A dinâmica da consciência
A consciência é uma energia
dinâmica, criativa. Ela não é inerte, estagnada. Está sempre se expandindo;
qualquer que seja a direção, está se movendo. O amor sempre constrói sobre o
amor e o medo sempre constrói sobre o medo. A sombra é um impulso inexorável na
direção do sofrimento e da dor.
No entanto, como é que essa coisa — que em si mesma é uma ilusão, que em si
mesma não tem vida — age como se existisse? A resposta para isso é que, embora o
medo em si não seja real, o poder do pensamento que o conduz é. O medo é como um
dispositivo explosivo e o pensamento é o míssil que o conduz. A mente é criada
para ser um condutor do divino, levando explosões de amor, mas o livre-arbítrio
significa que podemos dirigi-lo de outra maneira se assim escolhermos.
Sua mente está sempre estendendo amor ou projetando medo, assim como
inconscientemente está planejando como fazer mais da mesma coisa. A sombra é sua
mente voltada contra você mesmo. Assim como Lúcifer era o mais belo anjo do céu
antes de cair, e uma célula cancerígena era uma célula normal e ativa antes de
enlouquecer, a sombra é o próprio pensamento voltado à direção errada. É a
aversão própria, mascarada como amor-próprio. Sua sombra é tão inteligente
quanto você, pois ela é a própria inteligência cooptada pelos propósitos do
medo. Ela tem todos os atributos da vida, porque se anexou a ela. E, como tudo
que é vivo, busca preservar a si mesma.
Sempre que o amor está perto, a sombra se torna particularmente ativa, de modo a
se guardar contra o próprio fim. Ela sabe que o amor é seu único inimigo real.
Quando a sombra pressente o amor, quando sente a luz em você, ela literalmente
defende a própria vida. A sombra tentará, de qualquer maneira possível,
invalidar, sufocar, transformar o bom em errado dentro de você, pois ela sabe
que, a partir do momento que você se lembrar da luz do self verdadeiro, ela irá
embora. Portanto, a sombra luta.
Daí a conhecida frase: "O amor nos faz perder o juízo". Você conhece alguém com
quem sua alma sente uma ligação sagrada? Cuidado, é provável que você faça algo
estúpido na presença dessa pessoa. Você tem uma chance extraordinária de
manifestar seus sonhos? Cuidado, é provável que você sabote essa oportunidade. E
essa é a sombra: a irmã gêmea malvada do seu melhor self.
Até que haja um movimento consciente que se distancie do medo em direção ao
amor, a energia dinâmica do medo agirá como uma força destrutiva que não faz
prisioneiros. Ela pode levar a algo aparentemente pequeno, como um incidente, no
qual você diz algo tolo, porém inofensivo, ou com consequências que levem a
ações que podem arruinar a sua vida. Não devemos subestimar seu poder, nem
duvidar de sua malignidade, pois a sombra se agita — às vezes, de um modo lento
e demorado, às vezes, mais rapidamente —, mas é sempre intencional em direção à
dor.
Nos Alcoólicos Anônimos é dito que o alcoolismo é uma "doença progressiva". Isso
significa que não é contida; se você tem um problema com álcool hoje, então terá
um problema maior amanhã, a menos que lide com ele. E seu objetivo final é a
destruição, beirando morte. Na dependência, o alcoolismo não tem a ver só com o
álcool; tem a ver com o momento em que a força da sombra atormenta o corpo e a
alma. E a razão para que milhões de dependentes tenham ficado sóbrios com a
ajuda do AA é porque o programa deixa claro que somente uma experiência
espiritual pode salvá-los. Só Deus é poderoso o suficiente para superar a
sombra, qualquer que seja sua forma.
Quando Jesus disse, na Bíblia, que deveríamos regozijar, pois ele havia
"vencido" o mundo, a palavra que ele escolheu é particularmente fascinante. Ele
não disse que tinha "consertado" o mundo. Ele disse que tinha "vencido" as
forças sombrias sendo erguido ao reino da consciência, onde as formas de
pensamento inferior já não tinham poder para limitá-lo. E esse é o desafio que a
sombra nos faz: que cheguemos tão alto, luz acima — à profunda sanidade de uma
perspectiva superior e amorosa —, que a sombra em si ficará impotente.
Trecho do maravilhoso livro O efeito sombra de DEEPAK CHOPRA, DEBBIE FORD e MARIANNE WILLIAMSON
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