Exponha-se. E daí?!
Sair em busca de algo almejado parece
muito interessante.
Pedir ajuda é muito normal, já que o homem está mais para a generosidade do que
para a humilhação.
Agradecer requer humildade. Precisamos, acima de tudo, expor a alma para o
mundo. Não é fácil. No entanto, temos sentido com mais freqüência essa energia
tomando conta de várias pessoas em todo o planeta, aproximando-as pela idéia da
solidariedade, da reflexão sobre o próximo, o mundo, a vida, sobre si mesmo, a
descoberta do outro, a alegria de poder perceber o que os olhos não vêem, o
futuro e, principalmente, o que estamos fazendo hoje, nas ciências, no meio
ambiente, na educação, na política, na ética, na tecnologia, nos meios de
comunicação de massa, na física quântica, na informática.
Expor nossas procuras exige abrir mão do nosso egoísmo, das nossas certezas, de
certos controles, viver livremente nossa natureza e reinventar nosso papel nesta
infinita viagem da vida. Assim, vamos nos expondo em caminhadas, numa obra de
arte, num romance, numa poesia ou em uma iniciativa qualquer de solidariedade em
nossa rua.
Não importa o que seja, o que importa é que estamos nos expondo para o mundo.
Sozinhos, mas não solitários, desgarrados da idéia de levar vantagem em busca de
um porto seguro, pelo prazer da descoberta, da conversa solta ou da criatividade
de dois corpos à procura de um terceiro.
Expor-se para o mundo é um desafio entre a realidade, a linha tênue da ingênua
loucura e a promessa cristã que se assemelha ao sofrimento, à dor, e não ao
prazer de realizar a missão, qualquer que seja, com o próximo. Expor-se é deixar
as idéias e emoções fluírem, para dividi-las onde formos capazes de chegar e, ao
mesmo tempo, estarmos dispostos a abraçar as idéias que voam. Ninguém sabe de
onde elas vêm e nem de quem partem, mas sabemos que são idéias que se juntam e
vão tomando corpo para que, em uma bela e inesperada hora, possamos dar vida a
elas.
Viva, pois, cada idéia como se a tivesse parido, com a obrigação de cuidar dela
até que chegue outra idéia; e você, então, de braços abertos, exponha-se para
dar vida a essa nova idéia. E assim vamos nos expondo e nos expondo. Ainda bem!
Por: Everardo Lopes
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