A infalibilidade da fé
A fé é uma lei. Sempre que se
colocam corretamente as premissas de uma lei, o resultado nunca falha.
Assim como as leis da física, da química, da eletrônica, não falham, da mesma
maneira a lei da fé também não falha. — Mas muitas vezes não acontece —
insistirá você.
Sim, não acontece porque a pessoa não colocou com exatidão as premissas da lei
da fé.
Nas leis físicas é fácil constatar se as premissas estão corretas. Basta
verificar os produtos, o material, a aplicação e o resultado. Não dependem da
vontade humana ou da crença. Até um aparelho pode aferir a justa aplicação da
lei. As premissas funcionam autonomamente. No caso das leis físicas, o sujeito,
o objeto e as premissas não têm autodeterminação, por isso atuam
matematicamente.
Quando falha a lei física, você consegue detectar a causa e descobre qual a
parte que não correspondeu. Digamos que você vai fazer explodir uma ponte com
pólvora: coloca o explosivo no lugar certo, puxa um cabo elétrico, liga-o à
tomada, verifica que tem energia e, então, aperta o botão que fará explodir a
pólvora. Nada acontece. Um eletricista apressado dirá que, pela primeira vez,
falhou a lei da química. Resta, no entanto, a possibilidade de verificação e é
logo encontrada a explicação: a pólvora estava molhada.
A lei não funcionou porque uma premissa falhara. A lei funciona somente quando
as premissas são colocadas devidamente.
No caso da pólvora e da eletricidade foi fácil constatar, porque esse material
não tem mente, não tem alma, não tem espírito, não tem autodeterminação.
Se você vai no carro e de repente um pneu se fura, você deduz imediatamente:
furou-se um pneu. Pela lei, o ar só poderia sair do pneu no caso de furo. Jamais
lhe passaria pela idéia que pneu e a câmara tivessem tomado a decisão de
expulsar o ar.
Seria impossível acontecer que o pneu resolvesse refletir: «Não aguento mais
essa vida, a andar para cá e para lá, por isso vou esvaziar-me e parar de
trabalhar. Declaro a minha reforma definitiva.»
O pneu não tem mente, daí que, esvaziado, sabe-se o que ocorreu.
Tratando-se, porém, da lei da fé, acontece que o sujeito, o objeto e as
premissas da lei dependem da mente humana, que, por não ser matéria, está
sujeita a alterações a qualquer momento.
A mente é muito subtil, capaz de fazer oscilar o pensamento em frações de
segundo, com isso mudando completamente a premissa da lei da fé.
No mais das vezes, a pessoa nem se apercebe de que, num instante, trocou várias
vezes a idéia a respeito da mesma coisa.
Não é comum segurar uma idéia firme e sólida na mente, porque podem interferir
experiências contrárias, opiniões de outros, leituras que contradizem, crenças
opostas, desânimo, angústia, medos, mágoas, raivas, depressões e tantos outros
pensamentos e sentimentos, tudo isso em menos de um minuto.
Vamos supor que você deseja um carro e agora está a mentalizar. A mente, tomada
de surpresa, começa a lembrar vertiginosamente que você não tem dinheiro, que
não é fácil ter carro, que ninguém lhe vai dar um carro, que o banco cobra juros
altos demais, que não tem salário suficiente para aguentar um consórcio, que o
seu marido se nega a comprar o carro, que antes do carro é mais urgente uma
casa, que mesmo que consiga o carro não terá verba para o combustível, que não
tem
garagem, que não sabe guiar, que é uma pessoa muito nervosa e dificilmente será
boa motorista, que carro é luxo de mais num país pobre, que Jesus andava a pé,
que um carro pode provocar mais acidentes, que o seu filho vai levar o carro e
não tem carta de condução, que vai dar origem a discussões porque você e o seu
marido vão querer levar o carro ao mesmo tempo, que ele poderá usar o carro para
atrair mulheres, que o carro contribuirá para um ou outro estar mais tempo fora
de casa, e sei lá o que mais poderia você pensar... E você ainda me vem dizer
que mentalizou com fé o seu carro. Todas essas idéias anulam a legitimidade da
segunda premissa da fé.
O seu carro não acontecerá, pelo simples fato de que, nessa premissa, você está
a mentalizar que não terá o carro, ou que não quer o carro.
Eis por que as pessoas não alcançam o que pedem. Não foi Deus que falhou, nem é
culpa de uma lei imprevisível e inconstante, mas porque não houve fé, ou seja,
você disse e desdisse.
Você disse e logo acrescentou: Fica o dito por não dito em honra de são
Benedito.
Até parece aquela piada do mendigo que contava uma história comovente para
conseguir esmola.
O homem então observou-lhe:
Mas na semana passada era outra história que você contava. O mendigo:
Pois era, mas já ninguém acreditava nela.
Lembre-se sempre de que pedir pertence-lhe a si, mas dar é coisa de Deus;
portanto, deixe para Deus o que é de Deus. Tenha fé.
Como a mente consciente é muito subtil, volúvel, e pode estar a todo momento
ruminando o acervo de seus pensamentos e experiências, talvez você se apresse a
dizer que é difícil ter fé, porque é difícil manter o pensamento unívoco.
Trago-lhe uma boa notícia: só cabe um pensamento de cada vez na sua mente
consciente – a mente criadora por isso, teoricamente, não é difícil manter
pensamento unívoco. Basta que agora você controle seu pensamento, e também no
momento seguinte, e no outro, e ainda no outro momento, assim por diante.
Enquanto mantiver esse pensamento, no mesmo período não entrará
outro. Se, ao interromper esse pensamento, surgir um contrário, simplesmente
mude imediatamente. Com o tempo, terá a maior facilidade em segurar uma idéia
unívoca.
Fé é a idéia unívoca.
Assim como o exercício físico fortalece o corpo, da mesma maneira o exercício
mental fortalece a mente.
Num mundo em que o inconsciente coletivo é negativo, é natural que a sua mente
receba idéias contraditórias, mas a você cabe selecionar os pensamentos e
cultivar só os que lhe servem.
Vá em frente e boa sorte. Com certeza.
Trechos do livro "A Fé que Removo Montanhas", de Lauro Trevisan
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