A experiência é a última que morre
Darwin, quando andava lá pelas
ilhas Galápagos, sugeriu que as espécies mais adaptadas sobreviveriam, e as
outras seriam engolidas pelo progresso. A vida profissional é darwiniana: ela
implica o acúmulo de experiência e o ajuste contínuo ao meio ambiente. Os que
souberem dosar as duas coisas terão mais sucesso.
Há duas maneiras de aprender. A primeira é através das mãos (na massa). Daí vem
a experiência. A segunda é pela atualização: estar sempre em dia com o que os
outros estão fazendo. Durante minha vida, eu procurei sempre encontrar um ponto
de equilíbrio entre essas duas coisas, a prática e a teoria.
Se todos os livros teóricos escritos até hoje fossem jogados simultaneamente ao
mar, ninguém perderia muita coisa (exceto, talvez, os peixes). Já os livros
sobre a prática são mais raros de encontrar, porque de certa forma reproduzem o
que já está acontecendo. Aparentemente, não trazem nenhuma grande novidade.
Mas, se tudo fosse tão simples assim, a pirâmide profissional estaria invertida.
Se não está, é porque alguns conseguiram ser mais práticos que a grande maioria.
O pequeno texto que escrevi é sobre prática. Ao escrevê-lo, eu voltei muitas
vezes no tempo e me diverti lembrando como suei frio ao enfrentar situações que
hoje me parecem sem nenhuma importância. Por outro lado, percebi que deixei de
fazer muita coisa que poderia ter feito, e que tomei muitas decisões erradas no
decurso de três décadas de selva profissional.
A lição mais importante, entretanto, não está no meu texto. Não adianta nada ser
um profissional reconhecido no mercado de trabalho se aquele núcleo de fãs e
críticos chamado família não estiver na mesma onda de sintonia.
Os acertos profissionais determinam o grau de sucesso, mas é a família que
determina o grau de felicidade. E felicidade é, de longe, mais importante que
sucesso.
Por isso, este texto é dedicado a quem realmente interessa: Marta, Artur e
Renato. Com minhas sinceras desculpas por todos os momentos em que o lufa-lufa
dos negócios me afastou da companhia de vocês. Com meus agradecimentos pelas
broncas passadas e futuras, que foram muitas e muitas serão, mas todas muito
merecidas.
E, acima de tudo, com muito amor.
Do livro: Laboratório de Marketing, de Carlos Eduardo Lemos, Mário Kempenich, Max Gehringer, Paulo Salvador e Percival Caropreso
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