Desarmonia e doença
A doença é um estado que indica
que o indivíduo deixou de estar em ordem ou em harmonia ao nível da sua
consciência. Essa perda do equilíbrio interno manifesta-se ao nível do corpo sob
a forma de sintoma. Nessa perspectiva, o sintoma é um sinal portador de
informação, uma vez que através da sua aparição interrompe o ritmo da nossa vida
e obriga-nos a ficar dependentes dele. O sintoma assinala-nos que enquanto
indivíduos, enquanto Seres dotados de alma, estamos doentes, ou seja, perdemos o
equilíbrio das forças da alma. O sintoma informa--nos de que algo falta. Acusa
um defeito, uma falha. A consciência apercebeu-se de que para permanecermos sãos
há algo que
A compreensão da doença e da cura
nos está a faltar. Essa carência manifesta-se no corpo enquanto sintoma. O
sintoma é, pois, o aviso de que algo falta.
Quando o indivíduo compreende a diferença entre a doença e o sintoma, a sua
atitude básica e a sua relação para com a doença modificam-se rapidamente. Deixa
de considerar o sintoma como o grande inimigo cuja destruição deve ser o seu
objetivo prioritário, passando antes a encará-lo como um aliado que o poderá
ajudar a encontrar aquilo que lhe falta para poder levar de vencida a doença.
Nessa altura, o sintoma será como o Mestre que nos ajuda a estar atentos ao
nosso desenvolvimento e conhecimento, um Mestre severo que será duro conosco se
nos negarmos a aprender a lição mais importante. A doença não conhece outro
objetivo que não o de nos ajudar a reparar as nossas «carências» e a tornar-nos
sãos.
O sintoma diz-nos o que é que nos falta - para o compreendermos temos, no
entanto, de aprender a sua linguagem. O objetivo deste livro é ajudar a
reaprender a linguagem dos sintomas. Dizemos reaprender na medida em que essa
linguagem sempre existiu e, portanto, não se trata de inventá-la mas sim de
recuperá-la. A linguagem dos sintomas é de cunho psicossomático, quer isso
dizer, conhece a relação entre o corpo e a mente. Ao redescobrirmos a
ambivalência da linguagem, de imediato conseguimos voltar a escutar e a entender
aquilo que nos segredam os sintomas. E se escutarmos com atenção perceberemos
que nos contam coisas bem mais importantes do que os nossos semelhantes dado que
são companheiros mais íntimos, pertencem-nos por inteiro, e são os únicos que
nos conhecem de verdade.
Tal pressupõe, sem dúvida, uma sinceridade difícil de suportar. Nunca um nosso
amigo se atreveria a dizer-nos a verdade nua e crua tal como o fazem sempre os
sintomas. Não é, pois, de estranhar que tenhamos optado por esquecer a linguagem
dos sintomas. É bem mais cômodo viver no engano. Mas não será fechando os olhos
ou fingindo-nos surdos que conseguiremos manter os sintomas à distância. Sempre,
de uma maneira ou de outra, teremos de os enfrentar. Se nos atrevermos a
prestar-lhes
atenção e a estabelecer com eles a comunicação, revelar-se-ão guias infalíveis
no nosso caminho em defecção à cura verdadeira. Ao dizerem-nos aquilo que nos
falta na realidade, ao porem a nu o tema que teremos de passar a assumir de
forma consciente, conferem-nos a possibilidade de tornar os sintomas supérfluos
mediante processos de aprendizagem e de assimilação conscientes.
Eis a diferença entre combater a doença e transmutar a doença. A cura produz-se
exclusivamente a partir de uma doença transmutada, nunca com base num sintoma
derrotado, uma vez que cura significa que o Ser Humano se torna mais são, mais
completo (através do aumentativo de completo, gramaticalmente incorreta,
pretendemos significar mais próximo da perfeição; é óbvio que são tão-pouco
admite aumentativo). Cura significa redenção - aproximação dessa plenitude de
consciência que se apelida também de iluminação. A cura consegue-se incorporando
aquilo que falta, o que não é possível sem uma expansão da consciência. Doença e
cura são conceitos que pertencem exclusivamente ao campo da consciência, pelo
que jamais poderão aplicar-se ao corpo visto que este nunca está nem doente nem
são. No corpo refletem-se apenas, em cada situação concreta, estados de
consciência.
Trecho do livro A Doença Como Caminho, de Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke
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