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Somos ensinados
a pensar que, a menos que haja reconhecimento, não somos ninguém, não valemos
nada. O trabalho
não é importante; o reconhecimento, sim. E isso deixa tudo de cabeça para baixo.
O trabalho deveria ser importante — um prazer por si só. Você não deveria
trabalhar para ser reconhecido, mas porque gosta de ser criativo. Você gosta do
seu trabalho pelo que ele é. Faça um trabalho porque o aprecia. Não espere por
reconhecimento.
Se ele vier, encare-o com naturalidade. Se não vier, não pense nisso.
Sua satisfação tem que vir do trabalho em si. E se todo mundo aprender essa arte
simples de amar o trabalho, seja ele qual for, gostando dele sem esperar
qualquer reconhecimento, teremos um mundo mais bonito e festivo.
A existência é abundante — milhões e milhões de flores, milhões de pássaros,
milhões de animais... Tudo em abundância. A natureza não é ascética, ela está
dançando por aí — no vento passando pelos pinheiros, nos pássaros... Para que
milhões de galáxias, cada uma delas com milhões de estrelas? Parece não haver
necessidade, exceto pelo fato de que a abundância é a própria natureza da
existência; essa riqueza é seu próprio cerne. A existência não acredita em
pobreza.
Se você sabe apreciar uma flor cor-de-rosa, uma árvore verdejante no seu
quintal, as montanhas, os rios, as estrelas, a lua, se você sabe apreciar as
pessoas, não ficará obcecado por dinheiro. A obsessão aparece porque nós
esquecemos a linguagem da celebração. Não estou dizendo para você renunciar ao
dinheiro. Isso é o que estão lhe dizendo há eras e não mudou você em nada. Estou
lhe dizendo outra coisa: celebre a vida e a obsessão por dinheiro desaparecerá
automaticamente. E, quando isso acontece naturalmente, não deixa marcas, não
deixa feridas, não deixa traços.
Ninguém é superior e ninguém é inferior, mas ninguém é igual a ninguém. As
pessoas são simplesmente únicas, incomparáveis.
Você é você, eu sou eu. Eu tenho que contribuir para a vida com o meu potencial,
você tem que contribuir com o seu.
Eu tenho que descobrir o meu próprio ser, você tem que descobrir o seu.
A vida em si é uma tela em branco: ela se torna aquilo que você pintar nela.
Você pode pintar sofrimento, pode pintar bem aventurança. Essa liberdade é a
nossa glória.
Quando você não compara, quando não compete, quando não é ambicioso, quando não
quer ser alguém que não é, acumula muita energia — porque toda essa energia que
estava sendo gasta na competição e no conflito não é mais desperdiçada. Você
passa a ser um reservatório. Dessa energia vem a criatividade.
A criatividade não tem nada a ver com competição, ela tem a ver com energia
transbordante. William Blake está certo ao dizer: "Energia é a eterna alegria."
Quando você transborda de energia, fica incandescente e chamejante de tanta
energia, a própria energia vira criatividade. Você começa a crescer, mas agora
esse crescimento tem uma conotação completamente diferente. Ela não tem objetivo
algum — tem uma fonte, mas não um objetivo. Agora você não está pensando em quem
vai ser, não está perseguindo um certo objetivo, um certo plano. Você é como um
grande rio que, por meio de sua força impetuosa, chega ao oceano.
Nenhum rio está em busca do oceano, mas os rios chegam ao oceano. E nenhum rio
compete com os outros, mas todos chegam ao oceano. Os rios chegam ao oceano
graças à água transbordante. Essa mesma energia é suficiente para levá-lo ao
oceano.
Você pode se tornar um oceano de criatividade se estiver satisfeito. Assim, a
criatividade brota em você, cresce em você — não por um ideal, mas só porque
você tem mais do que o suficiente e precisa compartilhá-la. Precisa cantar uma
canção, porque o coração está tão repleto e transbordante que você tem que
vertê-lo em canções. Não pode conter a energia, por isso o transbordamento
acontece. Esse transbordamento é a criatividade.
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