Atos
- Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo quanto Jesus começou a
fazer e ensinar,
- até o dia em que foi levado para cima, depois de haver dado mandamento,
pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera;
- aos quais também, depois de haver padecido, se apresentou vivo, com muitas
provas infalíveis, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias, e lhes falando
das coisas concernentes ao reino de Deus.
- Estando com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas
que esperassem a promessa do Pai, a qual (disse ele) de mim ouvistes.
- Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no
Espírito Santo, dentro de poucos dias.
- Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é
nesse tempo que restauras o reino a Israel?
- Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o
Pai reservou à sua própria autoridade.
- Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os
confins da terra.
- Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam,
e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.
- Estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto
deles apareceram dois varões vestidos de branco,
- os quais lhes disseram: Varões galileus, por que ficais aí olhando para o
céu? Esse Jesus, que dentre vós foi elevado para o céu, há de vir assim como
para o céu o vistes ir.
- Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, que está
perto de Jerusalém, à distância da jornada de um sábado.
- E, entrando, subiram ao cenáculo, onde permaneciam Pedro e João, Tiago e
André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o
Zelote, e Judas, filho de Tiago.
- Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria,
mãe de Jesus, e com os irmãos dele.
- Naqueles dias levantou-se Pedro no meio dos irmãos, sendo o número de
pessoas ali reunidas cerca de cento e vinte, e disse:
- Irmãos, convinha que se cumprisse a escritura que o Espírito Santo
predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que
prenderam a Jesus;
- pois ele era contado entre nós e teve parte neste ministério.
- (Ora, ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade; e
precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou pelo meio, e todas as suas
entranhas se derramaram.
- E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalém; de maneira
que na própria língua deles esse campo se chama Acéldama, isto é, Campo de
Sangue.)
- Porquanto no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação,
e não haja quem nela habite; e: Tome outro o seu ministério.
- É necessário, pois, que dos varões que conviveram conosco todo o tempo em
que o Senhor Jesus andou entre nós,
- começando desde o batismo de João até o dia em que dentre nós foi levado
para cima, um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreição.
- E apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o
Justo, e Matias.
- E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os corações de todos, mostra
qual destes dois tens escolhido
- para tomar o lugar neste ministério e apostolado, do qual Judas se desviou
para ir ao seu próprio lugar.
- Então deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias, e por
voto comum foi ele contado com os onze apóstolos.
- Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo
lugar.
- De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu
toda a casa onde estavam sentados.
- E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e
sobre cada um deles pousou uma.
- E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras
línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
- Habitavam então em Jerusalém judeus, homens piedosos, de todas as nações
que há debaixo do céu.
- Ouvindo-se, pois, aquele ruído, ajuntou-se a multidão; e estava confusa,
porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
- E todos pasmavam e se admiravam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são
galileus todos esses que estão falando?
- Como é, pois, que os ouvimos falar cada um na própria língua em que
nascemos?
- Nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia
e a Capadócia, o Ponto e a Ásia,
- a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e
forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,
- cretenses e árabes - ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de
Deus.
- E todos pasmavam e estavam perplexos, dizendo uns aos outros: Que quer
dizer isto?
- E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.
- Então Pedro, pondo-se em pé com os onze, levantou a voz e disse-lhes:
Varões judeus e todos os que habitais em Jerusalém, seja- vos isto notório, e
escutai as minhas palavras.
- Pois estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto que é
apenas a terceira hora do dia.
- Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
- E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu
Espírito sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão, os vossos mancebos terão visões, os vossos anciãos terão
sonhos;
- e sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito
naqueles dias, e eles profetizarão.
- E mostrarei prodígios em cima no céu; e sinais embaixo na terra, sangue,
fogo e vapor de fumaça.
- O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande
e glorioso dia do Senhor.
- e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será
salvo.
- Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão
aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele
fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
- a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus,
vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos;
- ao qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, pois não era
possível que fosse retido por ela.
- Porque dele fala Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à
minha direita, para que eu não seja abalado;
- por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; e além disso
a minha carne há de repousar em esperança;
- pois não deixarás a minha alma no hades, nem permitirás que o teu Santo
veja a corrupção;
- fizeste-me conhecer os caminhos da vida; encher-me-ás de alegria na tua
presença.
- Irmãos, seja-me permitido dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi,
que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua
sepultura.
- Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com
juramento que faria sentar sobre o seu trono um dos seus descendentes -
- prevendo isto, Davi falou da ressurreição de Cristo, que a sua alma não
foi deixada no hades, nem a sua carne viu a corrupção.
- Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos
testemunhas.
- De sorte que, exaltado pela dextra de Deus, e tendo recebido do Pai a
promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.
- Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao
meu Senhor: Assenta-te à minha direita,
- até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.
- Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a
quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
- E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro
e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?
- Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado
em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom
do Espírito Santo.
- Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que
estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar.
- E com muitas outras palavras dava testemunho, e os exortava, dizendo:
salvai-vos desta geração perversa.
- De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia
agregaram-se quase três mil almas;
- e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e
nas orações.
- Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos
apóstolos.
- Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum.
- E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a
necessidade de cada um.
- E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em
casa, comiam com alegria e singeleza de coração,
- louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia
acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.
- Pedro e João subiam ao templo à hora da oração, a nona.
- E, era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham à
porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam.
- Ora, vendo ele a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe
dessem uma esmola.
- E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.
- E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa.
- Disse-lhe Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou;
em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda.
- Nisso, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e
artelhos se firmaram
- e, dando ele um salto, pôs-se em pé. Começou a andar e entrou com eles no
templo, andando, saltando e louvando a Deus.
- Todo o povo, ao vê-lo andar e louvar a Deus,
- reconhecia-o como o mesmo que estivera sentado a pedir esmola à Porta
Formosa do templo; e todos ficaram cheios de pasmo e assombro, pelo que lhe
acontecera.
- Apegando-se o homem a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto
deles, ao pórtico chamado de Salomão.
- Pedro, vendo isto, disse ao povo: Varões israelitas, por que vos admirais
deste homem? Ou, por que fitais os olhos em nós, como se por nosso próprio
poder ou piedade o tivéssemos feito andar?
- O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a
seu Servo Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes,
quando este havia resolvido soltá-lo.
- Mas vós negastes o Santo e Justo, e pedistes que se vos desse um
homicida;
- e matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do
que nós somos testemunhas.
- E pela fé em seu nome fez o seu nome fortalecer a este homem que vedes e
conheceis; sim, a fé, que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós,
esta perfeita saúde.
- Agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas
autoridades.
- Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas
havia anunciado que o seu Cristo havia de padecer.
- Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos
pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do
Senhor,
- e envie ele o Cristo, que já dantes vos foi indicado, Jesus,
- ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as
coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o
princípio.
- Pois Moisés disse: Suscitar-vos-á o Senhor vosso Deus, dentre vossos
irmãos, um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos
disser.
- E acontecerá que toda alma que não ouvir a esse profeta, será exterminada
dentre o povo.
- E todos os profetas, desde Samuel e os que sucederam, quantos falaram,
também anunciaram estes dias.
- Vós sois os filhos dos profetas e do pacto que Deus fez com vossos pais,
dizendo a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da
terra.
- Deus suscitou a seu Servo, e a vós primeiramente vo-lo enviou para que vos
abençoasse, desviando-vos, a cada um, das vossas maldades.
- Enquanto eles estavam falando ao povo, sobrevieram-lhes os sacerdotes, o
capitão do templo e os saduceus,
- doendo-se muito de que eles ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a
ressurreição dentre os mortos,
- deitaram mão neles, e os encerraram na prisão até o dia seguinte; pois era
já tarde.
- Muitos, porém, dos que ouviram a palavra, creram, e se elevou o número dos
homens a quase cinco mil.
- No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as autoridades, os anciãos, os
escribas,
- e Anás, o sumo sacerdote, e Caifás, João, Alexandre, e todos quantos eram
da linhagem do sumo sacerdote.
- E, pondo-os no meio deles, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem
fizestes vós isto?
- Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Autoridades do povo e
vós, anciãos,
- se nós hoje somos inquiridos acerca do benefício feito a um enfermo, e do
modo como foi curado,
- seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de
Jesus Cristo, o nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus
ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de
vós.
- Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta
como pedra angular.
- E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há,
dado entre os homens, em que devamos ser salvos.
- Então eles, vendo a intrepidez de Pedro e João, e tendo percebido que eram
homens iletrados e indoutos, se admiravam; e reconheciam que haviam estado com
Jesus.
- E vendo em pé com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em
contrário.
- Todavia, mandando-os sair do sinédrio, conferenciaram entre si,
- dizendo: Que havemos de fazer a estes homens? porque a todos os que
habitam em Jerusalém é manifesto que por eles foi feito um sinal notório, e
não o podemos negar.
- Mas, para que não se divulgue mais entre o povo, ameacemo- los para que de
ora em diante não falem neste nome a homem algum.
- E, chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem
ensinassem em nome de Jesus.
- Mas Pedro e João, respondendo, lhes disseram: Julgai vós se é justo diante
de Deus ouvir-nos antes a vós do que a Deus;
- pois nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e
ouvido.
- Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar,
soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que
acontecera;
- pois tinha mais de quarenta anos o homem em quem se operara esta cura
milagrosa.
- E soltos eles, foram para os seus, e contaram tudo o que lhes haviam dito
os principais sacerdotes e os anciãos.
- Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor,
tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há;
- que pelo Espírito Santo, por boca de nosso pai Davi, teu servo, disseste:
Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?
- Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram- se à uma,
contra o Senhor e contra o seu Ungido.
- Porque verdadeiramente se ajuntaram, nesta cidade, contra o teu santo
Servo Jesus, ao qual ungiste, não só Herodes, mas também Pôncio Pilatos com os
gentios e os povos de Israel;
- para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho predeterminaram que se
fizesse.
- Agora pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças, e concede aos teus servos
que falam com toda a intrepidez a tua palavra,
- enquanto estendes a mão para curar e para que se façam sinais e prodígios
pelo nome de teu santo Servo Jesus.
- E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram
cheios do Espírito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus.
- Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma, e ninguém
dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas
lhes eram comuns.
- Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor
Jesus, e em todos eles havia abundante graça.
- Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam
terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam
aos pés dos apóstolos.
- E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade.
- então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que quer dizer, filho de
consolação), levita, natural de Chipre,
- possuindo um campo, vendeu-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos
apóstolos.
- Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma
propriedade,
- e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e levando a outra
parte, a depositou aos pés dos apóstolos.
- Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que
mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno?
- Enquanto o possuías, não era teu? e vendido, não estava o preço em teu
poder? Como, pois, formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos
homens, mas a Deus.
- E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E grande temor veio
sobre todos os que souberam disto.
- Levantando-se os moços, cobriram-no e, transportando-o para fora, o
sepultaram.
- Depois de um intervalo de cerca de três horas, entrou também sua mulher,
sabendo o que havia acontecido.
- E perguntou-lhe Pedro: Dize-me vendestes por tanto aquele terreno? E ela
respondeu: Sim, por tanto.
- Então Pedro lhe disse: Por que é que combinastes entre vós provar o
Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e
te levarão também a ti.
- Imediatamente ela caiu aos pés dele e expirou. E entrando os moços,
acharam-na morta e, levando-a para fora, sepultaram-na ao lado do
marido.
- Sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos os que ouviram estas
coisas.
- E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos
apóstolos. E estavam todos de comum acordo no pórtico de Salomão.
- Dos outros, porém, nenhum ousava ajuntar-se a eles; mas o povo os tinha em
grande estima;
- e cada vez mais se agregavam crentes ao Senhor em grande número tanto de
homens como de mulheres;
- a ponto de transportarem os enfermos para as ruas, e os porem em leitos e
macas, para que ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse alguns
deles.
- Também das cidades circunvizinhas afluía muita gente a Jerusalém,
conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais eram todos
curados.
- Levantando-se o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele (isto é, a
seita dos saduceus), encheram-se de inveja,
- deitaram mão nos apóstolos, e os puseram na prisão pública.
- Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, tirando-os
para fora, disse:
- Ide, apresentai-vos no templo, e falai ao povo todas as palavras desta
vida.
- Ora, tendo eles ouvido isto, entraram de manhã cedo no templo e ensinavam.
Chegando, porém o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o
sinédrio, com todos os anciãos dos filhos de Israel, e enviaram guardas ao
cárcere para trazê-los.
- Mas os guardas, tendo lá ido, não os acharam na prisão; e voltando, lho
anunciaram,
- dizendo: Achamos realmente o cárcere fechado com toda a segurança, e as
sentinelas em pé às portas; mas, abrindo-as, a ninguém achamos dentro.
- E quando o capitão do templo e os principais sacerdotes ouviram estas
palavras ficaram perplexos acerca deles e do que viria a ser isso.
- Então chegou alguém e lhes anunciou: Eis que os homens que encerrastes na
prisão estão no templo, em pé, a ensinar o povo.
- Nisso foi o capitão com os guardas e os trouxe, não com violência, porque
temiam ser apedrejados pelo povo.
- E tendo-os trazido, os apresentaram ao sinédrio. E o sumo sacerdote os
interrogou, dizendo:
- Não vos admoestamos expressamente que não ensinásseis nesse nome? e eis
que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o
sangue desse homem.
- Respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Importa antes obedecer a Deus
que aos homens.
- O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes,
suspendendo-o no madeiro;
- sim, Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a
Israel o arrependimento e remissão de pecados.
- E nós somos testemunhas destas coisas, e bem assim o Espírito Santo, que
Deus deu àqueles que lhe obedecem.
- Ora, ouvindo eles isto, se enfureceram e queriam matá-los.
- Mas, levantando-se no sinédrio certo fariseu chamado Gamaliel, doutor da
lei, acatado por todo o povo, mandou que por um pouco saíssem aqueles
homens;
- e prosseguiu: Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que estai
para fazer a estes homens.
- Porque, há algum tempo, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; ao qual se
ajuntaram uns quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe
obedeciam foram dispersos e reduzidos a nada.
- Depois dele levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e
levou muitos após si; mas também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam
foram dispersos.
- Agora vos digo: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque este
conselho ou esta obra, caso seja dos homens, se desfará;
- mas, se é de Deus, não podereis derrotá-los; para que não sejais,
porventura, achados até combatendo contra Deus.
- Concordaram, pois, com ele, e tendo chamado os apóstolos, açoitaram-nos e
mandaram que não falassem em nome de Jesus, e os soltaram.
- Retiraram-se pois da presença do sinédrio, regozijando-se de terem sido
julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus.
- E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e
de anunciar a Jesus, o Cristo.
- Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma
murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas daqueles estavam
sendo esquecidas na distribuição diária.
- E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável
que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.
- Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios
do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarreguemos deste serviço.
- Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.
- O parecer agradou a todos, e elegeram a Estevão, homem cheio de fé e do
Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas, e Nicolau,
prosélito de Antioquia,
- e os apresentaram perante os apóstolos; estes, tendo orado, lhes impuseram
as mãos.
- E divulgava-se a palavra de Deus, de sorte que se multiplicava muito o
número dos discípulos em Jerusalém e muitos sacerdotes obedeciam à fé.
- Ora, Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais
entre o povo.
- Levantaram-se, porém, alguns que eram da sinagoga chamada dos libertos,
dos cireneus, dos alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e disputavam com
Estêvão;
- e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.
- Então subornaram uns homens para que dissessem: Temo-lo ouvido proferir
palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus.
- Assim excitaram o povo, os anciãos, e os escribas; e investindo contra
ele, o arrebataram e o levaram ao sinédrio;
- e apresentaram falsas testemunhas que diziam: Este homem não cessa de
proferir palavras contra este santo lugar e contra a lei;
- porque nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir
este lugar e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu.
- Então todos os que estavam assentados no sinédrio, fitando os olhos nele,
viram o seu rosto como de um anjo.
- E disse o sumo sacerdote: Porventura são assim estas coisas?
- Estêvão respondeu: Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso
pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã,
- e disse-lhe: Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à
terra que eu te mostrar.
- Então saiu da terra dos caldeus e habitou em Harã. Dali, depois que seu
pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que vós agora habitais.
- E não lhe deu nela herança, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu que
lha daria em possessão, e depois dele à sua descendência, não tendo ele ainda
filho.
- Pois Deus disse que a sua descendência seria peregrina em terra estranha e
que a escravizariam e maltratariam por quatrocentos anos.
- Mas eu julgarei a nação que os tiver escravizado, disse Deus; e depois
disto sairão, e me servirão neste lugar.
- E deu-lhe o pacto da circuncisão; assim então gerou Abraão a Isaque, e o
circuncidou ao oitavo dia; e Isaque gerou a Jacó, e Jacó aos doze
patriarcas.
- Os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era
com ele,
- e o livrou de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria
perante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda
a sua casa.
- Sobreveio então uma fome a todo o Egito e Canaã, e grande tribulação; e
nossos pais não achavam alimentos.
- Mas tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou ali nossos pais
pela primeira vez.
- E na segunda vez deu-se José a conhecer a seus irmãos, e a sua linhagem
tornou-se manifesta a Faraó.
- Então José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela -
setenta e cinco almas.
- Jacó, pois, desceu ao Egito, onde morreu, ele e nossos pais;
- e foram transportados para Siquém e depositados na sepultura que Abraão
comprara por certo preço em prata aos filhos de Emor, em Siquém.
- Enquanto se aproximava o tempo da promessa que Deus tinha feito a Abraão,
o povo crescia e se multiplicava no Egito;
- até que se levantou ali outro rei, que não tinha conhecido José.
- Usando esse de astúcia contra a nossa raça, maltratou a nossos pais, ao
ponto de fazê-los enjeitar seus filhos, para que não vivessem.
- Nesse tempo nasceu Moisés, e era mui formoso, e foi criado três meses em
casa de seu pai.
- Sendo ele enjeitado, a filha de Faraó o recolheu e o criou como seu
próprio filho.
- Assim Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios, e era
poderoso em palavras e obras.
- Ora, quando ele completou quarenta anos, veio-lhe ao coração visitar seus
irmãos, os filhos de Israel.
- E vendo um deles sofrer injustamente, defendeu-o, e vingou o oprimido,
matando o egípcio.
- Cuidava que seus irmãos entenderiam que por mão dele Deus lhes havia de
dar a liberdade; mas eles não entenderam.
- No dia seguinte apareceu-lhes quando brigavam, e quis levá- los à paz,
dizendo: Homens, sois irmãos; por que vos maltratais um ao outro?
- Mas o que fazia injustiça ao seu próximo o repeliu, dizendo: Quem te
constituiu senhor e juiz sobre nós?
- Acaso queres tu matar-me como ontem mataste o egípcio?
- A esta palavra fugiu Moisés, e tornou-se peregrino na terra de Madiã, onde
gerou dois filhos.
- E passados mais quarenta anos, apareceu-lhe um anjo no deserto do monte
Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça.
- Moisés, vendo isto, admirou-se da visão; e, aproximando-se ele para
observar, soou a voz do Senhor;
- Eu sou o deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. E
Moisés ficou trêmulo e não ousava olhar.
- Disse-lhe então o Senhor: Tira as alparcas dos teus pés, porque o lugar em
que estás é terra santa.
- Vi, com efeito, a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos, e
desci para livrá-lo. Agora pois vem, e enviar-te-ei ao Egito.
- A este Moisés que eles haviam repelido, dizendo: Quem te constituiu senhor
e juiz? a este enviou Deus como senhor e libertador, pela mão do anjo que lhe
aparecera na sarça.
- Foi este que os conduziu para fora, fazendo prodígios e sinais na terra do
Egito, e no Mar Vermelho, e no deserto por quarenta anos.
- Este é o Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre
vossos irmãos um profeta como eu.
- Este é o que esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava
no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu palavras de vida para vo-las
dar;
- ao qual os nossos pais não quiseram obedecer, antes o rejeitaram, e em
seus corações voltaram ao Egito,
- dizendo a arão: Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque a esse
Moisés que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.
- Fizeram, pois, naqueles dias o bezerro, e ofereceram sacrifício ao ídolo,
e se alegravam nas obras das suas mãos.
- Mas Deus se afastou, e os abandonou ao culto das hostes do céu, como está
escrito no livro dos profetas: Porventura me oferecestes vítimas e sacrifícios
por quarenta anos no deserto, ó casa de Israel?
- Antes carregastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do deus Renfã,
figuras que vós fizestes para adorá-las. Desterrar-vos-ei pois, para além da
Babilônia.
- Entre os nossos pais no deserto estava o tabernáculo do testemunho, como
ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha
visto;
- o qual nossos pais, tendo-o por sua vez recebido, o levaram sob a direção
de Josué, quando entraram na posse da terra das nações que Deus expulsou da
presença dos nossos pais, até os dias de Davi,
- que achou graça diante de Deus, e pediu que lhe fosse dado achar habitação
para o Deus de Jacó.
- Entretanto foi Salomão quem lhe edificou uma casa;
- mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz
o profeta:
- O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me
edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso?
- Não fez, porventura, a minha mão todas estas coisas?
- Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre
resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também
vós.
- A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes
anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e
homicidas,
- vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a
guardastes.
- Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes
contra Estêvão.
- Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de
Deus, e Jesus em pé à direita de Deus,
- e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem em pé à direita
de Deus.
- Então eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram
unânimes contra ele
- e, lançando-o fora da cidade o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as
suas vestes aos pés de um mancebo chamado Saulo.
- Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu
espírito.
- E pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes
este pecado. Tendo dito isto, adormeceu. E Saulo consentia na sua morte.
- Naquele dia levantou-se grande perseguição contra a igreja que estava em
Jerusalém; e todos exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da
Judéia e da Samária.
- E uns homens piedosos sepultaram a Estêvão, e fizeram grande pranto sobre
ele.
- Saulo porém, assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens
e mulheres, os entregava à prisão.
- No entanto os que foram dispersos iam por toda parte, anunciando a
palavra.
- E descendo Filipe à cidade de Samária, pregava-lhes a Cristo.
- As multidões escutavam, unânimes, as coisas que Filipe dizia, ouvindo-o e
vendo os sinais que operava;
- pois saíam de muitos possessos os espíritos imundos, clamando em alta voz;
e muitos paralíticos e coxos foram curados;
- pelo que houve grande alegria naquela cidade.
- Ora, estava ali certo homem chamado Simão, que vinha exercendo naquela
cidade a arte mágica, fazendo pasmar o povo da Samária, e dizendo ser ele uma
grande personagem;
- ao qual todos atendiam, desde o menor até o maior, dizendo: Este é o Poder
de Deus que se chama Grande.
- Eles o atendiam porque já desde muito tempo os vinha fazendo pasmar com
suas artes mágicas.
- Mas, quando creram em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e
do nome de Jesus, batizavam-se homens e mulheres.
- E creu até o próprio Simão e, sendo batizado, ficou de contínuo com
Filipe; e admirava-se, vendo os sinais e os grandes milagres que se
faziam.
- Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que os da
Samária haviam recebido a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João;
- os quais, tendo descido, oraram por eles, para que recebessem o Espírito
Santo.
- Porque sobre nenhum deles havia ele descido ainda; mas somente tinham sido
batizados em nome do Senhor Jesus.
- Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.
- Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o
Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro,
- dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu
impuser as mãos, receba o Espírito Santo.
- Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste
adquirir com dinheiro o dom de Deus.
- Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é
reto diante de Deus.
- Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que
porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração;
- pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniquidade.
- Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que
nada do que haveis dito venha sobre mim.
- Eles, pois, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltando
para Jerusalém, evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos.
- Mas um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai em
direção do sul pelo caminho que desce de Jerusalém a Gaza, o qual está
deserto.
- E levantou-se e foi; e eis que um etíope, eunuco, mordomo- mor de Candace,
rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e
tinha ido a Jerusalém para adorar,
- regressava e, sentado no seu carro, lia o profeta Isaías.
- Disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro.
- E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes,
porventura, o que estás lendo?
- Ele respondeu: Pois como poderei entender, se alguém não me ensinar? e
rogou a Filipe que subisse e com ele se sentasse.
- Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como a
ovelha ao matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia,
assim ele não abre a sua boca.
- Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; quem contará a sua geração?
porque a sua vida é tirada da terra.
- Respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta?
de si mesmo, ou de algum outro?
- Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe
a Jesus.
- E indo eles caminhando, chegaram a um lugar onde havia água, e disse o
eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?
- [E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele,
disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus.]
- mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco,
e Filipe o batizou.
- Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o
viu mais o eunuco, que jubiloso seguia o seu caminho.
- Mas Filipe achou-se em Azoto e, indo passando, evangelizava todas as
cidades, até que chegou a Cesaréia.
- Saulo, porém, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do
Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote,
- e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, caso
encontrasse alguns do Caminho, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos
a Jerusalém.
- Mas, seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou
um resplendor de luz do céu;
- e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me
persegues?
- Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a
quem tu persegues;
- mas levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te cumpre
fazer.
- Os homens que viajavam com ele quedaram-se emudecidos, ouvindo, na
verdade, a voz, mas não vendo ninguém.
- Saulo levantou-se da terra e, abrindo os olhos, não via coisa alguma; e,
guiando-o pela mão, conduziram-no a Damasco.
- E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.
- Ora, havia em Damasco certo discípulo chamado Ananias; e disse-lhe o
Senhor em visão: Ananias! Respondeu ele: Eis-me aqui, Senhor.
- Ordenou-lhe o Senhor: Levanta-te, vai à rua chamada Direita e procura em
casa de Judas um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está
orando;
- e viu um homem chamado Ananias entrar e impor-lhe as mãos, para que
recuperasse a vista.
- Respondeu Ananias: Senhor, a muitos ouvi acerca desse homem, quantos males
tem feito aos teus santos em Jerusalém;
- e aqui tem poder dos principais sacerdotes para prender a todos os que
invocam o teu nome.
- Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido,
para levar o meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de
Israel;
- pois eu lhe mostrarei quanto lhe cumpre padecer pelo meu nome.
- Partiu Ananias e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão
Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, enviou-me
para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.
- Logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista:
então, levantando-se, foi batizado.
- E, tendo tomado alimento, ficou fortalecido. Depois demorou- se alguns
dias com os disc!pulos que estavam em Damasco;
- e logo nas sinagogas pregava a Jesus, que este era o filho de Deus.
- Todos os seus ouvintes pasmavam e diziam: Não é este o que em Jerusalém
perseguia os que invocavam esse nome, e para isso veio aqui, para os levar
presos aos principais sacerdotes?
- Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que
habitavam em Damasco, provando que Jesus era o Cristo.
- Decorridos muitos dias, os judeus deliberaram entre si matá- lo.
- Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo. E como eles guardavam
as portas de dia e de noite para tirar-lhe a vida,
- os discípulos, tomando-o de noite, desceram-no pelo muro, dentro de um
cesto.
- Tendo Saulo chegado a Jerusalém, procurava juntar-se aos discípulos; mas
todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.
- Então Barnabé, tomando-o consigo, o levou aos apóstolos, e lhes contou
como no caminho ele vira o Senhor e que este lhe falara, e como em Damasco
pregara ousadamente em nome de Jesus.
- Assim andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo,
- e pregando ousadamente em nome do Senhor. Falava e disputava também com os
helenistas; mas procuravam matá-lo.
- Os irmãos, porém, quando o souberam, acompanharam-no até Cesaréia e o
enviaram a Tarso.
- Assim, pois, a igreja em toda a Judéia, Galiléia e Samária, tinha paz,
sendo edificada, e andando no temor do Senhor; e, pelo auxílio do Espírito
Santo, se multiplicava.
- E aconteceu que, passando Pedro por toda parte, veio também aos santos que
habitavam em Lida.
- Achou ali certo homem, chamado Enéias, que havia oito anos jazia numa
cama, porque era paralítico.
- Disse-lhe Pedro: Enéias, Jesus Cristo te cura; levanta e faze a tua cama.
E logo se levantou.
- E viram-no todos os que habitavam em Lida e Sarona, os quais se
converteram ao Senhor.
- Havia em Jope uma discípula por nome Tabita, que traduzido quer dizer
Dorcas, a qual estava cheia de boas obras e esmolas que fazia.
- Ora, aconteceu naqueles dias que ela, adoecendo, morreu; e, tendo-a
lavado, a colocaram no cenáculo.
- Como Lida era perto de Jope, ouvindo os discípulos que Pedro estava ali,
enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: Não te demores em vir ter
conosco.
- Pedro levantou-se e foi com eles; quando chegou, levaram-no ao cenáulo; e
todas as viúvas o cercaram, chorando e mostrando-lhe as túnicas e vestidos que
Dorcas fizera enquanto estava com elas.
- Mas Pedro, tendo feito sair a todos, pôs-se de joelhos e orou; e
voltando-se para o corpo, disse: Tabita, levanta-te. Ela abriu os olhos e,
vendo a Pedro, sentou-se.
- Ele, dando-lhe a mão, levantou-a e, chamando os santos e as viúvas,
apresentou-lha viva.
- Tornou-se isto notório por toda a Jope, e muitos creram no Senhor.
- Pedro ficou muitos dias em Jope, em casa de um curtidor chamado
Simão.
- Um homem em Cesaréia, por nome Cornélio, centurião da coorte chamada
italiana,
- piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas
ao povo e de contínuo orava a Deus,
- cerca da hora nona do dia, viu claramente em visão um anjo de Deus, que se
dirigia para ele e lhe dizia: Cornélio!
- Este, fitando nele os olhos e atemorizado, perguntou: Que é, Senhor? O
anjo respondeu-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória
diante de Deus;
- agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por
sobrenome Pedro;
- este se acha hospedado com um certo Simão, curtidor, cuja casa fica à
beira-mar. [Ele te dirá o que deves fazer.]
- Logo que se retirou o anjo que lhe falava, Cornélio chamou dois dos seus
domésticos e um piedoso soldado dos que estavam a seu serviço;
- e, havendo contado tudo, os enviou a Jope.
- No dia seguinte, indo eles seu caminho e estando já perto da cidade, subiu
Pedro ao eirado para orar, cerca de hora sexta.
- E tendo fome, quis comer; mas enquanto lhe preparavam a comida,
sobreveio-lhe um êxtase,
- e via o céu aberto e um objeto descendo, como se fosse um grande lençol,
sendo baixado pelas quatro pontas sobre a terra,
- no qual havia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e aves do
céu.
- E uma voz lhe disse: Levanta-te, Pedro, mata e come.
- Mas Pedro respondeu: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa
alguma comum e imunda.
- Pela segunda vez lhe falou a voz: Não chames tu comum ao que Deus
purificou.
- Sucedeu isto por três vezes; e logo foi o objeto recolhido ao céu.
- Enquanto Pedro refletia, perplexo, sobre o que seria a visão que tivera,
eis que os homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão,
pararam à porta.
- E, chamando, indagavam se ali estava hospedado Simão, que tinha por
sobrenome Pedro.
- Estando Pedro ainda a meditar sobre a visão, o Espírito lhe disse: Eis que
dois homens te procuram.
- Levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu tos
enviei.
- E descendo Pedro ao encontro desses homens, disse: Sou eu a quem
procurais; qual é a causa por que viestes?
- Eles responderam: O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus e que
tem bom testemunho de toda a nação judaica, foi avisado por um santo anjo para
te chamar à sua casa e ouvir as tuas palavras.
- Pedro, pois, convidando-os a entrar, os hospedou. No dia seguinte
levantou-se e partiu com eles, e alguns irmãos, dentre os de Jope, o
acompanharam.
- No outro dia entrou em Cesaréia. E Cornélio os esperava, tendo reunido os
seus parentes e amigos mais íntimos.
- Quando Pedro ia entrar, veio-lhe Cornélio ao encontro e, prostrando-se a
seus pés, o adorou.
- Mas Pedro o ergueu, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.
- E conversando com ele, entrou e achou muitos reunidos,
- e disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um judeu ajuntar-se ou
chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem devo chamar
comum ou imundo;
- pelo que, sendo chamado, vim sem objeção. Pergunto pois: Por que razão
mandastes chamar-me?
- Então disse Cornélio: Faz agora quatro dias que eu estava orando em minha
casa à hora nona, e eis que diante de mim se apresentou um homem com
vestiduras resplandescentes,
- e disse: Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas estão em
memória diante de Deus.
- Envia, pois, a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro;
ele está hospedado em casa de Simão, curtidor, à beira-mar.
- Portanto mandei logo chamar-te, e bem fizeste em vir. Agora pois estamos
todos aqui presentes diante de Deus, para ouvir tudo quanto te foi ordenado
pelo Senhor.
- Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não
faz acepção de pessoas;
- mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o
que é justo.
- A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus
Cristo (este é o Senhor de todos) -
- esta palavra, vós bem sabeis, foi proclamada por toda a Judéia, começando
pela Galiléia, depois do batismo que João pregou,
- concernente a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e
com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os
oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele.
- Nós somos testemunhas de tudo quanto fez, tanto na terra dos judeus como
em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro.
- A este ressuscitou Deus ao terceiro dia e lhe concedeu que se
manifestasse,
- não a todo povo, mas às testemunhas predeterminadas por Deus, a nós, que
comemos e bebemos juntamente com ele depois que ressurgiu dentre os
mortos;
- este nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi
constituído juiz dos vivos e dos mortos.
- A ele todos os profetas dão testemunho de que todo o que nele crê receberá
a remissão dos pecados pelo seu nome.
- Enquanto Pedro ainda dizia estas coisas, desceu o Espírito Santo sobre
todos os que ouviam a palavra.
- Os crentes que eram de circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro,
maravilharam-se de que também sobre os gentios se derramasse o dom do Espírito
Santo;
- porque os ouviam falar línguas e magnificar a Deus.
- Respondeu então Pedro: Pode alguém porventura recusar a água para que não
sejam batizados estes que também, como nós, receberam o Espírito Santo?
- Mandou, pois, que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Então lhe
rogaram que ficasse com eles por alguns dias.
- Ora, ouviram os apóstolos e os irmãos que estavam na Judéia que também os
gentios haviam recebido a palavra de Deus.
- E quando Pedro subiu a Jerusalém, disputavam com ele os que eram da
circuncisão,
- dizendo: Entraste em casa de homens incircuncisos e comeste com
eles.
- Pedro, porém, começou a fazer-lhes uma exposição por ordem, dizendo:
- Estava eu orando na cidade de Jope, e em êxtase tive uma visão; descia um
objeto, como se fosse um grande lençol, sendo baixado do céu pelas quatro
pontas, e chegou perto de mim.
- E, fitando nele os olhos, o contemplava, e vi quadrúpedes da terra, feras,
répteis e aves do céu.
- Ouvi também uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro, mata e come.
- Mas eu respondi: De modo nenhum, Senhor, pois nunca em minha boca entrou
coisa alguma comum e imunda.
- Mas a voz respondeu-me do céu segunda vez: Não chames tu comum ao que Deus
purificou.
- Sucedeu isto por três vezes; e tudo tornou a recolher-se ao céu.
- E eis que, nesse momento, pararam em frente à casa onde estávamos três
homens que me foram enviados de Cesaréia.
- Disse-me o Espírito que eu fosse com eles, sem hesitar; e também estes
seis irmãos foram comigo e entramos na casa daquele homem.
- E ele nos contou como vira em pé em sua casa o anjo, que lhe dissera:
Envia a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro,
- o qual te dirá palavras pelas quais serás salvo, tu e toda a tua
casa.
- Logo que eu comecei a falar, desceu sobre eles o Espírito Santo, como
também sobre nós no princípio.
- Lembrei-me então da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade,
batizou com água; mas vós sereis batizados no Espírito Santo.
- Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que dera também a nós, ao crermos
no Senhor Jesus Cristo, quem era eu, para que pudesse resistir a Deus?
- Ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo:
Assim, pois, Deus concedeu também aos gentios o arrependimento para a
vida.
- Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de
Estêvão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém
a palavra, senão somente aos judeus.
- Havia, porém, entre eles alguns cíprios e cirenenses, os quais, entrando
em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus.
- E a mão do Senhor era com eles, e grande número creu e se converteu ao
Senhor.
- Chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja em Jerusalém; e
enviaram Barnabé a Antioquia;
- o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortava a
todos a perseverarem no Senhor com firmeza de coração;
- porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente
se uniu ao Senhor.
- Partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo;
- e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro
reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os
discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos.
- Naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia;
- e levantando-se um deles, de nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito,
que haveria uma grande fome por todo o mundo, a qual ocorreu no tempo de
Cláudio.
- E os discípulos resolveram mandar, cada um conforme suas posses, socorro
aos irmãos que habitavam na Judéia;
- o que eles com efeito fizeram, enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé e
Saulo.
- Por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da
igreja, para os maltratar;
- e matou à espada Tiago, irmão de João.
- Vendo que isso agradava aos judeus, continuou, mandando prender também a
Pedro. (Eram então os dias dos pães ázimos.)
- E, havendo-o prendido, lançou-o na prisão, entregando-o a quatro grupos de
quatro soldados cada um para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo
depois da páscoa.
- Pedro, pois, estava guardado na prisão; mas a igreja orava com insistência
a Deus por ele.
- Ora quando Herodes estava para apresentá-lo, nessa mesma noite estava
Pedro dormindo entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias e as
sentinelas diante da porta guardavam a prisão.
- E eis que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz resplandeceu na prisão; e
ele, tocando no lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E
caíram-lhe das mãos as cadeias.
- Disse-lhe ainda o anjo: Cinge-te e calça as tuas sandálias. E ele o fez.
Disse-lhe mais; Cobre-te com a tua capa e segue-me.
- Pedro, saindo, o seguia, mesmo sem compreender que era real o que se fazia
por intermédio de um anjo, julgando que era uma visão.
- Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram à porta
de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e tendo
saído, passaram uma rua, e logo o anjo se apartou dele.
- Pedro então, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor
enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do
povo dos judeus.
- Depois de assim refletir foi à casa de Maria, mãe de João, que tem por
sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam reunidas e oravam.
- Quando ele bateu ao portão do pátio, uma criada chamada Rode saiu a
escutar;
- e, reconhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu o portão, mas, correndo
para dentro, anunciou que Pedro estava lá fora.
- Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, assegurava que assim era. Eles
então diziam: É o seu anjo.
- Mas Pedro continuava a bater, e, quando abriram, viram-no e
pasmaram.
- Mas ele, acenando-lhes com a mão para que se calassem, contou-lhes como o
Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E,
saindo, partiu para outro lugar.
- Logo que amanheceu, houve grande alvoroço entre os soldados sobre o que
teria sido feito de Pedro.
- E Herodes, tendo-o procurado e não o achando, inquiriu as sentinelas e
mandou que fossem justiçadas; e descendo da Judéia para Cesaréia, demorou-se
ali.
- Ora, Herodes estava muito irritado contra os de Tiro e de Sidom; mas
estes, vindo de comum acordo ter com ele e obtendo a amizade de Blasto,
camareiro do rei, pediam paz, porquanto o seu país se abastecia do país do
rei.
- num dia designado, Herodes, vestido de trajes reais, sentou- se no trono e
dirigia-lhes a palavra.
- E o povo exclamava: É a voz de um deus, e não de um homem.
- No mesmo instante o anjo do Senhor o feriu, porque não deu glória a Deus;
e, comido de vermes, expirou.
- E a palavra de Deus crescia e se multiplicava.
- Barnabé e Saulo, havendo terminando aquele serviço, voltaram de Jerusalém,
levando consigo a João, que tem por sobrenome Marcos.
- Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé,
Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca,
e Saulo.
- Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito
Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho
chamado.
- Então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, os
despediram.
- Estes, pois, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali
navegaram para Chipre.
- Chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos
judeus, e tinham a João como auxiliar.
- Havendo atravessado a ilha toda até Pafos, acharam um certo mago, falso
profeta, judeu, chamado Bar-Jesus,
- que estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. Este chamou a
Barnabé e Saulo e mostrou desejo de ouvir a palavra de Deus.
- Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu
nome), procurando desviar a fé do procônsul.
- Todavia Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fitando os
olhos nele,
- disse: ç filho do Diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia,
inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os caminhos retos do
Senhor?
- Agora eis a mão do Senhor sobre ti, e ficarás cego, sem ver o sol por
algum tempo. Imediatamente caiu sobre ele uma névoa e trevas e, andando à
roda, procurava quem o guiasse pela mão.
- Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhando-se da
doutrina do Senhor.
- Tendo Paulo e seus companheiros navegado de Pafos, chegaram a Perge, na
Panfília. João, porém, apartando-se deles, voltou para Jerusalém.
- Mas eles, passando de Perge, chegaram a Antioquia da Psídia; e entrando na
sinagoga, no dia de sábado, sentaram-se.
- Depois da leitura da lei e dos profetas, os chefes da sinagoga mandaram
dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo,
falai.
- Então Paulo se levantou e, pedindo silêncio com a mão, disse: Varões
israelitas, e os que temeis a Deus, ouvi:
- O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais, e exaltou o povo,
sendo eles estrangeiros na terra do Egito, de onde os tirou com braço
poderoso,
- e suportou-lhes os maus costumes no deserto por espaço de quase quarenta
anos;
- e, havendo destruído as sete nações na terra de Canaã, deu- lhes o
território delas por herança durante cerca de quatrocentos e cinquenta
anos.
- Depois disto, deu-lhes juízes até o profeta Samuel.
- Então pediram um rei, e Deus lhes deu por quarenta anos a Saul, filho de
Cis, varão da tribo de Benjamim.
- E tendo deposto a este, levantou-lhes como rei a Davi, ao qual também,
dando testemunho, disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu
coração, que fará toda a minha vontade.
- Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel um
Salvador, Jesus;
- havendo João, antes da aparecimento dele, pregado a todo o povo de Israel
o batismo de arrependimento.
- Mas João, quando completava a carreira, dizia: Quem pensais vós que su
sou? Eu não sou o Cristo, mas eis que após mim vem aquele a quem não sou digno
de desatar as alparcas dos pés.
- Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e os que dentre vós temem a Deus, a
nós é enviada a palavra desta salvação.
- Pois, os que habitam em Jerusalém e as suas autoridades, porquanto não
conheceram a este Jesus, condenando-o, cumpriram as mesmas palavras dos
profetas que se ouvem ler todos os sábados.
- E, se bem que não achassem nele nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos
que ele fosse morto.
- Quando haviam cumprido todas as coisas que dele estavam escritas,
tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura;
- mas Deus o ressuscitou dentre os mortos;
- e ele foi visto durante muitos dias por aqueles que com ele subiram da
Galiléia a Jerusalém, os quais agora são suas testemunhas para com o
povo.
- E nós vos anunciamos as boas novas da promessa, feita aos pais,
- a qual Deus nos tem cumprido, a nós, filhos deles, levantando a Jesus,
como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, hoje te
gerei.
- E no tocante a que o ressuscitou dentre os mortos para nunca mais tornar à
corrupção, falou Deus assim: Dar-vos-ei as santas e fiéis bênçãos de
Davi;
- pelo que ainda em outro salmo diz: Não permitirás que o teu Santo veja a
corrupção.
- Porque Davi, na verdade, havendo servido a sua própria geração pela
vontade de Deus, dormiu e foi depositado junto a seus pais e experimentou
corrupção.
- Mas aquele a quem Deus ressuscitou nenhuma corrupção experimentou.
- Seja-vos pois notório, varões, que por este se vos anuncia a remissão dos
pecados.
- E de todas as coisas de que não pudestes ser justificados pela lei de
Moisés, por ele é justificado todo o que crê.
- Cuidai pois que não venha sobre vós o que está dito nos profetas:
- Vede, ó desprezadores, admirai-vos e desaparecei; porque realizo uma obra
em vossos dias, obra em que de modo algum crereis, se alguém vo-la
contar.
- Quando iam saindo, rogavam que estas palavras lhes fossem repetidas no
sábado seguinte.
- E, despedida a sinagoga, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram a
Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os exortavam a perseverarem na graça
de Deus.
- No sábado seguinte reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de
Deus.
- Mas os judeus, vendo as multidões, encheram-se de inveja e, blasfemando,
contradiziam o que Paulo falava.
- Então Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Era mister que a vós
se pregasse em primeiro lugar a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e
não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos viramos para os
gentios;
- porque assim nos ordenou o Senhor: Eu te pus para luz dos gentios, a fim
de que sejas para salvação até os confins da terra.
- Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor;
e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.
- E divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região.
- Mas os judeus incitaram as mulheres devotas de alta posição e os
principais da cidade, suscitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e os
lançaram fora dos seus termos.
- Mas estes, sacudindo contra eles o pó dos seus pés, partiram para
Icônio.
- Os discípulos, porém, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.
- Em Icônio entraram juntos na sinagoga dos judeus e falaram de tal modo que
creu uma grande multidão tanto de judeus como de gregos.
- Mas os judeus incrédulos excitaram e irritaram os ânimos dos gentios
contra os irmãos.
- Eles, entretanto, se demoraram ali por muito tempo, falando ousadamente
acerca do Senhor, o qual dava testemunho à palavra da sua graça, concedendo
que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios.
- E se dividiu o povo da cidade; uns eram pelos judeus, e outros pelos
apóstolos.
- E, havendo um motim tanto dos gentios como dos judeus, juntamente com as
suas autoridades, para os ultrajarem e apedrejarem,
- eles, sabendo-o, fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e a
região circunvizinha;
- e ali pregavam o evangelho.
- Em Listra estava sentado um homem aleijado dos pés, coxo de nascença e que
nunca tinha andado.
- Este ouvia falar Paulo, que, fitando nele os olhos e vendo que tinha fé
para ser curado,
- disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés. E ele saltou, e
andava.
- As multidões, vendo o que Paulo fizera, levantaram a voz, dizendo em
língua licaônica: Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens e desceram até
nós.
- A Barnabé chamavam Júpiter e a Paulo, Mercúrio, porque era ele o que
dirigia a palavra.
- O sacerdote de Júpiter, cujo templo estava em frente da cidade, trouxe
para as portas touros e grinaldas e, juntamente com as multidões, queria
oferecer-lhes sacrifícios.
- Quando, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isto, rasgaram as suas
vestes e saltaram para o meio da multidão, clamando
- e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens,
de natureza semelhante à vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas
práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e
tudo quanto há neles;
- o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus
próprios caminhos.
- Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos
chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria
os vossos corações.
- E dizendo isto, com dificuldade impediram as multidões de lhes oferecerem
sacrifícios.
- Sobrevieram, porém, judeus de Antioquia e de Icônio e, havendo persuadido
as multidões, apedrejaram a Paulo, e arrastaram-no para fora da cidade,
cuidando que estava morto.
- Mas quando os discípulos o rodearam, ele se levantou e entrou na cidade.
No dia seguinte partiu com Barnabé para Derbe.
- E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos,
voltaram para Listra, Icônio e Antioquia,
- confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé,
dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de
Deus.
- E, havendo-lhes feito eleger anciãos em cada igreja e orado com jejuns, os
encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.
- Atravessando então a Pisídia, chegaram à Panfília.
- E, tendo anunciado a palavra em Perge, desceram a Atália.
- E dali navegaram para Antioquia, donde tinham sido encomendados à graça de
Deus para a obra que acabavam de cumprir.
- Quando chegaram e reuniram a igreja, relataram tudo quanto Deus fizera por
meio deles, e como abrira aos gentios a porta da fé.
- E ficaram ali não pouco tempo, com os discípulos.
- Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos
circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.
- Tendo Paulo e Barnabé contenda e não pequena discussão com eles, os irmãos
resolveram que Paulo e Barnabé e mais alguns dentre eles subissem a Jerusalém,
aos apóstolos e aos anciãos, por causa desta questão.
- Eles, pois, sendo acompanhados pela igreja por um trecho do caminho,
passavam pela Fenícia e por Samária, contando a conversão dos gentios; e davam
grande alegria a todos os irmãos.
- E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos
apóstolos e anciãos, e relataram tudo quanto Deus fizera por meio deles.
- Mas alguns da seita dos fariseus, que tinham crido, levantaram-se dizendo
que era necessário circuncidá-los e mandar-lhes observar a lei de
Moisés.
- Congregaram-se pois os apóstolos e os anciãos para considerar este
assunto.
- E, havendo grande discussão, levantou-se Pedro e disse-lhes: Irmãos, bem
sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre vós, para que os gentios
ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem.
- E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o
Espírito Santo, assim como a nós;
- e não fez distinção alguma entre eles e nós, purificando os seus corações
pela fé.
- Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos
um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?
- Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, do mesmo modo que
eles também.
- Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que
contavam quantos sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os
gentios.
- Depois que se calaram, Tiago, tomando a palavra, disse: Irmãos,
ouvi-me:
- Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios para tomar dentre
eles um povo para o seu Nome.
- E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:
- Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está
caído; reedificarei as suas ruínas, e tornarei a levantá-lo;
- para que o resto dos homens busque ao Senhor, sim, todos os gentios, sobre
os quais é invocado o meu nome,
- diz o Senhor que faz estas coisas, que são conhecidas desde a
antiguidade.
- Por isso, julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que
se convertem a Deus,
- mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da
prostituição, do que é sufocado e do sangue.
- Porque Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que o
preguem, e cada sábado é lido nas sinagogas.
- Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos com toda a igreja escolher
homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé, a saber:
Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens influentes entre os irmãos.
- E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos e os anciãos,
irmãos, aos irmãos dentre os gentios em Antioquia, na Síria e na Cicília,
saúde.
- Portanto ouvimos que alguns dentre nós, aos quais nada mandamos, vos têm
perturbado com palavras, confundindo as vossas almas,
- pareceu-nos bem, tendo chegado a um acordo, escolher alguns homens e
enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo,
- homens que têm exposto as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus
Cristo.
- Enviamos portanto Judas e Silas, os quais também por palavra vos
anunciarão as mesmas coisas.
- Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo
além destas coisas necessárias:
- Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da
carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis bem de vos guardar.
Bem vos vá.
- Então eles, tendo-se despedido, desceram a Antioquia e, havendo reunido a
assembléia, entregaram a carta.
- E, quando a leram, alegraram-se pela consolação.
- Depois Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram os irmãos com
muitas palavras e os fortaleceram.
- E, tendo-se demorado ali por algum tempo, foram pelos irmãos despedidos em
paz, de volta aos que os haviam mandado.
- [Mas pareceu bem a Silas ficar ali.]
- Mas Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando com
muitos outros a palavra do Senhor.
- Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar os
irmãos por todas as cidades em que temos anunciado a palavra do Senhor, para
ver como vão.
- Ora, Barnabé queria que levassem também a João, chamado Marcos.
- Mas a Paulo não parecia razoável que tomassem consigo aquele que desde a
Panfília se tinha apartado deles e não os tinha acompanhado no trabalho.
- E houve entre eles tal desavença que se separaram um do outro, e Barnabé,
levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.
- Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à
graça do Senhor.
- E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as igrejas.
- Chegou também a Derbe e Listra. E eis que estava ali certo discípulo por
nome Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego;
- do qual davam bom testemunho os irmãos em Listra e Icônio.
- Paulo quis que este fosse com ele e, tomando-o, o circuncidou por causa
dos judeus que estavam naqueles lugares; porque todos sabiam que seu pai era
grego.
- Quando iam passando pelas cidades, entregavam aos irmãos, para serem
observadas, as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em
Jerusalém.
- Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e dia a dia cresciam em
número.
- Atravessaram a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito
Santo de anunciar a palavra na Ásia;
- e tendo chegado diante da Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito
de Jesus não lho permitiu.
- Então, passando pela Mísia, desceram a Trôade.
- De noite apareceu a Paulo esta visão: estava ali em pé um homem da
Macedônia, que lhe rogava: Passa à Macedônia e ajuda-nos.
- E quando ele teve esta visão, procuravamos logo partir para a Macedônia,
concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciarmos o evangelho.
- Navegando, pois, de Trôade, fomos em direitura a Samotrácia, e no dia
seguinte a Neápolis;
- e dali para Filipos, que é a primeira cidade desse distrito da Macedônia,
e colônia romana; e estivemos alguns dias nessa cidade.
- No sábado saímos portas afora para a beira do rio, onde julgávamos haver
um lugar de oração e, sentados, falávamos às mulheres ali reunidas.
- E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira,
e que temia a Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender
às coisas que Paulo dizia.
- Depois que foi batizada, ela e a sua casa, rogou-nos, dizendo: Se haveis
julgado que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos
constrangeu a isso.
- Ora, aconteceu que quando íamos ao lugar de oração, nos veio ao encontro
uma jovem que tinha um espírito adivinhador, e que, adivinhando, dava grande
lucro a seus senhores.
- Ela, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: São servos do Deus
Altíssimo estes homens que vos anunciam um caminho de salvação.
- E fazia isto por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou- se e disse ao
espírito: Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora
saiu.
- Ora, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro havia desaparecido,
prenderam a Paulo e Silas, e os arrastaram para uma praça à presença dos
magistrados.
- E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus,
estão perturbando muito a nossa cidade.
- e pregam costumes que não nos é lícito receber nem praticar, sendo nós
romanos.
- A multidão levantou-se à uma contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes
os vestidos, mandaram açoitá-los com varas.
- E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao
carcereiro que os guardasse com segurança.
- Ele, tendo recebido tal ordem, os lançou na prisão interior e lhes segurou
os pés no tronco.
- Pela meia-noite Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, enquanto os
presos os escutavam.
- De repente houve um tão grande terremoto que foram abalados os alicerces
do cárcere, e logo se abriram todas as portas e foram soltos os grilhões de
todos.
- Ora, o carcereiro, tendo acordado e vendo abertas as portas da prisão,
tirou a espada e ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido.
- Mas Paulo bradou em alta voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, porque
todos aqui estamos.
- Tendo ele pedido luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante
Paulo e Silas
- e, tirando-os para fora, disse: Senhores, que me é necessário fazer para
me salvar?
- Responderam eles: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.
- Então lhe pregaram a palavra de Deus, e a todos os que estavam em sua
casa.
- Tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou- lhes as
feridas; e logo foi batizado, ele e todos os seus.
- Então os fez subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou- se muito com
toda a sua casa, por ter crido em Deus.
- Quando amanheceu, os magistrados mandaram quadrilheiros a dizer: Soltai
aqueles homens.
- E o carcereiro transmitiu a Paulo estas palavras, dizendo: Os magistrados
mandaram que fosseis soltos; agora, pois, saí e ide em paz.
- Mas Paulo respondeu-lhes: Açoitaram-nos publicamente sem sermos
condenados, sendo cidadãos romanos, e nos lançaram na prisão, e agora
encobertamente nos lançam fora? De modo nenhum será assim; mas venham eles
mesmos e nos tirem.
- E os quadrilheiros foram dizer aos magistrados estas palavras, e estes
temeram quando ouviram que eles eram romanos;
- vieram, pediram-lhes desculpas e, tirando-os para fora, rogavam que se
retirassem da cidade.
- Então eles saíram da prisão, entraram em casa de Lídia, e, vendo os
irmãos, os confortaram, e partiram.
- Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia
uma sinagoga dos judeus.
- Ora, Paulo, segundo o seu costume, foi ter com eles; e por três sábados
discutiu com eles as Escrituras,
- expondo e demonstrando que era necessário que o Cristo padecesse e
ressuscitasse dentre os mortos; este Jesus que eu vos anuncio, dizia ele, é o
Cristo.
- E alguns deles ficaram persuadidos e aderiram a Paulo e Silas, bem como
grande multidão de gregos devotos e não poucas mulheres de posição.
- Mas os judeus, movidos de inveja, tomando consigo alguns homens maus
dentre os vadios e ajuntando o povo, alvoroçavam a cidade e, assaltando a casa
de Jáson, os procuravam para entregá-los ao povo.
- Porém, não os achando, arrastaram Jáson e alguns irmãos à presença dos
magistrados da cidade, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram
também aqui,
- os quais Jáson acolheu; e todos eles procedem contra os decretos de César,
dizendo haver outro rei, que é Jesus.
- Assim alvoroçaram a multidão e os magistrados da cidade, que ouviram estas
coisas.
- Tendo, porém, recebido fiança de Jáson e dos demais, soltaram-nos.
- E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles
ali chegado, foram à sinagoga dos judeus.
- Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a
palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se
estas coisas eram assim.
- De sorte que muitos deles creram, bem como bom número de mulheres gregas
de alta posição e não poucos homens.
- Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que também em Beréia era
anunciada por Paulo a palavra de Deus, foram lá agitar e sublevar as
multidões.
- Imediatamente os irmãos fizeram sair a Paulo para que fosse até o mar; mas
Silas e Timóteo ficaram ali.
- E os que acompanhavam a Paulo levaram-no até Atenas e, tendo recebido
ordem para Silas e Timóteo a fim de que estes fossem ter com ele o mais
depressa possível, partiram.
- Enquanto Paulo os esperava em Atenas, revoltava-se nele o seu espírito,
vendo a cidade cheia de ídolos.
- Argumentava, portanto, na sinagoga com os judeus e os gregos devotos, e na
praça todos os dias com os que se encontravam ali.
- Ora, alguns filósofos epicureus e estóicos disputavam com ele. Uns diziam:
Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece ser pregador de deuses
estranhos; pois anunciava a boa nova de Jesus e a ressurreição.
- E, tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova
doutrina é essa de que falas?
- Pois tu nos trazes aos ouvidos coisas estranhas; portanto queremos saber o
que vem a ser isto.
- Ora, todos os atenienses, como também os estrangeiros que ali residiam, de
nenhuma outra coisa se ocupavam senão de contar ou de ouvir a última
novidade.
- Então Paulo, estando de pé no meio do Areópago, disse: Varões atenienses,
em tudo vejo que sois excepcionalmente religiosos;
- Porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei
também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que
vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio.
- O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da
terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;
- nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma
coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as
coisas;
- e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face
da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua
habitação;
- para que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o
qual, todavia, não está longe de cada um de nós;
- porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos
vossos poetas disseram: Pois dele também somos geração.
- Sendo nós, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade seja
semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação do
homem.
- Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que
todos os homens em todo lugar se arrependam;
- porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por
meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos,
ressuscitando-o dentre os mortos.
- Mas quando ouviram falar em ressurreição de mortos, uns escarneciam, e
outros diziam: Acerca disso te ouviremos ainda outra vez.
- Assim Paulo saiu do meio deles.
- Todavia, alguns homens aderiram a ele, e creram, entre os quais Dionísio,
o areopagita, e uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros.
- Depois disto Paulo partiu para Atenas e chegou a Corinto.
- E encontrando um judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que pouco antes
viera da Itália, e Priscila, sua mulher (porque Cláudio tinha decretado que
todos os judeus saíssem de Roma), foi ter com eles,
- e, por ser do mesmo ofício, com eles morava, e juntos trabalhavam; pois
eram, por ofício, fabricantes de tendas.
- Ele discutia todos os sábados na sinagoga, e persuadia a judeus e
gregos.
- Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo dedicou- se
inteiramente à palavra, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo.
- Como estes, porém, se opusessem e proferissem injúrias, sacudiu ele as
vestes e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo,
e desde agora vou para os gentios.
- E saindo dali, entrou em casa de um homem temente a Deus, chamado Tito
Justo, cuja casa ficava junto da sinagoga.
- Crispo, chefe da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos
dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados.
- E de noite disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala e não te
cales;
- porque eu estou contigo e ninguém te acometerá para te fazer mal, pois
tenho muito povo nesta cidade.
- E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de
Deus.
- Sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus de comum acordo
contra Paulo, e o levaram ao tribunal,
- dizendo: Este persuade os homens a render culto a Deus de um modo
contrário à lei.
- E, quando Paulo estava para abrir a boca, disse Gálio aos judeus: Se de
fato houvesse, ó judeus, algum agravo ou crime perverso, com razão eu vos
sofreria;
- mas, se são questões de palavras, de nomes, e da vossa lei, disso cuidai
vós mesmos; porque eu não quero ser juiz destas coisas.
- E expulsou-os do tribunal.
- Então todos agarraram Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancavam diante
do tribunal; e Gálio não se importava com nenhuma dessas coisas.
- Paulo, tendo ficado ali ainda muitos dias, despediu-se dos irmãos e
navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, havendo rapado a cabeça em
Cencréia, porque tinha voto.
- E eles chegaram a Éfeso, onde Paulo os deixou; e tendo entrado na
sinagoga, discutia com os judeus.
- Estes rogavam que ficasse por mais algum tempo, mas ele não anuiu,
- antes se despediu deles, dizendo: Se Deus quiser, de novo voltarei a vós;
e navegou de Éfeso.
- Tendo chegado a Cesaréia, subiu a Jerusalém e saudou a igreja, e desceu a
Antioquia.
- E, tendo demorado ali algum tempo, partiu, passando sucessivamente pela
região da Galácia e da Frígia, fortalecendo a todos os discípulos.
- Ora, chegou a Éfeso certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria,
homem eloqüente e poderoso nas Escrituras.
- Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito,
falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo
entretanto somente o batismo de João.
- Ele começou a falar ousadamente na sinagoga: mas quando Priscila e Áqüila
o ouviram, levaram-no consigo e lhe expuseram com mais precisão o caminho de
Deus.
- Querendo ele passar à Acáia, os irmãos o animaram e escreveram aos
discípulos que o recebessem; e tendo ele chegado, auxiliou muito aos que pela
graça haviam crido.
- Pois com grande poder refutava publicamente os judeus, demonstrando pelas
escrituras que Jesus era o Cristo.
- E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo tendo atravessado
as regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos,
- perguntou-lhes: Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?
Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo.
- Tornou-lhes ele: Em que fostes batizados então? E eles disseram: No
batismo de João.
- Mas Paulo respondeu: João administrou o batismo do arrependimento, dizendo
ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus.
- Quando ouviram isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus.
- Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e
falavam em línguas e profetizavam.
- E eram ao todo uns doze homens.
- Paulo, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses,
discutindo e persuadindo acerca do reino de Deus.
- Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do
Caminho diante da multidão, apartou-se deles e separou os discípulos,
discutindo diariamente na escola de Tirano.
- Durou isto por dois anos; de maneira que todos os que habitavam na Ásia,
tanto judeus como gregos, ouviram a palavra do Senhor.
- E Deus pelas mãos de Paulo fazia milagres extraordinários,
- de sorte que lenços e aventais eram levados do seu corpo aos enfermos, e
as doenças os deixavam e saíam deles os espíritos malignos.
- Ora, também alguns dos exorcistas judeus, ambulantes, tentavam invocar o
nome de Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos
por Jesus a quem Paulo prega.
- E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, um dos principais
sacerdotes.
- respondendo, porém, o espírito maligno, disse: A Jesus conheço, e sei quem
é Paulo; mas vós, quem sois?
- Então o homem, no qual estava o espírito maligno, saltando sobre eles,
apoderou-se de dois e prevaleceu contra eles, de modo que, nus e feridos,
fugiram daquela casa.
- E isto tornou-se conhecido de todos os que moravam em Éfeso, tanto judeus
como gregos; e veio temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era
engrandecido.
- E muitos dos que haviam crido vinham, confessando e revelando os seus
feitos.
- Muitos também dos que tinham praticado artes mágicas ajuntaram os seus
livros e os queimaram na presença de todos; e, calculando o valor deles,
acharam que montava a cinqüenta mil moedas de prata.
- Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.
- Cumpridas estas coisas, Paulo propôs, em seu espírito, ir a Jerusalém,
passando pela Macedônia e pela Acaia, porque dizia: Depois de haver estado
ali, é-me necessário ver também Roma.
- E, enviando à Macedônia dois dos que o auxiliavam, Timóteo e Erasto, ficou
ele por algum tempo na Ásia.
- Por esse tempo houve um não pequeno alvoroço acerca do Caminho.
- Porque certo ourives, por nome Demétrio, que fazia da prata miniaturas do
templo de Diana, proporcionava não pequeno negócio aos artífices,
- os quais ele ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse:
Senhores, vós bem sabeis que desta indústria nos vem a prosperidade,
- e estais vendo e ouvindo que não é só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia,
este Paulo tem persuadido e desviado muita gente, dizendo não serem deuses os
que são feitos por mãos humanas.
- E não somente há perigo de que esta nossa profissão caia em descrédito,
mas também que o templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo
mesmo a ser destituída da sua majestade aquela a quem toda a Ásia e o mundo
adoram.
- Ao ouvirem isso, encheram-se de ira, e clamavam, dizendo: Grande é a Diana
dos efésios!
- A cidade encheu-se de confusão, e todos à uma correram ao teatro,
arrebatando a Gaio e a Aristarco, macedônios, companheiros de Paulo na
viagem.
- Querendo Paulo apresentar-se ao povo, os discípulos não lho
permitiram.
- Também alguns dos asiarcas, sendo amigos dele, mandaram rogar-lhe que não
se arriscasse a ir ao teatro.
- Uns, pois, gritavam de um modo, outros de outro; porque a assembléia
estava em confusão, e a maior parte deles nem sabia por que causa se tinham
ajuntado.
- Então tiraram dentre a turba a Alexandre, a quem os judeus impeliram para
a frente; e Alexandre, acenando com a mão, queria apresentar uma defesa ao
povo.
- Mas quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram por
quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios!
- Havendo o escrivão conseguido apaziguar a turba, disse: Varões efésios,
que homem há que não saiba que a cidade dos efésios é a guardadora do templo
da grande deusa Diana, e da imagem que caiu de Júpiter?
- Ora, visto que estas coisas não podem ser contestadas, convém que vos
aquieteis e nada façais precipitadamente.
- Porque estes homens que aqui trouxestes, nem são sacrílegos nem
blasfemadores da nossa deusa.
- Todavia, se Demétrio e os artífices que estão com ele têm alguma queixa
contra alguém, os tribunais estão abertos e há procônsules: que se acusem uns
aos outros.
- E se demandais alguma outra coisa, averiguar-se-á em legítima
assembléia.
- Pois até corremos perigo de sermos acusados de sedição pelos
acontecimentos de hoje, não havendo motivo algum com que possamos justificar
este ajuntamento.
- E, tendo dito isto, despediu a assembléia.
- Depois que cessou o alvoroço, Paulo mandou chamar os discípulos e,
tendo-os exortado, despediu-se e partiu para a Macedônia.
- E, havendo andado por aquelas regiões, exortando os discípulos com muitas
palavras, veio à Grécia.
- Depois de passar ali três meses, visto terem os judeus armado uma cilada
contra ele quando ia embarcar para a Síria, determinou voltar pela
Macedônia.
- Acompanhou-o Sópater de Beréia, filho de Pirro; bem como dos de
Tessalônica, Aristarco e Segundo; Gaio de Derbe e Timóteo; e dos da Ásia,
Tíquico e Trófimo.
- Estes porém, foram adiante e nos esperavam em Trôade.
- E nós, depois dos dias dos pães ázimos, navegamos de Filipos, e em cinco
dias fomos ter com eles em Trôade, onde nos detivemos sete dias.
- No primeiro dia da semana, tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo,
que havia de sair no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso
até a meia-noite.
- Ora, havia muitas luzes no cenáculo onde estávamos reunidos.
- E certo jovem, por nome åutico, que estava sentado na janela, tomado de um
sono profundo enquanto Paulo prolongava ainda mais o seu sermão, vencido pelo
sono caiu do terceiro andar abaixo, e foi levantado morto.
- Tendo Paulo descido, debruçou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos
perturbeis, pois a sua alma está nele.
- Então subiu, e tendo partido o pão e comido, ainda lhes falou largamente
até o romper do dia; e assim partiu.
- E levaram vivo o jovem e ficaram muito consolados.
- Nós, porém, tomando a dianteira e embarcando, navegamos para Assôs, onde
devíamos receber a Paulo, porque ele, havendo de ir por terra, assim o
ordenara.
- E, logo que nos alcançou em Assôs, recebemo-lo a bordo e fomos a
Mitilene;
- e navegando dali, chegamos no dia imediato defronte de Quios, no outro
aportamos a Samos e [e tendo-nos demorado em Trogílio, chegamos,] no dia
seguinte a Mileto.
- Porque Paulo havia determinado passar ao largo de Éfeso, para não se
demorar na Ásia; pois se apressava para estar em Jerusalém no dia de
Pentecostes, se lhe fosse possível.
- De Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja.
- E, tendo eles chegado, disse-lhes: Vós bem sabeis de que modo me tenho
portado entre vós sempre, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia,
- servindo ao Senhor com toda a humildade, e com lágrimas e provações que
pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;
- como não me esquivei de vos anunciar coisa alguma que útil seja,
ensinando-vos publicamente e de casa em casa,
- testificando, tanto a judeus como a gregos, o arrependimento para com Deus
e a fé em nosso Senhor Jesus.
- Agora, eis que eu, constrangido no meu espírito, vou a Jerusalém, não
sabendo o que ali acontecerá,
- senão o que o Espírito Santo me testifica, de cidade em cidade, dizendo
que me esperam prisões e tribulações.
- mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que
complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar
testemunho do evangelho da graça de Deus.
- E eis agora, sei que nenhum de vós, por entre os quais passei pregando o
reino de Deus, jamais tornará a ver o meu rosto.
- Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de
todos.
- Porque não me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus.
- Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito
Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele
adquiriu com seu próprio sangue.
- Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis
que não pouparão rebanho,
- e que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas
para atrair os discípulos após si.
- Portanto vigiai, lembrando-vos de que por três anos não cessei noite e dia
de admoestar com lágrimas a cada um de vós.
- Agora pois, vos encomendo a Deus e à palavra da sua graça, àquele que é
poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os que são
santificados.
- De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes.
- Vós mesmos sabeis que estas mãos proveram as minhas necessidades e as dos
que estavam comigo.
- Em tudo vos dei o exemplo de que assim trabalhando, é necessário socorrer
os enfermos, recordando as palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo
disse: Coisa mais bem-aventurada é dar do que receber.
- Havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles.
- E levantou-se um grande pranto entre todos, e lançando-se ao pescoço de
Paulo, beijavam-no.
- entristecendo-se principalmente pela palavra que dissera, que não veriam
mais o seu rosto. E eles o acompanharam até o navio.
- E assim aconteceu que, separando-nos deles, navegamos e, correndo em
direitura, chegamos a Cós, e no dia seguinte a Rodes, e dali a Pátara.
- Achando um navio que seguia para a Fenícia, embarcamos e partimos.
- E quando avistamos Chipre, deixando-a á esquerda, navegamos para a Síria e
chegamos a Tiro, pois o navio havia de ser descarregado ali.
- Havendo achado os discípulos, demoramo-nos ali sete dias; e eles pelo
Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém.
- Depois de passarmos ali aqueles dias, saímos e seguimos a nossa viagem,
acompanhando-nos todos, com suas mulheres e filhos, até fora da cidade; e,
postos de joelhos na praia, oramos,
- e despedindo-nos uns dos outros, embarcamos, e eles voltaram para
casa.
- Concluída a nossa viagem de Tiro, chegamos a Ptolemaida; e, havendo
saudado os irmãos, passamos um dia com eles.
- Partindo no dia seguinte, fomos a Cesaréia; e entrando em casa de Felipe,
o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele.
- Tinha este quatro filhas virgens que profetizavam.
- Demorando-nos ali por muitos dias, desceu da Judéia um profeta, de nome
Ágabo;
- e vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando os seus próprios
pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus ligarão em
Jerusalém o homem a quem pertence esta cinta, e o entregarão nas mãos dos
gentios.
- Quando ouvimos isto, rogamos-lhe, tanto nós como os daquele lugar, que não
subisse a Jerusalém.
- Então Paulo resppondeu: Que fazeis chorando e magoando-me o coração?
Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém
pelo nome do Senhor Jesus.
- E, como não se deixasse persuadir, dissemos: Faça-se a vontade do Senhor;
e calamo-nos.
- Depois destes dias, havendo feito os preparativos, fomos subindo a
Jerusalém.
- E foram também conosco alguns discípulos de Cesaréia, levando consigo um
certo Mnáson, cíprio, discípulo antigo, com quem nos havíamos de
hospedar.
- E chegando nós a Jerusalém, os irmãos nos receberam alegremente.
- No dia seguinte Paulo foi em nossa companhia ter com Tiago, e compareceram
todos os anciãos.
- E, havendo-os saudado, contou-lhes uma por uma as coisas que por seu
ministério Deus fizera entre os gentios.
- Ouvindo eles isto, glorificaram a Deus, e disseram-lhe: Bem vês, irmãos,
quantos milhares há entre os judeus que têm crido, e todos são zelosos da lei;
gregos, ouviram a palavra do
- e têm sido informados a teu respeito que ensinas todos os judeus que estão
entre os gentios a se apartarem de Moisés, dizendo que não circuncidem seus
filhos, nem andem segundo os costumes da lei.
- Que se há de fazer, pois? Certamente saberão que és chegado.
- Faze, pois, o que te vamos dizer: Temos quatro homens que fizeram
voto;
- toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles as despesas
para que rapem a cabeça; e saberão todos que é falso aquilo de que têm sido
informados a teu respeito, mas que também tu mesmo andas corretamente,
guardando a lei.
- Todavia, quanto aos gentios que têm crido já escrevemos, dando o parecer
que se abstenham do que é sacrificado a os ídolos, do sangue, do sufocado e da
prostituição.
- Então Paulo, no dia seguinte, tomando consigo aqueles homens, purificou-se
com eles e entrou no templo, notificando o cumprimento dos dias da
purificação, quando seria feita a favor de cada um deles a respectiva
oferta.
- Mas quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia,
tendo-o visto no templo, alvoroçaram todo o povo e agarraram-no,
- clamando: Varões israelitas, acudi; este é o homem que por toda parte
ensina a todos contra o povo, contra a lei, e contra este lugar; e ainda, além
disso, introduziu gregos no templo, e tem profanado este santo lugar.
- Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo de Éfeso, e pensavam que
Paulo o introduzira no templo.
- Alvoroçou-se toda a cidade, e houve ajuntamento do povo; e agarrando a
Paulo, arrastaram-no para fora do templo, e logo as portas se fecharam.
- E, procurando eles matá-lo, chegou ao comandante da coorte o aviso de que
Jerusalém estava toda em confusão;
- o qual, tomando logo consigo soldados e centuriões, correu para eles; e
quando viram o comandante e os soldados, cessaram de espancar a Paulo.
- Então aproximando-se o comandante, prendeu-o e mandou que fosse
acorrentado com duas cadeias, e perguntou quem era e o que tinha feito.
- E na multidão uns gritavam de um modo, outros de outro; mas, não podendo
por causa do alvoroço saber a verdade, mandou conduzí-lo à fortaleza.
- E sucedeu que, chegando às escadas, foi ele carregado pelos soldados por
causa da violência da turba.
- Pois a multidão o seguia, gritando: Mata-o!
- Quando estava para ser introduzido na fortaleza, disse Paulo ao
comandante: É-me permitido dizer-te alguma coisa? Respondeu ele: Sabes o
grego?
- Não és porventura o egípcio que há poucos dias fez uma sedição e levou ao
deserto os quatro mil sicários?
- Mas Paulo lhe disse: Eu sou judeu, natural de Tarso, cidade não
insignificante da Cilícia; rogo-te que me permitas falar ao povo.
- E, havendo-lho permitido o comandante, Paulo, em pé na escada, fez sinal
ao povo com a mão; e, feito grande silêncio, falou em língua hebraica,
dizendo:
- Irmãos e pais, ouvi a minha defesa, que agora faço perante vós.
- Ora, quando ouviram que lhes falava em língua hebraica, guardaram ainda
maior silêncio. E ele prosseguiu.
- Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade,
instruído aos pés de Gamaliel, conforme a precisão da lei de nossos pais,
sendo zeloso para com Deus, assim como o sois todos vós no dia de hoje.
- E persegui este Caminho até a morte, algemando e metendo em prisões tanto
a homens como a mulheres,
- do que também o sumo sacerdote me é testemunha, e assim todo o conselho
dos anciãos; e, tendo recebido destes cartas para os irmãos, seguia para
Damasco, com o fim de trazer algemados a Jerusalém aqueles que ali estivessem,
para que fossem castigados.
- Aconteceu, porém, que, quando caminhava e ia chegando perto de Damasco,
pelo meio-dia, de repente, do céu brilhou-me ao redor uma grande luz.
- Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me
persegues?
- Eu respondi: Quem és tu, Senhor? Disse-me: Eu sou Jesus, o nazareno, a
quem tu persegues.
- E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, mas não entenderam a voz
daquele que falava comigo.
- Então disse eu: Senhor que farei? E o Senhor me disse: Levanta-te, e vai a
Damasco, onde se te dirá tudo o que te é ordenado fazer.
- Como eu nada visse por causa do esplendor daquela luz, guiado pela mão dos
que estavam comigo cheguei a Damasco.
- um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho
de todos os judeus que ali moravam,
- vindo ter comigo, de pé ao meu lado, disse-me: Saulo, irmão, recobra a
vista. Naquela mesma hora, recobrando a vista, eu o vi.
- Disse ele: O Deus de nossos pais de antemão te designou para conhecer a
sua vontade, ver o Justo, e ouvir a voz da sua boca.
- Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens
visto e ouvido.
- Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados,
invocando o seu nome.
- Aconteceu que, tendo eu voltado para Jerusalém, enquanto orava no templo,
achei-me em êxtase,
- e vi aquele que me dizia: Apressa-te e sai logo de Jerusalém; porque não
receberão o teu testemunho acerca de mim.
- Disse eu: Senhor, eles bem sabem que eu encarcerava e açoitava pelas
sinagogas os que criam em ti,
- e quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu também
estava presente, consentindo na sua morte e guardando as capas dos que o
matavam.
- Disse-me ele: Vai, porque eu te enviarei para longe aos gentios.
- Ora, escutavam-no até esta palavra, mas então levantaram a voz, dizendo:
Tira do mundo tal homem, porque não convém que viva.
- Gritando eles e arrojando de si as capas e lançando pó para o ar,
- o comandante mandou que levassem Paulo para dentro da fortaleza, ordenando
que fosse interrogado debaixo de açoites, para saber por que causa assim
clamavam contra ele.
- Quando o haviam atado com as correias, disse Paulo ao centurião que ali
estava: É-vos lícito açoitar um cidadão romano, sem ser ele condenado?
- Ouvindo isto, foi o centurião ter com o comandante e o avisou, dizendo: Vê
o que estás para fazer, pois este homem é romano.
- Vindo o comandante, perguntou-lhe: Dize-me: és tu romano? Respondeu ele:
Sou.
- Tornou o comandante: Eu por grande soma de dinheiro adquiri este direito
de cidadão. Paulo disse: Mas eu o sou de nascimento.
- Imediatamente, pois se apartaram dele aqueles que o iam interrogar; e até
o comandante, tendo sabido que Paulo era romano, atemorizou-se porque o havia
ligado.
- No dia seguinte, querendo saber ao certo a causa por que ele era acusado
pelos judeus, soltou-o das prisões, e mandou que se reunissem os principais
sacerdotes e todo o sinédrio; e, trazendo Paulo, apresentou-o diante
deles.
- Fitando Paulo os olhos no sinédrio, disse: Varões irmãos, até o dia de
hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência.
- Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o
ferissem na boca.
- Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá a ti, parede branqueada; tu estás aí
sentado para julgar-me segundo a lei, e contra a lei mandas que eu seja
ferido?
- Os que estavam ali disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus?
- Disse Paulo: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está
escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo.
- Sabendo Paulo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no
sinédrio: Varões irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseus; é por causa da
esperança da ressurreição dos mortos que estou sendo julgado.
- Ora, dizendo ele isto, surgiu dissensão entre os fariseus e saduceus; e a
multidão se dividiu.
- Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito;
mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa.
- Daí procedeu grande clamor; e levantando-se alguns da parte dos fariseus,
altercavam, dizendo: Não achamos nenhum mal neste homem; e, quem sabe se lhe
falou algum espírito ou anjo?
- E avolumando-se a dissenção, o comandante, temendo que Paulo fosse por
eles despedaçado, mandou que os soldados descessem e o tirassem do meio deles
e o levassem para a fortaleza.
- Na noite seguinte, apresentou-se-lhe o Senhor e disse: Tem bom ânimo:
porque, como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa que o dês
também em Roma.
- Quando já era dia, coligaram-se os judeus e juraram sob pena de maldição
que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo.
- Eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração;
- e estes foram ter com os principais sacerdotes e anciãos, e disseram:
Conjuramo-nos sob pena de maldição a não provarmos coisa alguma até que
matemos a Paulo.
- Agora, pois, vós, com o sinédrio, rogai ao comandante que o mande descer
perante vós como se houvésseis de examinar com mais precisão a sua causa; e
nós estamos prontos para matá-lo antes que ele chegue.
- Mas o filho da irmã de Paulo tendo sabido da cilada, foi, entrou na
fortaleza e avisou a Paulo.
- Chamando Paulo um dos centuriões, disse: Leva este moço ao comandante,
porque tem alguma coisa que lhe comunicar.
- Tomando-o ele, pois, levou-o ao comandante e disse: O preso Paulo,
chamando-me, pediu-me que trouxesse à tua presença este moço, que tem alguma
coisa a dizer-te.
- O comandante tomou-o pela mão e, retirando-se à parte, perguntou-lhe em
particular: Que é que tens a contar-me?
- Disse ele: Os judeus combinaram rogar-te que amanhã mandes Paulo descer ao
sinédrio, como que tendo de inquirir com mais precisão algo a seu
respeito;
- tu, pois, não te deixes persuadir por eles; porque mais de quarenta homens
dentre eles armaram ciladas, os quais juraram sob pena de maldição não comerem
nem beberem até que o tenham morto; e agora estão aprestados, esperando a tua
promessa.
- Então o comandante despediu o moço, ordenando-lhe que a ninguém dissesse
que lhe havia contado aquilo.
- Chamando dois centuriões, disse: Aprontai para a terceira hora da noite
duzentos soldados de infantaria, setenta de cavalaria e duzentos lanceiros
para irem até Cesaréia;
- e mandou que aparelhassem cavalgaduras para que Paulo montasse, a fim de o
levarem salvo ao governador Félix.
- E escreveu-lhe uma carta nestes termos:
- Cláudio Lísias, ao excelentíssimo governador Félix, saúde.
- Este homem foi preso pelos judeus, e estava a ponto de ser morto por eles
quando eu sobrevim com a tropa e o livrei ao saber que era romano.
- Querendo saber a causa por que o acusavam, levei-o ao sinédrio
deles;
- e achei que era acusado de questões da lei deles, mas que nenhum crime
havia nele digno de morte ou prisão.
- E quando fui informado que haveria uma cilada contra o homem, logo to
enviei, intimando também aos acusadores que perante ti se manifestem contra
ele. [Passa bem.]
- Os soldados, pois, conforme lhes fora mandado, tomando a Paulo, o levaram
de noite a Antipátride.
- Mas no dia seguinte, deixando aos de cavalaria irem com ele, voltaram à
fortaleza;
- os quais, logo que chegaram a Cesaréia e entregaram a carta ao governador,
apresentaram-lhe também Paulo.
- Tendo lido a carta, o governador perguntou de que província ele era; e,
sabendo que era da Cilícia,
- disse: Ouvir-te-ei quando chegarem também os teus acusadores; e mandou que
fosse guardado no pretório de Herodes.
- Cinco dias depois o sumo sacerdote Ananias desceu com alguns anciãos e um
certo Tertulo, orador, os quais fizeram, perante o governador, queixa contra
Paulo.
- Sendo este chamado, Tertulo começou a acusá-lo, dizendo: Visto que por ti
gozamos de muita paz e por tua providência são continuamente feitas reformas
nesta nação,
- em tudo e em todo lugar reconhecemo-lo com toda a gratidão, ó
excelentíssimo Félix.
- Mas, para que não te detenha muito rogo-te que, conforme a tua eqüidade,
nos ouças por um momento.
- Temos achado que este homem é uma peste, e promotor de sedições entre
todos os judeus, por todo o mundo, e chefe da seita dos nazarenos;
- o qual tentou profanar o templo; e nós o prendemos, [e conforme a nossa
lei o quisemos julgar.
- Mas sobrevindo o comandante Lísias no-lo tirou dentre as mãos com grande
violência, mandando aos acusadores que viessem a ti.]
- e tu mesmo, examinando-o, poderás certificar-te de tudo aquilo de que nós
o acusamos.
- Os judeus também concordam na acusação, afirmando que estas coisas eram
assim.
- Paulo, tendo-lhe o governador feito sinal que falasse, respondeu:
Porquanto sei que há muitos anos és juiz sobre esta nação, com bom ânimo faço
a minha defesa,
- pois bem podes verificar que não há mais de doze dias subi a Jerusalém
para adorar,
- e que não me acharam no templo discutindo com alguém nem amotinando o
povo, quer nas sinagogas quer na cidade.
- Nem te podem provar as coisas de que agora me acusam.
- Mas confesso-te isto: que, seguindo o caminho a que eles chamam seita,
assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e
nos profetas,
- tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de
haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos.
- Por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensas diante de Deus e
dos homens.
- Vários anos depois vim trazer à minha nação esmolas e fazer
oferendas;
- e ocupado nestas coisas me acharam já santificado no templo não em
ajuntamento, nem com tumulto, alguns judeus da Ásia,
- os quais deviam comparecer diante de ti e acusar-me se tivessem alguma
coisa contra mim;
- ou estes mesmos digam que iniquidade acharam, quando compareci perante o
sinédrio,
- a não ser acerca desta única palavra que, estando no meio deles, bradei:
Por causa da ressurreição dos mortos é que hoje estou sendo julgado por
vós.
- Félix, porém, que era bem informado a respeito do Caminho, adiou a
questão, dizendo: Quando o comandante Lísias tiver descido, então tomarei
inteiro conhecimento da vossa causa.
- E ordenou ao centurião que Paulo ficasse detido, mas fosse tratado com
brandura e que a nenhum dos seus proibisse servi-lo.
- Alguns dias depois, vindo Félix com sua mulher Drusila, que era judia,
mandou chamar a Paulo, e ouviu-o acerca da fé em Cristo Jesus.
- E discorrendo ele sobre a justiça, o domínio próprio e o juízo vindouro,
Félix ficou atemorizado e respondeu: Por ora vai-te, e quando tiver ocasião
favorável, eu te chamarei.
- Esperava ao mesmo tempo que Paulo lhe desse dinheiro, pelo que o mandava
chamar mais freqüentemente e conversava com ele.
- Mas passados dois anos, teve Félix por sucessor a Pórcio Festo; e querendo
Félix agradar aos judeus, deixou a Paulo preso.
- Tendo, pois, entrado Festo na província, depois de três dias subiu de
Cesaréia a Jerusalém.
- E os principais sacerdotes e os mais eminentes judeus fizeram-lhe queixa
contra Paulo e, em detrimento deste,
- lhe rogavam o favor de o mandar a Jerusalém, armando ciladas para o
matarem no caminho.
- Mas Festo respondeu que Paulo estava detido em Cesaréia, e que ele mesmo
brevemente partiria para lá.
- Portanto - disse ele - as autoridades dentre vós desçam comigo e, se há
nesse homem algum crime, acusem-no.
- Tendo-se demorado entre eles não mais de oito ou dez dias, desceu a
Cesaréia; e no dia seguinte, sentando-se no tribunal, mandou trazer
Paulo.
- Tendo ele comparecido, rodearam-no os judeus que haviam descido de
Jerusalém, trazendo contra ele muitas e graves acusações, que não podiam
provar.
- Paulo, porém, respondeu em sua defesa: Nem contra a lei dos judeus, nem
contra o templo, nem contra César, tenho pecado em coisa alguma.
- Todavia Festo, querendo agradar aos judeus, respondendo a Paulo, disse:
Queres subir a Jerusalém e ali ser julgado perante mim acerca destas
coisas?
- Mas Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde devo ser julgado;
nenhum mal fiz aos judeus, como muito bem sabes.
- Se, pois, sou malfeitor e tenho cometido alguma coisa digna de morte, não
recuso morrer; mas se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém me pode
entregar a eles; apelo para César.
- Então Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Apelaste para César;
para César irás.
- Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice vieram a Cesaréia em visita
de saudação a Festo.
- E, como se demorassem ali muitos dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo,
dizendo: Há aqui certo homem que foi deixado preso por Félix,
- a respeito do qual, quando estive em Jerusalém, os principais sacerdotes e
os anciãos dos judeus me fizeram queixas, pedindo sentença contra ele;
- aos quais respondi que não é costume dos romanos condenar homem algum sem
que o acusado tenha presentes os seus acusadores e possa defender-se da
acusação.
- Quando então eles se haviam reunido aqui, sem me demorar, no dia seguinte
sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem;
- contra o qual os acusadores, levantando-se, não apresentaram acusação
alguma das coisas perversas que eu suspeitava;
- tinham, porém, contra ele algumas questões acerca da sua religião e de um
tal Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo.
- E, estando eu perplexo quanto ao modo de investigar estas coisas,
perguntei se não queria ir a Jerusalém e ali ser julgado no tocante às
mesmas.
- Mas apelando Paulo para que fosse reservado ao julgamento do imperador,
mandei que fosse detido até que o enviasse a César.
- Então Agripa disse a Festo: Eu bem quisera ouvir esse homem. Respondeu-lhe
ele: Amanhã o ouvirás.
- No dia seguinte vindo Agripa e Berenice, com muito aparato, entraram no
auditório com os chefes militares e homens principais da cidade; então, por
ordem de Festo, Paulo foi trazido.
- Disse Festo: Rei Agripa e vós todos que estais presentes conosco, vedes
este homem por causa de quem toda a multidão dos judeus, tanto em Jerusalém
como aqui, recorreu a mim, clamando que não convinha que ele vivesse
mais.
- Eu, porém, achei que ele não havia praticado coisa alguma digna de morte;
mas havendo ele apelado para o imperador, resolvi remeter-lho.
- Do qual não tenho coisa certa que escreva a meu senhor, e por isso perante
vós o trouxe, principalmente perante ti, ó rei Agripa, para que, depois de
feito o interrogatório, tenha eu alguma coisa que escrever.
- Porque não me parece razoável enviar um preso, e não notificar as
acusações que há contra ele.
- Depois Agripa disse a Paulo: É-te permitido fazer a tua defesa. Então
Paulo, estendendo a mão, começou a sua defesa:
- Sinto-me feliz, ó rei Agripa, em poder defender-me hoje perante ti de
todas as coisas de que sou acusado pelos judeus;
- mormente porque és versado em todos os costumes e questões que há entre os
judeus; pelo que te rogo que me ouças com paciência.
- A minha vida, pois, desde a mocidade, o que tem sido sempre entre o meu
povo e em Jerusalém, sabem-na todos os judeus,
- pois me conhecem desde o princípio e, se quiserem, podem dar testemunho de
que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu.
- E agora estou aqui para ser julgado por causa da esperança da promessa
feita por Deus a nossos pais,
- a qual as nossas doze tribos, servindo a Deus fervorosamente noite e dia,
esperam alcançar; é por causa desta esperança, ó rei, que eu sou acusado pelos
judeus.
- Por que é que se julga entre vós incrível que Deus ressuscite os
mortos?
- Eu, na verdade, cuidara que devia praticar muitas coisas contra o nome de
Jesus, o nazareno;
- o que, com efeito, fiz em Jerusalém. Pois havendo recebido autoridade dos
principais dos sacerdotes, não somente encerrei muitos dos santos em prisões,
como também dei o meu voto contra eles quando os matavam.
- E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, obrigava-os a
blasfemar; e enfurecido cada vez mais contra eles, perseguia-os até nas
cidades estrangeiras.
- Indo com este encargo a Damasco, munido de poder e comissão dos principais
sacerdotes,
- ao meio-dia, ó rei vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor
do sol, resplandecendo em torno de mim e dos que iam comigo.
- E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me dizia em língua
hebráica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar
contra os aguilhões.
- Disse eu: Quem és, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu
persegues;
- mas levanta-te e põe-te em pé; pois para isto te apareci, para te fazer
ministro e testemunha tanto das coisas em que me tens visto como daquelas em
que te hei de aparecer;
- livrando-te deste povo e dos gentios, aos quais te envio,
- para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz, e do
poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão de pecados e herança entre
aqueles que são santificados pela fé em mim.
- Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial,
- antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco, e depois em
Jerusalém, e por toda a terra da Judéia e também aos gentios, que se
arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de
arrependimento.
- Por causa disto os judeus me prenderam no templo e procuravam
matar-me.
- Tendo, pois, alcançado socorro da parte de Deus, ainda até o dia de hoje
permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada
senão o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer;
- isto é, como o Cristo devia padecer, e como seria ele o primeiro que, pela
ressurreiçao dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e também aos
gentios.
- Fazendo ele deste modo a sua defesa, disse Festo em alta voz: Estás louco,
Paulo; as muitas letras te fazem delirar.
- Mas Paulo disse: Não deliro, ó excelentíssimo Festo, antes digo palavras
de verdade e de perfeito juízo.
- Porque o rei, diante de quem falo com liberdade, sabe destas coisas, pois
não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer
canto.
- Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Sei que crês.
- Disse Agripa a Paulo: Por pouco me persuades a fazer-me cristão.
- Respondeu Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não
somente tu, mas também todos quantos hoje me ouvem, se tornassem tais qual eu
sou, menos estas cadeias.
- E levantou-se o rei, e o governador, e Berenice, e os que com eles estavam
sentados,
- e retirando-se falavam uns com os outros, dizendo: Este homem não fez nada
digno de morte ou prisão.
- Então Agripa disse a Festo: Este homem bem podia ser solto, se não tivesse
apelado para César.
- E, como se determinou que navegássemos para a Itália, entregaram Paulo e
alguns outros presos a um centurião por nome Júlio, da coorte augusta.
- E, embarcando em um navio de Adramítio, que estava prestes a navegar em
demanda dos portos pela costa da Ásia, fizemo-nos ao mar, estando conosco
Aristarco, macedônio de Tessalônica.
- No dia seguinte chegamos a Sidom, e Júlio, tratando Paulo com bondade,
permitiu-lhe ir ver os amigos e receber deles os cuidados necessários.
- Partindo dali, fomos navegando a sotavento de Chipre, porque os ventos
eram contrários.
- Tendo atravessado o mar ao longo da Cilícia e Panfília, chegamos a Mirra,
na Lícia.
- Ali o centurião achou um navio de Alexandria que navegava para a Itália, e
nos fez embarcar nele.
- Navegando vagarosamente por muitos dias, e havendo chegado com dificuldade
defronte de Cnido, não nos permitindo o vento ir mais adiante, navegamos a
sotavento de Creta, à altura de Salmone;
- e, costeando-a com dificuldade, chegamos a um lugar chamado Bons Portos,
perto do qual estava a cidade de Laséia.
- Havendo decorrido muito tempo e tendo-se tornado perigosa a navegação,
porque já havia passado o jejum, Paulo os advertia,
- dizendo-lhes: Senhores, vejo que a viagem vai ser com avaria e muita perda
não só para a carga e o navio, mas também para as nossas vidas.
- Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao dono do navio do que às
coisas que Paulo dizia.
- E não sendo o porto muito próprio para invernar, os mais deles foram de
parecer que daí se fizessem ao mar para ver se de algum modo podiam chegar a
Fênice, um porto de Creta que olha para o nordeste e para o sueste, para ali
invernar.
- Soprando brandamente o vento sul, e supondo eles terem alcançado o que
desejavam, levantaram ferro e iam costeando Creta bem de perto.
- Mas não muito depois desencadeou-se do lado da ilha um tufão de vento
chamado euro-aquilão;
- e, sendo arrebatado o navio e não podendo navegar contra o vento, cedemos
à sua força e nos deixávamos levar.
- Correndo a sota-vento de uma pequena ilha chamada Clauda, somente a custo
pudemos segurar o batel,
- o qual recolheram, usando então os meios disponíveis para cingir o navio;
e, temendo que fossem lançados na Sirte, arriaram os aparelhos e se deixavam
levar.
- Como fôssemos violentamente açoitados pela tempestade, no dia seguinte
começaram a alijar a carga ao mar.
- E ao terceiro dia, com as próprias mãos lançaram os aparelhos do
navio.
- Não aparecendo por muitos dia nem sol nem estrelas, e sendo nós ainda
batidos por grande tempestade, fugiu-nos afinal toda a esperança de sermos
salvos.
- Havendo eles estado muito tempo sem comer, Paulo, pondo-se em pé no meio
deles, disse: Senhores, devíeis ter-me ouvido e não ter partido de Creta, para
evitar esta avaria e perda.
- E agora vos exorto a que tenhais bom ânimo, pois não se perderá vida
alguma entre vós, mas somente o navio.
- Porque esta noite me apareceu um anjo do Deus de quem eu sou e a quem
sirvo,
- dizendo: Não temas, Paulo, importa que compareças perante César, e eis que
Deus te deu todos os que navegam contigo.
- Portanto, senhores, tende bom ânimo; pois creio em Deus que há de suceder
assim como me foi dito.
- Contudo é necessário irmos dar em alguma ilha.
- Quando chegou a décima quarta noite, sendo nós ainda impelidos pela
tempestade no mar de Ádria, pela meia-noite, suspeitaram os marinheiros a
proximidade de terra;
- e lançando a sonda, acharam vinte braças; passando um pouco mais adiante,
e tornando a lançar a sonda, acharam quinze braças.
- Ora, temendo irmos dar em rochedos, lançaram da popa quatro âncoras, e
esperaram ansiosos que amanhecesse.
- Procurando, entrementes, os marinheiros fugir do navio, e tendo arriado o
batel ao mar sob pretexto de irem lançar âncoras pela proa,
- disse Paulo ao centurião e aos soldados: Se estes não ficarem no navio,
não podereis salvar-vos.
- Então os soldados cortaram os cabos do batel e o deixaram cair.
- Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos que comessem alguma coisa,
dizendo: É já hoje o décimo quarto dia que esperais e permaneceis em jejum,
não havendo provado coisa alguma.
- Rogo-vos, portanto, que comais alguma coisa, porque disso depende a vossa
segurança; porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.
- E, havendo dito isto, tomou o pão, deu graças a Deus na presença de todos
e, partindo-o começou a comer.
- Então todos cobraram ânimo e se puseram também a comer.
- Éramos ao todo no navio duzentas e setenta e seis almas.
- Depois de saciados com a comida, começaram a aliviar o navio, alijando o
trigo no mar.
- Quando amanheceu, não reconheciam a terra; divisavam, porém, uma enseada
com uma praia, e consultavam se poderiam nela encalhar o navio.
- Soltando as âncoras, deixaram-nas no mar, largando ao mesmo tempo as
amarras do leme; e, içando ao vento a vela da proa, dirigiram-se para a
praia.
- Dando, porém, num lugar onde duas correntes se encontravam, encalharam o
navio; e a proa, encravando-se, ficou imóvel, mas a popa se desfazia com a
força das ondas.
- Então o parecer dos soldados era que matassem os presos para que nenhum
deles fugisse, escapando a nado.
- Mas o centurião, querendo salvar a Paulo, estorvou-lhes este intento; e
mandou que os que pudessem nadar fossem os primeiros a lançar-se ao mar e
alcançar a terra;
- e que os demais se salvassem, uns em tábuas e outros em quaisquer
destroços do navio. Assim chegaram todos à terra salvos.
- Estando já salvos, soubemos então que a ilha se chamava Malta.
- Os indígenas usaram conosco de não pouca humanidade; pois acenderam uma
fogueira e nos recolheram a todos por causa da chuva que caía, e por causa do
frio.
- Ora havendo Paulo ajuntado e posto sobre o fogo um feixe de gravetos, uma
víbora, fugindo do calor, apegou-se-lhe à mão.
- Quando os indígenas viram o réptil pendente da mão dele, diziam uns aos
outros: Certamente este homem é homicida, pois, embora salvo do mar, a Justiça
não o deixa viver.
- Mas ele, sacudindo o réptil no fogo, não sofreu mal nenhum.
- Eles, porém, esperavam que Paulo viesse a inchar ou a cair morto de
repente; mas tendo esperado muito tempo e vendo que nada de anormal lhe
sucedia, mudaram de parecer e diziam que era um deus.
- Ora, nos arredores daquele lugar havia umas terras que pertenciam ao homem
principal da ilha, por nome Públio, o qual nos recebeu e hospedou bondosamente
por três dias.
- Aconteceu estar de cama, enfermo de febre e disenteria, o pai de Públio;
Paulo foi visitá-lo, e havendo orado, impôs-lhe as mãos, e o curou.
- Feito isto, vinham também os demais enfermos da ilha, e eram
curados;
- e estes nos distinguiram com muitas honras; e, ao embarcarmos, puseram a
bordo as coisas que nos eram necessárias.
- Passados três meses, partimos em um navio de Alexandria que invernara na
ilha, o qual tinha por insígnia Castor e Pólux.
- E chegando a Siracusa, ficamos ali três dias;
- donde, costeando, viemos a Régio; e, soprando no dia seguinte o vento sul,
chegamos em dois dias a Putéoli,
- onde, achando alguns irmãos, fomos convidados a ficar com eles sete dias;
e depois nos dirigimos a Roma.
- Ora, os irmãos da lá, havendo recebido notícias nossas, vieram ao nosso
encontro até a praça de Ápio e às Três Vendas, e Paulo, quando os viu, deu
graças a Deus e cobrou ânimo.
- Quando chegamos a Roma, [o centurião entregou os presos ao general do
exército, mas,] a Paulo se lhe permitiu morar à parte, com o soldado que o
guardava.
- Passados três dias, ele convocou os principais dentre os judeus; e
reunidos eles, disse-lhes: Varões irmãos, não havendo eu feito nada contra o
povo, ou contra os ritos paternos, vim contudo preso desde Jerusalém, entregue
nas mãos dos romanos;
- os quais, havendo-me interrogado, queriam soltar-me, por não haver em mim
crime algum que merecesse a morte.
- Mas opondo-se a isso os judeus, vi-me obrigado a apelar para César, não
tendo, contudo, nada de que acusar a minha nação.
- Por esta causa, pois, vos convidei, para vos ver e falar; porque pela
esperança de Israel estou preso com esta cadeia.
- Mas eles lhe disseram: Nem recebemos da Judéia cartas a teu respeito, nem
veio aqui irmão algum que contasse ou dissesse mal de ti.
- No entanto bem quiséramos ouvir de ti o que pensas; porque, quanto a esta
seita, notório nos é que em toda parte é impugnada.
- Havendo-lhe eles marcado um dia, muitos foram ter com ele à sua morada,
aos quais desde a manhã até a noite explicava com bom testemunho o reino de
Deus e procurava persuadí-los acerca de Jesus, tanto pela lei de Moisés como
pelos profetas.
- Uns criam nas suas palavras, mas outros as rejeitavam.
- E estando discordes entre si, retiraram-se, havendo Paulo dito esta
palavra: Bem falou o Espírito Santo aos vossos pais pelo profeta Isaías,
- dizendo: Vai a este povo e dize: Ouvindo, ouvireis, e de maneira nenhuma
entendereis; e vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis.
- Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram
tardamente, e fecharam os olhos; para que não vejam com os olhos, nem ouçam
com os ouvidos, nem entendam com o coração nem se convertam e eu os
cure.
- Seja-vos pois notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e
eles ouvirão.
- [E, havendo ele dito isto, partiram os judeus, tendo entre si grande
contenda.]
- E morou dois anos inteiros na casa que alugara, e recebia a todos os que o
visitavam,
- pregando o reino de Deus e ensinando as coisas concernentes ao Senhor
Jesus Cristo, com toda a liberdade, sem impedimento algum.