Eliminando a autocrítica
O ceticismo envolve a repetição de uma crítica a nós próprios que, usualmente, é sempre a mesma. Quando iremos acordar para o fato de que a crítica não resolve nada? Vamos seguir uma nova táctica. Vamos aceitar-nos tal e qual como somos agora. As pessoas muito críticas normalmente atraem a crítica sobre si, porque esse é o seu padrão. Aquilo que nós damos é o que nós recebemos. Para se ser crítico era preciso sermos perfeitos o tempo inteiro. Quem é perfeito? Acaso conhece alguém que o seja? Eu não. Se nos queixamos de alguém, na verdade estamos a queixar-nos de nós próprios.
Todos somos o nosso próprio reflexo e aquilo que vemos nos outros, estamos também a ver em nós. A maior parte das vezes não queremos aceitar algumas facetas nossas. Infligimos abuso a nós próprios com o álcool, as drogas, o tabaco ou comemos demasiado, ou seja como for. Estas são formas de nos autopunirmos por não sermos perfeitos. Mas afinal, temos de ser perfeitos para quem? Que exigências e que expectativas estamos a tentar satisfazer? Esteja preparado para entregar isso. Vamos apenas ser. Irá descobrir que é maravilhoso, sendo apenas como é neste preciso momento.
Se sempre foi uma pessoa muito crítica, que vê a vida através de um prisma muito negativo, o processo de evolução para uma pessoa que se ama e se aceita irá ser prolongado. Para esse efeito terá de aprender a ser paciente consigo próprio, à medida que se for libertando da crítica que, sendo apenas um hábito, não representa a realidade do seu ser.
Consegue imaginar o que seria a nossa vida se conseguíssemos viver sem sermos criticados por ninguém? Completamente à vontade e num bem-estar total. Todas as manhãs seriam o começo de um maravilhoso novo dia, sentiríamos o amor e o respeito de todas as pessoas e ninguém nos iria criticar ou deitar abaixo. Podemos conceder--nos esta felicidade. Para tal basta aceitarmos aquilo que nos torna únicos e especiais.
A vivência da harmonia com o próprio ser pode ser a experiência mais fantástica que podemos imaginar. Podemos acordar de manhã e sentir a alegria de viver mais um dia.
Quando ama aquilo que é, automaticamente faz sobressair aquilo que há de
melhor em si. Eu não estou a dizer que será uma pessoa melhor porque isso
implica que agora não é suficientemente boa. No entanto, é possível encontrar
maneiras mais positivas de satisfazer as suas necessidades e de expressar
melhor o seu verdadeiro ser.
As pessoas transmitem-nos freqüentemente mensagens negativas porque essa é a
maneira mais fácil de sermos manipulados. Se alguém o está a fazer sentir-se
culpado, coloque a questão a si próprio: "O que é que querem? Qual a razão?"
Faça as perguntas em vez de concordar interiormente, "Sim, eu sou culpado, é
melhor fazer o que dizem."
É tão comum vermos os pais que manipulam os filhos através da culpa. É natural. Eles próprios foram criados assim. Dizem mentiras aos filhos para que eles se sintam inferiores. Há pessoas que mesmo em adultas se deixam manipular pela família ou pelos amigos. A causa primeira é o não terem respeito por elas próprias, caso contrário não permitiriam que isso acontecesse. Em segundo lugar vem o fato de elas próprias serem também manipuladoras.
Tanta gente vive debaixo de uma nuvem de culpabilidade. Há sempre qualquer coisa errada, ou não estão a fazer a coisa bem feita, ou por qualquer razão estão a pedir desculpa a alguém. Não conseguem perdoar a si próprios o que fizeram no passado. Censuram-se por quase tudo o que se passa nas suas vidas. Deixe essa nuvem dissipar-se. Não é preciso viver mais assim.
Aqueles que se sentem culpados podem agora aprender a dizer não e chamar a atenção dos outros para os seus disparates. Não estou a dizer para se zangar com as pessoas, simplesmente para não alinhar mais no jogo. Se dizer não é uma novidade, diga muito simplesmente: "Não. Não. Não posso fazer isso." Não arranje desculpas porque nesse caso está a dar argumentos ao manipulador para o convencer a mudar de opinião. Quando as pessoas virem que a manipulação já não funciona, elas vão parar. As pessoas só nos controlam enquanto nós o permitirmos. Pode ser que se sinta culpado da primeira vez que disser não, mas, nas vezes seguintes, tudo será mais fácil.
Texto extraído do livro: O Poder Está Dentro de Si, de Louise L. Hay
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