Amor versus Medo

Uma vez que se sinta seguro, terá o direito de estar aqui. No entanto, de modo a se sentir de fato um ser íntegro, você precisa se sentir amado. O amor é a garantia de que você é querido. O oposto, que é o que muita gente sente, é como ser uma partícula a esmo, arremessada em um mundo caótico. A única reação sã para essa situação é o medo. A religião fez algumas tentativas ao oferecer a completa garantia de que Deus ama cada um de nós, porém, ao mesmo tempo, ela se agarra à imagem de um Deus temível e vingativo. A razão para que essa dualidade nunca seja resolvida não é nenhum mistério. Ninguém jamais encontrará Deus e perguntará se Ele realmente nos ama ou nos despreza, se nos quer salvos ou condenados. De Moisés a Maomé, o divino sempre foi confrontado com essa exata questão. A resposta sempre pareceu ter os dois lados. Para fugir do medo, confiar em um Deus amoroso não dará certo, pois essa é uma opção intelectual, sempre aberta à dúvida, ou emocional, sempre aberta à mágoa. Enquanto você estiver duvidoso ou puder ser magoado, naturalmente o amor divino não parecerá confiável. No entanto, consciencialmente podemos experimentar o fluxo de amor como uma força constante, não um capricho divino. Os antigos rishis da Índia afirmaram que a alegria (ananda, em sânscrito) não se ganha nem se perde. Ela é construída na natureza da consciência. A alegria, em sua forma mais pura, é o êxtase, o prazer, o arrebatamento. Mas a consciência se desenrola do não manifesto e invisível para o manifesto e visível. Conforme esse desenrolar acontece, a alegria se torna um aspecto da natureza que tem muitas qualidades:

• É dinâmica — ela se move e se modifica.
• É evolutiva — ela cresce.
• É penetrante — quer entrar em tudo.
• É desejosa — busca a realização.
• É inspiradora — aumenta, criando novas formas de habitar.
• É unificadora — destrói as fronteiras da separação.

No Ocidente, atribuímos essas qualidades ao amor, que também é a alegria, sob outro nome. O amor transforma dois corações em um. O amor inspira grandes poesias e trabalhos de arte. Derruba barreiras entre as pessoas. Há uma tradição, que vem desde o começo dos tempos, que venera o amor. No entanto, não há dúvida de que vivemos em uma época sem amor, graças ao ceticismo e ao materialismo. Nenhum dos dois força a renúncia ao amor, mas o reduziram às químicas cerebrais, ao condicionamento psicológico, à atuação boa ou ruim dos pais e à saúde mental. Nenhuma dessas coisas é inteiramente negativa; elas levam a perspectivas valiosas. No entanto, pelo bem ou pelo mal, a tradição de exaltar o amor como sagrado vem enfraquecendo bastante. Restou a cada pessoa ter de descobrir se a força do amor pode ser experimentada; a busca do amor tem sido outra forma de busca espiritual.

Trecho do maravilhoso livro O efeito sombra de DEEPAK CHOPRA, DEBBIE FORD e MARIANNE WILLIAMSON

 

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