Escolha viver a Vida


Para mim, a melhor coisa que temos é a vida. E onde há vida - conforme o velho ditado - há esperança. Assim, talvez, se conseguimos escolher a vida, não será tão difícil quanto imaginamos. No entanto, há tantos que não a escolhem.
Há pouco tempo, um de meus alunos veio para a universidade. Estava mesmo deprimido. Disse:
"Você me enjoa, com suas idéias sobre a vida. Diz: `Escolha a vida'. Por que haveria de escolher? Foi a vida que me escolheu.
Não pedi para nascer. Fui obrigado a vir para esse mundo, e, se não quero viver aqui, não vejo por que é minha responsabilidade escolhê-la".
Há milhares de pessoas que se internam nos hospícios, anualmente, entregando as vidas aos médicos e terapeutas. Outras pessoas desistem e dizem: "Viva a minha vida por mim", em vez de pegar esse dom incrível, vivendo-o plenamente.
Não sei se estão a par, mas há um fenômeno crescente chamado "síndrome da criança espancada'. O que mostra que espancamos as
nossas crianças de um modo inimaginável.
Ainda há pouco tempo em Los Angeles, uma menina teve os olhos arrancados - coisas quase inacreditáveis. E há outra doença que, para mim, é incompreensível: estamos espancando os velhos. Estamos batendo nos velhos. Os filhos batem nos pais e mães que estão envelhecendo.
Realizou-se uma entrevista com pessoas de 65 anos e mais - milhares de pessoas - e só vinte e cinco por cento dessas pessoas disseram que estavam "felizes". As outras se consideravam "vítimas". É para isso que nos dirigimos? É esse o sentido da vida?
Continuar a viver até ao ponto em que acabaremos vítimas?
Há muita gente que anda por aí falando de morte, desespero e sofrimento. Se quiserem isso, podem encontrá-lo em qualquer lugar. Leiam os jornais. Liguem os aparelhos de TV. Ou podem preferir dizer que a vida é boa, a vida é bela, vamos festejá-la.
Já pensou em ver o que diz o dicionário sobre uma palavra como vida? Vou ler o que descobri, porque é uma beleza: "A vida é a qualidade que distingue um ser vital e que funciona de um ser morto". Ora, isso não é uma beleza? Mas não ájuda muito, não é?
Há outra, que adoro, que diz: "O período de utilidade de alguma coisa".
Pensei que se a utilidade é a determinante de estarmos vivos ou mortos. então há uma porção de gente morta por aí. A definição de que mais gosto é a terceira: "Passar por ou passar o período de duração". Sabe, a maior parte de nós está realmente passando por e passando o período de duração. Não são muitos entre nós que estão realmente vivos e vivendo plenamente. O problema é que, enquanto vocês deixarem suas vidas nas mãos de outras pessoas, nunca hão de viver. Você tem que assumir a responsabilidade de escolher e definir a sua própria vida.
Acredito sinceramente que a maior parte das pessoas tem medo da vida. Não sei por quê. Temos medo de sermos o que somos!
Temos sentimentos maravilhosos e loucos, e não agimos de acordo. Você vê uma pessoa realmente bela e pensa: "Vou dizer a ela que ela é linda". E depois você pensa: "Ah, não posso fazer isso". E lá se vai ela, a vida toda, sem saber que é bonita! É uma pena, pois se não vivermos plenamente, impedimos que os outros vivam plenamente!
Temos medo de viver a vida e portanto não experimentamos, não vemos. Não sentimos. Não arriscamos! Não nos importamos! E, portanto, nem vivemos, pois a vida significa estar envolvido ativamente. A vida significa sujar as mãos. A vida significa saltar no meio de tudo.
A vida significa cair de cara no chão. A vida significa ir além de si mesmo... até às estrelas!
Mas você tem que resolver por si mesmo. "O que a vida significa para mim?" Estou convencido de que se passássemos tanto tempo - não, uma quarta parte do tempo - a cada dia pensando sobre a vida e vivendo e amando quanto passamos planejando uma refeição, seríamos incríveis!
Mas a vida tem um meio maravilhoso de resolver esse problema. Isso sempre me fascina, pois, quando a vida não está sendo vivida, ela explode em nós. É como tentar segurar a tampa quando o vapor está prestes a explodir. Alguma coisa há de acontecer, estou convencido disso. Ou você passará aos extremos do medo, sofrimento, solidão, paranóia ou apatia. Tudo isso é sinal de que você não está vivo, não está vivendo! Assim, se estiver sentindo alguma dessas coisas, enrole as mangas e diga: "Deixe-me viver". No minuto em que você começar a se envolver com a vida, o vapor escapa, e você estará salvo. Não é fácil, mas a vida nos faz saber que tem de ser vivida.
Que maravilha!
As pessoas me procuram dizendo: "Parece que você sabe de tudo. Se a vida é assim tão formidável, como é que temos a morte, a dor, o sofrimento, todas essas coisas negativas? Por que as crianças hão de sofrer;' Por que há assassinatos, estupros e guerras? Por quê'? Por quê? Por quê?"
Eu digo: "Como é que vou saber?" Homens mais notáveis já tentaram responder a essas perguntas, há anos. Mas sabem o que fiz?
Deixei de fazer as perguntas, e comecei a viver as respostas, e isso foi muito importante.
Por que a morte? Eu não sei por que a morte. Por que a dor? Quisera que não existisse, mas não sei "por que a dor". Se eu passasse a vida querendo respostas a essas coisas, nunca viveria.
Mas digo a eles que de fato conheço um pouco a vida. Há uma coisa chamada alegria, pois a senti. E há uma coisa chamada loucura maravilhosa porque a vivi. E sei que há uma coisa chamada amor, pois já amei. E sei que há uma coisa chamada êxtase porque já conheci o êxtase.
 

Do maravilhoso livro: Vivendo, amando e aprendendo, de Leo E. Buscaglia
 

 

 

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