Gerenciando a Emoção
O maior carrasco do homem é ele mesmo, e o mais injusto dos homens é aquele que
não reconhece isso...
Gerenciar a emoção é capacitar o eu, que representa a vontade consciente, para
administrar a energia emocional da dor. É expandir a energia do amor, da
satisfação, da paz interior. É destruir as algemas da ansiedade, do medo, da
insegurança. É libertar-se do cárcere da emoção.
Gerenciar a emoção é o alicerce de uma vida encantadora. É construir dias
felizes, mesmo nos períodos de tristeza. É resgatar o sentido da vida, mesmo nas
contrariedades. Não há dois senhores: ou você domina a energia emocional ainda
que parcialmente, ou ela o dominará.
Gerenciar a emoção é a ferramenta básica da inteligência multifocal (uma das
poucas teorias científicas sobre o funcionamento da mente, criada por mim). É
ela que desenvolve a inteligência emocional. Parece que eu tenho sido uma das
vozes solitárias na ciência falando sobre o gerenciamento da emoção. Os
pensadores, tais como Freud, Jung, Roger, não estudaram esse assunto. Mas ele é
vital para a saúde psíquica. Ninguém comenta que o eu deve governar, proteger,
direcionar a emoção. Por não saber que podem e devem gerenciar a emoção, milhões
de pessoas têm vivido numa masmorra psíquica.
Vejamos algumas conseqüências da não-observância dessa lei.
ANSIEDADE
É um estado psíquico de tensão emocional caracterizado por diversos sintomas:
irritabilidade, inquietação, pensamento acelerado, transtorno do sono. Às vezes,
ela é acompanhada de sintomas psicossomáticos, côo a dor de cabeça, gastrite,
tontura, nó na garganta, hipertensão arterial.
Há vários tipos de ansiedade: as fobias, a síndrome do pânico, o transtorno
obsessivo compulsivo (TOC), o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o
estresse pós-traumático. Se um estado ansioso encontrá-lo em alguma curva da
vida, não se desespere. Ele pode e deve ser superado.
DEPRESSÃO
Existem vários tipos de depressão. A maioria das pessoas deprimidas vive a dor
dos outros, não tem proteção emocional, sofre por pequenos problemas. Elas
costumam ser ótimas para os outros, mas péssimas para si mesmas. Ouvi-las sem
preconceito alivia-as. Importante: quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer
matar a dor, mas nunca a vida.
Nunca despreze as pessoas deprimidas. A depressão é o último estágio da dor
humana. Mas ela tem tratamento. O desânimo, a perda do prazer de viver, do
prazer sexual, o transtorno do sono levam o mais rígido ser humano às lágrimas.
A SENSIBILIDADE
Há um tipo freqüente de choro que provém da sensibilidade e não da depressão.
Tal é o caso do choro de Lula, o presidente do Brasil. Talvez não haja outro
presidente que se emocione tanto. Seu choro é uma virtude. Ele conheceu a dor da
fome, da miséria, do desespero.
A dor foi um artesão da sua sensibilidade, gerou a capacidade de se comover
diante do sofrimento alheio. Somente se a sensibilidade se transformar em
hipersensibilidade poderá desencadear a depressão. Neste caso perde-se a
proteção e começa a viver a dor dos outros.
SINTOMAS PSICOSSOMÁTICOS
Quando os transtornos psíquicos, como a ansiedade, não são resolvidos, eles são
distribuídos no cérebro e daí canalizados para algum órgão importante no nosso
organismo. No coração gera a taquicardia, no estômago a gastrite, nos pulmões a
falta de ar, e assim por diante.
Algumas pessoas têm mais facilidade para desenvolver esses sintomas do que
outras. Há uma ansiedade normal, suave, que alimenta os sonhos. Há outra
destrutiva, intensa, que aborta a vida. Que tipo de ansiedade você tem
cultivado?
Do livro 10 Leis Para Ser Feliz, de Augusto Cury