O combate interior
A realidade na qual vivemos é
composta por aquilo em que acreditamos e é cercada por elementos que negamos
existir em nosso interior. Aquilo que é rejeitado por nós será transferido para
o ambiente, proporcionando um contato inevitável com aquelas situações que não
foram trabalhadas interiormente, simplesmente desprezadas. Isso ocorre porque
tentamos seguir um modelo de vida que não corresponde à nossa natureza íntima.
Entretanto, insistimos em manter uma condição que não é compatível com nossos
reais sentimentos, gerando um conflito interior entre aquilo que
sentimos e aquilo que queremos. Esse conflito também é transferido para fora,
contagiando negativamente a realidade em que vivemos, fazendo surgir uma série
de situações desagradáveis para serem normalizadas por nós.
Paralelo à atuação no meio externo, ocorre uma transformação no mundo interno.
Enquanto resolvemos as complicações existenciais, apaziguamos as turbulências
emocionais geradas pela desarmonia interior. Para compreender melhor esse
processo, tomemos como exemplo nossa necessidade de provar aos outros que somos
uma boa pessoa. Passamos a fazer tudo que nos pedem, mesmo que esses favores nos
agridam.
Preocupar-se demasiadamente com os outros nos faz ser negligentes para com
nossas próprias necessidades. Esses impulsos de negação sufocados podem
manifestar-se em forma de temor pela violência. Tal comportamento atrai as
situações de risco, pois a violência, que não admitimos existir em nós,
revela-se no meio em que vivemos. Assim sendo, a realidade de cada um é fruto
daquilo que foi cultivado em seu interior.
Para alterarmos alguns fatores desagradáveis de nossa existência, não adianta
fugir deles, acionando os mecanismos imaginários, mas sim encará-los de frente.
A transformação interior caminha com a realização no meio exterior. À medida que
atuamos na vida, desenvolvemos nossos atributos e nos aprimoramos.
Não dar tanta importância às situações desagradáveis representa um excelente
recurso para superar os conflitos existenciais. É bom não fugir, tampouco ato
lar na confusão, porque isso tumultuaria ainda mais as coisas, agravando as
situações nocivas.
Evite ficar ruminando mentalmente as situações que não lhe fazem bem, porque
isso canaliza as energias, potencializando o que é ruim. Não se ater à
negatividade representa uma atitude preventiva, no sentido de evitar ser afetado
por tais episódios.
Por outro lado, o desejo excessivo pelos bons resultados interfere negativamente
na realidade, dificultando o acesso àquilo que é agradável. Ficar extremamente
ansioso pela ordem e harmonia dificultará a implantação dessa condição
existencial.
Naturalmente, tudo se estabiliza e a ordem sempre reina; basta ser atuante na
realidade e determinado àquilo que se propõe fazer, que, com o tempo, tudo irá
se normalizar, reinando a paz e a harmonia na vida.
Para melhorar a condição de vida, você precisa aprimorar a atuação na realidade
e não exagerar nem ser omisso aos desafios que a vida oferece. Além disso,
precisa viver com qualidade e grande intensidade.
O bom humor é um estado interior extremamente saudável para o bem viver,
influenciando positivamente as funções da hipófise. Ser bem-humorado é imaginar
sempre perspectivas favoráveis para a solução das complicações externas.
Isso evitará que você implante em seu interior as turbulências existentes no
meio exterior. Não se deixe contagiar pela negatividade; ela planta em você o
pessimismo.
Cultive a paz profunda, permanecendo inabalável na certeza dos bons resultados.
DO LIVRO METAFÍSICA DA SAÚDE, DE VALCAPELLI & GASPARETTO - VOL. 3
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