e o dinheiro que foi devolvido na
boca dos vossos sacos, tornai a levá-lo em vossas mãos; bem pode ser que fosse
engano.
- Levai também vosso irmão; levantai-vos e voltai ao homem;
- e Deus Todo-Poderoso vos dê misericórdia diante do homem, para que ele
deixe vir convosco vosso outro irmão, e Benjamim; e eu, se for desfilhado,
desfilhado ficarei.
- Tomaram, pois, os homens aquele presente, e dinheiro em dobro nas mãos, e
a Benjamim; e, levantando-se desceram ao Egito e apresentaram-se diante de
José.
- Quando José viu Benjamim com eles, disse ao despenseiro de sua casa: Leva
os homens à casa, mata reses, e apronta tudo; pois eles comerão comigo ao
meio-dia.
- E o homem fez como José ordenara, e levou-os à casa de José.
- Então os homens tiveram medo, por terem sido levados à casa de José; e
diziam: por causa do dinheiro que da outra vez foi devolvido nos nossos sacos
que somos trazidos aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome
por servos, tanto a nós como a nossos jumentos.
- Por isso eles se chegaram ao despenseiro da casa de José, e falaram com
ele à porta da casa,
- e disseram: Ai! senhor meu, na verdade descemos dantes a comprar
mantimento;
- e quando chegamos à estalagem, abrimos os nossos sacos, e eis que o
dinheiro de cada um estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; e
tornamos a trazê-lo em nossas mãos;
- também trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento;
não sabemos quem tenha posto o dinheiro em nossos sacos.
- Respondeu ele: Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de
vosso pai, deu-vos um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro chegou-me às
mãos. E trouxe-lhes fora Simeão.
- Depois levou os homens à casa de José, e deu-lhes ãgua, e eles lavaram os
pés; também deu forragem aos seus jumentos.
- Então eles prepararam o presente para quando José viesse ao meio-dia;
porque tinham ouvido que ali haviam de comer.
- Quando José chegou em casa, trouxeram-lhe ali o presente que guardavam
junto de si; e inclinaram-se a ele até a terra.
- Então ele lhes perguntou como estavam; e prosseguiu: vosso pai, o ancião
de quem falastes, está bem? ainda vive?
- Responderam eles: O teu servo, nosso pai, estã bem; ele ainda vive. E
abaixaram a cabeça, e inclinaram-se.
- Levantando os olhos, José viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e
perguntou: É este o vosso irmão mais novo de quem me falastes? E disse: Deus
seja benévolo para contigo, meu filho.
- E José apressou-se, porque se lhe comoveram as entranhas por causa de seu
irmão, e procurou onde chorar; e, entrando na sua câmara, chorou ali.
- Depois lavou o rosto, e saiu; e se conteve e disse: Servi a comida.
- Serviram-lhe, pois, a ele à parte, e a eles também à parte, e à parte aos
egípcios que comiam com ele; porque os egípcios não podiam comer com os
hebreus, porquanto é isso abominação aos egípcios.
- Sentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura, e o
menor segundo a sua menoridade; do que os homens se maravilhavam entre
si.
- Então ele lhes apresentou as porções que estavam diante dele; mas a porção
de Benjamim era cinco vezes maior do que a de qualquer deles. E eles beberam,
e se regalaram com ele.
- Depois José deu ordem ao despenseiro de sua casa, dizendo: Enche de
mantimento os sacos dos homens, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada
um na boca do seu saco.
- E a minha taça de prata porãs na boca do saco do mais novo, com o dinheiro
do seu trigo. Assim fez ele conforme a palavra que José havia dito.
- Logo que veio a luz da manhã, foram despedidos os homens, eles com os seus
jumentos.
- Havendo eles saído da cidade, mas não se tendo distanciado muito, disse
José ao seu despenseiro: Levanta-te e segue os homens; e, alcançando-os,
dize-lhes: Por que tornastes o mal pelo bem?
- Não é esta a taça por que bebe meu senhor, e de que se serve para
adivinhar? Fizestes mal no que fizestes.
- Então ele, tendo-os alcançado, lhes falou essas mesmas palavras.
- Responderam-lhe eles: Por que falo meu senhor tais palavras? Longe estejam
teus servos de fazerem semelhante coisa.
- Eis que o dinheiro, que achamos nas bocas dos nossos sacos, to tornamos a
trazer desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor
prata ou ouro?
- Aquele dos teus servos com quem a taça for encontrada, morra; e ainda nós
seremos escravos do meu senhor.
- Ao que disse ele: Seja conforme as vossas palavras; aquele com quem a taça
for encontrada será meu escravo; mas vós sereis inocentes.
- Então eles se apressaram cada um a pôr em terra o seu saco, e cada um a
abri-lo.
- E o despenseiro buscou, começando pelo maior, e acabando pelo mais novo; e
achou-se a taça no saco de Benjamim.
- Então rasgaram os seus vestidos e, tendo cada um carregado o seu jumento,
voltaram à cidade.
- E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e
prostraram-se em terra diante dele.
- Logo lhes perguntou José: Que ação é esta que praticastes? não sabeis vós
que um homem como eu pode, muito bem, adivinhar?
- Respondeu Judá: Que diremos a meu senhor? que falaremos? e como nos
justificaremos? Descobriu Deus a iniqüidade de teus servos; eis que somos
escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achada a
taça.
- Disse José: Longe esteja eu de fazer isto; o homem em cuja mão a taça foi
achada, aquele será meu servo; porém, quanto a vós, subi em paz para vosso
pai.
- Então Judà se chegou a ele, e disse: Ai! senhor meu, deixa, peço-te, o teu
servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor; e não se acenda a tua ira
contra o teu servo; porque tu és como Faraó.
- Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo: Tendes vós pai, ou
irmão?
- E respondemos a meu senhor: Temos pai, já velho, e há um filho da sua
velhice, um menino pequeno; o irmão deste é morto, e ele ficou o único de sua
mãe; e seu pai o ama.
- Então tu disseste a teus servos: Trazei-mo, para que eu ponha os olhos
sobre ele.
- E quando respondemos a meu senhor: O menino não pode deixar o seu pai;
pois se ele deixasse o seu pai, este morreria;
- replicaste a teus servos: A menos que desça convosco vosso irmão mais
novo, nunca mais vereis a minha face.
- Então subimos a teu servo, meu pai, e lhe contamos as palavras de meu
senhor.
- Depois disse nosso pai: Tornai, comprai-nos um pouco de mantimento;
- e lhe respondemos: Não podemos descer; mas, se nosso irmão menor for
conosco, desceremos; pois não podemos ver a face do homem, se nosso irmão
menor não estiver conosco.
- Então nos disse teu servo, meu pai: Vós sabeis que minha mulher me deu
dois filhos;
- um saiu de minha casa e eu disse: certamente foi despedaçado, e não o
tenho visto mais;
- se também me tirardes a este, e lhe acontecer algum desastre, fareis
descer as minhas cãs com tristeza ao Seol.
- Agora, pois, se eu for ter com o teu servo, meu pai, e o menino não
estiver conosco, como a sua alma está ligada com a alma dele,
- acontecerá que, vendo ele que o menino ali não está, morrerá; e teus
servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pai com tristeza ao Seol.
- Porque teu servo se deu como fiador pelo menino para com meu pai, dizendo:
Se eu to não trouxer de volta, serei culpado, para com meu pai para
sempre.
- Agora, pois, fique teu servo em lugar do menino como escravo de meu
senhor, e que suba o menino com seus irmãos.
- Porque, como subirei eu a meu pai, se o menino não for comigo? para que
não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai.
- Então José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e
clamou: Fazei a todos sair da minha presença; e ninguém ficou com ele, quando
se deu a conhecer a seus irmãos.
- E levantou a voz em choro, de maneira que os egípcios o ouviram, bem como
a casa de Faraó.
- Disse, então, José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus
irmãos não lhe puderam responder, pois estavam pasmados diante dele.
- José disse mais a seus irmãos: Chegai-vos a mim, peço-vos. E eles se
chegaram. Então ele prosseguiu: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes
para o Egito.
- Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos aborreçais por me haverdes
vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de
vós.
- Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em
que não haverá lavoura nem sega.
- Deus enviou-me adiante de vós, para conservar-vos descendência na terra, e
para guardar-vos em vida por um grande livramento.
- Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem
posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador
sobre toda a terra do Egito.
- Apressai-vos, subi a meu pai, e dizei-lhe: Assim disse teu filho José:
Deus me tem posto por senhor de toda a terra do Egito; desce a mim, e não te
demores;
- habitarás na terra de Gósem e estarás perto de mim, tu e os teus filhos e
os filhos de teus filhos, e os teus rebanhos, o teu gado e tudo quanto
tens;
- ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome, para que não
sejas reduzido à pobreza, tu e tua casa, e tudo o que tens.
- Eis que os vossos olhos, e os de meu irmão Benjamim, vêem que é minha boca
que vos fala.
- Fareis, pois, saber a meu pai toda a minha glória no Egito; e tudo o que
tendes visto; e apressar-vos-eis a fazer descer meu pai para cá.
- Então se lançou ao pescoço de Benjamim seu irmão, e chorou; e Benjamim
chorou também ao pescoço dele.
- E José beijou a todos os seus irmãos, chorando sobre eles; depois seus
irmãos falaram com ele.
- Esta nova se fez ouvir na casa de Faraó: São vindos os irmãos de José; o
que agradou a Faraó e a seus servos.
- Ordenou Faraó a José: Dize a teus irmãos: Fazei isto: carregai os vossos
animais e parti, tornai à terra de Canaã;
- tomai o vosso pai e as vossas familias e vinde a mim; e eu vos darei o
melhor da terra do Egito, e comereis da fartura da terra.
- A ti, pois, é ordenado dizer-lhes: Fazei isto: levai vós da terra do Egito
carros para vossos meninos e para vossas mulheres; trazei vosso pai, e
vinde.
- E não vos pese coisa alguma das vossas alfaias; porque o melhor de toda a
terra do Egito será vosso.
- Assim fizeram os filhos de Israel. José lhes deu carros, conforme o
mandado de Faraó, e deu-lhes também provisão para o caminho.
- A todos eles deu, a cada um, mudas de roupa; mas a Benjamim deu trezentas
peças de prata, e cinco mudas de roupa.
- E a seu pai enviou o seguinte: dez jumentos carregados do melhor do Egito,
e dez jumentas carregadas de trigo, pão e provisão para seu pai, para o
caminho.
- Assim despediu seus irmãos e, ao partirem eles, disse-lhes: Não contendais
pelo caminho.
- Então subiram do Egito, vieram à terra de Canaã, a Jacó seu pai,
- e lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e é governador de toda a terra
do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava.
- Quando, porém, eles lhe contaram todas as palavras que José lhes falara, e
vendo Jacó, seu pai, os carros que José enviara para levá-lo, reanimou-se-lhe
o espírito;
- e disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes
que morra.
- Partiu, pois, Israel com tudo quanto tinha e veio a Beer-Seba, onde
ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaque.
- Falou Deus a Israel em visões de noite, e disse: Jacó, Jacó! Respondeu
Jacó: Eis-me aqui.
- E Deus disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o
Egito; porque eu te farei ali uma grande nação.
- Eu descerei contigo para o Egito, e certamente te farei tornar a subir; e
José porá a sua mão sobre os teus olhos.
- Então Jacó se levantou de Beer-Seba; e os filhos de Israel levaram seu pai
Jacó, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o
levar.
- Também tomaram o seu gado e os seus bens que tinham adquirido na terra de
Canaã, e vieram para o Egito, Jacó e toda a sua descendência com ele.
- Os seus filhos e os filhos de seus filhos com ele, as suas filhas e as
filhas de seus filhos, e toda a sua descendência, levou-os consigo para o
Egito.
- São estes os nomes dos filhos de Israel, que vieram para o Egito, Jacó e
seus filhos: Rúben, o primogênito de Jacó.
- E os filhos de Rúben: Hanoque, Palu, Hezrom e Carmi.
- E os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar, e Saul, filho de
uma mulher cananéia.
- E os filhos de Levi: Gérsom, Coate e Merári.
- E os filhos de Judá: Er, Onã, Selá, Pérez e Zerá. Er e Onã, porém,
morreram na terra de Canaã. E os filhos de Pérez foram Hezrom e Hamul,
- E os filhos de Issacar: Tola, Puva, Iobe e Sinrom.
- E os filhos de Zebulom: Serede, Elom e Jaleel.
- Estes são os filhos de Léia, que ela deu a Jacó em Padã-Arã, além de Diná,
sua filha; todas as almas de seus filhos e de suas filhas eram trinta e
três.
- E os filhos de Gade: Zifiom, Hagui, Suni, Ezbom, Eri, Arodi e Areli.
- E os filhos de Aser: Imná, Isvá, Isvi e Beria, e Sera, a irmã deles; e os
filhos de Beria: Heber e Malquiel.
- Estes são os filhos de Zilpa, a qual Labão deu à sua filha Léia; e estes
ela deu a Jacó, ao todo dezesseis almas.
- Os filhos de Raquel, mulher de Jacó: José e Benjamim.
- E nasceram a José na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu
Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
- E os filhos de Benjamim: Belá, Bequer, Asbel, Gêra, Naamã, Eí, Ros, Mupim,
Hupim e Arde.
- Estes são os filhos de Raquel, que nasceram a Jacó, ao todo catorze
almas.
- E os filhos de Dã: Husim.
- E os filhos de Naftali: Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
- Estes são os filhos de Bila, a qual Labão deu à sua filha Raquel; e estes
deu ela a Jacó, ao todo sete almas.
- Todas as almas que vieram com Jacó para o Egito e que saíram da sua coxa,
fora as mulheres dos filhos de Jacó, eram todas sessenta e seis almas;
- e os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as
almas da casa de Jacó, que vieram para o Egito eram setenta.
- Ora, Jacó enviou Judá adiante de si a José, para o encaminhar a Gósen; e
chegaram à terra de Gósen.
- Então José aprontou o seu carro, e subiu ao encontro de Israel, seu pai, a
Gósen; e tendo-se-lhe apresentado, lançou-se ao seu pescoço, e chorou sobre o
seu pescoço longo tempo.
- E Israel disse a José: Morra eu agora, já que tenho visto o teu rosto,
pois que ainda vives.
- Depois disse José a seus irmãos, e à casa de seu pai: Eu subirei e
informarei a Faraó, e lhe direi: Meus irmãos e a casa de meu pai, que estavam
na terra de Canaã, vieram para mim.
- Os homens são pastores, que se ocupam em apascentar gado; e trouxeram os
seus rebanhos, o seu gado e tudo o que têm.
- Quando, pois, Faraó vos chamar e vos perguntar: Que ocupação é a
vossa?
- respondereis: Nós, teus servos, temos sido pastores de gado desde a nossa
mocidade até agora, tanto nós como nossos pais. Isso direis para que habiteis
na terra de Gósen; porque todo pastor de ovelhas é abominação para os
egípcios.
- Então veio José, e informou a Faraó, dizendo: Meu pai e meus irmãos, com
seus rebanhos e seu gado, e tudo o que têm, chegaram da terra de Canaã e estão
na terra de Gósen.
- E tomou dentre seus irmãos cinco homens e os apresentou a Faraó.
- Então perguntou Faraó a esses irmãos de José: Que ocupação é a vossa;
Responderam-lhe: Nós, teus servos, somos pastores de ovelhas, tanto nós como
nossos pais.
- Disseram mais a Faraó: Viemos para peregrinar nesta terra; porque não há
pasto para os rebanhos de teus servos, porquanto a fome é grave na terra de
Canaã; agora, pois, rogamos-te permitas que teus servos habitem na terra de
Gósen.
- Então falou Faraó a José, dizendo: Teu pai e teus irmãos vieram a
ti;
- a terra do Egito está diante de ti; no melhor da terra faze habitar teu
pai e teus irmãos; habitem na terra de Gósen. E se sabes que entre eles hà
homens capazes, põe-nos sobre os pastores do meu gado.
- Também José introduziu a Jacó, seu pai, e o apresentou a Faraó; e Jacó
abençoou a Faraó.
- Então perguntou Faraó a Jacó: Quantos são os dias dos anos da tua
vida?
- Respondeu-lhe Jacó: Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e
trinta anos; poucos e maus têm sido os dias dos anos da minha vida, e não
chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais nos dias das suas
peregrinações.
- E Jacó abençoou a Faraó, e saiu da sua presença.
- José, pois, estabeleceu a seu pai e seus irmãos, dando-lhes possessão na
terra do Egito, no melhor da terra, na terra de Ramessés, como Faraó
ordenara.
- E José sustentou de pão seu pai, seus irmãos e toda a casa de seu pai,
segundo o número de seus filhos.
- Ora, não havia pão em toda a terra, porque a fome era mui grave; de modo
que a terra do Egito e a terra de Canaã desfaleciam por causa da fome.
- Então José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egito, e na
terra de Canaã, pelo trigo que compravam; e José trouxe o dinheiro à casa de
Faraó.
- Quando se acabou o dinheiro na terra do Egito, e na terra de Canaã, vieram
todos os egípcios a José, dizendo: Dà-nos pão; por que morreremos na tua
presença? porquanto o dinheiro nos falta.
- Respondeu José: Trazei o vosso gado, e vo-lo darei por vosso gado, se
falta o dinheiro.
- Então trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão em troca dos
cavalos, e das ovelhas, e dos bois, e dos jumentos; e os sustentou de pão
aquele ano em troca de todo o seu gado.
- Findo aquele ano, vieram a José no ano seguinte e disseram-lhe: Não
ocultaremos ao meu senhor que o nosso dinheiro está todo gasto; as manadas de
gado jà pertencem a meu senhor; e nada resta diante de meu senhor, senão o
nosso corpo e a nossa terra;
- por que morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra?
Compra-nos a nós e a nossa terra em troca de pão, e nós e a nossa terra
seremos servos de Faraó; dá-nos também semente, para que vivamos e não
morramos, e para que a terra não fique desolada.
- Assim José comprou toda a terra do Egito para Faraó; porque os egípcios
venderam cada um o seu campo, porquanto a fome lhes era grave em extremo; e a
terra ficou sendo de Faraó.
- Quanto ao povo, José fê-lo passar às cidades, desde uma até a outra
extremidade dos confins do Egito.
- Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes
tinham rações de Faraó, e eles comiam as suas rações que Faraó lhes havia
dado; por isso não venderam a sua terra.
- Então disse José ao povo: Hoje vos tenho comprado a vós e a vossa terra
para Faraó; eis aí tendes semente para vós, para que semeeis a terra.
- Há de ser, porém, que no tempo as colheitas dareis a quinta parte a Faraó,
e quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento
e dos que estão nas vossas casas, e para o mantimento de vossos
filhinho.
- Responderam eles: Tu nos tens conservado a vida! achemos graça aos olhos
de meu senhor, e seremos servos de Faraó.
- José, pois, estabeleceu isto por estatuto quanto ao solo do Egito, até o
dia de hoje, que a Faraó coubesse o quinto a produção; somente a terra dos
sacerdotes não ficou sendo de Faraó.
- Assim habitou Israel na terra do Egito, na terra de Gósen; e nela
adquiriram propriedades, e frutificaram e multiplicaram-se muito.
- E Jacó viveu na terra do Egito dezessete anos; de modo que os dias de
Jacó, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos.
- Quando se aproximava o tempo da morte de Israel, chamou ele a José, seu
filho, e disse-lhe: Se tenho achado graça aos teus olhos, põe a mão debaixo da
minha coxa, e usa para comigo de benevolência e de verdade: rogo-te que não me
enterres no Egito;
- mas quando eu dormir com os meus pais, levar-me-ás do Egito e
enterrar-me-ás junto à sepultura deles. Respondeu José: Farei conforme a tua
palavra.
- E Jacó disse: Jura-me; e ele lhe jurou. Então Israel inclinou-se sobre a
cabeceira da cama.
- Depois destas coisas disseram a José: Eis que teu pai está enfermo. Então
José tomou consigo os seus dois filhos, Manassés e Efraim.
- Disse alguém a Jacó: Eis que José, teu olho, vem ter contigo. E
esforçando-se Israel, sentou-se sobre a cama.
- E disse Jacó a José: O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de
Canaã, e me abençoou,
- e me disse: Eis que te farei frutificar e te multiplicarei; tornar-te-ei
uma multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em
possessão perpétua.
- Agora, pois, os teus dois filhos, que nasceram na terra do Egito antes que
eu viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e
Simeão;
- mas a prole que tiveres depois deles será tua; segundo o nome de seus
irmãos serão eles chamados na sua herança.
- Quando eu vinha de Padã, morreu-me Raquel no caminho, na terra de Canaã,
quando ainda faltava alguma distância para chegar a Efrata; sepultei-a ali no
caminho que vai dar a Efrata, isto é, Belém.
- Quando Israel viu os filhos de José, perguntou: Quem são estes?
- Respondeu José a seu pai: Eles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui.
Continuou Israel: Traze-mos aqui, e eu os abençoarei.
- Os olhos de Israel, porém, se tinham escurecido por causa da velhice, de
modo que não podia ver. José, pois, fê-los chegar a ele; e ele os beijou e os
abraçou.
- E Israel disse a José: Eu não cuidara ver o teu rosto; e eis que Deus me
fez ver também a tua descendência.
- Então José os tirou dos joelhos de seu pai; e inclinou-se à terra diante
da sua face.
- E José tomou os dois, a Efraim com a sua mão direita, à esquerda de
Israel, e a Manassés com a sua mão esquerda, à direita de Israel, e assim os
fez chegar a ele.
- Mas Israel, estendendo a mão direita, colocou-a sobre a cabeça de Efraim,
que era o menor, e a esquerda sobre a cabeça de Manassés, dirigindo as mãos
assim propositadamente, sendo embora este o primogênito.
- E abençoou a José, dizendo: O Deus em cuja presença andaram os meus pais
Abraão e Isaque, o Deus que tem sido o meu pastor durante toda a minha vida
até este dia,
- o anjo que me tem livrado de todo o mal, abençoe estes mancebos, e seja
chamado neles o meu nome, e o nome de meus pois Abraão e Isaque; e
multipliquem-se abundantemente no meio da terra.
- Vendo José que seu pai colocava a mão direita sobre a cabeça de Efraim,
foi-lhe isso desagradável; levantou, pois, a mão de seu pai, para a transpor
da cabeça de Efraim para a cabeça de Manassés.
- E José disse a seu pai: Nãa assim, meu pai, porque este é o primogênito;
põe a mão direita sobre a sua cabeça.
- Mas seu pai, recusando, disse: Eu o sei, meu filho, eu o sei; ele também
se tornará um povo, ele também será grande; contudo o seu irmão menor será
maior do que ele, e a sua descendência se tornará uma multidão de
nações.
- Assim os abençoou naquele dia, dizendo: Por ti Israel abençoará e dirá:
Deus te faça como Efraim e como Manassés. E pôs a Efraim diante de
Manassés.
- Depois disse Israel a José: Eis que eu morro; mas Deus será convosco, e
vos fará tornar para a terra de vossos pais.
- E eu te dou um pedaço de terra a mais do que a teus irmãos, o qual tomei
com a minha espada e com o meu arco da mão dos amorreus.
- Depois chamou Jacó a seus filhos, e disse: Ajuntai-vos para que eu vos
anuncie o que vos há de acontecer nos dias vindouros.
- Ajuntai-vos, e ouvi, filhos de Jacó; ouvi a Israel vosso pai:
- Rúben, tu és meu primogênito, minha força e as primícias do meu vigor,
preeminente em dignidade e preeminente em poder.
- Descomedido como a àgua, não reterás a preeminência; porquanto subiste ao
leito de teu pai; então o contaminaste. Sim, ele subiu à minha cama.
- Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de
violência.
- No seu concílio não entres, ó minha alma! com a sua assembléia não te
ajuntes, ó minha glória! porque no seu furor mataram homens, e na sua teima
jarretaram bois.
- Maldito o seu furor, porque era forte! maldita a sua ira, porque era
cruel! Dividi-los-ei em Jacó, e os espalharei em Israel.
- Judá, a ti te louvarão teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus
inimigos: diante de ti se prostrarão os filhos de teu pai.
- Judá é um leãozinho. Subiste da presa, meu filho. Ele se encurva e se
deita como um leão, e como uma leoa; quem o despertará?
- O cetro não se arredará de Judà, nem o bastão de autoridade dentre seus
pés, até que venha aquele a quem pertence; e a ele obedecerão os povos.
- Atando ele o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à videira
seleta, lava as suas roupas em vinho e a sua vestidura em sangue de
uvas.
- Os olhos serão escurecidos pelo vinho, e os dentes brancos de leite.
- Zebulom habitarà no litoral; será ele ancoradouro de navios; e o seu termo
estender-se-á até Sidom.
- Issacar é jumento forte, deitado entre dois fardos.
- Viu ele que o descanso era bom, e que a terra era agradável. Sujeitou os
seus ombros à carga e entregou-se ao serviço forçado de um escravo.
- Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel.
- Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os
calcanhares do cavalo, de modo que caia o seu cavaleiro para trás.
- A tua salvação tenho esperado, ó Senhor!
- Quanto a Gade, guerrilheiros o acometerão; mas ele, por sua vez, os
acometerá.
- De Aser, o seu pão será gordo; ele produzirá delícias reais.
- Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas.
- José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto a uma fonte; seus raminhos
se estendem sobre o muro.
- Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e perseguiram,
- mas o seu arco permaneceu firme, e os seus braços foram fortalecidos pelas
mãos do Poderoso de Jacó, o Pastor, o Rochedo de Israel,
- pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te
abençoara, com bênçãos dos céus em cima, com bênçãos do abismo que jaz
embaixo, com bênçãos dos seios e da madre.
- As bênçãos de teu pai excedem as bênçãos dos montes eternos, as coisas
desejadas dos eternos outeiros; sejam elas sobre a cabeça de José, e sobre o
alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos.
- Benjamim é lobo que despedaça; pela manhã devorará a presa, e à tarde
repartirã o despojo.
- Todas estas são as doze tribos de Israel: e isto é o que lhes falou seu
pai quando os abençoou; a cada um deles abençoou segundo a sua bênção.
- Depois lhes deu ordem, dizendo-lhes: Eu estou para ser congregado ao meu
povo; sepultai-me com meus pais, na cova que está no campo de Efrom, o
heteu,
- na cova que está no campo de Macpela, que está em frente de Manre, na
terra de Canaã, cova esta que Abraão comprou de Efrom, o heteu, juntamente com
o respectivo campo, como propriedade de sepultura.
- Ali sepultaram a Abraão e a Sara, sua mulher; ali sepultaram a Isaque e a
Rebeca, sua mulher; e ali eu sepultei a Léia.
- O campo e a cova que está nele foram comprados aos filhos de Hete.
- Acabando Jacó de dar estas instruçães a seus filhos, encolheu os seus pés
na cama, expirou e foi congregado ao seu povo.
- Então José se lançou sobre o rosto de seu pai, chorou sobre ele e o
beijou.
- E José ordenou a seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e
os médicos embalsamaram a Israel.
- Cumpriram-se-lhe quarenta dias, porque assim se cumprem os dias de
embalsamação; e os egípcios o choraram setenta dias.
- Passados, pois, os dias de seu choro, disse José à casa de Faraó: Se agora
tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó,
dizendo:
- Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; em meu sepulcro, que
cavei para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, deixa-me
subir, peço-te, e sepultar meu pai; então voltarei.
- Respondeu Faraó: Sobe, e sepulta teu pai, como ele te fez jurar.
- Subiu, pois, José para sepultar a seu pai; e com ele subiram todos os
servos de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do
Egito,
- como também toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pai;
somente deixaram na terra de Gósen os seus pequeninos, os seus rebanhos e o
seu gado.
- E subiram com ele tanto carros como gente a cavalo; de modo que o concurso
foi mui grande.
- Chegando eles à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram ali um
grande e forte pranto; assim fez José por seu pai um grande pranto por sete
dias.
- Os moradores da terra, os cananeus, vendo o pranto na eira de Atade,
disseram: Grande pranto é este dos egípcios; pelo que o lugar foi chamado
Abel-Mizraim, o qual está além do Jordão.
- Assim os filhos de Jacó lhe fizeram como ele lhes ordenara;
- pois o levaram para a terra de Canaã, e o sepultaram na cova do campo de
Macpela, que Abraão tinha comprado com o campo, como propriedade de sepultura,
a Efrom, o heteu, em frente de Manre.
- Depois de haver sepultado seu pai, José voltou para o Egito, ele, seus
irmãos, e todos os que com ele haviam subido para sepultar seu pai.
- Vendo os irmãos de José que seu pai estava morto, disseram: Porventura
José nos odiará e nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos.
- Então mandaram dizer a José: Teu pai, antes da sua morte, nos
ordenou:
- Assim direis a José: Perdoa a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado,
porque te fizeram mal. Agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos
servos do Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam.
- Depois vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram:
Eis que nós somos teus servos.
- Respondeu-lhes José: Não temais; acaso estou eu em lugar de Deus?
- Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; Deus, porém, o intentou
para o bem, para fazer o que se vê neste dia, isto é, conservar muita gente
com vida.
- Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei, a vós e a vossos filhinhos.
Assim ele os consolou, e lhes falou ao coração.
- José, pois, habitou no Egito, ele e a casa de seu pai; e viveu cento e dez
anos.
- E viu José os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de
Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José.
- Depois disse José a seus irmãos: Eu morro; mas Deus certamente vos
visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a
Isaque e a Jacó.
- E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos
visitará, e fareis transportar daqui os meus ossos.
- Assim morreu José, tendo cento e dez anos de idade; e o
embalsamaram e o puseram num caixão no Egito.